• Nenhum resultado encontrado

DAS RESPONSABILIDADES DO GERADOR DE RESÍDUOS

Para melhor caracterizar a responsabilidade do gerador de resíduos, ou poluidor,

por danos causados, é preciso antes entender como o próprio dano é caracterizado no texto da

lei.

O dano ambiental ou degradação da qualidade ambiental aparece caracterizado no

inciso II da Lei n. 12.305 de 02 de agosto de 2010, como:

“A alteração adversa das características do meio ambiente”; (BRASIL, 2011f).

De acordo com Silva (1981, p. 443), o dano ambiental caracteriza-se como

“qualquer modificação das características do meio ambiente, de modo a torná-lo impróprio às

formas de vida que ele normalmente abriga”.

Nesse sentido, pode-se afirmar que, ao alterar negativamente as características

naturais do meio ambiente, o responsável pela ação passa a ser considerado com infrator, já

que sua ação ou atividade reflete de modo destrutivo sobre um bem pertencente à coletividade

de pessoas que moram no país.

A Constituição Federal consagra, no art. 225, § 3º, o princípio da responsabilidade ambiental ou do poluidor-pagador, como prefere a maior parte da doutrina.

Ali fica estabelecida a responsabilidade daquele que praticar condutas ou atividades consideradas lesivas ao meio ambiente, no âmbito civil, administrativo e penal. (CRUZ, 2008, p. 171).

“O dano ambiental detém um conceito aberto, dependendo da avaliação do caso

concreto pelo intérprete para a sua configuração, em face da dimensão multifacetária que

engendra o seu diagnóstico”. (CARVALHO, 2008, p. 80).

“A responsabilidade ambiental tem seu fundamento de validade na Constituição

Federal de 1988, a qual recepcionou normas federais e estaduais ambientais que já vigoravam

à época de sua promulgação”. (GRIZZI, 2008, p. 74).

Sob este prisma, Monteiro e Ferreira (2009, p. 13) afirmam que:

Com a promulgação da Constituição Federal, em 5/10/1988, a responsabilidade administrativa ambiental passou a ter fundamento constitucional. No capítulo dedicado à proteção ambiental, a Constituição Federal foi expressa ao prever a responsabilização administrativa contra ‘as condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente’.

Caracterizada a ação de causar dano, passa-se à poluição. A poluição caracteriza-

se resultado da ação danosa, de degradar o meio ambiente. Portanto, poluição, de acordo com

o inciso III da Lei nº 6.938 caracteriza-se como:

A degradação da qualidade ambiental resultante de atividades que direta ou indiretamente:

a) prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população; b) criem condições adversas às atividades sociais e econômicas; c) afetem desfavoravelmente a biota;

d) afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente;

e) lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos; (BRASIL, 2011f).

Por poluição, Meirelles (1983, p. 178) afirma que se caracteriza como “toda

alteração das propriedades naturais do meio ambiente, causadas por agente de qualquer

espécie, prejudicial à saúde, à segurança ou ao bem estar da população sujeita a seus efeitos”.

A Carta Magna reconhece três modalidades de danos. Danos materiais, morais e à

imagem.

Dano material refere-se ao prejuízo causado aos bens materiais de qualquer

indivíduo, seja pessoa física ou jurídica.

Também chamado no subsistema civil de dano patrimonial, consiste em uma lesão (prejuízo) que venha a afetar determinado interesse relativo aos bens materiais de qualquer brasileiro ou estrangeiro residente no País (pessoa física ou jurídica), de forma individual ou coletiva (com reflexos no campo individual e metaindividual), consiste na deterioração ou mesmo na perda (parcial ou integral) de aludidos bens materiais (corpóreos). (FIORILLO, 2010, p. 85).

Existe ainda o dano denominado moral, cuja característica principal é lesar os

interesses não materiais dos indivíduos.

