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Equação 3.8 Equação que representa o modelo 3, de regressão logística

2.3 Gerenciamento de Resultados

2.3.4 Estudos em gerenciamento: de Healy (1985) a Ball e Shivakumar (2006)

2.3.4.4 Dechow, Sloan e Sweeney (1995) (ou Jones modificado)

i. Síntese do estudo

Dechow, Sloan e Sweeney (1995) propuseram um aperfeiçoamento ao modelo de Jones (1991) e avaliaram a capacidade deste e outros modelos de estimação de accruals (Healy, 1985, DeAngelo, 1986; Dechow e Sloan, 1991) em detectar o gerenciamento de resultados, através da avaliação da especificação e do poder destes modelos.

O aperfeiçoamento ao modelo de Jones (1991) consistiu em conferir um tratamento à hipótese de que receitas não sofrem gerenciamento. Para isso, Dechow, Sloan e Sweeney (1995) extraíram a conta Contas a Receber da parte não-discricionária do modelo original de Jones (1991), o que faz com que esta porção do gerenciamento seja capturada pela parte discricionária do modelo (termo do erro).

A avaliação da especificação foi realizada através do exame da freqüência com a qual ocorrem erros do Tipo I quando os modelos são aplicados. Para tanto, os autores trabalham com dois grupos de amostras:54 uma amostra aleatória e amostras de empresas com desempenho financeiro extremo (lucro líquido e fluxo de caixa muito baixo ou muito alto).

Para a amostra aleatória, a hipótese nula de gerenciamento de resultados não foi rejeitada para qualquer um dos modelos testados; e para todos modelos os percentuais de rejeição observados foram muito próximos aos níveis de 1% e 5%, para a amostra aleatória, o que sugere que os modelos parecem bem especificados quando aplicados a um amostra aleatória

Para a amostra de empresas com desempenho financeiro extremo, quando os modelos são aplicados para empresas com lucro muito baixo, a taxa de rejeição da hipótese nula de gerenciamento (accruals discricionárias) menor ou igual a zero é muito próxima dos níveis de 1 e 5%, mas para a hipótese nula de gerenciamento maior ou igual a zero, é superior aos níveis de 1 e 5%. O oposto ocorre para as empresas com lucro muito alto: a taxa de rejeição da hipótese nula de gerenciamento menor ou igual a zero é superior aos níveis de 1 e 5%, mas para a hipótese nula

de gerenciamento maior ou igual a zero é muito próxima dos níveis de 1 e 5%. Estes resultados estão associados à relação encontrada pelos autores para as amostras: o nível das accruals totais e do fluxo de caixa acompanham o lucro, uma vez que o lucro é o somatório destes dois componentes.

Ainda para a amostra de empresas com desempenho financeiro extremo, quando os modelos são aplicados para empresas com fluxo de caixa muito baixo, a taxa de rejeição da hipótese nula de gerenciamento menor ou igual a zero é muito superior aos níveis de 1 e 5%, mas para a hipótese nula de gerenciamento maior ou igual a zero, é muito próxima dos níveis de 1 e 5%. O oposto ocorre para as empresas com fluxo de caixa muito alto: a taxa de rejeição da hipótese nula de gerenciamento menor ou igual a zero é muito próxima dos níveis de 1 e 5%, mas para a hipótese nula de gerenciamento maior ou igual a zero é muito superior aos níveis de 1 e 5%. Estes resultados estão associados à relação inversa entre fluxo de caixa e nível de accruals, encontrada pelos autores para as amostras.

Com estes resultados observa-se que todos os modelos rejeitam a hipótese nula de que não existe gerenciamento de resultados quando aplicados a amostras de empresas com desempenho financeiro extremo (lucro líquido e fluxo de caixa muito baixo ou muito alto). Conforme Dechow, Sloan e Sweeney (1995), não pode ser atribuída relação causal entre desempenho financeiro e gerenciamento e, além disso, variáveis correlacionadas com o desempenho financeiro devem ser objeto de maior investigação, pois podem induzir à rejeição da hipótese nula de gerenciamento quando ela é verdadeira.

