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Equação 3.8 Equação que representa o modelo 3, de regressão logística

2.3 Gerenciamento de Resultados

2.3.4 Estudos em gerenciamento: de Healy (1985) a Ball e Shivakumar (2006)

2.3.4.3 Jones (1991)

i. Síntese do estudo

Jones (1991) investigou se as empresas que solicitaram proteção contra importações junto à United States International Trade Comission (ITC) praticaram o gerenciamento ao redor do período de investigação (um ano antes, no ano da conclusão da investigação e um ano após). Conforme observa a autora, a intervenção por parte da ITC envolve a análise de informações, entre elas, do histórico do desempenho financeiro das empresas/setores, que justifique a intervenção e a concessão da proteção solicitada. Neste sentido, as empresas teriam motivação para gerenciar suas demonstrações financeiras com o objetivo de reduzir o lucro, evidenciando, com isso, um declínio no desempenho econômico, de modo a obter a assistência governamental.

Jones (1991) trabalha com uma amostra final de 23 empresas, de cinco setores diferentes, e que entraram com representação junto à ITC entre 1980 e 1985, solicitando intervenção governamental. A autora utilizou como proxy de gerenciamento as accruals discricionárias, discricionárias entre os dois períodos (o período no qual espera-se que não tenha havido gerenciamento e o período no qual espera-se que não tenha havido gerenciamento), ou seja, à DA1-DA0<0.

representadas pelo termo do erro do modelo de regressão que relaciona as accruals totais à variação na receita e ao investimento no imobilizado.

As accruals discricionárias foram obtidas para cada empresa, com o máximo de observações possíveis anteriores ao ano anterior ao encerramento das investigações da ITC (t=-1). Jones (1991) obteve um coeficiente médio negativo para o investimento em imobilizado, consistente com a hipótese de gerenciamento para reduzir lucro, e um coeficiente médio positivo para a variação na receita. Conforme observação de Jones (1991) o sinal do coeficiente esperado para a variação na receita não é tão óbvio, porque uma dada variação na receita pode causar variações que aumentam o lucro em algumas contas do capital de giro, como aumentos em contas a receber, ao mesmo tempo que pode causar variações que reduzem o lucro em outras, como aumentos nas contas a pagar. O R2 médio foi de 23,2.

A hipótese de gerenciamento foi testada para as accruals discricionárias padronizadas para o ano no qual a investigação se encerrou (t=0), um ano antes (t=-1) e um ano após (t= 1), para o conjunto das 23 empresas. O teste da hipótese nula, de que as accruals discricionárias são maiores ou iguais a zero (ausência de gerenciamento para reduzir lucro), utilizado por Jones (1991) foi o teste de Patell (1976), e cujo resultado sugeriu a prática de gerenciamento no ano no qual a investigação se encerrou (t=0), mas não para o ano anterior. Para a data t=1 esperava-se que houvesse reversão das eventuais accruals negativas de períodos anteriores, no entanto, o resultado do teste de Patell (1976) para esta data não suportou esta hipótese.

Jones (1991) também aplicou o modelo desenvolvido por DeAngelo (1986) e os resultados obtidos foram semelhantes para as datas –1, 0 e +1. O resultado para a data t=0 foi corroborado pelo teste de Wilcoxon signed-ranks que revelou que as accruals discricionárias na data zero são significativamente menores do que zero. Jones (1991) realizou análises adicionais, para as quais encontrou os mesmos resultados (análise de sensibilidade, na qual excluiu empresas ou setores inteiros da amostra, e análise por indústria). Também realizou teste para erro de especificação na existência de grandes decréscimos na receita, e verificou que a estatística significativa negativa para o ano no qual a investigação foi concluída não deveu-se à inabilidade do modelo em prever accruals durante períodos de recessão.

ii. Descrição do modelo de Jones (1991)

Na estimação das accruals totais, Jones (1991) propõe uma forma de estimação do componente não-discricionário das accruals totais, permitindo, com isso, a separação de fato dos componentes das accruals totais. Diz-se que há uma separação “de fato”, pois a separação simbólica já existia nos modelos de Healy (1985) e DeAngelo (1986). Na estimação do componente não-discricionário, este é ajustado para os efeitos de condições econômicas, através da utilização de variáveis de controle, representadas pela variação na receita e investimento em imobilizado. A variação na receita faz parte do modelo pois, conforme observa Jones (1991), as accruals totais incluem variações nas contas do capital de giro, como contas a receber, estoque e contas a pagar, que dependem de variações na receita. Assim, a receita compõe a variável explicativa do modelo. E o ativo imobilizado bruto faz parte da variável explicativa para controlar a parcela das accruals totais relacionadas as despesas com depreciação não-discricionárias.52 O modelo de Jones (1991) é representado pela Equação 2.4: 53

[ ]

2 (2.4) 1i it i it i it REV PPE TA =α +β ∆ +β +ε Na qual,

TAit são as accruals totais no ano t para a empresa i, calculadas pelo enfoque do Balanço ∆REVit é a receita no ano t menos receita no ano t-1 para a empresa i

PPEit é o ativo imobilizado bruto (gross propert, plant and equipment) no ano t para a empresa i εit é o termo do erro no ano t para a empresa i (proxy de gerenciamento)

i é o índice que representa a empresa 1, ..., N

t é o índice que representa o ano 1, ..., Ti para os anos incluídos no período de estimação para a empresa i.

52 Pae (2005, p. 21), observa que o modelo de Jones (1991) assume que o nível do imobilizado bruto (gross property,

plant and equipment) explica tanto as despesas com depreciação como as despesas com amortização. Pae (2005) faz

referência a Key (1997), o qual incluiu os ativos intangíveis como uma variável explicativa adicional, uma vez que a despesa de amortização pode ser melhor explicada por ativos intangíveis.

Com este modelo, Jones (1991) dá um tratamento de “fato” à diferença existente entre accruals discricionárias e não-discricionárias. Estima as accruals totais controlando o impacto das condições econômicas sobre as accruals não-discricionárias (representadas pela variação na receita e investimento em imobilizado).

Embora ela reconheça que a variável Receita pode ser objeto de gerenciamento, assume, para fins do modelo, que não ela não sofre manipulação. Com isso, incorre em erro de classificação: accrual discricionária é tratada como accrual não-discricionária (o que pode acarretar em não rejeição da hipótese nula quando ela é falsa). Dechow, Sloan e Sweeney (1995), Pae (2005) e Kang e Sivaramakrishnan (1995) apresentam algumas críticas ao modelo desenvolvido por Jones (1991).

Conforme identificado por Dechow, Sloan e Sweeney (1995), apresenta erro de especificação para empresas com extremo desempenho financeiro (lucro e fluxo de caixa operacional muito altos ou muito baixos). De acordo com Pae (2005), o modelo não considera a relação existente entre accruals e o fluxo de caixa operacional e a reversão das accruals ao longo do tempo. Com isso, incorre em erros de classificação: accruals não-discricionárias são tratadas como accruals discricionárias (o que pode acarretar em rejeição da hipótese nula quando ela é verdadeira).

Conforme observam Kang e Sivaramakrishnan (1995), como o custo das vendas e outras despesas não estão perfeitamente correlacionados com a receita, a omissão de uma variável que represente estes componentes na estimação das accruals não-discricionárias pode gerar um problema de variáveis omitidas. De acordo com eles os modelos de estimação de accruals totais, como o de Jones (1991), podem apresentar problema de simultaneidade, afetando os coeficientes estimados e o erro padrão.