3 INOVAÇÃO E ECO INOVAÇÃO
4.5 Marcos legais do Distrito Eco Industrial
4.5.2 Das redes internas e dos aspectos ambiental e econômico
A partir da análise dos Distritos Industriais na Inglaterra, no final do século XIX, Marshall (1984) entende que o fato de haver concentração de empresas em uma mesma região pode prover às empresas aglomeradas vantagens competitivas que não seriam encontradas se elas agissem isoladamente. O fato de elas estarem em uma concentração geográfica contribuiria para o aumento do volume de produção, bem como para ganhos decorrentes de melhor organização entre elas e do desenvolvimento de estratégias decorrentes da maior integração entre os agentes. Esse volume concentrado de empresas especializadas estimularia a integração entre os agentes.
Os Distritos Industriais, em sua gênese, segundo Marshall (1984), tendem a ter relações produtivas entre as empresas aglomeradas e o compartilhamento de conhecimento técnico e das etapas de produção por meio de três tipos básicos de economias advindas dessa especialização: concentração de mão de obra qualificada e com habilidades específicas no setor ou segmento industrial em que as empresas locais são especializadas, forte evidência de haver fornecedores especializados de bens e serviços aos produtores locais e a presença de economias externas locais pelo transbordamento de conhecimento e de tecnologia.
Becattini (2002) afirma que a inter-relação das pequenas empresas com os moradores instalados no território são de suma importância para que as evidências mensuradas por Marschall possam ocorrer. A ideia da existência de uma rede colaborativa assume uma importância considerável na gestão das organizações, já que as redes de empresas, instituídas em torno de áreas de interesse comum, é uma das posturas cooperativas em busca do aumento de produtividade. Raud (1999) induz que a cooperação é sustentada por processos de cooperação articulados em torno das redes colaborativas. A colaboração surge à medida que as organizações forem se estruturando. Esse processo leva pessoas e organizações a manterem inter-relações sociais.
Em um Distrito Industrial, segundo Marschall, esse processo de interação deveria estar presente como elemento facilitador e determinante de sua existência. Já em um Distrito Eco Industrial, os elementos de interação e cooperação vão além. Nele, as relações seriam passivas de uma simbiose com compartilhamento e aproveitamento de resíduos, insumos e conhecimentos, bem como da capacidade colaborativa. Segundo Frosh e Galloupollus (1989), o distrito eco industrial pode estar em uma dinâmica de EI, em que se incluem as atividades produtivas e de consumo, como mineração, manufatura, construção, transporte, geração de energia, prestação de serviços, reciclagem e disposição final de materiais e produtos; além de atividades humanas como agricultura, floresta e pesca em processos autossustentáveis.
Nesse processo, surgem benefícios para o meio ambiente, como a redução do consumo de recursos naturais (matéria prima, energia, água), a redução da poluição (ar, água, solo), o aumento da eficiência energética (redução do consumo de energia) e a redução do volume de resíduos (contaminação do solo, rios e população). Aos benefícios ambientais se agregam vantagens econômicas com possibilidade de os resíduos passarem a ter uso e valor de mercado.
Um aglomerado de empresa limita-se à legislação ambiental vigente. O Distrito pode estar alicerçado, além da legislação federal e resoluções do CONAMA, em outros instrumentos legais incorporados ao conjunto da Legislação Urbana, como a Lei do Meio Ambiente e a Lei Sanitária.
nos projetos de criação de Áreas de Preservação Permanente. Essa criação pode estar contida no território do município, e as especificações legais vinculadas a ela são geradas mais como um processo de compensação ambiental exigido pela lei federal do que por uma consciência ambiental gerada a partir da instalação do processo produtivo.
Com relação ao assunto, pode-se levantar que as iniciativas ambientais são isoladas e não contemplam o distrito industrial como um todo. São advindas de empresas isoladas que se utilizam do jargão verde ou que, por determinação de um organismo de certificação, se determine adotar práticas ambientais em sua gestão.
No que se refere ao distrito Eco Industrial, fundamenta-se na melhoria da qualidade ambiental por meio de impactos negativos ambientais. O processo de gerenciamento das empresas ocorre similar em um comparativo a um ser vivo. No metabolismo industrial, propõe-se a reestruturação do ecossistema industrial compatível com os ecossistemas naturais, considerando também a ótica da sustentabilidade.
Um ecossistema natural e um sistema industrial, vistos sob a ótica tradicional e ao mesmo tempo sob a ótica da EI, se destacam em suas particularidades. O sistema industrial, entendido como integrante de ecossistema natural, poderá criar relação mutualmente benéfica entre empresas integrantes de um ecossistema industrial, em que uma empresa aproveita os resíduos, como novos insumos, para processos produtivos. O que é descarte para um é matéria prima para outro. Nesse processo, os resíduos produzidos por uma indústria, por exemplo, seriam utilizados como matéria prima por outra, resultando em ganhos econômicos, sociais e ambientais, conforme se demonstra na Figura 2, neste capítulo, ao se apresentar uma proposta de ciclo de vida do produto e intervenção do Eco design na cadeia produtiva.
Na perspectiva econômica, a formação de um aglomerado de empresas visa a atingir a rentabilidade econômica para se justificar a sua formação. Por meio da instalação de um distrito industrial, tem-se o intuito de minimizar custos ou conseguir ganhos de escala produtiva. A concentração de empresários de um mesmo nicho de mercado ou que façam parte das ligações de uma mesma cadeia produtiva (fornecedores e prestadores de serviço de dado segmento econômico) podem se interessar em instalar suas plantas industriais próximas fisicamente. A esse movimento agregam-se vantagens pelo fato de as empresas se
especializarem em distintas fases do processo de produção e por pertencerem à comunidade local. Assim, podem constituir uma teia de relacionamentos com o surgimento de fluxo de comércio entre as empresas pelo fato de elas partilharem de serviços, mercado de trabalho especializado, estoque de conhecimento, entre outros elementos que venham a fortalecer a rede de relações.
Na perspectiva econômica, entretanto, um distrito voltado à sustentabilidade vai além da rentabilidade econômica nos negócios, alçando aspectos sociais e ambientais. Um Distrito Eco Industrial, além de se utilizar dos elementos de interação, competitividade e formação de redes, incorpora elementos que conduzirão ao desenvolvimento sustentável local.
Segundo Tamioto (2004), as empresas que estão em um distrito eco industrial podem adotar um conjunto de ações que potencializariam a questão econômica. Como exemplo, há a possibilidade de geração de lucro na venda dos subprodutos e da redução do custo devido à otimização do uso das matérias-primas e da energia. Outro aspecto que chama atenção é a reutilização de resíduos e a eliminação de práticas passíveis de multas pela legislação ambiental vigente. Essa ação se traduz em uma redução do custo final de produção e comercialização do produto industrializado bem como na minimização do risco de uma possível multa por descumprimento da lei ambiental.
A competividade do produto no mercado também ganha espaço, uma vez que há meios de se haver a manufatura de produtos com aumento da eficiência dos processos produtivos. Isso vem a contribuir para a redução nas despesas das indústrias pela utilização de alguns serviços que podem ser compartilhados com as demais do parque (gerenciamento de resíduos, treinamentos, logística, consultoria ambiental, por exemplo).
Em uma análise econômica, em escala local e com foco nas redes de troca, as empresas tendem a estimular um processo que pode resultar em firmas mais competitivas, em empregos sustentáveis e em comunidades sustentáveis pela conservação do meio ambiente. Essa busca por interesses comuns se tornaria um processo de desenvolvimento local sustentável.