Consiste em uma lesão que venha a ofender determinado interesse que não

seja corpóreo de qualquer brasileiro ou estrangeiro residente no país (pessoa

física), de forma individual ou coletiva (com reflexos no campo individual e

metaindividual), consiste na ofensa de valores imateriais da pessoa humana

tutelados pela Constituição Federal, afetando fundamentalmente a

denominada “paz interior” de referidas pessoas. (

FIORILLO, 2010, p. 85

).

Além disso, pode-se incorrer do dano à imagem, caracterizado por lesar a

reprodução da pessoa humana.

Consiste em uma lesão que venha a atingir determinado interesse vinculado à reprodução das pessoas humanas, de forma individual ou coletiva (com reflexos no campo individual e metaindividual), consiste na ofensa de valores tutelados pela Carta Magna ligados às pessoas antes referidas e que de alguma forma afetem a representação da forma ou do aspecto de ser de qualquer brasileiro ou estrangeiro residente no país (pessoa física ou jurídica). (FIORILLO, 2010, p. 85).

Tendo sido caracterizados: dano, modalidades do dano e poluição ambiental,

torna-se necessário compreender a conceituação legal de gerador de resíduos.

Por gerador de resíduos caracteriza-se a pessoa física ou jurídica, órgão público ou

privado de qualquer setor que, em suas atividades cotidianas, produza materiais para os quais

não terá mais utilização e que serão descartados de modo inadequado e lesivo ao meio

ambiente.

De acordo com a Lei 6.938, art 3°, inc. IV, poluidor trata-se de “pessoa física ou

jurídica, de direito público ou privado, responsável, direta ou indiretamente, por atividade

causadora de degradação ambiental”; (BRASIL, 2011f).

É importante citar que o poluidor poderá ser responsável cumulativamente nas

esferas cível, administrativa e penal, de acordo com o dano causado em decorrência de sua

proporção ou reincidência do mesmo.

Art. 14 - Sem prejuízo das penalidades definidas pela legislação federal, estadual e municipal, o não cumprimento das medidas necessárias à preservação ou correção dos inconvenientes e danos causados pela degradação da qualidade ambiental sujeitará os transgressores:

I - à multa simples ou diária, nos valores correspondentes, no mínimo, a 10 (dez) e, no máximo, a 1.000 (mil) Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional - ORTNs, agravada em casos de reincidência específica, conforme dispuser o regulamento, vedada a sua cobrança pela União se já tiver sido aplicada pelo Estado, Distrito Federal, Territórios ou pelos Municípios.

II - à perda ou restrição de incentivos e benefícios fiscais concedidos pelo Poder Público;

III - à perda ou suspensão de participação em linhas de financiamento em estabelecimentos oficiais de crédito;

IV - à suspensão de sua atividade.

§ 1º - Sem obstar a aplicação das penalidades previstas neste artigo, é o poluidor obrigado, independentemente da existência de culpa, a indenizar ou reparar os danos causados ao meio ambiente e a terceiros, afetados por sua atividade. O Ministério Público da União e dos Estados terá legitimidade para propor ação de responsabilidade civil e criminal, por danos causados ao meio ambiente. (BRASIL, 2011f).

Considerando-se o art. 14, percebe-se que o poluidor, culpado direta ou

indiretamente pelo dano causado, terá a obrigação legal de reparar o mesmo.

O gerador é responsável pelo resíduo gerado. Esse vínculo de responsabilidade acompanha o resíduo, nos termos do Plano de Gerenciamento de resíduos que deve ser pelo gerador elaborado e apresentado ao órgão integrante do SISNAMA responsável em cada estado da Federação. Assim, a destinação em desacordo com o Plano apresentado e aprovado, induz à responsabilização civil, administrativa e penal do gerador, podendo responder, solidariamente, pelo fato, o transportador contratado e o destinatário irregular. (PEDRO, 2011, p. 05).

