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Desenvolvimento do Framework

6.1 Definições do Framework

Apesar de comentado brevemente na introdução aqui se faz neces-sário alguns apontamentos mais aprofundados sobre a adoção do termo Framework nesta tese. Assim como termo da área o qual que se insere este estudo (Design), o termo Framework é uma palavra de origem inglesa que em tradução direta para o português pode significar enquanto substantivo:

quadro, enquadramento, estrutura. Já como adjetivo atribui a qualidade de básico ou conjuntural. Apesar do termo ter estes equivalentes na língua portuguesa brasileira, a flexibilidade de nossa língua incorporou o termo Framework para remeter a uma estrutura fundamental de algo ou os con-ceitos mínimos para realização de algo.

Na área da saúde o termo Framework é utilizado para delimitar um conjunto de conceitos ou conhecimentos que funcionam como um guia para estruturar uma ação. Em uma pesquisa simples no site da Organização Mundial da Saúde (OMS) é possível encontrar diversos resultados para o termo Framework. Geralmente estes Frameworks elaborados pela organi-zação reúnem conceitos básicos para efetivar as ações, a exemplo disto temos o “WHO’s Framework for action: Strengthening Health Systems To Improve Health Outcomes” publicado em 2007. Este documento fornece um conjunto de conceitos básicos necessários para estabelecer um sistema de saúde nos padrões da OMS, como pode ser visto na figura 6.1.

Figura 6.1 Framework do Sistema de Saúde da Organização Mundial da Saúde

Fonte: OMS. WHO’s Framework for action:

Strengthening Health Systems to Improve Health Outcomes, p.3, 2007.

Outro exemplo, na área de políticas públicas de saúde é o programa

“All Our Health” do Reino Unido, o qual fornece um Framework para efeti-vação do programa no site do governo britânico. A descrição do documento que estabelece este Framework diz:

“Uma fonte para todos os profissionais de saúde, para ajudar vocês a utilizar o seu conhecimento,

habilidades e relacionamentos para prevenir doenças, proteger saúde e promover o bem-estar.”

(REINO UNIDO, 2019, tradução nossa).

Em ambos os casos o termo Framework configura um conjunto de elementos chave organizados em uma estrutura que serve de apoio para execução/realização de algo. Ao observar o uso destes Frameworks neste contexto de políticas públicas, cabe notar que as ideias e conceitos envol-vidas são colocadas de forma abrangente para que se adapte as mais diversas realidades, porém mantendo o nível adequado acordado pelas organizações.

No âmbito acadêmico parece não existir um consenso sobre o uso do termo Framework, em sua maior parte o termo é utilizado sem maiores explicações, sendo que poucos autores que tratam de delimitá-lo. Neste sentido, indiretamente Tomhave (2005) ao estabelecer alguns parâmetros para analisar metodologias, modelos e Frameworks na área de segurança de informação acaba propondo uma taxonomia entre modelo, Framework e metodologia como pode ser visto no quadro 6.1.

Quadro 6.1 Taxonomia proposta por Tomhave (2005)

Fonte: Elaboração própria baseado em Tomhave (2005)

ABSTRATO Modelo Um modelo é um constructo abstrato, conceitual que representa processos, variáveis e relacionamentos sem providenciar direcionamentos ou práticas para implementação.

CONCRETO

Framework Um Framework é um constructo fundamental que define noções, conceitos, valores e práticas, e que inclui indicações para implementação.

Metodologia Uma metodologia é um constructo alvo que define práticas, procedimentos e regras para implementação ou execução de uma tarefa específica ou função.

Outra característica do termo, é a sua frequente utilização acompa-nhado de especificações como: metodológico, conceitual, analítico, inte-grativo, teórico entre outros. Isto parece confirmar que existe uma noção geral sobre o que se trata a unidade básica Framework, sendo que estes termos buscam especificá-lo de alguma forma.

Autores como Jabareeen (2009) propõe recomendações para a construção de um Framework conceitual, o qual o autor define como: “uma estrutura ou rede interligada de conceitos que fornecem uma compreensão abrangente de um fenômeno” (JABAREEN, 2009, p.51). O autor também pontua sete características gerais de um Framework con-ceitual: que são sintetizadas a seguir:

1) Um Framework conceitual não é uma coleção de conceitos, mas um constructo no qual cada conceito tem uma função específica;

2) Um Framework conceitual não oferece uma visão analítica/causal, mas sim uma abordagem interpretativa da realidade social;

3) Ao invés de oferecer uma explicação teórica, como os modelos quanti-tativos os Frameworks conceituais oferecem compreensão;

4) Um Framework conceitual não oferece conhecimentos estanques (“hard facts”) mas suaves interpretações das intenções;

5) Os Frameworks conceituais são indeterminados por natureza e não nos permite obter um resultado preditivo;

6) Frameworks conceituais podem ser desenvolvidos e construídos por um processo de análise qualitativa;

7) A coleta de dados para gerar um Framework conceitual geralmente parte de uma meta-síntese.

Ao considerar o caráter do presente estudo podemos delimitar que o Framework é adequado para as intenções deste estudo, pois não se enquadra enquanto modelo, já que os conceitos e ideias propostas estão inter-relacionadas de alguma maneira e tem um viés de implementação uma vez que busca atuar no design de infográficos. Também não é possível enquadrá-lo como metodologia, já que não define práticas e regras para a produção de infográficos.

