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Depoimento Bianca

No documento Priscila Lambach Ferreira da Costa (páginas 81-100)

Então Bianca...me conta um pouco sobre a sua vida...

Vamos lá. Eu tenho 22 anos, nasci em dezembro, dia 19. Sou a filha mais velha. Tenho um irmão só, tem 20 anos. Ele tem DPAC que é Distúrbio no Processamento Auditivo Central, isso já fez uma diferença... em relação à criação. Minha família é católica, sempre estudei em escola católica, desde eternamente, e trabalho na mesma escola que estudei.

Você é professora?

Sou professora. Do integral, 20 crianças de 5 anos mais ou menos. Em escola católica com preceitos mesmo. De ter que rezar, enfim.

Tradicional?

Isso! Tudo certinho. Ainda... infelizmente. De freiras.

E você estudou nessa mesma escola que você trabalha?

Estudei desde a 1a série. Antes eu estudei numa escola que só tinha Educação Infantil, que era menor. Era bem construtivista. Mesmo que antigamente, quer dizer, quando eu tinha essa idade, não usassem muito esse nome, tinha cavalo, tinha horta, tinha tudo mais que pende para o lado construtivista. Foi uma criação legal. Achei que fez diferença. Eu caçava tatu- bola, comia terra e nunca aconteceu nada, eu me machucava e estava tudo bem.

bandeira, toda aquela coisa que é mais burocrática mesmo. A gente não entendia com aquela idade, e os meus alunos, que hoje a gente cantou o hino, não entenderam nada o que estava acontecendo. É diferente, é diferente. Mas foi bom porque fez diferença a criação religiosa nesse sentido. Não pelo catolicismo, porque eu não ligo pra isso; mas em relação a ter fé. Isso eu acho que faz diferença.

Disciplina...

É. Antes era mais. Nunca precisou levantar quando o professor chegasse. Não era nada absurdo. A disciplina era maior em respeito, em relação ao respeito às irmãs que são mais velhas. A gente tinha aula de religião muito pendente ao catolicismo. Isso agora na minha idade me incomoda um pouco. Eu acho que não deve ser assim. Agora já não chama mais ensino religioso, como chamava, agora tem um outro nome que não sei qual é, mas é um nome mais abrangente para poder estudar todas as religiões. Igual a gente teve na faculdade.

E você comentou um pouco do seu irmão. Por ele ter DPAC isso mudou um pouco a criação, pelo que você disse. Você quer falar um pouquinho sobre isso?

Isso fez diferença no sentido, eu não lembro a maioria das coisas, mas mesmo a minha mãe contando eu continuo não lembrando, óbvio, ele tem 1 ano e 8 meses de diferença, quando ele nasceu ele ficou 3 meses internado, direto, sem saber o que era, enfim, e demorou muito tempo. Até hoje ninguém sabe o que ele tinha, porque a DPAC foi uma consequência. Então a criação foi diferente, porque eu sempre tive que me locomover muito com a minha mãe por causa dele. Ele fez fono 8 anos. Foi bom em partes, porque acabei conhecendo muitas coisas que não conheceria. Fono, por exemplo, é uma coisa que nunca ia precisar pela minha condição, que acabei conhecendo e achando muito legal. Eu até queria fazer fono, muito legal, uma sala cheia de brinquedos. Sempre houve algumas necessidades de fato. Eu sempre fui extremamente extrovertida e ele extremamente introvertido.

Isso pesava pouco, de eu sempre fazer mais e ele fazer menos. Nesse sentido. Agora...agora com 20 anos, as coisas graças a Deus caminharam – porque também parar não ia dar- mas ainda existe essa diferença, não de criação, mas diferença de importância no sentido de necessidades que eu não tive. Graças a Deus.

Da atenção...

É da atenção, de ter que ficar em cima. Eu nunca, nunca, nunca –mas isso era de mim- precisei, nunca gostei de alguém fazendo lição perto de mim, ou andando, ou cuidando da minha lição. E o meu irmão, se ninguém ficasse cobrando, olhando agenda, ele não iria fazer lição. Ele odiava! Eu adorava escola! Ele odiava escola! Isso é uma diferença que faz até hoje. Até o 3o colegial minha mãe falava: tem prova, vai estudar, não vai estudar. E eu não gostava. Sempre fui muito independente, fazia as coisas muito sozinha. Agora as coisas melhoraram. Então tudo bem. [risos]

Você acha que o fato de você ter sempre gostado de escola contribuiu para a sua escolha profissional?

