Em meados do século XX, o economista austríaco Joseph Schumpeter definiu o empreendedor como aquele que destrói a ordem econômica existente pela introdução da inovação, sendo responsável pela geração de riqueza e o desenvolvimento25.Segundo Peter Drucker, “empreendedores inovam;
empreender é a ação que contempla os recursos com a nova capacidade de criar riqueza”26.Micro e pequenas empresas (MPE) são importantes eixos de sustentação da economia brasileira e do em-preendedorismo no país, seja por sua capacidade de geração de empregos, seja por sua dissemina-ção geográfica. Também é relevante a atuadissemina-ção dos chamados empreendedores individuais, definidos como pessoas que trabalham por conta própria e que se legalizam como pequenos empresários.
Alguns dos grandes desafios empresariais no país estão relacionados com a elevada taxa de informa-lidade, a burocracia, o acesso ao crédito, a baixa produtividade e a reduzida capacidade de inovação.
Há também obstáculos associados a problemas tributários e trabalhistas. Essas dificuldades afetam o conjunto de empresas atuantes no país, atingindo de maneira mais intensa os empreendimentos de micro e pequeno porte.
Por isso mesmo, o crescimento do emprego formal no segmento de MPEs e empreendimentos indivi-duais tem sido estimulado por importantes ações do governo. Programas como o Micro Empreende-dor Individual (MEI) e o Programa Nacional de Microcrédito Produtivo Orientado (PNMPO), ao lado da Lei Geral para Micro e Pequenas Empresas e do Super Simples, são algumas das iniciativas recentes em favor do empreendedorismo e do desenvolvimento de pequenos negócios. A despeito dos avan-ços tributários, creditícios e de outras naturezas, resta ainda a complexidade e o peso das despesas trabalhistas para a contratação formal de funcionários, que hoje somam 102,43% do salário27.
As facilidades criadas pelos programas governamentais têm estimulado a formalização e o fortale-cimento de pequenos negócios e empreendedores. Todavia, terminam também criando algumas distorções, uma vez que as empresas perdem os benefícios previstos quando mudam de porte e
25 MARTENS, C. D. P.; FREITAS, H.; BOISSIN, J. P. Orientação Empreendedora: Revisitando Conceitos e Aproximando com a Inter-nacionalização das Organizações. Revista da Micro e Pequena Empresa, v. 4, n. 1, 2010. Disponível em http://www.ea.ufrgs.br/
professores/hfreitas/files/artigos/2010/2010_faccamp_cdpm_hf_jpb_oe_internacion.pdf. Acesso em 01/09/2011.
26 DRUCKER, P. F. Inovação e espírito empreendedor - Entrepreneurship: práticas e princípios. São Paulo: Pioneira, 1992. Apud:
http://www.fae.edu/publicacoes/pdf/revista_da_fae/fae_v8_n1/rev_fae_v8_n1_03_koteski.pdf. Acesso em 01/09/2011.
27 Fonte: disponível em: http://www.josepastore.com.br/artigos/rt/rt_191.htm. Acesso em 29/08/2011.
classificação. Embora seja inegável que os pequenos negócios são os mais duramente afetados pelas condições burocráticas, tributárias e trabalhistas adversas, empresas de médio e grande porte também sofrem as consequências desse ambiente.
Além disso, mesmo empresas que podem arcar com os custos das ações trabalhistas gerados pelo excesso de rigidez da legislação sofrem os efeitos dessa situação sobre a competitividade, os inves-timentos e a consequente geração de novos empregos. Assim, é preciso avançar na simplificação e redução dos tributos e encargos trabalhistas, tanto para viabilizar os pequenos negócios como para remover obstáculos a seu crescimento.
Legislações paternalistas, especialmente na área das relações do trabalho, podem também comprometer a viabilidade e a sustentabilidade: o entendi-mento de que as empresas podem arcar com quaisquer custos, sem que isso afete suas condições concorrenciais, é um grande equívoco.
