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Decisões que aceitam e reconhecem a validade científica da SAP

Capítulo III: Denúncias de Abuso Sexual e Falsas Memórias

VIII. Atuação da Jurisprudência Portuguesa na Conjugação de Acusações de

2. Decisões que aceitam e reconhecem a validade científica da SAP

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mesma, afirmando ser este um contato nocivo e até contraproducente para o equilíbrio da criança , constituindo uma referência negativa para aquela.

Finalmente, o Tribunal andou bem ao salientar (após várias testemunhas do requerido referirem que aquele era um homem íntegro e dedicado à filha que a boa inserção socioprofissional do requerido em nada garante a impossibilidade de ter praticado os atos referidos pela filha145. Os abusos sexuais ocorrem em todas as classes sociais e níveis socioeconómicos e culturais, os abusadores não têm qualquer caracterização social típica ou um comportamento p’blico identificado .146

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indemnização por incumprimento148, com base na SAP (devido à obstrução dos contatos entre as filhas e o pai, por se ter comprovado ter mentido sobre consultas de pedopsiquiatria e pela adesão à mediação familiar mas subsequente falta às convocatórias) afirmando que manter a guarda da criança no progenitor que não permite o contato com o outro é premiar aquele que fez a lavagem cerebral às crianças: Não é pelo fato de uma eventual lavagem cerebral ter sido bem-sucedida que se deve recompensar quem a fez. A alienação parental é um fato estudado . Este tribunal entendeu atribuir validade científica à AP, através da aplicação prática da teoria da ameaça, advertindo o mesmo prévia e pertinentemente que qualquer incumprimento mais no que respeita ao regime de visitas poderá implicar uma mudança na guarda dos menores .

O Acórdão do TRE de 11 de Abril de 2012149 foi uma das decisões que tanto aceitou esta tese como aplicou a teoria da ameaça, alterando a guarda da menor, entregando-a ao pai (salvaguardando, todavia, a manutenção da relação afetiva da criança com a mãe através de um adequado regime de visitas). Foi decidido que a mãe não apresentava as melhores condições para exercer as responsabilidades parentais, por não salvaguardar adequadamente os interesses da menor após ter proibido e impedido qualquer contato com o seu progenitor, denegrindo a sua imagem, imputando-lhe comportamentos agressivos e de abusos sexuais (afastados no processo-crime e através de exames médicos e periciais) e mantendo um comportamento de proteção obsessiva da criança, recusando qualquer colaboração com o tribunal. Encontrava-se assim em perigo de ser afetada negativamente no seu direito ao desenvolvimento são e normal, no plano físico, moral, intelectual espiritual e social perante a manifesta situação de alienação parental da sua progenitora .

Outro exemplo ter-se-á dado com o paradigmático caso que defendeu a validade da SAP, tendo servido como critério para a alteração do regime das responsabilidades parentais, resultante no Acórdão do TRL de 26 de Janeiro de

148 Para além de uma solene advertência promovida no sentido de que qualquer incumprimento futuro no que respeita ao regime de visitas poderia implicar a alteração da guarda dos menores.

149 Processo n.º 612/09 da relatora Maria Alexandra Santos. Disponível em http://www.dgsi.pt/jtre.nsf/134973db04f39bf2802579bf005f080b/52a037a9dccb689680257de1 0056fb76?OpenDocument&Highlight=0,aliena%C3%A7%C3%A3o,parental consultado dia 12 de Maio de 2018.

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2010150. Centrado num processo de disputa da regulação das responsabilidades parentais onde o progenitor que tinha a criança seu cargo começa a exercê-las de forma abusiva, estando em causa uma situação de sucessivos incumprimentos do regime de visitas fixado, por parte da mãe, que recusava entregar a criança sem justificação plausível, tendo mesmo levantado suspeitas de abusos sexuais que, como iremos relatar, não se confirmaram. Posteriormente requereu a alteração da regulação das responsabilidades parentais, no sentido de serem fixadas em número inferior os contatos com o pai, por entender que o regime atual prejudicava o filho.

