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O DIREITO AMBIENTAL EM FACE DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL

A Constituição Federal Brasileira estabelece quais são as medidas consideradas

legais e ilegais no que tange os recursos ambientais no país, sendo necessário o devido

conhecimento do texto da lei para que a sociedade – cidadãos, empresas e governos - venha a

respeitá-la e cumpri-la.

Segundo Silva, J. (2009), a Constituição Federal desperta para importância dos

recursos naturais e coloca a natureza sob um prisma de recurso essencial para a vida de todos

os seres vivos.

A qualidade do meio ambiente se transformará num bem, num patrimônio, num valor mesmo, cuja preservação, recuperação e revitalização se tornaram num imperativo do Poder Público, para assegurar a saúde, o bem-estar do homem e as condições de seu desenvolvimento. Em verdade, para assegurar o direito fundamental à vida. (SILVA, J., 2009, p. 848-849).

Ao avaliar o Direito Ambiental e buscar embasamento para seu texto na

Constituição Federal, antes ainda de adentrar o capítulo VI que se refere exclusivamente ao

meio ambiente, encontra-se no artigo 5º o ponto de partida para o Direito Ambiental.

Em seu artigo 5º a Constituição Federal garante a todos os indivíduos que residem

em território brasileiro o direito à vida.

“Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza,

garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito

à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade [...]”. (BRASIL, CF, 2011).

Pois bem, por direito à vida pode-se citar o direito de cada indivíduo de respirar ar

puro, ter água potável disponível, alimentos livres de contaminação, fatos que dependem da

preservação do meio ambiente.

“O direito ambiental constitucional será observado na Constituição Federal de

1988 exatamente dentro de aludido contexto: um direito à vida voltado às necessidades de

toda população brasileira, interessado em proteger os valores fundamentais da pessoa

humana”. (FIORILLO, 2010, p. 50-51).

Se o ambiente é aspecto essencial do desenvolvimento da pessoa, e se cada um, no seu status personae, tem direito a um habitat que garanta a qualidade da vida, deve- se reconhecer a cada um o direito de agir para que isso se realize. O interesse é juridicamente protegido pelo próprio Texto Constitucional. Além da tutela do patrimônio do Estado, a proteção do ambiente refere-se à tutela da qualidade da vida como direito que se relaciona diretamente ao status personae. (PERLINGIERI, 2007, p. 173).

Dessa maneira, o meio ambiente, “bem criado pela Constituição Federal de 1988

é, pois, um bem de uso comum, [...], um bem que pode ser desfrutado por toda e qualquer

pessoa dentro dos limites constitucionais”. (GRAF, 2000, p. 54).

Prado (2009, p. 64) afirma que “a questão ambiental emerge, portanto, no terreno

político-econômico e da própria concepção de vida do homem sobre a terra”.

No sentido de direito à vida, assegurado a todos os cidadãos, o artigo 225 da

Constituição Federal, corrobora para a interpretação do meio ambiente como garantia de vida

e de qualidade de vida.

“Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem

de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à

coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”.

(BRASIL, CF, 2011).

Como toda pessoa é o valor fonte, é o fundamento do ordenamento jurídico, todo ser humano possui direitos da personalidade como razão de ser de sua própria existência, sendo os direitos da personalidade a ela inerentes, como atributo essencial à sua constituição. Continua, enunciando que a cada civilização

corresponde um quadro dos direitos da personalidade [...] e que o último valor adquirido pela espécie humana é o ambiental, por força do artigo 225 da Constituição Federal. (GRIZZI, 2008, p. 26).

Machado (2009), ao referir-se ao art. 225 da Constituição Federal afirma que:

Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. O direito ao meio ambiente equilibrado é de cada um, como pessoa humana, independente de sua nacionalidade, raça, sexo, idade, estado de saúde, profissão, renda ou residência. O meio ambiente é um bem coletivo de desfrute individual e geral ao mesmo tempo. O direito ao meio ambiente é de cada pessoa, mas não só dela, sendo ao mesmo tempo transindividual. (MACHADO, 2009, p. 127).

Fiorillo (2010, p. 52), complementa afirmando que “fica evidente que a definição

jurídica de meio ambiente está circunscrita à tutela da vida em todas as suas formas, ou seja, o

direito ambiental se ocupa da defesa jurídica da vida no plano constitucional”.