Segundo Zeigler (2009, p. 112) “em matéria ambiental, a responsabilidade é,

portanto, objetiva, ou seja, independente de culpa. Vale dizer que, para que o poluidor seja

obrigado a reparar o dano, basta demonstrar o dano e o nexo de causalidade entre ele e a

atividade exercida pelo poluidor”.

Machado (2001, p. 324) afirma que “a responsabilidade objetiva ambiental

significa que quem danificar o meio ambiente tem o dever jurídico de repará-lo. Presente,

pois, o binômio dano-reparação. Não se pergunta a razão da degradação para que haja o dever

de reparar”.

Fiorillo (2010, p. 86) afirma que a regra da responsabilidade objetiva estabelecida

pela Carta Magna permite a responsabilização do poluidor pelo dano causado, quer tenha sido

acidental, quer intencional.

“Sendo irrelevante a conduta (dolo ou culpa) do poluidor. Basta, destarte, para que

ocorra o dever de indenizar, a existência do dano e do nexo de causalidade entre fato e dano”.

(FIORILLO, 2010, p. 86).

“É irrelevante a conduta culposa ou dolosa do causador do dano, uma vez que

bastará a existência do nexo causal entre o prejuízo sofrido pela vítima e a ação do agente

para que surja o dever de indenizar”. (DINIZ, 1990, p. 99).

Conforme Fiorillo (2007, p. 32-33):

Num primeiro momento, impõe-se ao poluidor o dever de arcar com as despesas de prevenção dos danos ao meio ambiente que a sua atividade possa ocasionar. Cabe a ele o ônus de utilizar instrumentos necessários à prevenção dos danos. Numa segunda órbita de alcance, esclarece este princípio que, ocorrendo danos ao meio ambiente em razão da atividade desenvolvida, o poluidor será responsável pela sua reparação.

Quando se afirma que o poluidor, culpado direta ou indiretamente por causar o

dano, terá obrigação legal em reparar o mesmo, pretende-se esclarecer que em situações onde

uma empresa, por exemplo, contrata um transportador para destinar seus resíduos, porém o

transportador dá destinação inadequada a eles, a empresa que originou o resíduo será

responsabilizada por ele.

“A responsabilidade do gerador do resíduo, perdurará, portanto, mesmo após sua

disposição final, posto que o destinatário, ao assumir a carga, solidariza-se com o gerador, e

assim permanece a responsabilidade deste enquanto possível a identificação do resíduo”.

(PEDRO, 2011, p. 03).

“Na esfera administrativa, a responsabilidade ambiental é imposta por meio de um

processo administrativo, provocado por infração às normas ambientais válidas e vigentes,

iniciado por órgão ambiental integrante do Sistema Nacional de Meio Ambiente

(SISNAMA)”. (GRIZZI, 2008, p. 74).

Todavia, é preciso citar que “a sanção administrativa não substitui ou dispensa a

reparação ou a compensação do dano, nem isenta o infrator de ser punido também na esfera

criminal”. (MONTEIRO; FERREIRA, 2009, p. 13).

Azevedo (2000 apud LUIZ JUNIOR, 2011) afirma que a responsabilidade civil é

a obrigação de indenizar o dano moral ou patrimonial, que tenha ocorrido de inadimplemento

culposo, de obrigação legal ou contratual, ou imposta por lei.

O dever ressarcitório, estabelecido por lei, ocorre sempre que se positivar a autoria de um fato lesivo, sem necessidade de se indagar se contrariou ou não norma predeterminada, ou melhor, se houve ou não um erro de conduta. Com a apuração do dano, o ofensor ou seu proponente deverá indenizá-lo. (DINIZ, 1990, p. 44).

De acordo com Benjamin (1998, p. 49):

Ao obrigar o poluidor a incorporar nos seus custos o preço da degradação que causa – operação que decorre da incorporação das externalidades ambientais e da aplicação do princípio poluidor-pagador – a responsabilidade civil proporciona o clima político-jurídico necessário à operacionalização do princípio da precaução, pois prevenir passa a ser menos custoso que reparar.