Foi dado como provado que a requerente tudo teria feito para dificultar e impedir a relação entre o pai e o filho, mesmo após o primeiro ter mudado a residência e o local de trabalho (nunca tendo este demonstrado qualquer atitude ou comportamento negativo quando convivia com o pai e sua família) procurando adaptar a sua vida de forma a promover uma aproximação com a criança. Foram feitas denúncias pela mãe e avó materna de que o menor tinha sido abusado sexualmente pelo progenitor, tendo sido sujeito a exames médicos a quente e o IML concluído pela inexistência indícios de tal prática.

O pai, face aos sucessivos incumprimentos, reclamou o exercício coercivo do direito de visita através de forças policiais (atitude poderá ser reveladora de aspetos da sua personalidade que podem não abonar a seu favor). O Tribunal decidiu suspender as visitas anteriormente fixadas, pelo fato de o menor estar a evidenciar sinais de perturbação e instabilidade emocional, tendo sido ordenada a realização das mesmas mediadas pelo IRS, que correram favoravelmente151, revelando e exaltando este o fato de a mãe delegar as suas funções na avó materna.

Em 1ª instância, o tribunal entendeu proferir a decisão de alteração da regulação das responsabilidades parentais, citando vasta literatura a favor da figura da SAP, atribuindo a guarda do menor ao pai. A mãe insurgiu-se contra o decidido,

150 Processo n.º 1625/05, com a relatora Ana Resende. Disponível em http://www.dgsi.pt/jtrl.nsf/33182fc732316039802565fa00497eec/9510293a13ca4ab3802576d3 004430db?OpenDocument&Highlight=0,aliena%C3%A7%C3%A3o,parental consultado dia 7 de Maio de 2018.

151 Clara Sottomayor afirma que este fato não indicia que a criança não tenha sido abusada nem que a relação com o pai seja boa pois, muitas vezes, quando a criança não se sente protegida pelo sistema, faz uma aliança com o abusador, como forma de adaptação aos maus-tratos. Ibidem, p. 27.

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em sede de recurso justificando as suas atitudes com a grande instabilidade emocional da criança, algo que a reversão da guarda não garantia que melhorasse.

O Tribunal menciona que a criança, principalmente quando muito pequena, deverá normalmente ser confiado à figura primária de referência, tida como aquela que sempre a tratou e acompanhou, desenvolvendo com a mesma estreitos laços emocionais, que deverão ser preservados com vista a um desenvolvimento equilibrado e, se muitas vezes é a mãe que assim se posiciona relativamente ao menor, não significa que sempre seja a mesma o progenitor que se mostra como o que melhor pode garantir tal desenvolvimento .

A Relação de Lisboa entendeu que se verificou efetivamente um processo de AP, levada a cabo pela mãe e a avó materna, para tentar afastar a criança do pai sem motivos para tal, através de um processo dirigido a gerar, e obter um real e efetivo afastamento do menor em relação ao progenitor que não tem a guarda da criança , nomeadamente através da restrição de visitas, deslocação de infantário sem dar conhecimento ao pai, proibição escrita e expressa da mãe no sentido de não autorizar que o menor fosse entregue ao pai pela escola, denúncias em como o pai abusava sexualmente do filho, tudo atitudes que o tribunal estabelece como causa do desequilíbrio emocional da criança. Este tribunal confirmou a decisão, afirmando haver fatos supervenientes que justificam a alteração do acordo originário de regulação das responsabilidades parentais, na procura da satisfação do interesse do menor. Deste modo, o progenitor tem de estar apto a exercer devidamente as responsabilidades parentais e demonstrar capacidade para assegurar, como elemento do são desenvolvimento do filho, a manutenção de laços afetivos com o outro progenitor. À luz do decidido, a identificação de um caso de AP faz parte das situações que constituem circunstâncias supervenientes ponderosas que justificam uma alteração da regulação das responsabilidades parentais.

Clara Sottomayor critica duramente esta decisão, descrevendo que a mesma assenta em fundamentos discriminatórios contra a mulher, não se devendo confundir em exames psiquiátricos, as sequelas de uma mulher vítima de violência ou que está a tentar proteger os filhos contra os abusos do outro progenitor, com

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problemas de saúde mental da mãe152 (não podendo sequer a verificação deste diagnóstico servir para fundamentar a existência da SAP já que a mesma não é reconhecida pelas instituições mencionadas supra).

