CAPÍTULO I – A CNA EM PERSPECTIVA HISTÓRICA: ABORDAGENS SOBRE
1.3. A Atuação da CNA
1.3.1. Demandas e discursos sobre a questão trabalhista e sindical
Em 08 de fevereiro de 1967, através do Decreto-Lei 148, baixado pelo então Presidente Castelo Branco, foi conferido novo prazo, de um ano, para que as associações rurais e seus órgãos superiores, reconhecidos sob a forma do Decreto-lei nº 8.127, de 24 de outubro de 1945, manifestassem o interesse em “ser investidas nas funções e prerrogativas de órgão sindical” (art. 1º), de mais noventa dias após o reconhecimento da investidura para que a entidade adaptasse seus estatutos ao regime sindical e outros noventa da aprovação dos estatutos pelo MTPS para eleger os órgãos diretivos, tudo “sob pena de decaírem da investidura” e se sujeitarem a liquidação pelo Ministério da Agricultura.
A outra possibilidade apresentada para essas entidades para não serem “liquidadas” era, no mesmo prazo, converterem-se em associações civis, sem fins lucrativos, perdendo as prerrogativas do Decreto-lei nº 8.127. Dentre as justificativas apresentadas para a edição do Decreto-lei em 1967, está “estimular a transformação das entidades remanescentes, criadas nos termos do aludido Decreto-lei, para eliminar a duplicidade de representações, fonte de possíveis conflitos no exame dos assuntos de interesse da classe”, o que indica que houve conflitos de representação de entidades que permaneceram sob a regulamentação do Decreto- lei de 1945. A Lei 5481, de 10 de agosto de 1968, promulgada por Costa e Silva, revigorou o prazo concedido para as associações e seus órgãos superiores requererem investidura como entidades sindicais representativas de empregadores rurais até 8 de fevereiro de 1969.
A diretoria e linha de atuação da CRB e da CNA permaneceram as mesmas no período imediatamente subsequente ao golpe. Tanto que a revista Gleba, que passou a ser editada pela CNA, lançada no final de dezembro para compreender as atividades da entidade no período, ainda apresenta notícias ora se referindo à CRB ora à CNA.
Encontramos, por exemplo, uma matéria intitulada “DIREITO AGRÁRIO: Aplausos da CNA ao Curso da PUC”, que, no corpo do texto, se refere a uma manifestação de Edgard Teixeira Leite como presidente em exercício da CRB, afirmando que era um pleito de muitos anos da CRB “de dar ao direito agrário lugar de destaque” e de criar “seus órgãos de ação, que são instrumento de direito agrário: o Código Rural e sobretudo a Justiça Rural” (GLEBA, jan 1964 a dez. 1965: 11).
A criação do que chama Justiça Rural teria sido demandada em conferências e reuniões da classe, que “levou aos poderes públicos o problema angustioso entre todos, na vida rural brasileira, da organização de um aparelhamento capaz de dirimir os conflitos entre as duas categorias profissional e econômica, dentro das normas de paz e justiça social” (GLEBA, jan. 1964 a dez. 1965: 11). Salienta que, embora não tenham logrado o objetivo, “vai se criando uma consciência nas camadas mais esclarecidas da Nação da relevância do problema” (GLEBA, jan. 1964 a dez. 1965: 11). E conclui: “Se, por ocasião da elaboração do
Estatuto da Terra, a Confederação Rural não logrou acolhida de suas aspirações, teve a satisfação de ver incluída, pela Emenda Constitucional no. 10, entre as competências da União, a de legislar sobre direito agrário” (GLEBA, jan. 1964 a dez. 1965: 11).
Em outra ocasião, o tema reaparece nas palavras do vice-presidente da CNA, que afirma defender há mais de uma década pessoalmente a criação da Justiça Rural, afirmando que ela será possível em razão da Emenda Constitucional no. 10, reivindicada pela CNA. E ainda menciona a carta conjunta com a Contag que baseou quatro encontros, sob o patrocínio do Inda, que reuniram trabalhadores e patrões, nos quais reivindicaram a organização da Justiça Rural (GLEBA, mai-ago. 1966: 58-59).
Parece que a Justiça Rural defendida tinha como objetivo julgar os conflitos entre empregadores e trabalhadores rurais, que então eram julgados pelos Conselhos Arbitrais, órgãos da Justiça do Trabalho64. Esta proposta parece ser outra forma de buscar retirar as questões referentes a relações de trabalho no campo do âmbito trabalhista para situá-las em um espaço específico da agricultura ou do rural, de forma correlata com a defesa de sindicatos sob controle do Ministério da Agricultura, questão vencida com a promulgação do ETR em 1963.