Eu acho que sim! Eu acho que sim! Mas eu acho que o que pendeu também foi que eu sempre gostei de escola, sempre tive muita facilidade, sempre fui muito reforçada positivamente. Skinner total nesse sentido. Eu sempre fui muito reforçada...Eu sou um ano adiantada exatamente, isso é um reforço muito positivo. Agora eu percebo, mas antes não. Era um reforço que eu não percebia, mas era um reforço. “Nossa, ela é um ano adiantada e é uma das melhores alunas da sala”. Era um reforço: poxa, um ano adiantada. Agora eu vejo que é difícil uma criança adiantada –eu tenho algumas crianças que estão adiantadas, 5 meses, são adiantadas, isso faz diferença. É ruim em alguns casos. Porque a maturidade é diferente. Para mim, graças a Deus, deu tudo certo. Eu acho que contribuiu, mas acho que contribuiu também porque eu sempre fui muito apegada com a escola que eu estudei, que é

defeitos como todas as escolas, uma das maiores qualidades da escola, ela gosta muito de formar um cidadão consciente no sentido de afeto, um ser humano de fato. Então, por exemplo, fazer presente de dia das mães com um enfoque. Se você não tem mãe, vai fazer para alguém; você tem que comemorar, você tem que lidar com isso. Os amigos sempre foram eternos. Até hoje, há 6 anos que eu saí, são amigos de sair todo final de semana, de ligar. Porque o ambiente da escola é um ambiente, era muito familiar, e isso pendeu. Porque o carinho que eu criei com a escola, com a instituição de fato é muito grande. Tanto que o esforço que faço muitas vezes no trabalho, percebo que é maior do que eu precisaria fazer, que eu faço pela escola, pelos meus alunos, pelo carinho que eu sinto. Isso influenciou tanto a minha parte educativa de criança, quanto a minha formação de adolescente, essas coisas. E eu fiz magistério lá. Então começou desde o colegial. Desde os 14, sei lá. Isso fez diferença.

E acabou seguindo carreira...

Assim, não é o que eu quero fazer para sempre. Acho que dar aula não. Eu não me vejo numa sala de aula pra sempre. Acho que não tenho muita paciência. Eu sou uma pessoa de pouca paciência de fato. Eu gosto das crianças, tal, mas eu não me vejo pra sempre. Eu sempre quis fazer Psicologia, sempre. Mas encarar 5 anos de faculdade agora...só de pensar o que foram meus 4 anos. É punk. Mas eu queria. Tanto que eu fiz um curso de neuro agora. As contribuições da Neurociência para o Fazer Docente, na PUC. Eu sempre me encantei por essa parte biológica. Eu acho isso muito legal, como funciona, onde, o que estimula, o que não estimula, enfim, o mestrado que eu quero ou a pós, enfim, eu queria pendente mais a essa parte comportamental e biológica. Como, por que, e o que desencadeia. Eu acho isso interessante.

Bom, você é canhota...eu queria saber se isso influenciou, se você se lembra de alguma história que viveu na escola relacionada ao canhotismo...seu irmão tinha um atendimento especial pelo Distúrbio no Processamento Auditivo central e você também teve alguma atenção especial por ser

canhota, ou isso passou desapercebido? Queria que você falasse um pouco sobre isso...

