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Das receitas públicas

No documento 2017RafaelPavan (páginas 91-95)

O maior desafio da Administração Pública de quaisquer dos poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios paira em prestar serviços públicos de melhor forma possível, objetivando atender e suprir as necessidades públicas e coletivas de toda a sociedade. Alguns serviços são de extrema relevância e necessários para manter a boa ordem e o bem-estar social, a saber: educação, saúde, moradia, habitação, segurança, dentre outros.

Para Giacomoni (2010), a Administração Pública dos tempos remotos aos dias atuais vem se deparando com um aumento exacerbado no crescimento das despesas públicas. Essa situação não acontece apenas nos países onde a economia é coletivizada e o estado é o maior agente econômico, mas também nas nações capitalistas avançadas, defensoras da livre iniciativa privada e da economia de mercado.

O objetivo central do poder estatal está na formalização dos direitos sociais. No estudo da efetivação do direito à educação, um direito fundamental ao cidadão, faz com que os meios para tornar esse direito pleno decorram da Administração Estatal com reflexo na distribuição dos recursos para seus entes. Para que os entes federados possam atender e suprir às necessidades coletivas, eles precisam arrecadar recursos em patamares suficientes para devolver à sociedade em forma de prestação de serviços.

Esses recursos são captados por meio de tributos pagos pelos próprios cidadãos em detrimento da sua renda, do seu serviço, do seu patrimônio e do seu consumo. O que mais se

espera do gestor público é que ele possa ser eficiente, fazendo mais investimentos, em menos tempo, gastando apenas o necessário.

Vale lembrar que, nas sociedades políticas primitivas, as necessidades públicas eram reduzidas. Limitavam-se, em geral, à defesa contra a agressão externa, à segurança interna e à distribuição da justiça. Os governos e os governados foram acompanhando ao longo dos tempos o progresso da civilização, em que novas e crescentes necessidades foram surgindo. Nos dias atuais, por exemplo, as necessidades públicas encobrem um vasto e diversificado quadro de demandas públicas, que compreendem desde a assistência à maternidade, prolongando-se à infância, à adolescência e à velhice desamparada, até a recreação pública.

O progresso em ritmo acelerado faz com que o Estado cada vez mais assuma atribuições e responsabilidades. Em contrapartida, ele necessita aumentar os gastos públicos. Essas despesas crescentes de caráter continuado só se justificariam se houvesse a compensação pelo aumento permanente de receitas ou pela redução permanente de despesas. Para que Estado não fique deficitário frente às emergentes despesas, ele necessita constantemente elevar as alíquotas dos impostos, ampliar suas bases de cálculos, objetivando que mais receitas emerjam aos cofres públicos (GIACOMONI, 2010).

Giacomoni (2010) afirma que, diante das atividades estatais, a educação é caracterizada como uma prestação mista, ou seja, prestada pelo Estado em detrimento da sua obrigatoriedade, mas também pode ser oferecida pela inciativa privada, atingindo objetivos diversos. A implicação do Estado no atendimento da educação pública possui inúmeras justificativas, dentre as quais se pode elencar a necessidade no investimento no capital humano.

A Receita Pública, amparada pelos impostos, tem essencial importância para a efetivação dos projetos da Administração Pública. Além disso, é por meio da arrecadação de tributos que se torna possível a execução de toda e qualquer benfeitoria ou obra que traga melhoria na qualidade de vida dos cidadãos.

Segundo o Manual do Gestor Público (RIO GRANDE DO SUL, 2011), a perspectiva da receita orçamentária provém de todos os ingressos disponíveis para cobertura das despesas públicas, em qualquer âmbito governamental, representados, necessariamente, por ingressos financeiros efetivos, como, por exemplo, o pagamento de IPTU por um contribuinte.

A Lei Nº 4.320, de 17 de março de 1964, traz que as receitas públicas serão classificadas no plano de contas em receitas correntes e receitas de capital (BRASIL, 1964). Nesse sentido, a Lei dispõe nos parágrafos do Art. 11, os seguintes conceitos de receitas correntes e receitas de capital:

§ 1º - São Receitas Correntes as receitas tributária, de contribuições, patrimonial, agropecuária, industrial, de serviços e outras e, ainda, as provenientes de recursos financeiros recebidos de outras pessoas de direito público ou privado, quando destinadas a atender despesas classificáveis em Despesas Correntes. § 2º - São Receitas de Capital as provenientes da realização de recursos financeiros oriundos de constituição de dívidas; da conversão, em espécie, de bens e direitos; os recursos recebidos de outras pessoas de direito público ou privado, destinados a atender despesas classificáveis em Despesas de Capital e, ainda, o superávit do Orçamento Corrente. (BRASIL, 1964, n.p.).