O lugar que a CNA atribuiria à assessoria jurídica começa a ser revelado quando da defesa pela entidade do imposto sindical, como forma de refutar críticas que a instituição do referido tributo vinha sofrendo65. Entre os diversos argumentos favoráveis ao imposto - que perpassam um discurso defensor da necessidade dos sindicatos tanto para dirimir pacificamente conflitos entre patrões e empregados, quanto para evitar a ameaça de fim do sindicalismo com a retomada de movimentos como o das Ligas Camponesas - está a defesa de que em cada município os proprietários terão no sindicato um órgão de defesa dos seus interesses, atuando, por exemplo, nas seguintes áreas: “assessoria jurídica idônea para os casos de problemas trabalhistas, de interpretação da legislação fiscal; de serviço de informação de ordem técnica” entre outras que menciona.
O então vice-presidente da CNA afirma que os objetivos destacados eram os mesmos das Associações Rurais criadas pelo Decreto-Lei 8.127, mas que não foram atingidos “por lhe faltarem recursos suficientes e regularmente recebidos”. Mas que todo o proprietário terá interesse em participar do sindicato “pois encontrará serviços que lhe serão úteis, notadamente na área trabalhista e de orientação sobre a legislação fiscal” (GLEBA, mai-ago. 1966: 59).
A criação da estrutura paralela corporativista sindical no campo e a extensão de novos direitos aos trabalhadores rurais trouxeram novas questões a serem tratadas na esfera jurídica.
Na Conferência do Direito Rural, promovida pela CNA, entre os dias 28 e 30 de setembro de 1966, com o objetivo exposto de “examinar toda a legislação que interfere na vida do campo”, coordenada pelo consultor jurídico da CNA, Raul Cardoso de Melo Filho, o mesmo que assinava os pareceres para a CRB e meados da década de 1950, foram as seguintes medidas aprovadas e encaminhadas ao Governo:
1) conceituar como empregador rural todo o empresário agrícola, seja grande ou pequeno; 2) permanência do direito de investidura sindical para as
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A instituição da Justiça do Trabalho foi prevista inicialmente pela Constituição brasileira de 1934 (artigo 122), entre os direitos e garantias fundamentais e não no Capítulo destinado à regular o Poder Judiciário, como estrutura administrativa do Poder Executivo, para “dirimir questões entre empregadores e empregados, regidas pela legislação social”, portanto, reflexo do intervencionismo estatal característico da época e dessa forma mantida pela Constituição de 1937. Em 1943, o STF reconheceu a Justiça do Trabalho com órgão do Poder Judiciário, via controle difuso de Constitucionalidade (Recurso Extraordinário n 6.310, DJU de 30.9.43), mas “foi somente com a Constituição de 1946 que se incluiu definitivamente a Justiça do Trabalho como órgão judicante (...) A Constituição da ditadura militar de 1967, bem como a emenda de 1969, manteve quase inalterada a carta de 1946” (OLIVEIRA, 2008: on line).
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As matérias da CNA não esclarecem exatamente de onde são oriundas tais críticas, embora possamos supor que de outras entidades, como a SRB, e de empregadores não sindicalizados.
associações rurais; 3) definição do quorum para a fundação de sindicatos rurais, tendo em vista que a exigência atual é de um terço de todos os membros da classe no município; 4) ampliação, em certos casos, da área territorial do sindicato, de modo a poder abranger mais de um município; 5) aplicação às eleições sindicais rurais do que dispõe o Estatuto do Trabalhador Rural, que está em desacordo com a Portaria 40, do Ministério do Trabalho66; 6) definição das atividades assistenciais dos sindicatos patronais para adaptação às necessidades da vida comunitária no campo (conclui-se que a revenda de materiais deve ser processada através de cooperativas, limitando-se a assistência do sindicato a situações de emergência); 7) regulamentação dos Conselhos Arbitrais, constituídos, apenas de representantes dos sindicatos, e não também de associações; e 8) revogação de Decreto-Lei 8.127, de 1945, que dispõe sobre a organização da vida rural, concedendo-se o prazo de dois anos para a investidura sindical das entidades por ele regidas, ou transformação das mesmas em entidades civil (GLEBA, set-out. 1966: 23-24).
Portanto, na ocasião, ficam patentes as preocupações da CNA em torno das normas e regulamentações referentes aos sindicatos patronais, buscando ampliar a base dos sindicatos e o próprio número de sindicatos e, ao mesmo tempo, adequar-se e buscar a adequação das associações à legislação sindical, eliminando as prerrogativas e a própria existência de associações fundadas com base da legislação anterior. Parece ser essa a motivação da defesa da extinção das associações criadas com base no Decreto-Lei 8.127, de 1945, não sem antes conferir um prazo razoável para que pudessem requerer a investidura sindical.
