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DEMOCRÁTICA

No documento EMPREGO E TRABALHO DECENTE: (páginas 57-64)

33 Fonte: OIT. Disponível em: http://www.ilo.org/public/portugue/region/eurpro/lisbon/pdf/gender_fevereiro.pdf. Acesso em 31/08/2011.

Condições favoráveis ao diálogo social:

‡ Respeito pelos direitos fundamentais da liberdade sindical e da negocia-ção coletiva;

‡ Apoio institucional adequado; e

‡ Organizações de trabalhadores e de empregadores fortes e independen-tes, com capacidade técnica e acesso a informações relevantes para o de-bate; lealdade e vontade política e empenho das partes no diálogo social.

IMPORTANTE

A negociação coletiva, como a própria expressão indica, compreende os processos de negociações entre as organizações de empregadores e os sindicatos de traba-lhadores, com vistas a fechar acordos sobre assuntos relevantes, como salários e condições de trabalho. No Brasil, a negociação coletiva de trabalho pressupõe a presença do sindicato profissional como representante legítimo da classe trabalhadora, de um lado, e do sindicato patronal (convenção coletiva de tra-balho) ou da própria empresa (acordo coletivo de tratra-balho), de outro34. A Constituição de 1988 inovou em relação à negociação coletiva e abriu pos-sibilidades de modernização das relações de trabalho. Alguns argumentam que essas mudanças podem resultar numa redução de direitos trabalhistas.

É importante ter em mente, contudo, que a negociação coletiva, em muitas situações, viabiliza reduções de custos que permitem ao empregador transpor períodos de crise nos quais a continuidade da atividade empresarial e a ma-nutenção de postos de trabalho são os bens maiores a serem defendidos35. A negociação coletiva é um mecanismo adequado para solução de conflitos trabalhistas, uma vez que os próprios interessados regulam diretamente, de co-mum acordo, suas condições de trabalho. Além disso, a negociação coletiva de trabalho permite a criação de normas e condições capazes de regular a relação de trabalho com a velocidade e a especificidade exigidas pelo ritmo atual das transformações econômicas e tecnológicas.

34 Fonte: LOPES, O. B. Limites Constitucionais à Negociação Coletiva. Revista Jurídica Virtual, v. 1, n. 9, fev. 2000. Disponível em:

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/revista/Rev_09/neg_coletiva_Otavio.htm. Acesso em 31/08/2011.

35 Fonte: LOPES, O. B. Limites Constitucionais à Negociação Coletiva. Revista Jurídica Virtual, v. 1, n. 9, fev. 2000. Disponível em:

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/revista/Rev_09/neg_coletiva_Otavio.htm. Acesso em 31/08/2011.

36 Fonte: TANABE, M. M. A Negociação Coletiva na Resolução de Conflitos Trabalhistas. Fundação Getúlio Vargas / Centro de Formação Acadêmica e Pesquisa da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas. Dissertação (Master in Inter-nacional Management – MIM), 2009. Disponível em: http://bibliotecadigital.fgv.br/dspace/bitstream/handle/10438/4017/mtanabe.

pdf?sequence=1. Aceso em 31/08/2011.

A negociação coletiva na resolução de conflitos trabalhistas36

É fundamental que a legislação traduza os princípios básicos e assegure os direi-tos fundamentais do trabalhador, dando margem para que as demais disposições sejam estipuladas pelos próprios atores sociais, por meio da negociação coletiva.

Como o diálogo social deve contemplar as especificidades de cada setor, área geo-gráfica e porte de empresas, entre outros aspectos, somente por meio da negocia-ção direta será possível definir condições de trabalho que, sem colocar em risco a criação e sobrevivência de empresas, assegurem o aumento de postos de trabalho.

ATENÇÃO

37 Fonte: adaptado de: https://i3gov.planejamento.gov.br/textos/livro6/6.3_Participacao_Social.pdf. Acesso em 31/08/2011.

38 SILVA, F. B.; JACCOUD, L.; BEGHIN, N. Políticas sociais no Brasil: participação social, conselhos e parcerias. In: JACCOUD, L.

Questão Social e Políticas Sociais no Brasil Contemporâneo. IPERA< 2005 (reimpressão 2009). Disponível em: http://www.ipea.

gov.br/portal/images/stories/PDFs/livros/Cap_8-10.pdf. Acesso em 29/08/2011. Acesso em 231/08/2011.

39 SILVA, F. B.; JACCOUD, L.; BEGHIN, N. Políticas sociais no Brasil: participação social, conselhos e parcerias. In: JACCOUD, L.

Questão Social e Políticas Sociais no Brasil Contemporâneo. IPERA< 2005 (reimpressão 2009). Disponível em: http://www.ipea.

gov.br/portal/images/stories/PDFs/livros/Cap_8-10.pdf. Acesso em 29/08/2011. Acesso em 231/08/2011.