Com relação às receitas públicas, há as receitas correntes e as receitas de capital. De acordo com o Manual do Gestor Público (RIO GRANDE DO SUL, 2011), as receitas correntes são aquelas provenientes do poder de tributar de cada ente federativo, como também da alienação de produtos e de serviços colocados à disposição dos contribuintes; estão, assim, intrinsicamente ligadas às atividades fundamentais da Administração Pública. Já as receitas de capital são aquelas oriundas da entrada de valores mediante a constituição de dívidas, amortização de empréstimos, venda de componentes do ativo permanente, dentre outras.

As receitas públicas são combustíveis essenciais para as Administrações Públicas cumprirem seus objetivos primordiais que são o de promover e satisfazer as necessidades públicas, em todas as áreas sociais. Dessa forma, o § 4º, do Art. 11, da Lei Nº 4.320/1964 estabelece a composição das receitas públicas de acordo com o esquema apresentado no Quadro 7 que segue.

Quadro 7 - Composição das receitas públicas

COMPOSIÇÃO DAS RECEITAS PÚBLICAS

Receitas correntes Receitas de capital

1. Receita tributária - impostos - taxas - contribuições de melhoria 2. Receita de contribuições 3. Receita patrimonial 4. Receita industrial 5. Receita agropecuária 6. Receita de serviços 7. Transferências correntes 8. Outras receitas correntes

1. Operações de crédito 2. Alienação de bens

3. Amortizações de empréstimos 4. Transferências de capital 5. Outras receitas de capital

Fonte: Adaptado pelo autor de Brasil (1964, n.p.).

Vale ressaltar que a educação não participa de toda essa composição das receitas, mas, sim, das receitas provenientes das arrecadações dos impostos. Todas as demais classificações de fonte de receita integrarão os cofres públicos para fazer frente a diversas outras despesas do órgão público.

Assim sendo, de acordo com o Art. 212 da CF/88, de todos os tributos existentes, o que será vinculado diretamente à educação são os impostos. Por exemplo, quanto maior a arrecadação dos impostos municipais, maior será a fatia destinada a custear a manutenção e o desenvolvimento da Educação Básica da rede municipal.

Além da educação pública brasileira ter uma vinculação direta com a arrecadação dos impostos, outra importante fonte de receita destinada à educação provém do salário educação. De conformidade com o Art. 212, § 5º e 6º, da CF/88 (BRASIL, 1988), e Art. 15 da Lei No 9.424, de 24 de dezembro de 1996 (BRASIL, 1996b), o salário-educação é devido pelas pessoas jurídicas, calculado sobre a alíquota de 2,5%, incidente sobre a totalidade da remuneração dos segurados empregados.

Do total arrecadado, 10% líquido deve ser destinado ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), para fazer frente ao custeio de programas e de projetos na Educação Básica, tais como: dinheiro direto na escola, livros didáticos, alimentação escolar, programa nacional de bibliotecas e transportes escolares, entre outros. Os 90% restantes da arrecadação líquida será proporcionalizado aos seus respetivos destinatários em quotas da seguinte forma, conforme prevê o Art. 15, § 1º, da Lei No 9.424/96:

I - Quota Federal, correspondente a 1/3 (um terço) do montante de recursos, que será destinada ao FNDE e aplicada no financiamento de programas e projetos voltados para a universalização do ensino fundamental, de forma a propiciar a redução dos desníveis sócio-educacionais existentes entre Municípios, Estados, Distrito Federal e regiões brasileiras;

II – Quota Estadual e Municipal, correspondente a 2/3 (dois terços) do montante de recursos, que será creditada mensal e automaticamente em favor das Secretarias de Educação dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios para financiamento de programas, projetos e ações do ensino fundamental. (BRASIL, 1996b).

Essa receita financeira proveniente do salário educação é uma fonte adicional de recursos destinados à manutenção e ao desenvolvimento da educação pública. Os repasses ocorrem mensalmente de forma automática às secretarias estaduais de educação e às prefeituras municipais até o dia 10 de cada mês. Compete aos Estados e aos Municípios prestarem contas aos seus respectivos Tribunais de Contas Estaduais, da destinação dos recursos recebidos do salário-educação.

Há o conhecimento de que várias áreas e setores da Administração Pública demandam de investimentos públicos, mas a educação, dentre outras, deve ser tratada com atenção, pois ao educarem-se crianças, jovens e adultos, hoje, tem-se um Estado melhor amanhã.

No documento 2017RafaelPavan (páginas 91-95)