Sob esta ótica, Freitas (2003 apud CRUZ, 2008, p. 24) afirma que o meio

ambiente:

Trata-se de um bem difuso, que pode revelar-se tanto material quanto imaterial, supraindividual, que abrange a vida, a saúde, das presentes e das futuras gerações, o patrimônio e outros interesses, inclusive não humanos e que tem características de direito fundamental.

Fink (2002, p. 120) declara:

O meio ambiente, como bem de uso comum do povo é direito difuso e indisponível. Em relação a esse direito é evidentemente impossível transigir. Quando a lei autoriza celebrar-se o ajustamento de conduta, o que se quer é que o infrator ambiental se disponha, mediante a assunção de obrigações, consubstanciadas em cláusulas e condições, a recuperar o ecossistema alterado por sua ação ou atividade de tal forma a recompor integralmente o interesse público representado pelo bem ambiental.

“Foi dentro dessa perspectiva de melhoria da qualidade de vida e de bem-estar

social a alcançar o texto maior que erigiu como direito fundamental o direito ao ambiente

ecologicamente equilibrado, indispensável à vida e ao desenvolvimento do ser humano”.

(PRADO, 2009, p. 71).

“Desta forma, se ocorrer uma danosidade ao meio ambiente, este se estende à

coletividade humana, considerando tratar-se de bem difuso interdependente”. (LEITE;

AYALA, 2010, p. 73).

Para Benjamin (1998, p. 69) “o Direito Ambiental Nacional, a partir da Lei nº

6.938/81, passa a proteger o individual a partir do coletivo. Daí, sua natureza essencialmente

pública”.

[...] os direitos coletivos diferem-se dos difusos em razão da determinabilidade dos titulares. Como vimos, o direito difuso é aquele que se encontra difundido pela coletividade, pertencendo a todos e a ninguém ao mesmo tempo. Os coletivos, por sua vez, possuem como traço característico a determinabilidade dos seus titulares. Deve-se observar que, ainda que num primeiro momento não seja possível determinar os titulares, por conta da natureza do direito coletivo, esses titulares (que estão ligados por uma relação jurídica entre si ou com a parte contrária) são identificáveis. (FIORILLO, 2008, p. 08).

Sendo o meio ambiente um bem comum, cuja existência e preservação auxiliam

na manutenção de vida e de qualidade de vida, o art. 1º da Lei nº 4.771 de setembro de 1965

estabelece que:

As florestas existentes no território nacional e as demais formas de vegetação, reconhecidas de utilidade às terras que revestem, são bens de interesse comum a todos os habitantes do País, exercendo-se os direitos de propriedade, com as limitações que a legislação em geral e especialmente esta Lei estabelecem. (BRASIL, 2011c).

A Constituição Federal trouxe consigo a inovação do estabelecimento do

ambiente como bem da nação como um todo.

[...] o legislador constituinte de 1988 trouxe uma novidade interessante: além de autorizar a tutela de direitos individuais, o que tradicionalmente já era feito, passou a admitir a tutela de direitos coletivos, porque compreendeu a existência de uma terceira espécie de bem: o bem ambiental. Tal fato pode ser verificado em razão do disposto no art. 225 da Constituição Federal, que consagrou a existência de um bem que não é público, nem tampouco particular, mas sim de uso comum do povo. (FIORILLO, 2003, p. 88).

Tratando-se de bens de interesse comum a todos os habitantes do país,

compreende-se então que o meio ambiente, tão importante para a garantia da vida no planeta,

ao ser preservado obedece ao direito à vida assegurado à todos cidadãos através do art. 5º da

Constituição Federal.

Fica o poder público encarregado de proteger e preservar o meio ambiente em sua

forma mais ampla, conforme explicita o art. 225.

§ 1º Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao poder público:

I - preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo ecológico das espécies e ecossistemas;

II - preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do País e fiscalizar as entidades dedicadas à pesquisa e manipulação de material genético; III - definir, em todas as unidades da Federação, espaços territoriais e seus componentes a serem especialmente protegidos, sendo a alteração e a supressão permitidas somente através de lei, vedada qualquer utilização que comprometa a integridade dos atributos que justifiquem sua proteção;

IV - exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente, estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará publicidade;

V - controlar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, métodos e substâncias que comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente; VI - promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente;

VII - proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade. (BRASIL, CF, 2011).