Segundo Freitas (2000, p.199), no Brasil, tanto as sanções administrativas quanto

as civis não têm demonstrado os resultados necessários para caracterizarem-se como medidas

de proteção ao meio ambiente, tornando-se necessário um rigor maior que desestimule as

práticas ambientais abusivas. A ineficácia percebida pelo autor deve-se ao fato de:

As administrativas porque, sabidamente, os órgãos ambientais contam com sérias dificuldades de estrutura. Além disso, ao contrário do que se supõe em análise teórica, o processo administrativo não é ágil como se imagina: todos os recursos, de regra com três instâncias administrativas, fazem com que anos se passem até uma decisão definitiva; depois ainda há o recurso ao Judiciário. Já a sanção civil, sem dúvida a mais eficiente, nem sempre atinge os objetivos. É que muitas empresas poluidoras embutem nos preços o valor de eventual ou certa reparação. Além disso, a sanção penal intimida mais e, no caso de pessoas jurídicas, influi na imagem que possuem junto ao consumidor, resultando em queda de vendas ou mesmo na diminuição do valor das ações

A responsabilidade penal da pessoa física que incorrer na prática de crime, seja

ele ambiental ou não, não apresenta maiores controvérsias, tendo em vista que desde seu

surgimento, o Direito Penal tem como principal foco o ser humano.

Todavia, quando o dano ou crime ambiental é cometido por pessoa jurídica, a

imposição da responsabilidade penal torna-se mais difícil.

[...] é a obrigação que alguém tem de arcar com as conseqüências jurídicas do crime. É o dever que tem a pessoa de prestar contas de seu ato. Ele depende da imputabilidade do indivíduo, pois não pode sofrer as conseqüências do fato criminoso (ser responsabilizado) senão o que tem a consciência de sua antijuridicidade e quer executá-lo (ser imputável).

Com base na Constituição Federal de 1988, torna-se clara a imposição de

responsabilidade penal, civil e administrativa, seja o infrator pessoa física ou jurídica.

Art. 225, § 3º - As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente a obrigação de reparar os danos causados. (BRASIL, CF, 2011).

É preciso destacar que “o princípio poluidor-pagador não é um princípio de

compensação dos danos causados pela poluição. Seu alcance é mais amplo, incluindo todos os

custos da proteção ambiental, quaisquer que eles sejam, abarcando, a nosso ver, os custos de

prevenção, de reparação e de repressão do dano ambiental...” (BENJAMIN, 1993, p. 227).

Segundo Figueiredo (2000) a responsabilidade penal de pessoas físicas ou

jurídicas somente será configurada quando puder ser comprovado o dolo ou a culpa

(negligência, imperícia ou imprudência) dos responsáveis.

Deve-se levar em consideração que o Direito Ambiental é permeado pelos

mesmos valores que inspiram os Direitos Humanos, da mesma forma que o Direito

Internacional dos Direitos Humanos está indissoluvelmente atado à proteção do meio

ambiente. Defender a responsabilidade penal sem culpa por danos ao meio ambiente será,

antes de tudo, afrontar a dignidade humana. (FIGUEIREDO, 2000).

Por isso, apesar da maior resistência e possível dificuldade em imputar a

responsabilidade penal à pessoa jurídica que cometer crime, a legislação brasileira oferece o

respaldo necessário para que as medidas cabíveis sejam adotadas e a responsabilidade do

infrator seja cobrada.

Art 14 - Sem prejuízo das penalidades definidas pela legislação federal, estadual e municipal, o não cumprimento das medidas necessárias à preservação ou correção dos inconvenientes e danos causados pela degradação da qualidade ambiental sujeitará os transgressores:

I - à multa simples ou diária, nos valores correspondentes, no mínimo, a 10 (dez) e, no máximo, a 1.000 (mil) Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional - ORTNs, agravada em casos de reincidência específica, conforme dispuser o regulamento, vedada a sua cobrança pela União se já tiver sido aplicada pelo Estado, Distrito Federal, Territórios ou pelos Municípios.

