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Delineamento e procedimentos

3.4 Tratamento dos dados

6.2.2 Delineamento e procedimentos

O estudo envolveu três fases: aquisição, teste de transferência e teste de retenção. Todos os grupos praticaram a tarefa durante as sessões de aquisição (tacada realizada a 3 metros do alvo), com execução de 100 tentativas divididas em

10 blocos de 10 tentativas cada e com intervalo de até 1 minuto após cada bloco. Logo após a aquisição, foi realizado o teste de transferência que envolveu a execução da tacada de uma nova distância (3,5 metros), em 2 blocos de 10 tentativas e a instrução foi, faça o seu melhor. O teste de retenção foi realizado sete dias após, com a execução de 2 blocos de 10 tentativas. Foi seguido o mesmo procedimento do teste de transferência.

O experimento foi realizado na Escola de Educação Física e Esporte – EEFE- USP, na cidade de São Paulo (SP) e na Escola Superior de Educação Física – ESEF, na cidade de Jundiaí (SP).

Conforme ilustrado no Quadro 2, os participantes foram distribuídos aleatoriamente entre quatro grupos: G1 - foco interno (FI); G2 - foco externo (FE); G3 - foco interno (instrução no vídeo) seguido de foco externo; e G4 - foco interno (instrução no vídeo) seguido de foco interno.

Quadro 2 – Delineamento do experimento 2, contendo grupos (foco interno - FI, foco externo - FE, foco interno seguido de foco interno FI-FI e foco interno seguido de foco externo FI-FE), quantidade de participantes por grupos, fases experimentais (Aquisição, Transferência e Retenção) com as respectivas e quantidades de tentativas.

Iniciantes Inst. Genérica FI Aquisição (100 tentativas) Inst. Genérica FE Aquisição (100 tentativas) Inst. FI FI Aquisição (100 tentativas) Inst. FI FE Aquisição (100 tentativas) Sem foco Transferência (20 tentativas) Sem foco Retenção (20 tentativas) Grupo 1 (n=15) X X X Grupo 2 (n=15) X X X Grupo 3 (n=15) X X X Grupo4 (n=15) X X X

A hipótese levantada foi que o grupo com instrução de foco interno seguido de foco externo na aquisição possibilitaria desempenho superior aos demais grupos nos testes de transferência e retenção.

Todos os participantes eram recepcionados, recebiam o termo de consentimento livre esclarecido e, após o seu preenchimento, era mais uma vez perguntado sobre seu desejo de participação. Todos os participantes que estavam de acordo e aceitaram participar da pesquisa recebiam uma instrução genérica: “você ira participar de um experimento sobre a aprendizagem da tacada do golfe”. Em seguida, eles tomavam conhecimento da tarefa assistindo a um vídeo, no qual um especialista realizava três tacadas. Para os grupos 1 e 2, era dada a instrução genérica: “você irá assistir a um vídeo no qual um indivíduo realiza três tacadas, em seguida iniciaremos a pesquisa”. Para os grupos 3 e 4, durante a apresentação do vídeo era dito: “veja como é importante movimentar seu tronco numa trajetória reta”.

Ao término do vídeo, os participantes eram convidados a subir na plataforma, e se posicionar da maneira mais confortável para executar a tacada. Somente ao iniciar a fase de aquisição os participantes recebiam a instrução específica, e tinham sua atenção dirigida para um determinado ponto de execução da tacada. No caso do foco interno (FI) a orientação era a mesma, ou seja: “direcione sua atenção especificamente para o movimento do tronco, tente manter uma trajetória reta”. Em relação ao foco externo, a instrução fornecida foi: “direcione sua atenção especificamente para a cabeça do taco, tente manter uma trajetória reta”.

Ao final do teste da aquisição, todos os participantes responderam a um questionário referente ao direcionamento de sua atenção (Anexo II) durante o experimento. Procurou-se saber se os participantes realmente direcionaram sua atenção de acordo com a solicitação do experimentador.

Ao terminar o estudo, o experimentador agradecia a participação, e sanava eventuais dúvidas dos participantes. O tempo aproximado para a realização da fase de aquisição e o teste de transferência foi de 35 minutos e, para o teste de retenção, de 10 minutos.