Não. Isso foi, digamos, bem aceito. Tanto que histórias, graças a Deus, histórias traumáticas, ou eventos traumáticos, ou histórias de “quando eu tinha sei lá quantos anos”, não, não me recordo. Claro, eu tenho algumas características que perpetuaram pelo canhotismo. Pelo contrário. Por exemplo, até hoje eu pergunto pra minha mãe brincando...é engraçado eu tenho muitos alunos canhotos. De uma turma de 20, tenho 5 alunos canhotos. E é muito. Eu vejo a dificuldade de cortar com a mão esquerda, por exemplo. E eu sei que existe tesoura de canhoto. É uma coisa que eu falo para os pais, porque sei que eles vão sofrer, tadinhos. Eles não vão gostar de cortar, porque vão achar difícil. E é uma coisa que...eu perguntei pra minha mãe muitas vezes. Ela disse que nunca foi avisado pra ela que existia tesoura de canhoto. Então ela falava que achava que a tesoura cortava nas duas mãos. Enfim, eu só sei cortar com a mão direita. A minha mão proeminente de cortar é a direita. Se me der uma tesoura de canhoto mesmo na mão esquerda, vou cortar com menos habilidade, menos velocidade que com a direita. Arremessar e chutar, mais força com a direita. E a única coisa que ficou de criança...isso a minha mãe que me diz, porque eu não lembro: a minha avó paterna, quando eu era criança ela trocava o lápis da minha mão, um pouco. Não obrigava nem nada, mas ela trocava. Estava sempre na esquerda e ela passava pra direita. Até que uma hora ela entendeu que não precisa mais trocar. Meu pai comentava que era um fato engraçado, porque até ele mesmo falava, que o meu tio, filho dela, é canhoto. Meu pai falava: “você não deixou...o seu filho não é canhoto?” [ela estava] meio que pagando pra ver. Mas uma hora ela entendeu e desistiu de ficar trocando. Mas isso eu não me lembro. Não me lembro de bronca...porque já escutei muitas histórias de antigamente de amarrar a mão, umas coisas assim. Nada disso. As únicas coisas pontuais que existiam era isso. Existia sim uma preguiça de educadores. Nem tanto na escola, mas por exemplo, eu fazia aula de esportes. Tinha aula de tênis. O professor tinha preguiça, explicitamente, de

ai, vai aprendendo aí. Mas nunca quis virar uma jogadora, nunca me incomodou de eu trocar de mão...eu olhava como fazia, via como ficava, fazia ao contrário. Mas acho que o pior evento que aconteceu de ser canhota foi grande, foi no colegial, quando eu fui prestar vestibular, muitas vezes isso aconteceu, tanto que eu precisei ser mais radical. Foi uma das vezes que fui prestar, ainda de treineira, na UNICAMP, que era dissertativa ainda, que eu entrei e tinha vergonha de causar na sala, de falar: “ai moço, por favor, uma cadeira de canhoto”. Aí muda de lugar, muda aqui, ali. Enfim, como eu nunca liguei de escrever na carteira que tinha o braço na direita, eu ficava um pouco torta, mas não sabia quanto ia me desgastar na UNICAMP, nunca tinha feito. Nossa! No final...A culpa foi minha... Eu que não quis pedir a troca de carteira por vergonha mesmo. Nossa, eu vou causar! Era isso que eu pensava! Vou mudar tudo. Mas depois da dor....enfim, eu parei a prova, porque não conseguia mais escrever; 12 questões com a, b, c, dissertativas, torta daquele jeito. Chegou uma hora que não dava mesmo. A partir daquilo, e depois de ter levado uma bronca da minha mãe também, quando eu contei, ela falou: “Bianca, do mesmo jeito que um cadeirante vai pedir um espaço no elevador para subir, você vai pedir uma cadeira pra trocar. Você tem totalmente o direito”. Depois disso eu ficava na porta, mostrava o RG, que eu olhava...já pedia uma carteira de canhoto. Eu não deixava a prova começar enquanto não me dessem uma cadeira de canhoto. Eu precisava estar bem para desenvolver bem o vestibular. Então isso foi o pior, que eu percebi, nossa que besta que eu fui. Não pedi e me estropiei inteira. Depois disso eu não; literalmente aprendi a lição.

Eu gosto de ser canhota. Eu acho isso legal. E eu acho isso legal porque, por exemplo, eu tenho uma amiga de eternas que acha lindo. Ela fala: “eu acho lindo ser canhoto”. Eu falo: gente! Eu já levei bronca na escola, isso eu lembro. Porque canhoto quando escreve passa em cima do que escreveu, e mancha o papel. E eu sempre gostei de caneta que tinha muita tinta. Era uma caneta que eu gostava muito que era muito grossa, ela demorava pra secar. Não era tipo Bic. E eu lembro que o meu caderno ficou todo marcadinho, azulzinho, as linhas, todo marcadinho azulzinho, e eu levava bronca. Tinha que trocar de caneta. Enfim, eles estavam certos porque eu sujava tudo, sujava a prova, sujava tudo. Não ficava ilegível, mas sujava. Então eu tive

que trocar várias vezes porque eu escrevia assim, e não tinha muita culpa. Isso eu lembro que me incomodava, porque eu não tinha culpa: está sujando, mas vou fazer o quê? Eu escrevo com essa mão.

