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DAS PERDAS E DANOS

No documento Número: Data Autuação: 08/03/2016 (páginas 40-46)

ID. b75f774 - Pág. 6

Assinado eletronicamente. A Certificação Digital pertence a: CORINI ADRIANA MALJAARS

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A Reclamada alega em sua defesa que, no âmbito da Justiça do Trabalho, o deferimento de honorários advocatícios está condicionado ao benefício da justiça gratuita e à assistência por sindicato.

Com razão, somente nesse tocante, a Reclamada.

De fato, na Justiça do Trabalho, é predominante na jurisprudência o entendimento de que a condenação ao pagamento de honorários advocatícios, nunca superiores a 15% (quinze por cento), não decorre pura e simplesmente da sucumbência, pois deve a parte estar assistida por sindicato e comprovar a percepção de salário inferior ao dobro do salário mínimo ou encontrar-se em situação econômica que não lhe permita demandar sem prejuízo do próprio sustento ou da respectiva família.

Contudo, não se trata de pedido de condenação em honorários de sucumbência, esses limitados a 15%; e sim, de honorários contratuais, esteado no princípio da restituição integral.

Deveras, o Código Civil de 2002 consagra de modo expresso o princípio da reparabilidade plena, o qual prevê que o não-cumprimento da obrigação impõe ao devedor a obrigação de responder por perdas e danos, incluindo nestas, os honorários de advogado, conforme preconiza os artigos 389 e 404 do Código Civil.

Assim, é clarividente que os honorários abrangidos pelas perdas e danos não são os sucumbenciais, devidos ao advogado, mas os contratuais, devidos ao credor, ora Reclamante, que como qualquer cidadão, tem a liberdade de contratar um profissional de sua confiança para perseguir o seu crédito (alimentar) e assegurado o direito de ser ressarcido integralmente pelos danos que experimentou.

De fato, há inequívoca distinção entre honorários sucumbenciais, inexistentes na Justiça do Trabalho por conta do Jus Postulandi (Art. 791, CLT), e os contratuais, sendo complementares e sucessivos, não opostos.

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Quanto ao argumento da Reclamada de que, na Justiça do Trabalho, vige o Jus Postulandi, s.m.j., de duvidosa constitucionalidade, é de bom alvitre salientar, que o próprio Colendo Tribunal Superior do Trabalho relativizou sua aplicação ao aprovar a Súmula 425 [2], na qual estabelece a presença obrigatória do advogado naquela Corte, o que demonstra uma tendência à universalização da representação por advogado na Justiça do Trabalho.

Por outro lado, a observância do artigo 791 da Consolidação das Leis Trabalhistas (Jus Postulandi) não obsta o direito do Reclamante em haver do vencido a indenização do valor comprometido com a contratação de advogado, pois tal instituto prejudica apenas e tão somente a condenação da parte contrária em honorários sucumbenciais, não os contratuais.

Bem se vê, portanto, que resta superada, neste particular, a jurisprudência do C. TST no que pertine ao Jus Postulandi. Ademais, O fundamento para a concessão dos honorários de advogado repousa nos artigos 5º incisos XVIII LXXIV; 8º, inciso V e 133 da Constituição Federal.

Portanto, nos termos dos artigos. 389 do CC e 133 da Constituição Federal, o advogado é indispensável à administração da justiça, devendo aquele que deu causa à propositura da ação responder pelos honorários do advogado, sob pena de ofensa ao princípio da restituição integral. Este é o entendimento do Tribunais Trabalhistas Pátrios, in verbis:

INDENIZAÇÃO PELA CONTRATAÇÃO DE ADVOGADO. Pelo princípio da reparabilidade plena, o não-cumprimento da obrigação impõe ao devedor a obrigação de responder por perdas e danos, as quais abrangem os juros, a atualização monetária, custas e honorários de advogado, sem prejuízo de pena convencional (artigos 389 e 404 do Código Civil). Recurso da reclamada não provido. (TRT 24ª R.; RO 1339-32.2010.5.24.0072; Segunda Turma; Red. Desig. Des. Fed. Ricardo G. M. Zandona; Julg. 25/01/2012; DEJTMS 06/02/2012; Pág. 30);

HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. RECLAMANTE HIPOSSUFICIENTE NÃO ASSISTIDO PELO SINDICATO PROFISSIONAL. POSSIBILIDADE. Ainda que vigente o jus postulandi nesta justiça especializada (artigo 791/CLT), à parte hipossuficiente não pode ser negado o direito à contratação de advogado de sua confiança, a fim de patrocinar seus interesses, até porque tal despesa se deve à inadimplência patronal no cumprimento de suas obrigações contratuais. Os artigos 389 e 404 do novo Código Civil dispõem acerca da obrigação de o devedor responder por perdas e danos, juros e correção monetária além de honorários advocatícios. Consequentemente, tendo o trabalhador de se

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valer da contratação de um advogado, para propor ação judicial com o intuito de receber direitos legais, que não foram pagos durante o período contratual, deve ser ressarcido nos gastos havidos que, certamente, resultarão em prejuízo ao patrimônio auferido por força sentencial (artigos 186, 389, 404 e 944 do Código Civil). (TRT 3ª R.; RO 346-46.2010.5.03.0048; Quarta Turma; Relª Juíza Conv. Adriana G. de Sena Orsini; DJEMG 23/01/2012; Pág. 57);

HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEFERIMENTO. O fundamento para a concessão dos honorários de advogado repousa nos arts. 5º incisos XVIII LXXIV; 8º, inciso V e 133 da Constituição Federal. (TRT 7ª R.; RO 182-42.2010.5.07.0025; Segunda Turma; Rel. Des. Emmanuel Teófilo Furtado; DEJTCE 17/02/2012; Pág. 5).

Assim, indiscutível que o novel Código Civil, ao cuidar das perdas e danos, viabilizou o Reclamante busque em juízo a recomposição dos valores que despendeu com a contratação de advogado.

Por outro lado, quanto ao argumento impeditivo por conta da existência das Súmulas 219 e 329, do C. TST, ainda sim a verba honorária é devida, em decorrência da revogação dos artigos 14 e 16 da Lei nº 5.584/70, que conferiam supedâneo legal às estas Súmulas, restando superada, neste particular, a jurisprudência sumulada do C. TST [3].

Assim, tendo em vista que não há na legislação laboral qualquer previsão acerca dos honorários contratuais, aplica-se subsidiarimente o direito comum "ex vi" do parágrafo único do artigo 8º da Consolidação Trabalhista.

Portanto, a fim de que a reparação do inadimplemento da obrigação trabalhista seja completa, em homenagem ao princípio da "restitutio integrum", necessário se faz a reparação dos prejuízos sofridos pelo Reclamante, que perfazem o percentual de 30% sobre o valor bruto da condenação ou eventual acordo, percentual cobrado de acordo com a Tabela de Honorários Advocatícios no âmbito da OAB/MS.

CONCLUSÃO.

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DIANTE DE TODO O EXPOSTO, IMPUGNA na íntegra todos os termos da contestação, fls., e documentos juntados, com a sua consequente rejeição, tudo em conformidade com a exposição de motivos e fundamentos acima lançados.

Requer, respeitosamente a V. Exa., que seja a presente Reclamatória Trabalhista julgada TOTALMENTE PROCEDENTE com a condenação do Reclamado ao pagamentos dos pedidos formulados na peça inicial mais perdas e danos.

Nestes termos, Pede deferimento.

Campo Grande, 16 de agosto de 2016.

André Luiz de Jesus Fredo, OAB/MS 14326.

[1]

[2] JUS POSTULANDI NA JUSTIÇA DO TRABALHO. ALCANCE - O jus postulandi das partes, estabelecido no art. 791 da CLT, limita-se às Varas do Trabalho e aos Tribunais Regionais do Trabalho, não alcançando a ação rescisória, a ação cautelar, o mandado de segurança e os recursos de competência do Tribunal Superior do Trabalho.

[3] Honorários advocatícios. Concessão. A verba honorária é hodiernamente devida em decorrência da revogação dos arts. 14 e 16 da Lei nº 5.584/70, que conferiam

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supedâneo legal às Súmulas nºs 219 e 329, restando superada, neste particular, a jurisprudência sumulada do c. TST. Assim, hoje no campo justrabalhista é bastante para a concessão de honorários tão-somente a existência de sucumbência e ser o trabalhador beneficiário da justiça gratuita. (...). Recurso ordinário adesivo conhecido e parcialmente provido. (TRT 7ª R.; RO 154800-45.2009.5.07.0003; Primeira Turma; Rel. Des. José Antonio Parente da Silva; DEJTCE 10/02/2012; Pág. 75).

[1] "Art. 334. Não dependem de prova os fatos: (…) II - afirmados por uma parte e confessados pela parte contrária; III - admitidos, no processo, como incontroversos;"

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