Os aspectos do método como instrução de foco interno e externo, quantidade de tentativas, distância do alvo, intervalo entre tentativas e intervalo entre blocos de tentativas foram baseados no estudo piloto (Anexo III).

6.2.3 Tratamento dos dados

A variável dependente foi a quantidade de acertos no alvo. Os resultados foram analisados em blocos de dez tentativas, considerando-se duas etapas. Na primeira buscou-se verificar o desempenho na fase de aquisição, sendo considerados dez blocos de tentativas. Na segunda análise procurou-se identificar a ocorrência de aprendizagem e os efeitos da variável independente. Essa análise envolveu o primeiro e o último bloco de tentativas da fase de aquisição e os dois blocos de tentativas dos testes (transferência e retenção).

O desempenho na fase de aquisição foi analisado por meio de uma análise de variância (ANOVA) one-way para cada grupo. A localização das diferenças encontradas foi efetuada pelo teste de TukeyHSD. A aprendizagem foi analisada por

meio de uma análise de variância (ANOVA) two-way (4 grupos X 6 blocos). A localização das diferenças encontradas foi efetuada pelo teste de TukeyHSD.

7 RESULTADOS

7.1 Análise da fase de aquisição

Os desempenhos dos grupos ou cada fase experimental encontram-se ilustrados na Figura 3.

Para o grupo foco interno (FI), a ANOVA encontrou diferenças estatisticamente significantes: F(9; 126)=4,38, 2=0,24, p≤0,01 . O teste de TukeyHSD mostrou diferenças entre o primeiro bloco de tentativas e o quarto, quinto,

sexto, oitavo, nono e décimo bloco (p≤0,01). Foram apontadas diferenças, também, entre o terceiro e o nono bloco (p≤0,05).

Para o grupo de foco externo (FE), a ANOVA não identificou diferenças estatisticamente significantes: F(9; 126)=1,75, 2=0,11, p>0,05 .

Para o grupo foco interno seguido de foco interno (FI–FI), a ANOVA identificou diferenças estatisticamente significantes: F(9;126)=8,31, 2=0,37, p≤0,01 . O teste

TukeyHSD apontou diferenças entre primeiro bloco e o quarto, quinto, sétimo, oitavo,

nono e décimo bloco de tentativas (p≤0,05). Foram verificadas diferenças, também, entre o segundo bloco e o quinto, sétimo, oitavo, nono e décimo bloco de tentativas (p≤0,05), e, entre o terceiro bloco e os dois últimos blocos (p≤0,01). Por fim, foram mostradas diferenças entre o sexto e os dois últimos blocos de tentativas (p≤0,05).

E, para o grupo foco interno seguido de foco externo (FI-FE), a ANOVA verificou diferenças estatisticamente significantes: F(9; 126)=18,75, 2=0,57, p≤0,01 . O teste TukeyHSD apontou diferenças entre o primeiro e os seis últimos

blocos de tentativas (p≤0,01). Foram identificadas diferenças, também, entre o segundo bloco e o quinto, sexto, oitavo, nono e décimo bloco; entre o terceiro e o quinto, oitavo, nono e décimo bloco (p≤0,05); entre o quarto e o quinto, oitavo, nono e décimo bloco (p≤0,01); entre o quinto bloco e o décimo bloco (p≤0,01); entre o sexto e o décimo bloco (p≤0,01); e, entre o sétimo e o nono e décimo bloco (p≤0,01).

Esses resultados permitem inferir que, com exceção do grupo foco externo, os demais grupos melhoraram o desempenho na fase de aquisição.

7.2 Análise de aprendizagem e dos efeitos da variável independente

A ANOVA encontrou diferenças estatisticamente significantes nos fatores grupo F(3; 56)=3,84, 2=0,17, p≤0,01 , blocos de tentativas F(5; 280)=27,62,

2=0,33, p≤0,01 e na interação entre grupos e blocos de tentativas F(15; 280)=2,03, 2=0,10, p≤0,01 .

Com relação ao fator grupo, o teste de TukeyHSD indicou diferenças entre o

grupo foco interno e os grupos foco interno seguido de foco externo e foco interno seguido de foco interno (p≤0,05).

Para o fator blocos de tentativas, o teste de TukeyHSD indicou diferenças entre

o primeiro bloco da fase de aquisição e os demais grupos (p≤0,05) e o último bloco da fase de aquisição e os demais grupos (p≤0,01). O post hoc identificou diferença, também, entre o primeiro e o segundo blocos do teste de retenção (p≤0,05).