II - à perda ou restrição de incentivos e benefícios fiscais concedidos pelo Poder Público;

III - à perda ou suspensão de participação em linhas de financiamento em estabelecimentos oficiais de crédito;

IV - à suspensão de sua atividade.

§ 1º - Sem obstar a aplicação das penalidades previstas neste artigo, é o poluidor obrigado, independentemente da existência de culpa, a indenizar ou reparar os danos causados ao meio ambiente e a terceiros, afetados por sua atividade. O Ministério Público da União e dos Estados terá legitimidade para propor ação de responsabilidade civil e criminal, por danos causados ao meio ambiente.

§ 2º - No caso de omissão da autoridade estadual ou municipal, caberá ao Secretário do Meio Ambiente a aplicação das penalidades pecuniárias previstas neste artigo. § 3º - Nos casos previstos nos incisos II e III deste artigo, o ato declaratório da perda, restrição ou suspensão será atribuição da autoridade administrativa ou financeira que concedeu os benefícios, incentivos ou financiamento, cumprindo resolução do CONAMA.

§ 4º Nos casos de poluição provocada pelo derramamento ou lançamento de detritos ou óleo em águas brasileiras, por embarcações e terminais marítimos ou fluviais, prevalecerá o disposto na Lei nº 5.357, de 17 de novembro de 1967. (Revogado pela Lei nº 9.966, de 2000).

§ 5o A execução das garantias exigidas do poluidor não impede a aplicação das obrigações de indenização e reparação de danos previstas no § 1o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.284, de 2006) ( BRASIL, 2011f).

É necessário desenvolver ações de proteção e recuperação ambiental, pois, de

acordo com Milaré (2007, p. 55) em um “[...] prazo muito curto – e que se torna sempre mais

curto – são dilapidados os patrimônios formados lentamente no decorrer dos tempos

geológicos e biológicos, cujos processos não voltarão mais”.

Por fim, o texto da Lei de Crimes Ambientais esclarece a responsabilização dos

causadores de danos.

Art. 3º. As pessoas jurídicas serão responsabilizadas administrativa, civil e penalmente conforme o disposto nesta Lei, nos casos em que a infração seja cometida por decisão de seu representante legal ou contratual, ou de seu órgão colegiado, no interesse ou benefício de sua entidade.

Parágrafo único. A responsabilidade das pessoas jurídicas não exclui a das pessoas físicas, autoras, co-autoras ou partícipes do mesmo fato.

Art. 4º. Poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade for obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados à qualidade do meio ambiente. (BRASIL, 2011j).

Enquanto jurisprudência, cita-se:

AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO.

RESPONSABILIDADE CIVIL. ROMPIMENTO DE BARRAGEM. NEXO CAUSAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. SÚMULA 07/STJ.

1. Afastar as conclusões do aresto impugnado, no sentido de que o rompimento de represa deu-se devido à negligência da ré no trato de resíduos líquidos, causa do dano ambiental e patrimonial, devidamente comprovados, demandaria o revolvimento dos elementos de convicção dos autos, soberanamente delineados pelas instâncias ordinárias, providência vedada nesta sede especial a teor da súmula 07/STJ. (BRASIL, STJ, 2011).

Relevantes as palavras do relator ministro Luiz Fux na jusrisprudência:

PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. DANOS AMBIENTAIS. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE. TERRAS RURAIS. RECOMPOSIÇÃO. MATAS. TEMPUS REGIT ACTUM. AVERBAÇÃO PERCENTUAL DE 20%. SÚMULA 07 STJ.