É fundamental que se evite, no âmbito dos processos de regulação das responsabilidades parentais em que há alegações de abuso sexual, uma presunção de falsidade das alegações de abuso sexual (pois muitos dos psicólogos começam logo por analisar se a acusação de abuso é verdadeira ou fabricada pela mãe), pois esta inquina imediatamente a neutralidade da apreciação de prova criando uma ideia pré-concebida de que a mãe e a criança mentem quando acusam o outro progenitor, passando este a ser visto como vítima de uma campanha de difamação, mesmo sem provas, utilizando conceitos que não têm base científica153.

Porém, não pode ser desconsiderado que o fato de ter havido o arquivamento do processo-crime no caso concreto, em cada significa uma presunção de que a mãe estivesse a mentir, sendo que existem abusos que se concretizam e raramente se chegam a provar. Além do mais, apesar da convicção quanto à não ocorrência dos abusos sexuais, o Tribunal deveria proteger a criança de qualquer mudança brusca na sua vida (não esquecendo que, no domínio do processo tutelar cível, prevalece a proteção do interesse da criança sobre a proteção do adulto154) e respeitar a relação afetiva existente entre a criança e a pessoa de referência155.

A síndrome de alienação parental dita uma resposta demasiado fácil aos Tribunais, que significa a prevalência dos interesses do pai em relação aos interesses da criança e a penalização da mãe, com a perda da guarda, pela falta de prova do abuso sexual, ainda que também não conste dos fatos provados a falsidade da acusação 156. Neste sentido, Dulce Rocha vice-presidente do Instituto de Apoio à Criança, afirma que esta tese dita uma forma simplista de solucionar problemas

152 Ibidem, p. 28.

153 Ibidem, p. 30-31.

154 A presunção de inocência e o princípio do in dubio pro reu operam apenas nos processos-crime.

155 Maria Clara Sottomayor defende que o Tribunal discriminou a mulher ao confundir o querer proteger os filhos com problemas de saúde mental. Em Temas de direito das crianças, p. 214.

156 Sottomayor, Maria Clara, A fraude da síndrome de alienação parental e a proteção das crianças vítimas de abuso sexual, p. 26.

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complexos157 sendo mais prejudicial separar as crianças da sua pessoa de referência do que reduzir a sua relação com o progenitor não guardião.

Deste modo, não deve um tribunal confiar a guarda a um progenitor acusado de um crime desta gravidade ou até impor visitas coercivamente, caso contrário, a função judicial estar-se-á a demitir da sua função de proteger a criança para proteger a boa imagem do progenitor suspeito. Claro que esta acusação danifica a sua reputação, contudo, quando surge tal dúvida no processo, mesmo que os exames resultem inconclusivos (fato que não exclui o abuso) é função do Tribunal proteger e não pôr em risco a saúde e desenvolvimento da criança (art.º 69.º/1 da CRP)158.

Clara Sottomayor defende que se deve presumir a boa-fé de quem acusa, caso contrário o sistema judicial induz o silêncio aos progenitores que pretendem efetivamente proteger os filhos de maus-tratos e abusos sexuais intrafamiliares159. Os juízes devem apostar no testemunho da criança e em relatórios feitos por psicólogos ou pediatras que sigam continuadamente a criança (de forma a ganharem a sua confiança e consigam, mais eficazmente, explorar as causas da sua rejeição) conseguindo dar uma resposta concreta ao Tribunal sobre a existência (ou não) da prática de abusos sexuais à criança, para que o mesmo não se confunda e acabe por decidir com base em relatórios ou avaliações inconclusivas.