Acho que só. Eu tenho muitas habilidades com a mão direita, muitas. Então consigo escrever com a mão direita numa boa, não com a mesma velocidade, mas consigo escrever tranquilo. Chuto melhor com a perna direita, e corto muito melhor com a mão direita. Eu acho que isso eu fui condicionada a, inconscientemente, involuntariamente, das pessoas também. A tesoura, como eu vi que funcionava melhor, porque com a esquerda não cortava nada, eu me adaptei à tesoura com aquela mão. Tudo bem! Em arremessos, em jogos, aulas de educação física, arremessar na cesta: tinha que dar 3 passadas com a perna ao contrário do braço. Como eu ia...? Eu não ficava trocando. Fazia como todo mundo fazia, que era mais fácil, pra não errar. Era aquela confusão com que perna que começa que achava melhor ir pelo jeito que ele estava explicando, do que ter que recordar –tanto eu, quanto pra ele professor: “não professor, eu sou canhota. Com que perna eu começo?” Achava isso tão ruim mesmo. Ai, não precisa. Também foi um pouco culpa minha. Eu quis me adaptar desse jeito e me adaptei, me adaptei bem, acredito. Não sofro de fazer as coisas com a direita. Pelo contrário. Acho isso bom. Se eu canso muito com a esquerda, a direita está ali, beleza. Isso me ajuda muito pra fazer a unha. Consigo fazer a unha com as duas mãos perfeitamente. Per-fei-ta-men-te! Eu consigo! Isso eu acho o máximo! [risos]

Pelo que entendi, alguns profissionais não tiveram cuidado de olhar pra você dessa outra maneira.

Não! Não! Nunca me tacharam, nunca foi escancarado: “problema seu se é canhota”. Nunca escutei isso. Mas era aquela coisa: aula de tênis, já era difícil ensinar as crianças, com uns 10 anos, onde segurava, que o lado que rege você, no caso do destro é a direita, e que se a bola vem na esquerda pra você, você segura com a mão esquerda embaixo. Comigo tinha que ser

subentendiam que eu tinha entendido e que eu ia fazer, e pronto, acabou. Não teve aquela atenção. Segura aqui, vou te explicar na prática. Não! Um boca-a-boca, literalmente uma explicação e se vira aí. E o da tesoura é uma coisa que me marca, porque eu não lembro de ter dificuldades com a tesoura porque eu arrumei um jeito de me entender. Mas é uma coisa que eu vejo que é uma projeção minha nos meus alunos: “pô, eles estão sofrendo”, a tesoura come, come o papel e não corta. Por que ninguém avisa pra essa mãe que tem uma tesoura de canhoto. Porque isso vai mudar a vida deles, eu sei que vai. Porque eu só sei cortar com a mão direita. Se você me der uma tesoura na mão esquerda eu não vou cortar maravilhosamente. Com a direita é perfeito. Pô não era pra ser assim. Era pra eu cortar bem com a esquerda, porque eu sou canhota. E não é assim, porque foi de fato um desleixo. “Tá, está se entendendo. Está cortando”. E foi empurrando com a barriga e foi. Acabou! E isso é uma coisa que, graças a Deus, como eu projeto muito nos meus alunos, é a primeira coisa que eu vejo. Eu faço de propósito, dou uma tesoura na mão deles pra ver como está. Se eles estão cortando, como eles estão cortando. Porque nenhum dos meus alunos chegou com uma tesoura de canhoto. Nenhum foi instruído. Então eu falo para os pais: tem uma tesoura de canhoto, compra, vai mudar a vida dele; vai fazer a diferença.

E eles compram?