Com relação à interação, nas comparações intragrupo o teste de TukeyHSD

(p>0,05). Foram apontadas diferenças para o grupo foco interno seguido de foco externo, no sentido de o grupo ser diferente do último dessa mesma fase e do segundo bloco de tentativas do teste de transferência e do teste de retenção (p≤0,01). O post hoc identificou, também, diferenças entre o último bloco da fase de aquisição e o primeiro bloco de tentativas do teste de transferência e do teste de retenção (p≤0,01). 0 1 2 3 4 5

Aq.1 Aq.2 Aq.3 Aq.4 Aq.5 Aq.6 Aq.7 Aq.8 Aq.9 Aq.10 Tr. 1 Tr.2 Ret.1 Ret.2

Blocos de 10 tentativas Q ua nt ida de de a c e rt os FI FE FI - FI FI - FE

Figura 3 – Média de quantidade de acertos em blocos de dez tentativas, na fase de aquisição (Aq1 a Aq10) e nos testes de transferência (Tr.1 e Tr.2) e retenção, (Ret.1 e Ret.2), dos quatro grupos experimentais (foco interno - FI, foco externo - FE, foco interno seguido de foco interno FI-FI e foco interno seguido de foco externo FI-FE).

Já para o grupo foco interno seguido de foco interno, foram observadas diferenças entre o primeiro e o último bloco de tentativas da fase de aquisição (p≤0,01); e, entre este último e o primeiro bloco de tentativas do testes de transferência e ambos os blocos de tentativas do teste de retenção (p≤0,01).

No tocante às comparações entre grupos, o teste de TukeyHSD indicou que, no

último bloco de tentativas da fase de aquisição, os grupos foco interno e foco externo foram diferentes dos grupos foco interno seguido de foco externo e foco interno seguido de foco interno (p>0,05).

Em suma, em que pese as diversas diferenças observadas, o fato de apenas o grupo de foco interno seguido de foco externo ter obtido, nos testes, desempenho superior àquele do início da aquisição, permite inferir que esse foi o único grupo que efetivamente aprendeu.

8 DISCUSSÃO

A constatação de que vários estudos cujos resultados mostraram superioridade da aprendizagem com foco externo em comparação com foco interno envolveram na instrução inicial um direcionamento de foco interno (WULF et al., 2000; WULF et al., 2002; CECCATO, PASSMORE & LEE, 2003; WULF & MCNEVIN, 2003; ABES, 2004; ZACHRY et al., 2005; WULF et al., 2007; EMANUEL, JARUS & BART, 2008; BELL & HARDY, 2009; LOHSE et al., 2010), levou-nos a perguntar se seria o foco interno algo essencial para a aprendizagem, ou melhor, um pré-requisito para os efeitos do foco externo na aprendizagem motora.

Os resultados permitem sugerir que sim, uma vez que o grupo com foco interno na instrução seguido de foco externo na aquisição foi o único grupo mostrou aprendizagem.

Uma possível explicação para esses resultados está relacionada aos estágios de aprendizagem, mas não no sentido de Wulf (2007b), de o foco externo possibilitar uma aceleração do processo de aprendizagem, mas sim de o foco interno anterior possibilitar um avanço em tais estágios, principalmente no que concerne ao primeiro. Em outras palavras, quando o foco externo foi introduzido, o foco interno na instrução já havia possibilitado a compreensão do que estava para ser feito, ou seja, da meta da tarefa (FITTS & POSNER, 1967) ou, ainda, a aquisição da ideia do movimento (GENTILE, 1972).

Dessa forma, é possível pensar que o aprendiz tenha conseguido associar as informações advindas do foco externo àquelas do padrão de movimento (foco interno) necessário para alcançar a meta da tarefa.

Esses achados fazem com que a outra inquietude descrita anteriormente se intensifique: em vários estudos, os participantes tiveram oportunidade para se familiarizar com a técnica da tarefa em algumas tentativas de prática (WULF et al., 2000; WULF et al., 2002; CECCATO, PASSMORE & LEE, 2003; WULF & MCNEVIN, 2003; ABES, 2004; ZACHRY et al., 2005; WULF et al., 2007; EMANUEL, JARUS & BART, 2008; WULF, 2008; BELL & HARDY, 2009; BARROS et al., 2009; MENDONÇA et al., 2010; OELKE & CLAUDIO, 2010; LOHSE et al., 2010). Isso remeteu a terceira questão: a superioridade do foco externo seria dependente da prática com a condição de foco interno anteriormente?