A rigidez e os excessos exercem impactos negativos sobre as empresas sus-tentáveis e o trabalho decente. Além disso, tendem a onerar os bens e servi-ços ofertados à sociedade, dificultando o consumo e a inclusão social.
IMPORTANTE
O conceito de empresa sustentável está ligado ao conceito de desenvolvimento sustentável, entendi-do como forma de progresso em que o atendimento às necessidades entendi-do presente não compromete a capacidade das futuras gerações de também atenderem a suas necessidades.
ATENÇÃO
Trabalho Decente e Empresa Sustentável: conceitos indissociáveis
O conceito de empresa sustentável vai além das questões de natureza ambiental, requerendo a integração e o equilíbrio, no médio e longo prazo, entre três impor-tantes pilares do desenvolvimento: econômico, social e ambiental28.
O trabalho decente requer a geração de empregos que somente podem ser ofer-tados por empresas economicamente sustentáveis. Portanto, o trabalho decente está indissoluvelmente atrelado ao conceito de “empresa sustentável”.
TRABALHO DECENTE EMPRESA SUSTENTÁVEL
28 Fonte: International Labour Conference. The promotion of sustainable enterprises. ILO, 96th Session, 2007. Disponível em http://
www.ilo.org/wcmsp5/groups/public/---ed_emp/---emp_ent/documents/publication/wcms_093969.pdf. Acesso em 29/08/2011.
As empresas sustentáveis desenvolvem novos processos produtivos, substituem produtos agressivos ao meio ambiente, conscientizam seus colaboradores, praticam gestão ambiental, de segurança e ocupacional, integram a comu-nidade a sua volta por meio de práticas de treinamentos e aquisição de matérias-primas e reduzem o custo ambiental e logístico. Além disso, as práticas de sustentabilidade agregam valor ao produto e a adequação am-biental empreendida é usualmente mais barata que a posterior reparação de eventuais danos causados. Empresas sustentáveis são, portanto, fonte de desenvolvimento econômico, social e ambiental e exercem impactos importantes e positivos sobre o mundo do trabalho.
O desenvolvimento de empresas sustentáveis depende de um ambiente que propicie a combinação equilibrada de recursos humanos, financeiros e natu-rais, de modo a garantir inovação e ganhos de produtividade e competitividade a serem usufruídos e compartilhados com a sociedade. Cabe às empresas utilizar boas práticas produtivas e zelar pela oferta de emprego decente. Não há dúvi-das que, sem o setor produtivo, o desenvolvimento sustentável continuaria sendo apenas um sonho distante.
Cabe ao governo, por sua vez, criar estímulos ao comportamento empresarial sus-tentável e, sobretudo, assegurar um ambiente econômico propício ao
desenvol-vimento das empresas sustentáveis. Para incentivar os investimentos verdes, é importante, por exemplo, estabelecer regras e incentivos claros e previsíveis, reduzindo riscos e incertezas.
Modelos de governança que estabelecem um permanente diálogo com a sociedade favorecem a atuação de empresas sustentáveis.
29 Fonte: disponível em: http://portal.mte.gov.br/data/files/FF8080812BCB2790012BD4F6510937D1/pub_revistaV.pdf. Acesso em:
11/09/2011.
Conforme afirma a OIT no documento “Promovendo o trabalho decente e o desenvolvimento sus-tentável: o Brasil na 96ª Conferência Internacional do Trabalho na OIT”29, as empresas têm que ser viáveis para serem sustentáveis. Empreendedorismo, competitividade e sustentabilidade são con-ceitos que se reforçam mutuamente.
Empresas sustentáveis são fonte de crescimento, riqueza e trabalho de-cente. Para promover sua atuação, é necessário um ambiente de negócios saudável e propício ao empreendedorismo, marcado pela clareza e previsi-bilidade das regras.
Um ambiente de insegurança jurídica, excesso de burocracia e elevada car-ga tributária deteriora a competitividade e afeta necar-gativamente as condi-ções de operação empresarial.