Tem alguns que os pais falam: ai, tá bom, aquela coisa. Não que eles não tenham me escutado, mas porque eles acham que é frescura. A maioria, os pais são destros, que é a maioria, ele acha que está bacana. Alguns pais que são mais atentos, e que percebem em casa algumas dificuldades, são bem abertos. Alguns vêm até perguntar. Por exemplo, eu sempre quis aprender a fazer tricô com a minha mãe, fazer cachecol. E eu aprendi a fazer tricô como destro, porque a minha mãe não sabia me ensinar como canhoto. Se algum canhoto me pedir pra explicar vou explicar como destro. Tadinha, minha mãe trocava as mãos, se embaralhava toda, mas não conseguia explicar. Essa é uma coisa que eu vejo. O canhoto se adapta ao destro. Claro, pelo destro ser maioria. O destro nunca, nunca não, mas muitas vezes não se dá o trabalho

de se preocupar com. Uma vez estava com um problema, porque a minha mãe comprou uma espátula pra bolo, linda, pagou um milhão na espátula, que não sei o que, e a espátula era pra destro. Ela tinha serrinha, só que só cortava pra direita. E eu fui cortar o meu bolo de aniversário e não cortava. Eu falei: não! É um absurdo isso! E eu mandei um e-mail pra empresa, falando: e aí, o que eu faço? Me enrolaram, me enrolaram, me enrolaram...e aí? Eu não estava pedindo uma entrevista, o meu dinheiro de volta, e só estava contanto pra eles que isso poderia acontecer, e que era errado. Coloca a serra dos dois lados, pronto! Olha que difícil! Me enrolaram, me enrolaram, me enrolaram, e tá bom!

Eu vejo que o canhoto não “luta” muito, [entre aspas] porque não é uma causa nobre. Ele não vai muito atrás das coisas. Ele se adapta e fica por isso mesmo, muitas vezes. E foi a primeira vez. Eu fiz isso mais pra ver o que eles iam me responder. Pô, eu percebi! E me enrolaram: “ah, é verdade, mil desculpas”, e acabou. Mil desculpas, e ficou nisso.

E abridor de lata?

Eu abro com a esquerda e com a direita também eu abro.

Aquele clássico?

É. Com a esquerda e com a direita.

Eu não consigo com a esquerda. Eu abro com a direita.

Com a esquerda e com a direita. Mas nisso eu sou muito orgulhosa. No sentido de orgulho ferido mesmo. Pô, eu sou canhota, isso não é anomalia nenhuma. Eu vou tentar, vou conseguir e acabou! Eu sou persistente demais até. Até orgulho meio cabeça dura. Algumas coisas, claro, não vou ficar me matando pra cortar com a mão esquerda, que eu me adapto com a direita. É um detalhe muito funcional. Abrir uma lata. Exatamente. Eu vou tentar. Claro,

ensinar. Me ensinaram com a mão direita, e vi o processo e passei pra esquerda. Então o ensinar é diferente, para as pessoas destras. Principalmente vejo pela minha mãe que era a que mais tentava me ensinar. Ela me ensinou com a direita a abrir lata, eu vi o processo e passei pra esquerda. Ela não conseguia, se encasquilhava toda, era um caos. Ai eu falei pra ela que era melhor desistir. Que eu me entendia daquele jeito. [risos]

Você se adaptou muito. Você faz muita coisa com a outra mão por adaptação própria.

Faço. Faço porque eu gosto das coisas rápido. Então até eu tentar....está funcionando com a direita? Faz com a direita. Eu sei que com a esquerda eu vou escrever. Eu sei que o que me rege é o lado esquerdo; que eu sou canhota enfim. Mas já que eu preciso pra ontem essas coisas, vai com a direita que está indo. Algumas coisas, por questão de orgulho mesmo, vou ter que conseguir com a esquerda. Se existe e funciona um abridor, eu vou conseguir. O abridor tradicional eu consigo, mas tem um abridor lá todo tecnológico que você prende na lata...não...esse só com a direita. Esse só vai com a direita.

Sendo que com esse teoricamente a gente poderia fazer...

Exatamente. Eu não consigo. Esse eu não me matei de tentar igual ao outro, mas o tempo que tentei, não consegui nem encaixar no negócio. Aí eu desisti e abri com a direita. Porque eu precisava abrir, entendeu? Como eu precisava rápido eu não ia: ah, passar a tarde: vamos tentar abrir com a mão

No documento Priscila Lambach Ferreira da Costa (páginas 81-100)

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