Desta forma, em casos como o acabado de analisar, a transferência da guarda contém sempre o risco de a criança continuar a ser abusada ou agredida física e psicologicamente (como já referido, alegação não provada não significa alegação falsa). Muita da culpa por este fato deve-se à falta de distinção entre alienações injustificadas e as justificadas, não existindo um critério nesta tese que exija a investigação prévia sobre as razões que levaram à rejeição da criança que, podem vir tanto do comportamento do progenitor rejeitado (como atitudes agressivas para com a criança ou a mãe, falta de interesse pelas necessidades do filho ou diminuta

157 Afirmando que esta tese não tem validade científica, revelando um enorme preconceito em relação às mulheres, representadas como mentirosas, calculistas e perversas. Em Jornal Observador, Alienação Parental, mito ou realidade? De 05-02-2015. Disponível em https://observador.pt/especiais/alienacao-parental-mito-ou-realidade/ consultado dia 12 de Maio de 2018.

158 Para uma criança, mais grave do que crescer sem pai é, seguramente, crescer junto de um pai que abusa sexualmente de si. Ibidem, p.28.

159 Sottomayor, Maria Clara,Temas de direito das crianças, p. 221.

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capacidade parental no geral) como da criança (constituindo um comportamento normal a rejeição provisória da criança àquele progenitor, após a separação dos progenitores, sendo uma forma de lidar com a sua nova realidade familiar).

A transferência da guarda, nestes casos, constitui uma intromissão nos direitos fundamentais do progenitor que detém a guarda, nos termos do art.º 36.º/5 e da CRP e no direito da criança ao desenvolvimento e à proteção do Estado e da sociedade, devendo ser mantida no seu ambiente natural de vida160, privilegiando-se a figura primária de referência, estando consagrado no art.º 69.º da CRP.

Finalmente, iremos abordar uma das decisões que obtiveram enorme cobertura, e crítica mediática. Falamos da reportagem intitulada Filha Roubada que passou no programa Linha da Frente da RTP1 a 20 de Janeiro de 2010, relativa à decisão proferida por um juiz do Tribunal Judicial de Fronteira a 22 de Junho de 2009 num processo de regulação das responsabilidades parentais, de confiar provisoriamente a guarda de uma menor a uma instituição de assistência. Porém, face à distorção dos fatos estrategicamente escolhidos a passarem na reportagem, a Associação Sindical dos Juízes Portugueses sentiu a necessidade de intervir em busca da reposição da verdade integral dos fatos, tendo divulgado a decisão de 1ª instância (que usualmente não são disponibilizadas para consulta) na sequência da referida reportagem e, em comunicado161 criticou a falta de isenção, a parcialidade e a atuação tendenciosa demonstrada pelos jornalistas na análise da questão, omitindo fatos de que tinham conhecimento e que eram de enorme relevância para a compreensão do caso.

Estava em causa162 o incumprimento continuado do regime de visitas por parte da mãe, que detinha a guarda da criança, que recusava a entrega da criança ao pai, alegando que a menor que se recusava a ir. Foi realizado um relatório social relativo às capacidades, condições e aptidões dos progenitores para o exercício das

160 Deste modo, nos termos do art.º 3.º e 4.º al. a), d) e e) da LPCLP esta intervenção não está legitimada pelos tribunais, já que a mesma deve atender ao princípio do superior interesse da criança, afetando o menos possível a sua vida, intervindo apenas quando a mesma for indispensável e necessária para a efetiva proteção dos direitos da criança em perigo.

161 Disponível em http://www.asjp.pt/wp-content/uploads/2010/05/1-Comunicado-da-ASJP1.pdf consultado dia 11 de Maio de 2018.

162 Mais desenvolvimentos em Cunha, Cláudia Lopes; Ladeiro, João Fernando Moreira; Domingos, José Carlos Pinheiro Bernardo; Rodrigues, José Luís; Mina, Maria Júlia Peña Pós, op. cit., p. 51 e ss.

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responsabilidades parentais que demonstrou que ambos evidenciavam estar a ter dificuldades com a separação, tornando-se difícil exercer a parentalidade de forma mais equilibrada e saudável.