IMPORTANTE
Ainda considerando a sustentabilidade ambiental, cabe introduzir o conceito de empregos verdes.
Trata-se de empregos que contribuem para reduzir o impacto ambiental das empresas e atividades econômicas. Os empregos verdes sintetizam a transformação das economias e dos mercados de trabalho em direção a uma situação sustentável, que proporciona a geração de postos de trabalho decente capazes de contribuir, direta ou indiretamente, para a redução das emissões de carbono e para a qualidade ambiental30.
A geração de empregos verdes está relacionada à criação e consolidação de empresas sustentáveis.
Para avançar nessa direção, é necessário assegurar um ambiente de negócios saudável e propício ao empreendedorismo. As estratégias de desenvolvimento não podem ser construídas de forma vertica-lizada, mas a partir da mobilização de agentes locais. Desse modo, os esforços de desenvolvimento sustentável não podem prescindir de uma ativa participação empresarial.
Cooperativismo
“As Cooperativas são associações autônomas de pessoas que se unem voluntariamente para satisfazer aspirações e necessidades econômicas, sociais e culturais comuns a seus integrantes. Constituem-se em empresas de propriedade coletiva, a serem geridas democraticamente”31.
EXEMPLO
Cooperativismo em números
O cooperativismo lidera um importante segmento da economia brasileira, represen-tado cerca de 6% do PIB;
Existem, aproximadamente, sete mil cooperativas e mais de nove milhões de associados no país;
As cooperativas contribuem para a geração de emprego e renda por meio da oferta de cerca de 300 mil postos de trabalho; e
As cooperativas viabilizam a inclusão produtiva, considerando os princípios cooperativistas; e
As cooperativas viabilizam a inclusão produtiva, considerando os princípios cooperativistas e aspectos sociais da realidade brasileira32.
30 Fonte: disponível em: http://www.ilo.org/wcmsp5/groups/public/---ed_dialogue/---lab_admin/documents/presentation/wcms_150293.
pdf. Acesso em 29/08/2011.
31 Fonte: disponível em http://www.portaldocooperativismo.org.br/default.php?p=texto.php&c=cooperativismo. Acesso em 29/08/2011.
32 Fonte: CNCOOP.
Os “Princípios do Cooperativismo” balizam o movimento em todo o mundo. E por isso em 1995, no Congresso Centenário da ACI – Aliança Cooperativa Internacional, em Londres, esses princípios foram redefinidos e ficaram assim descritos:
Adesão livre e voluntária;
Gestão democrática e livre;
Participação econômica dos associados;
Autonomia e independência;
Intercooperação; e
Preocupação com a comunidade (responsabilidade social).
Pode-se dizer que uma relação de trabalho decente no cooperativismo é garantida a partir do reconhe-cimento legal de direitos irredutíveis para o exercício do trabalho, como a liberdade de exercício da au-togestão bem como o estabelecimento de critérios que qualifiquem a relação de trabalho cooperativo.
É preciso, portanto, garantir a liberdade no exercício da autogestão (liberdade) com igual oportunida-de entre os cooperados (equidaoportunida-de), que se complementam com a previsão contratual oportunida-de adicionais por jornadas de trabalho extra, noturno, insalubre, perigoso ou penoso, para segurança da relação de trabalho cooperativo (segurança).
Observadas essas premissas, sem dúvida alguma, é possível combinar os ideais do cooperativismo com uma agenda de trabalho decente.
“A definição de diálogo social proposta pela OIT inclui todas as formas de negociação, consulta ou troca de informação entre os representantes dos governos, empregadores e trabalhadores, sobre questões de interesse comum relativas à política econômica e social”33.
O sucesso do diálogo social depende da capacidade das estruturas e dos processos de solucionar problemas econômicos e sociais importantes, promover a boa governança, fomentar a harmonia social e impulsionar o crescimento econômico.