Um ano após, a CNA informa que serão extintas as associações rurais fundadas com base nesse Decreto-Lei, conforme estabelece o Decreto-Lei 148, de 08 de fevereiro de 1967 e que “mais de mil Associações Rurais, espalhadas por todo o país” teriam “prazo até 09 de fevereiro de 1968, para se definirem pela sua transformação ou não em sindicatos rurais” e, extinto esse prazo sem decisão, seriam liquidadas (GLEBA, set-out. 1967: 35).
Além da adequação a um novo ordenamento jurídico de representação e das reivindicações de mudanças legislativas visando facilitar tal adequação, a CNA informaria sua atuação com o objetivo de permitir a expansão e a estruturação rápida do sindicalismo no campo, na matéria O DOAR informa: Medidas para a Rápida Implantação do Sindicalismo. No caso, o Departamento de Assistência e Organização Rural (Doar) da CNA, chefiada por Gastão Lamounier, estava buscando a regularização da situação dos sindicatos reconhecidos pelo MTPS, mas “sem estatutos adaptados aos termos da legislação sindical”, bem como a resolução da situação dos “processos sem andamento naquele Ministério visto terem sido formados e encaminhados posteriormente ao término da vigência do artigo 141 do Estatuto do Trabalhador Rural e anteriormente à promulgação do Decreto no. 148”. E ainda que esse departamento da CNA “vem municiando as Federações com modelos práticos para ampla distribuição nos respectivos Estados, compreendendo: modelos de requerimento ao Delegado do Trabalho; ao Diretor do DNT; de Edital de Convocação, cópia de Ata da Assembleia Geral; atestado firmado por autoridade competente e de cópia do Estatuto Social” (GLEBA, jan-abr. 1967: 61).
Ao lado do fornecimento de modelos de requerimentos e demais documentos necessários à regularização ou criação das entidades sindicais patronais, a CNA também se preocupava em esclarecer as normas do Estatuto do Trabalhador Rural. O artigo “Obrigações
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A referida portaria trata de eleições sindicais, estabelecendo a necessidade de maioria absoluta para eleição de candidatos, o que a dificulta, tornando arriscada sua anulação por não ter atingido o quórum.
trabalhistas do empregador rural” é de autoria de Nilza Perez Rezende67, advogada trabalhista que, com seu marido, mantinha escritório no Rio de Janeiro e era proprietária de terras (GLEBA, jan. 1968: 17). De acordo com a advogada:
Muitos fazendeiros, mesmo pagando aos empregados mais do que a lei determina, ficam expostos a reclamações perante a Justiça, pois procedem inadequadamente ao registro das relações empregatícias. Pagam sem exigir recibo, admitem sem fazer contrato, dão gratificação quando dispensam o trabalhador, mas não a enquadram como indenização. Há necessidade de reformulação da sistemática administrativa das fazendas, no que se relaciona ao pessoal (GLEBA, jan. 1968: 17).
Em razão disso, afirma que a exposição tem “o objetivo de facilitar aos proprietários rurais o cumprimento de suas obrigações trabalhistas” e apresenta, além de orientações gerais, alguns modelos de contratos - Contrato de Trabalho por prazo indeterminado; Contrato de Empreitada; e Contrato de Meeiro (GLEBA, jan. 1968: 17-21).
Em outro artigo, intitulado Trabalhadores rurais sob proteção do Estatuto, a advogada afirma o objetivo de esclarecer dúvidas ainda existentes, apesar do Estatuto estar em vigor havia mais de seis anos. De acordo com ela, as dúvidas
não são desprovidas de razão, pois tantas e tão diversas são as categorias daqueles que trabalham no campo, e tão variadas são as condições em que prestam serviço, que muitas vezes se torna difícil enquadrar o trabalhador como empregado, sujeito ao Estatuto do Trabalhador Rural, ou como parceiro ou arrendatário, sujeito aos dispositivos do Cód. Civil e Estatuto da Terra, ou como trabalhador doméstico, sem proteção especial de qualquer lei, ou como empreiteiro, volante, avulso etc (GLEBA, nov. 1968: 16).
Busca, portanto, esclarecer essas questões e divide a apresentação em: “I – Empregados propriamente ditos”; “II – Colonos”; “III – Trabalhadores provisórios, avulsos ou volantes”; “IV – Empreiteiro”; “V – Parceiro ou Arrendatário”; e “VI – Caseiros e empregados de sítio” (GLEBA, nov. 1968: 16-18).