A avaliação do poder foi realizada através do exame da freqüência com a qual ocorrem erros do tipo II55. Para avaliar o poder dos modelos, os autores utilizam duas amostras: uma amostra aleatória na qual é simulado o gerenciamento, ou seja, uma quantidade de accruals foi acrescentada para cada empresa da amostra (foram simuladas accruals relacionadas às despesas,

54 Tanto na avaliação da especificação como na avaliação do poder, com exceção da amostra de empresas cuja prática de gerenciamento foi observada pela SEC, todas as demais são compostas de 1000 observações com dados para o período 1950 a 1991.

55 Não rejeição da hipótese nula quando ela é falsa, ou seja, não rejeição da hipótese de que não há gerenciamento, quando de fato há.

receitas e margem) e uma amostra de 32 empresas cuja prática de gerenciamento para aumentar o resultado foi identificada pela SEC56

Os autores observaram que, de um modo geral, todos os modelos apresentam baixo poder. Para a amostra na qual o gerenciamento foi simulado, o modelo de Jones foi aquele com menor freqüência de rejeição da hipótese nula de gerenciamento. Para a amostra de empresas para as quais a SEC identificou a prática de gerenciamento para aumentar o resultado, todos os modelos rejeitaram corretamente a hipótese de que as accruals discricionárias são menores ou iguais a zero. Adicionalmente, os autores observaram que o modelo de Jones (1991) falha em capturar o gerenciamento através de receita, quando segmentaram a amostra de acordo com o gerenciamento através receita ou despesa, mas apresenta desempenho semelhante ao modelo proposto pelos autores para as empresas que praticaram o gerenciamento através de despesas.

ii. Descrição do modelo de Dechow, Sloan e Sweeney (1995)

Dechow, Sloan e Sweeney (1995), ao contrário de Jones (1991), assumem que as receitas podem ser objeto de gerenciamento. A partir da suposição de que é mais fácil, para os gestores, praticar o gerenciamento de receitas através dos registros das contas a receber do que através das vendas à vista, Dechow, Sloan e Sweeney (1995) propõem a incorporação, ao modelo de Jones (1991), da variável variação de contas a receber (crédito de clientes),57 no período no qual se espera que o gerenciamento aconteça. Desta forma, o ajuste das receitas pelas variações nas contas a receber (no período no qual se espera que o gerenciamento aconteça),58 é a única diferença entre o modelo original de Jones (1991) e este de Dechow, Sloan e Sweeney (1995). Estes autores denominam o modelo proposto de “Jones Modificado”, expressão adotada pelos estudos que o utilizam, e o qual é representado através da Equação 2.5:

[ ]

2 (2.5)

1i it it i it

i

it REV REC PPE

TA =α +β ∆ −∆ +β +ε

56 Conforme observam Dechow, Sloan e Sweeney (1995), das 32 empresas, 15 praticaram o gerenciamento para aumentar receitas, 3 para aumentar receitas e diminuir despesas e 14 para diminuir despesas.

57 Os autores assumem que toda a variação nas contas a receber (no exercício no qual se espera que o gerenciamento esteja sendo praticado) resulta da prática do gerenciamento.

58 Conforme observam os autores, este ajuste é realizado apenas no período no qual se espera que o gerenciamento aconteça, para períodos nos quais o gerenciamento não é observado, as accruals são estimadas a partir do modelo original de Jones (1991)

na qual,

TAit são as accruals totais no ano t para a empresa i, calculadas através do enfoque do Balanço ∆REVit é a receita no ano t menos receita no ano t-1 para a empresa i

∆RECit são as contas a receber líquido no ano t menos contas a receber líquido no ano t-1 para a empresa i

PPEit é o ativo imobilizado bruto (gross propert, plant and equipment) no ano t para a empresa i εit é o termo do erro no ano t para a empresa i (proxy de gerenciamento)

i é o índice que representa a empresa 1, ..., N

t é o índice que representa o ano 1, ..., Ti para os anos incluídos no período de estimação para a empresa i.

Ao ajustar o modelo de Jones (1991) para o gerenciamento de receitas, extraindo da parte não-discricionária o gerenciamento praticado através das contas a receber, reduz o problema de classificação atribuído àquele modelo, obtendo melhor desempenho para erro do tipo II. O melhor desempenho do modelo proposto por Dechow, Sloan e Sweeney (1995) em relação ao modelo de Jones (1991) está associado à existência da prática do gerenciamento através de receitas. Sendo assim, é necessário que se identifique que o gerenciamento ocorre desta forma.