Como instrumentos disponíveis para a correta aplicação da lei e avaliação dos

impactos, potenciais ou reais, a Lei nº 6.938 aponta:

Art 9º - São instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente: I - o estabelecimento de padrões de qualidade ambiental;

II - o zoneamento ambiental; (Regulamento) III - a avaliação de impactos ambientais;

IV - o licenciamento e a revisão de atividades efetiva ou potencialmente poluidoras; V - os incentivos à produção e instalação de equipamentos e a criação ou absorção de tecnologia, voltados para a melhoria da qualidade ambiental;

VI - a criação de espaços territoriais especialmente protegidos pelo Poder Público federal, estadual e municipal, tais como áreas de proteção ambiental, de relevante interesse ecológico e reservas extrativistas; (Redação dada pela Lei nº 7.804, de 1989)

VII - o sistema nacional de informações sobre o meio ambiente;

VIII - o Cadastro Técnico Federal de Atividades e Instrumentos de Defesa Ambiental;

IX - as penalidades disciplinares ou compensatórias ao não cumprimento das medidas necessárias à preservação ou correção da degradação ambiental.

X - a instituição do Relatório de Qualidade do Meio Ambiente, a ser divulgado anualmente pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis - IBAMA; (Incluído pela Lei nº 7.804, de 1989)

XI - a garantia da prestação de informações relativas ao Meio Ambiente, obrigando- se o Poder Público a produzí-las, quando inexistentes; (Incluído pela Lei nº 7.804, de 1989)

XII - o Cadastro Técnico Federal de atividades potencialmente poluidoras e/ou utilizadoras dos recursos ambientais. (Incluído pela Lei nº 7.804, de 1989)

XIII - instrumentos econômicos, como concessão florestal, servidão ambiental, seguro ambiental e outros. (Incluído pela Lei nº 11.284, de 2006). (BRASIL, 2011f).

Diante do exposto, percebe-se que o direito à vida, assegurado pela Constituição

Federal de 1988, para ser devidamente cumprido demanda a preservação do meio ambiente, já

que este é essencial para a continuidade da vida no planeta.

É necessário ter em vista, porém, que o ser humano não domina o meio ambiente,

porém depende dele para manter a vida de modo saudável.

“A idéia do passado, enraizada entre nós, de que o homem domina e submete a

natureza à exploração ilimitada, perdeu seu fundamento”. (LEITE; AYALA, 2010, p. 75).

Respeitar o meio ambiente é respeitar o que a constituição assegura a toda pessoa

humana, o direito à vida em condições dignas.

3 RESÍDUOS SÓLIDOS

Os resíduos sólidos são os materiais remanescentes das atividades pessoais (lixo

doméstico), das atividades industriais (lixo industrial), das atividades hospitalares (lixo

hospitalar), entre outros materiais destinados ao descarte.

Para a ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas, “a classificação de

resíduos sólidos envolve a identificação do processo ou atividade que lhes deu origem, de

seus constituintes e características, e a comparação destes constituintes com listagens de

resíduos e substâncias cujo impacto à saúde e ao meio ambiente é conhecido”.

(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2004).

Resíduos nos estados sólido e semi-sólido, que resultam de atividades de origem industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e de varrição. Ficam incluídos nesta definição os lodos provenientes de sistemas de tratamento de água, aqueles gerados em equipamentos e instalações de controle de poluição, bem como determinados líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou corpos de água, ou exijam para isso soluções técnica e economicamente inviáveis em face à melhor tecnologia disponível. (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2004, p. 1).

Quanto as suas características os resíduos sólidos apresentam diferentes

classificações. “Os resíduos sólidos são classificados em dois grupos - perigosos e não

perigosos, sendo ainda este último grupo subdividido em não inerte e inerte”.

(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2004, p. V).