9 EXPERIMENTO 3

9.1 Objetivo

O objetivo desse experimento foi investigar se a “superioridade” dos efeitos do foco externo seria dependente daqueles do foco interno na aquisição.

9.2 Método

9.2.1 Participantes

Foram convidados a participar do experimento 60 adultos jovens de ambos os sexos (21♀ e 39♂), com idade de 18 a 33 anos (±23 anos). Os participantes não tinham experiência na tarefa de aprendizagem e foram distribuídos aleatoriamente nos grupos experimentais. A participação foi condicionada ao preenchimento de formulário de participação livre e esclarecida (Anexo IV), sendo que o presente projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Escola de Educação Física e Esporte da USP (Anexo V).

Os demais aspectos do método (tarefa e material) foram semelhantes ao do primeiro experimento anteriores.

9.3 Delineamento e procedimentos

O estudo envolveu três fases experimentais: aquisição, na qual ocorreu a prática, teste de transferência e teste de retenção. Todos os grupos praticaram a tarefa durante a sessão de aquisição (tacada realizada a 3 metros do alvo), com execução de 100 tentativas divididas em 10 blocos de 10 tentativas cada e com intervalo de 1 minuto após cada bloco. Logo após a aquisição foi realizado o teste de transferência, que envolveu a execução da tacada de uma nova distância (3,5 metros), com 2 blocos de 10 tentativas. O teste de retenção envolveu a execução de 2 blocos de 10 tentativas sete dias após o teste de transferência, seguindo os mesmos procedimentos dessa última.

O experimento foi realizado na Universidade Metropolitana de Santos – FEFIS-UNIMES, na cidade de Santos (SP).

Conforme ilustra o Quadro 3, os participantes foram distribuídos aleatoriamente entre quatro grupos: foco interno (FI), foco externo (FE), foco interno nas primeiras cinquenta tentativas seguido de foco externo nas últimas cinquenta tentativas, e foco externo nas primeiras cinquenta tentativas seguido de foco interno nas últimas cinquenta tentativas. Os demais procedimentos foram iguais aos dos experimentos anteriores.

A hipótese foi que o grupo foco interno seguido de foco externo apresentaria melhor desempenho que os demais grupos nos testes de transferência e retenção.

9.4 Tratamento dos dados

A variável dependente foi a quantidade de acertos no alvo. Os resultados foram analisados em blocos de dez tentativas, considerando-se duas etapas. Na primeira, buscou-se verificar o desempenho na fase de aquisição, sendo considerados dez blocos de tentativas. Na segunda análise, procurou-se identificar a ocorrência de aprendizagem e os efeitos da variável independente. Essa análise

envolveu o primeiro e o último bloco de tentativas da fase de aquisição e os dois blocos de tentativas dos testes (transferência e retenção).

Quadro 3 – Delineamento do experimento 3 contendo grupos (FI, FE, FI-FE e FE-FI), quantidade de participantes por grupos, fases experimentais (Aquisição, transferência e retenção) e respectivas quantidades de tentativas.

Iniciantes FI Aquisição (100 tentativas) FE Aquisição (100 tentativas) FI – FE Aquisição (50+50tent.) FE – FI Aquisição (50+50 tent.) Sem foco Transferência (20 tentativas) Sem foco Retenção (20 tentativas) Grupo 1 (n=15) X X X Grupo 2 (n=15) X X X Grupo 3 (n=15) X X X Grupo 4 (n=15) X X X

O desempenho na fase de aquisição foi analisado por meio de uma análise de variância (ANOVA) one-way para cada grupo. A localização das diferenças encontradas foi efetuada pelo teste de TukeyHSD. A aprendizagem foi analisada por

meio de uma análise de variância (ANOVA) two-way (4 grupos X 6 blocos). A localização das diferenças encontradas foi efetuada pelo teste de TukeyHSD.

10 RESULTADOS

Os desempenhos dos grupos em ambas as fases do experimento encontram- se ilustrados na Figura 4.

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