Tais artigos demonstram as preocupações da CNA (e provavelmente dos próprios empregadores que constituem sua base, em virtude de possíveis ações judiciais trabalhistas) com a definição das formas do trabalho rural e suas implicações contratuais, além de fornecerem orientações para o empregador rural cumprir as formalidades legais e evitar questionamentos na Justiça Trabalhista.
A necessidade de o sistema sindical patronal fornecer assistência, inclusive jurídica, aos seus associados foi defendida por um colunista na revista da CNA, já que, diferente dos sindicatos urbanos, que seriam compostos majoritariamente por pessoas jurídicas, nos sindicatos rurais predominariam pessoas físicas que necessitam de “assistência técnica, jurídica, econômica e social”. Entre a explicação dos tipos de assistência, considera como assistência jurídica “os casos que possam estar pendentes na Justiça do Trabalho, na confecção de contratos de arrendamento ou parcerias, inventários etc” (GLEBA, fev. 1969: 9).
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Conforme Sayonara Silva alertou na defesa da tese, Perez de Rezende é um grande e tradicional escritório de advocacia trabalhista sediado no Rio de Janeiro. A partir do alerta, localizamos informações no sítio eletrônico do escritório, que mencionam Nilza Perez de Rezende como sócia fundadora do referido escritório, que foi fundado em 1941, “meses antes da instalação da Justiça do Trabalho no Brasil” (In: http://perezerezende.com.br/sobre.html. Acesso em: 05.01.2013). Ela também é mencionada como “advogada agraciada com a Ordem do Mérito da Justiça do Trabalho e a do Ministério do Trabalho, autora dos livros ‘Obrigações Trabalhistas do Empregador Rural’ e ‘Empregados Domésticos: direitos e deveres’” (In: http://perezerezende.com.br/sobre.html. Acesso em: 05.01.2013).
Em 1971, uma seção denominada SINDICALISMO EM MARCHA68 é inaugurada com a apresentação de sindicatos como órgãos de representação, mas também de assistência aos associados “especialmente de natureza jurídica e social”. No tópico SERVIÇOS PRIORITÁRIOS DE ASSISTÊNCIA destaca-se que o resultado do debate sobre o tema entre experts foi a opinião da maioria
pela essencialidade dos serviços de natureza jurídica, sob a alegação de que o sindicalismo, devido à filosofia em que se inspira, representa atualização e adequação do sistema associativista às “novas realidades” político-sociais do País...marcadas, sobretudo, pela extensão da legislação trabalhista ao meio rural (GLEBA, abr. 1971: 6).
No tópico ORIENTAÇÃO SINDICAL, informa a edição e distribuição pela CNA de Cadernos de Orientação Sindical, às Federações, para que estas pudessem reproduzir as matérias de maior interesse para os Sindicatos. Afirma que como nem todas puderam fazer isso apresentará os temas principais: Administração sindical, Contratos agrários: instrumentos e modelos, Estatuto da Terra (GLEBA, abr. 1971: 7).
Essa coluna, em um dos editoriais, intitulado DIANTE DA LEI, se utiliza de uma interpretação de um conto de Franz Kafka para explicar o motivo de começar a tratar de temas jurídicos, nos seguintes termos:
Num dos seus mais notáveis contos, Franz Kafka refere-se a homem que, vindo do campo, põe-se DIANTE DA LEI e, em seguida, a ela tenta ter acesso, em meio a poderosos obstáculos que desafiam sua determinação, até que, por fim, morre sem alcançar aquele objetivo.
Ao introduzir esta coluna, par divulgação de matérias de natureza jurídica, pretendemos, em plano limitado, colocar o rurícola brasileiro DIANTE DA LEI (…)
O homem do campo de que nos fala Kafka jamais teve acesso à Lei; nós, porém, valendo-nos da contribuição das Federações e Sindicatos Rurais, visando a valorização da ação sindical, desejamos concorrer no sentido de que o agricultor brasileiro seja mais bem sucedido (GLEBA, mai. 1971: 6).
Nessa linha, por exemplo, uma nota (Legislação Trabalhista (1): Desconto-Habitação) informa reproduzir esclarecimentos publicados no Boletim Informativo da Farsul sobre o assunto, e apresenta um modelo de instrumento de autorização para os descontos de habitação, conforme o Estatuto do Trabalhador Rural, a fim de “facilitar o aditamento dos contratos escritos, mas sem a cláusula de autorização do desconto” (GLEBA, mai. 1971: 6). Foram ainda transcritos do Boletim Informativo dessa Federação os comentários elaborados pelo advogado do seu departamento jurídico, Odilon Rebes Abreu, sobre o 13º salário (como e quando poderia/deveria ser pago), que expõe um modelo de recibo de 13º salário (GLEBA, out. 1972: 37).