Apesar Framework proposto ir de encontro a algumas características dos Frameworks conceituais, optou-se nesta tese por não utilizar o termo conceitual, por dois motivos, o primeiro pela proposição construída neste estudo não se enquadrar totalmente ao rigor das características propostas por Jabareen (2009), e em segundo, pela possível complexidade gerada pelo termo composto Framework conceitual, o que pode gerar confusão, tanto pelo termo em inglês, quanto pelo termo conceitual que é naturalmente amplo em português.

Sendo assim, neste trabalho a noção de Framework para o design de infográ-ficos de saúde adota segue a seguinte compreensão:

“Um conjunto de conceitos, ideias e valores, organizados e interligados sobre infografia e saúde que estão agrupados em um constructo coeso, voltado

para o design de infográficos de saúde.”

A seguir é apresentado o desenvolvimento da proposta inicial do Framework para o Design de Infográficos de Saúde, considerando as premissas identificadas como características de um Framework.

6.1.1. Requisitos do Framework para design de infográficos de saúde

Para o desenvolvimento do Framework de design de infográficos de saúde foram elencados como requisitos gerais:

• Os conceitos presentes no Framework devem estar conectados, de forma que desempenhem um papel em relação ao todo;

• Deve ser voltado para o design de infográficos;

• Deve contemplar aspectos pertinentes ao design de infográficos de saúde;

• Deve ter uma abordagem ampla sem predizer ações;

• Deve reunir conceitos, ideias, valores e noções a respeito da produção de infografia em saúde;

• Deve ser flexível, no sentido de permitir adaptação de conceitos e ampliação para outros conceitos e ideias que possam ser associados futuramente;

• Ser claro e de fácil assimilação a desenvolvedores de infográficos;

Uma vez apresentados os requisitos gerais, nos próximos tópicos serão descritas as etapas do desenvolvimento de uma proposta inicial do Framework a qual foi avaliada por um painel com especialistas, que será apresentado no próximo capítulo.

6.1.2. Contextualização, caracterização e configuração do Framework para design de infográficos de saúde

Como visto anteriormente os Frameworks têm características diferentes dos métodos e processos, sendo estes últimos mais concretos e direcionados para uma tarefa específica. Também já vimos no Capítulo 3 que são conhecidos diversos processos e técnicas que apesar de não serem específicas para infografia podem ser empregadas para desenvolver infográficos.

Sendo assim, para contextualizar este Framework devemos imaginar um profis-sional que tem como tarefa desenvolver um infográfico. Este tem acesso a diversas formas de “como fazer?” (métodos e ferramentas) o infográfico. No entanto, algumas questões anteriores como: “O que tem que fazer? O que preciso para fazer?” geralmente não são claras para o profissional. Em muitos casos é presumido que estas questões naturalmente fazem parte do repertório de conhecimentos tácitos, oriundos de práticas indiretas, como a produção de peças gráficas e conhecimento sobre elementos caracte-rísticos da infografia (e.g. ilustração), o que não é bem assim, uma vez que são encon-tradas diversas dificuldades neste sentido.

Por mais que os métodos de produção de infográficos funcionem como guias, há um certo grau de imprevisibilidade no design de infográficos. E nota-se que é caracte-rístico dos profissionais experientes em infografia a habilidade para lidar com esta imprevisibilidade e desenvolver soluções adequadas diante destas dificuldades. Para tal, estes profissionais precisam ser capazes de estruturar as informações que estão a sua volta, ou saber de quais informações precisa se cercar. Isto em diversos aspectos do infográfico, este profissional precisa estar consciente dos repertórios envolvidos para executar o design, sejam repertórios visuais, conceituais, técnicos, bem como do con-teúdo que será apresentado no infográfico. Estas informações tratam do “o que fazer?” e do “o que precisa pra fazer?” com estas em mãos o profissional pode se sentir mais seguro para realizar “o que pode ser feito”.

Porém, apenas reunir estas informações para o profissional sem estruturá-las pode não ser útil. Neste sentido, o Framework busca servir de referência auxiliando a organização e estruturação destas noções do que é necessário ter em um infográfico de saúde. Sendo assim, os profissionais podem utilizar os discernimentos fornecidos pelo Framework em seu próprio processo de design, ou seja, independe do processo ou método o Framework pode ser acoplado e fornecer subsídios para os profissionais executarem as etapas do processo.

No diagrama 6.1 é apresentado de forma genérica como deve ser a relação do Framework com etapas comuns a processos de design de info-gráficos. As principais contribuições do Framework são fornecidas as etapas iniciais dos processos de design, isto é, entre as etapas de pré-design e o início das etapas de design dos processos.

Para caracterizar este Framework serão utilizadas as questões: O quê? (Objetivo); Por quê? (Problemas que se propõe a resolver); Como?

(Forma de funcionamento); Para quem? (A quem se destina); Quando? (Deve ser utilizado).

% O quê?

Este Framework busca oferecer auxílio aos desenvol-vedores de infográficos a lidar com as informações no