A modernização da legislação trabalhista é necessária para que as empresas possam acompa-nhar as transformações econômicas, ampliando suas condições de competitividade e estimu-lando o emprego formal. Assim, deve-se avançar rumo à desburocratização, conferindo maior possibilidade de ajuste aos modelos de organização do trabalho no país, valorizando o diálogo social e as instâncias de negociação.

EXEMPLO

Espaços de diálogo e negociação

Os conselhos nacionais de políticas públicas são espaços institucionais de in-terlocução do Estado com a sociedade. Compostos por representantes de enti-dades da sociedade civil e do poder público, garantem a participação social na formulação, implementação e avaliação de políticas públicas. Os conselhos são organismos híbridos dos quais participam atores do Executivo e da sociedade civil relacionados com a área temática de sua atuação37.

A partir de diferentes experiências, parece ter se estabelecido um amplo consenso quanto à relevância da participação social nos processos de formulação, decisão, controle e implementação das políticas sociais. Essa aparente concordância, entretanto, obscurece os termos de um debate ainda marcado por ambiguidades e tensões, que pautam, inclusive, as práticas de participação social38.

Por um lado, os conselhos e comissões de trabalho têm se constituído em espaços importantes para discutir e incorporar pautas e interesses dos setores sociais que buscam a melhoria da qualidade e a universalização da prestação de serviços, além de serem instâncias de construção de direitos ainda não reconhecidos pelo Estado. As possibilidades de interlocução tendem a aumentar não só a eficácia das políticas públicas, como também o nível de politização dos movimentos sociais.

Entretanto, considerando que a legitimidade dos conselhos e comissões decorre de sua capacidade de expressar interesses e estabelecer negociações – permitindo que o debate e, em certos casos, a tomada de decisões sejam realizados não apenas no Legislativo, mas num espaço múltiplo de repre-sentação dos diversos atores sociais – há riscos de esvaziamento quando se constata que sua capa-cidade de acolher a diversidade e o alcance de suas decisões são limitados39.

EXEMPLO

Comissão Tripartite Paritária Permanente (CTPP)

Uma das principais comissões no âmbito do Ministério do Trabalho e Emprego é a Comissão Tripartite Paritária Permanente (CTPP), que tem por objetivo parti-cipar do processo de revisão ou elaboração de regulamentações na área de se-gurança e saúde no trabalho e de normas gerais relacionadas às condições de trabalho. No âmbito da saúde e segurança no trabalho, a CTPP tem como foco a modernização das normas, priorizando a redução do índice de acidentes fatais.

Na visão empresarial, o maior desafio consiste em evitar excessos que termi-nam por engessar ainda mais a legislação, garantindo o desenvolvimento sus-tentável das empresas e, ao mesmo tempo, preservando a saúde e segurança do trabalhador40.

A ampliação dos espaços públicos de participação social é fundamental para assegurar o diálogo social democrático. Entretanto, é preciso tomar as devidas precauções para que se evitem movimentos de captura das organizações sociais por interesses que nem sem-pre refletem os interesses dos grupos sociais que pare-cem representar.

Além disso, é fundamental preservar a natureza tripartite dos conselhos, assegurando às representações empresa-riais um espaço de interlocução legítimo.

IMPORTANTE

40 Fonte: disponível em: http://www.cni.org.br/portal/data/pages/FF808081272B58C0012730BE64967E15.htm. Acesso em 29/08/2011.

Assegurando o diálogo social

Comissões tripartites de trabalho e empre-go são mesas de diáloempre-go e neempre-gociação entre a sociedade civil e o governo, ins-tituídas com o propósito objetivo de buscar o entendimento sobre os mais diversos temas por meio da negocia-ção e do diálogo social. Com repre-sentação assegurada de membros do governo e de entidades de trabalhado-res e empregadotrabalhado-res, essas comissões procuram atuar de forma participativa e transparente na busca de soluções que elevam a qualidade de vida e de trabalho da população brasileira41.

As comissões tripartites de trabalho e emprego são mecanismos fundamentais para o fortalecimento dos atores tripartites e do diálogo social como instrumento de governabilidade democrática. Sua credibilidade depende da capacidade de estabelecer acordos e viabilizar a adoção de medidas que fortaleçam o mundo do trabalho. As entidades de representação empresarial têm buscado contribuir para o bom funcionamento dessas instâncias de diálogo e negociação, discutindo o estabelecimento e a modificação de leis e procedimentos relacionados ao am-biente de trabalho e mantendo-se sensíveis às necessidades dos trabalhadores e às restrições do poder público. Antes de apresentar suas propostas, consultam as respectivas federações e sindicatos, coletando sugestões e ampliando a legiti-midade dos posicionamentos defendidos.

Por isso mesmo, é fundamental assegurar às representações empresariais um espaço de interlocução adequado, valorizando a natureza tripartite das comis-sões e a oportunidade de contrapor, num ambiente de respeito e colaboração, múltiplas opiniões e argumentos.

EXEMPLO

41 Fonte: Documento de Referência da I CNETD.

No documento EMPREGO E TRABALHO DECENTE: (páginas 57-64)

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