O maior problema relativo à medição de resíduos sólidos para análise e comparação de seus potenciais impactos é a diversidade existente nos sistemas de classificação de resíduos. A PNRS classifica os resíduos sólidos sob dois aspectos. O primeiro é quanto à origem, são os resíduos domiciliares; resíduos de limpeza urbana; resíduos sólidos urbanos; resíduos de estabelecimentos comerciais e prestadores de serviços; resíduos dos serviços públicos de saneamento básico; resíduos industriais; resíduos de serviços de saúde; resíduos da construção civil; resíduos agrossilvopastoris; resíduos de serviços de transportes; e os resíduos de mineração. Já o segundo enquadra-se quanto à periculosidade dividindo-se entre os resíduos perigosos que, em razão de suas características de inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade, patogenicidade, carcinogenicidade, teratogenicidade e mutagenicidade, apresentam significativo risco à saúde pública ou à qualidade ambiental; e os resíduos não perigosos. (MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE, 2010, p. 2).

De acordo com a Lei n. 12.305 de 02 de agosto de 2010, resíduos sólidos

caracterizam-se por:

Material, substância, objeto ou bem descartado resultante de atividades humanas em sociedade, a cuja destinação final se procede, se propõe proceder ou se está obrigado a proceder, nos estados sólido ou semissólido, bem como gases contidos em recipientes e líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou em corpos d’água, ou exijam para isso soluções técnica ou economicamente inviáveis em face da melhor tecnologia disponível; (BRASIL, 2011l).

Outras características do lixo sólido são consideradas pela NBR 10004 de 2004,

como sua periculosidade, riscos, toxicidade, entre outras.

No que se refere à periculosidade de um resíduo, observa-se a característica

apresentada por um resíduo que, em função de suas propriedades físicas, químicas ou infecto-

contagiosas, pode oferecer algum tipo de risco à saúde pública, provocando mortalidade,

incidência de doenças ou acentuando seus índices, além de riscos ao meio ambiente, quando o

resíduo for gerenciado de forma inadequada. (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS

TÉCNICAS, 2004).

Quanto à toxicidade de um resíduo, trata-se da propriedade potencial que o agente

tóxico possui de provocar, em maior ou menor grau, um efeito adverso em consequência de

sua interação com o organismo. (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS,

2004).

Agentes tóxicos são quaisquer substâncias ou misturas cuja inalação, ingestão ou

absorção cutânea tenha sido cientificamente comprovada como tendo efeito adverso (tóxico,

carcinogênico, mutagênico, teratogênico ou ecotoxicológico). (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA

DE NORMAS TÉCNICAS, 2004).

A toxicidade aguda trata-se de uma propriedade potencial que o agente tóxico

possui de provocar um efeito adverso grave, ou mesmo morte, em consequência de sua

interação com o organismo, após exposição a uma única dose elevada ou a repetidas doses em

curto espaço de tempo. (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2004).

Um agente teratogênico é qualquer substância, mistura, organismo, agente físico

ou estado de deficiência que, estando presente durante a vida embrionária ou fetal, produz

uma alteração na estrutura ou função do individuo dela resultante. (ASSOCIAÇÃO

BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2004).

Um agente mutagênico trata-se de qualquer substância, mistura, agente físico ou

biológico cuja inalação, ingestão ou absorção cutânea possa elevar as taxas espontâneas de

danos ao material genético e ainda provocar ou aumentar a frequência de defeitos genéticos.

(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2004).

Por sua vez, um agente carcinogênico corresponde as substâncias, misturas,

agentes físicos ou biológicos cuja inalação ingestão e absorção cutânea possa desenvolver

câncer ou aumentar sua frequência. O câncer é o resultado de processo anormal, não

controlado da diferenciação e proliferação celular, podendo ser iniciado por alteração

mutacional. (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2004).

Por agente ecotóxico classificam-se todas as substâncias ou misturas que

apresentem ou possam apresentar riscos para um ou vários compartimentos ambientais.

(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2004).

O Ministério do Meio Ambiente (2011) afirma que o cálculo da quantidade de

lixo coletado é realizado com base no número de habitantes de cada cidade.

A quantidade de lixo produzido (ou coletado) é proporcional ao número de habitantes de cada cidade. [...] Entretanto, o indicador mais elevado em algumas delas pode ser explicado pela tendência a uma coleta mais eficiente nas capitais de certos estados do país podendo sinalizar, também, para uma mudança de comportamento da sociedade quanto ao consumo. (MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE, 2010, p. 2-3)

De acordo com o Portal Brasil (2011), o Brasil produz 161.084 mil toneladas de

resíduos sólidos urbanos (lixo) por dia.