1. A responsabilidade pelo dano ambiental é objetiva, ante a ratio essendi da Lei 6.938/81, que em seu art. 14, § 1º, determina que o poluidor seja obrigado a indenizar ou reparar os danos ao meio-ambiente e, quanto ao terceiro, preceitua que a obrigação persiste, mesmo sem culpa. Precedentes do STJ:RESP 826976/PR, Relator Ministro Castro Meira, DJ de 01.09.2006; AgRg no REsp 504626/PR, Relator Ministro Francisco Falcão, DJ de 17.05.2004; RESP 263383/PR, Relator Ministro João Otávio de Noronha, DJ de 22.08.2005 e EDcl no AgRg no RESP 255170/SP, desta relatoria, DJ de 22.04.2003. 2. A obrigação de reparação dos danos ambientais é propter rem, por isso que a Lei 8.171/91 vigora para todos os proprietários rurais, ainda que não sejam eles os responsáveis por eventuais desmatamentos anteriores, máxime porque a referida norma referendou o próprio Código Florestal (Lei 4.771/65) que estabelecia uma limitação administrativa às propriedades rurais, obrigando os seus proprietários a instituírem áreas de reservas legais, de no mínimo 20% de cada propriedade, em prol do interesse coletivo. Precedente do STJ: RESP 343.741/PR, Relator Ministro Franciulli Netto, DJ de 07.10.2002.

3. Consoante bem pontuado pelo Ministro Herman Benjamin, no REsp nº 650728/SC, 2ª Turma, unânime: "(...) 11. É incompatível com o Direito brasileiro a chamada desafetação ou desclassificação jurídica tácita em razão do fato consumado. 12. As obrigações ambientais derivadas do depósito ilegal de lixo ou resíduos no solo são de natureza propter rem, o que significa dizer que aderem ao título e se transferem ao futuro proprietário, prescindindo-se de debate sobre a boa ou má-fé do adquirente, pois não se está no âmbito da responsabilidade subjetiva, baseada em culpa. 13. Para o fim de apuração do nexo de causalidade no dano ambiental, equiparam-se quem faz, quem não faz quando deveria fazer, quem deixa fazer, quem não se importa que façam, quem financia para que façam, e quem se beneficia quando outros fazem. 14. Constatado o nexo causal entre a ação e a omissão das recorrentes com o dano ambiental em questão, surge, objetivamente, o dever de promover a recuperação da área afetada e indenizar eventuais danos remanescentes, na forma do art. 14, § 1°, da Lei 6.938/81.(...)". DJ 02/12/2009. 4. Paulo Affonso Leme Machado, em sua obra Direito Ambiental Brasileiro, ressalta que "(...)A responsabilidade objetiva ambiental significa que quem danificar o ambiente tem o dever jurídico de repará-lo. Presente, pois, o binômio dano/reparação. Não se pergunta a razão da degradação para que haja o dever de indenizar e/ou reparar. A responsabilidade sem culpa tem incidência na indenização ou na reparação dos "danos causados ao meio ambiente e aos terceiros afetados por sua atividade" (art. 14, § III, da Lei 6.938/81). Não interessa que tipo de obra ou atividade seja exercida pelo que degrada, pois não há necessidade de que ela apresente risco ou seja perigosa. Procura-se quem foi atingido e, se for o meio ambiente e o homem, inicia-se o processo lógico-jurídico da imputação civil objetiva ambienta!. Só depois é que se entrará na fase do estabelecimento do nexo de causalidade entre a ação ou omissão e o dano. É contra o Direito enriquecer-se ou ter lucro à custa da degradação do meio ambiente.

O art. 927, parágrafo único, do CC de 2002, dispõe: "Haverá obrigarão de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem". Quanto à primeira parte, em matéria ambiental, já temos a Lei 6.938/81, que instituiu a responsabilidade sem culpa.

Quanto à segunda parte, quando nos defrontarmos com atividades de risco, cujo

Documentos relacionados