Após recomendação de terapia familiar e elaboração de um Plano de Intervenção para a menor, esta começa a demonstrar maior recetividade às visitas do progenitor, contudo a mãe continuou a recusar entregar a filha (clima conflituoso que aumentava no ato de entrega da menor ao pai) e a perpetuar a relação conflituosa que tinha com o outro progenitor. Numa tentativa de atenuar o conflito aquando a entrega da menor, foi homologado pelo tribunal um plano de aproximação ao pai, recorrendo à realização das entregas por uma terceira pessoa, tendo a progenitora continuado a incumprir este regime (através de um comportamento excessivamente protetor e dependente) com o progenitor a ter acesso à criança apenas com a presença da GNR. Foi neste cenário que a mãe, pouco tempo depois, veio requerer a alteração da regulação das responsabilidades parentais, propondo a suspensão das visitas ao progenitor, devendo estas ser substituídas por sessões terapêuticas conjuntas.

O tribunal decidiu fixar um novo regime provisório, mantendo as visitas do progenitor, tendo sido ainda ordenada uma avaliação psicológica às três partes, que veio a demonstrar a existência de um processo de alienação parental. Foi então, após ter passado férias com o pai que surgiram as suspeitas de eventuais abusos sexuais cometidos por aquele à criança. Contudo, quando sujeita a avaliação não foi possível perceber se se estava perante acontecimentos reais ou indução de falsas memórias.

Como medida preventiva e necessária nestes casos, foram suspensas as visitas ao progenitor. Todavia, atendendo à falta de clareza dos relatos da menor e, com o proferimento do despacho de arquivamento do inquérito criminal relativamente aos alegados abusos sexuais, foram sugeridas e posteriormente determinadas pelo tribunal, visitas ao pai sujeitas a supervisão e acompanhamento, de forma a facilitar uma aproximação gradual entre ambos. Inicialmente, estas visitas ajudaram no objetivo da reaproximação, no entanto, a progenitora seguiu com o seu comportamento de não entregar a criança e não a levar às sessões terapêuticas, não mostrando sinais de qualquer colaboração.

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Face a este último comportamento, a associação que acompanhava a menor, entendeu que a mesma se encontrava numa situação de perigo (face à total dependência que demonstrava em relação à mãe, rejeitando qualquer contato com o progenitor), sugerindo como única alternativa capaz de pôr termo a este processo de afastamento, o acolhimento temporário da menor numa instituição. Ao observar que não se conseguiria obter qualquer resultado que satisfizesse minimamente o superior interesse da menor, o tribunal entendeu que o que está em causa nada tem a ver com as visitas mas sim com a saúde mental da própria criança, que tem de ser preservada e acautelada, garantindo um crescimento e desenvolvimento da sua personalidade dentro dos parâmetros de normalidade (mencionando que poderia estar em causa o grau mais elevado de alienação parental).

Percebemos, pela descrição destes fatos que uma criança não pode viver sujeita a este tipo de pressão constante, pois claramente o ambiente em que estava envolvida, potenciado por ambos os progenitores, não era propício ao seu bem-estar e desenvolvimento harmonioso resultando, consequentemente, numa situação de perigo para a menor. Perante esta situação e esgotadas tanto as medidas adequadas a reaproximar a menor do progenitor como aquelas que almejavam uma relação mais equilibrada e cordial entre os progenitores, tornou-se necessário desenvolver outra estratégia que eliminasse de vez esta situação de perigo, assegurando à criança o afastamento deste clima conflituoso, vislumbrando como única solução a colocação provisória da menor num centro de acolhimento163. O primeiro e segundo recurso interposto pela mãe da menor foram julgados improcedentes.

Cada caso tem, assim, de ser ponderado casuisticamente, com base em fatos verdadeiros e assente em premissas objetivas. Existem sempre dois lados da mesma história e, nos casos de regulação das responsabilidades parentais, um terceiro e mais importante, que tem de ser protegido e salvaguardado, independentemente de quem tenha razão: o da criança. Por isso, para formarmos uma opinião, devemos analisar com cautela ambas as perspetivas. Entendemos por isso, que esta peça jornalística não dignificou o jornalismo, ocultando propositadamente fatos que fariam com que o público formulasse eventualmente uma apreciação diferente.

163 Tendo sido lançado mão pelo progenitor do art.º 157.º da OTM e do art.º 1918.º do CC.

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Capítulo IV: Críticas e Influência desta Teoria nos Direitos