Também foi objeto de reprodução um texto do Boletim Informativo da Federação da Agricultura de Minas Gerais (Faemg), considerando exemplo de matérias apropriadas à divulgação sindical. A matéria apresenta orientações sobre Como regulamentar sua Empresa Rural. No último item referente às obrigações trabalhistas cita as seguintes publicações para
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Essa coluna, assinada por Antônio Buarque, foi precedida por uma nomeada “SINDICALISMO RURAL” que aparece em apenas uma edição da revista Gleba e na qual foi apresentado o subscritor como ligado “desde 1961 ao movimento associativista”, tendo exercido cargos no INDA e na CNA. O mais recente seria como suplente da representação da CNA no FUNRURAL. Na coluna precedente foram expostas reivindicações e informações de Federações e Sindicatos, além de orientações gerais e elogios (GLEBA, mar. 1971: 14-15).
os interessados procurarem69 (GLEBA, set. 1971: 25-26).
Há ainda outra reprodução do boletim da FAEMG de informação para esclarecer sindicatos rurais sobre a rescisão do contrato de trabalho pela aposentadoria do trabalhador rural. Entre outras considerações, informa que não é relevante para a rescisão por aposentadoria que o trabalhador continue residindo na propriedade, sozinho ou na casa de um filho e que o trabalhador neste caso: “Nada poderá pleitear, a não ser que volte a prestar serviços mediante novo contrato de trabalho” (GLEBA, jan. 1973: 25). Além das orientações, há informe do pedido dessa Federação ao Presidente da República de reformulação do Estatuto do Trabalhador Rural, “tendo em vista os efeitos danosos à economia rural decorrentes de sua aplicação” (GLEBA, jan. 1973: 25), sem esclarecer exatamente quais os pontos que considerava que devessem ser alterados.
Entre os materiais de orientação jurídicas publicizados pela CNA, alguns dos quais reproduzidos de federações a ela filiadas, destacamos orientações sobre documentos de formalização e organização interna dos sindicatos (GLEBA, out. 1971: 49) e sobre a aplicação da legislação trabalhista no meio rural, visando esclarecer quais os critérios que definem a existência do vínculo trabalhista (Gleba, jan. 1968: 19; GLEBA, jul. 1971: 29-30) e quais os fatores ensejar a demissão com justa causa de trabalhadores (GLEBA, janeiro de 1973: 25). Além de orientações aos filiados, noticia um parecer que defende a não obrigatoriedade do empregador rural recolher o FGTS70 (GLEBA, jan. 1972: 45).
A assessoria jurídica que, no início das publicações da CRB, era prestada por um advogado que fornecia pareceres especialmente sobre a interpretação dos dispositivos do Decreto que criara a entidade, embora em artigos também aparecesse de forma pontual posicionando-se em debates sobre os temas trabalhistas, previdenciários e reforma agrária, parece diluir-se e concentrar-se no tema trabalhista e de organização sindical. Por um lado, visa orientar e esclarecer tanto as federações e sindicatos, quanto os próprios sindicalizados (ou potenciais sindicalizados) sobre aspectos da legislação trabalhista e sindical e, por outro, a partir do incentivo à prestação de serviços jurídicos pelos sindicatos, contribuir para o aumento do número de associados aos sindicatos.
Em princípio, matérias assinadas por uma advogada trabalhista comentavam os dispositivos do ETR, buscando esclarecer os critérios que caracterizavam a relação de emprego e, portanto, quais trabalhadores rurais eram considerados empregados e fariam jus aos direitos estabelecidos na lei.
A partir do início da década de 1970, com uma orientação editorial que privilegiava a divulgação de notícias dos sindicatos e federações, em especial dos êxitos na agremiação de sócios, a assessoria jurídica aparece ao lado de políticas de assistência médica (hospitalar e dentária), como grandes e recomendados estímulos para o fortalecimento dos sindicatos e, consequentemente, da estrutura sindical.
A disputa já instaurada pela CRB em torno da representação sindical dos pequenos proprietários desde o reconhecimento oficial da Contag prossegue com a CNA. Ramos (2011: 109), sobre o assunto, indica que houve uma pequena alteração em 1965, através da Portaria no. 71, do Ministério do Trabalho e Previdência Social, com a retirada “do termo ‘pequeno