A situação atual exige soluções para a destinação final do resíduo no sentido de aumentar a reciclagem e diminuir o seu volume, ou seja, é preciso ter menos lixo e só enviar para os aterros os rejeitos. O terreno para a construção de políticas é fértil, uma vez que o País apresenta uma boa cobertura de coleta dos resíduos sólidos urbanos, da ordem de 97%, embora o destino inadequado dos mesmos seja elevado.

É importante analisar os resultados obtidos no cálculo de produção de lixo para

que seja possível desenvolver ações e medidas que conduzam à solução do problema do

acúmulo de resíduos.

A produção per capita e volumes totais anuais possibilitam ainda uma avaliação adequada à escala da cidade, fornecendo elementos para proposição de políticas públicas voltadas a soluções de problemas locais, sendo de grande valia na avaliação de mudanças dos padrões de consumo, aumento da reciclagem, reuso de materiais e tratamento dos resíduos sólidos, bem como disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos atendendo aos preceitos da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS, Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010) e seu Decreto Regulamentador nº 7.404, de 23 de dezembro de 2010; a Lei nº 11.107/2005 (Consórcios Públicos) e seu Decreto Regulamentador nº 6.017/2007; e, a Lei nº 11.445/2007 (Lei Nacional de Saneamento) e seu Decreto Regulamentador nº 7.217/2010. (MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE, 2010, p. 1).

Como geradores de resíduos sólidos, a lei caracteriza “pessoas físicas ou jurídicas,

de direito público ou privado, que geram resíduos sólidos por meio de suas atividades, nelas

incluído o consumo”. (BRASIL, 2011l).

Os dados disponibilizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

(2000) indicam que apenas 30,3% das unidades de disposição final de resíduos no Brasil são

formas sanitariamente adequadas ao tratamento de resíduos, sendo que aproximadamente 73%

destes apresentam população de até 20.000 habitantes.

Dos 5.507 municípios brasileiros, 4.026, ou seja 73,1%, têm população até 20.000 habitantes. Nestes municípios, 68,5% dos resíduos gerados são vazados em lixões e em alagados. Se tomarmos, entretanto, como referência, a quantidade de lixo por eles gerada, em relação ao total da produção brasileira, a situação é menos grave, pois em conjunto coletam somente 12,8 % do total brasileiro (20.658 t/dia). Isto é menos do que o gerado pelas 13 maiores cidades brasileiras, com população acima de 1 milhão de habitantes. Só estas, coletam 31,9 % (51.635 t/dia) de todo o lixo urbano brasileiro, e têm seus locais de disposição final em melhor situação: apenas 1,8 % (832 t/dia) é destinado a lixões, o restante sendo depositado em aterros controlados ou sanitários. (INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA, 2011).

A pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística aponta, porém, uma

tendência de queda na produção de resíduos e de melhora na destinação final dos mesmos.

A Pesquisa Nacional de Saneamento Básico 2000, realizada pelo IBGE, revela uma tendência de melhora da situação de destinação final do lixo coletado no país nos últimos anos. Em 2000, o lixo produzido diariamente no Brasil chegava a 125.281 toneladas, sendo que 47,1% era destinado a aterros sanitários , 22,3 % a aterros controlados e apenas 30,5 % a lixões. Ou seja, mais de 69 % de todo o lixo coletado no Brasil estaria tendo um destino final adequado, em aterros sanitários e/ou controlados. Todavia, em número de municípios, o resultado não é tão favorável: 63,6 % utilizavam lixões e 32,2 %, aterros adequados (13,8 % sanitários, 18,4 % aterros controlados), sendo que 5% não informou para onde vão seus resíduos. Em 1989, a PNSB mostrava que o percentual de municípios que vazavam seus resíduos de forma adequada era de apenas 10,7 %. (INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA, 2011).

Figura 2 – Quantidade anual de resíduos sólidos coletados por habitante nas capitais, Brasil – 2000 Fonte:

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (2011).

Os resíduos sólidos são, desse modo, os refugos das atividades dos indivíduos e

das empresas, e precisam ser devidamente armazenados para evitar que sua destinação

inadequada comprometa o meio ambiente.

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