Lula, e que também representavam a cúpula do PT. A construção textual informa sobre a essência das denúncias, usando uma linguagem técnica e formal para indicar o teor do crime, e o envolvimento do chefe de gabinete do presidente. A imagens do depoimento funcionam como estratégia discursiva, no sentido de confirmar a versão da pelo repórter, dar mais credibilidade a narrativa. Já que o fragmento exibido cobre apenas a parte do depoimento em que Bruno Daniel acusa claramente o envolvimento de importantes políticos petistas.
O âncora dá voz ao outro lado, e cita a reação dos acusados. Ele deixa no ar a expectativa dos próximos capítulos do drama através da postura solene. O desfecho indica a intenção de imparcialidade da emissora, que cita a reação dos acusados. Mas, o uso da linguagem formal na construção narrativa, e a tentativa de abordar mais suavemente o acontecimento, sugere que a emissora procura um posicionamento neutro, porém presente.
cativeiro.
Repórter em plano fechado, nos corredores do Congresso Nacional.
Agora a CPI vai colocar frente a frente os dois irmãos de Celso Daniel e o chefe de gabinete do presidente Lula, Gilberto Carvalho. A acareação está marcada para o próximo da 26, e é aguardada com grande expectativa.
Nível textual
- discurso de abertura do âncora sobre o depoimento de Bruno Daniel;
- informações sobre o depoimento de Bruno Daniel;
- fragmentos do depoimento de Bruno Daniel;
- informações sobre o envolvimento de membros do PT;
- entrevista de Bruno Daniel;
- informações sobre a data da acareação entre os irmãos Daniel e Gilberto Carvalho.
Nível discursivo
O âncora começa a narrativa chamando a atenção do telespectador, “Mais lenha no misterioso assassinato do prefeito de Santo André. O irmão de Celso Daniel confirmou na CPI dos Bingos as denúncias contra o chefe de gabinete do presidente Lula. Disse que era Gilberto Carvalho quem levava dinheiro da prefeitura para José Dirceu, o então, presidente do PT. Ele articula em apenas um parágrafo todo o teor do acontecimento, fazendo referências diretas entre as denúncias de Bruno Daniel e os acusados. A metáfora inicial indica para o telespectador que novas denúncias incrementaram as investigações sobre o assassinato. O âncora afirma textualmente para o telespectador a confirmação das denúncias contra o chefe de gabinete do presidente, e antecipa a revelação bombástica de Bruno Daniel sobre o envolvimento de José Dirceu.
O repórter passa a narrar o acontecimento, “Bruno Daniel confirmou o que o irmão mais velho João Francisco Daniel já tinha falado na CPI. Havia um esquema de dinheiro da prefeitura de Santo André para o PT. E que foi Gilberto Carvalho, atual chefe de gabinete do presidente Lula quem falou sobre o assunto para a família”. Aqui, ele reafirma textualmente o envolvimento do chefe de gabinete do presidente Lula no esquema de corrupção na prefeitura de Ribeirão Preto, e ainda dá a entender que Gilberto Carvalho tinha uma certa relação com a família de Celso Daniel.
Em seguida, são mostradas imagens com um fragmento do depoimento, em que Bruno Daniel revela o envolvimento do ex-ministro José Dirceu, “Ele (Gilberto Carvalho) relatou que em uma das oportunidades chegou a encaminhar à São Paulo ao deputado José Dirceu a
quantia de um milhão e duzentos mil reais”. O repórter retoma a narrativa para informar sobre outro acusado, “Bruno Daniel contou também que o chefe de gabinete da prefeitura Sérgio Gomes da Silva, o“ sombra”, extorquia dinheiro dos empresários usando métodos violentos”.
E reforça sua afirmação mostrando fragmentos do depoimento, “Quando o Sérgio chegava na mesa pra conversar com empresários, ele colocava a arma dele na mesa”. O repórter prossegue, antecipando para o telespectador os detalhes mais polêmicos do depoimento, “Para Bruno, Celso Daniel sabia do esquema, por isso foi assassinado”, e deixa o telespectador em suspense a cada entrada de uma nova informação.
Bruno Daniel é chamado novamente à narrativa, dessa vez através de uma entrevista, para reafirmar a tese de que seu irmão foi assassinado, e não seqüestrado, “O fato de ter havido tortura jogam por terra a tese de crime comum”. Ele passa segurança ao afirmar que existem indícios do assassinato de seu irmão que precisam ser investigados. O repórter antecipa mais uma revelação para o telespectador em tom de espanto, “O irmão de Celso Daniel não descarta até mesmo o envolvimento de membros do PT no assassinato. E dá o poder de confirmar a Bruno Daniel, “Um celular do deputado estadual Donizete Braga, que rastreado, permitiu concluir que este celular esteve próximo ao lugar onde o Celso supostamente teria estado em cativeiro”. O parágrafo antecipatório explica o quê o fragmento da entrevista não esclarece , a origem de outro personagem. Ou seja, o repórter foi quem afirmou que o deputado estadual Donizete Braga, citado por Bruno Daniel na entrevista, era do PT. A imagem de Bruno Daniel cercado de repórteres reforça para o telespectador a importância do tema.
O repórter finaliza a matéria antecipando para o telespectador os desdobramentos do acontecimento, “Agora a CPI vai colocar frente a frente os dois irmãos de Celso Daniel e o chefe de gabinete do presidente Lula, Gilberto Carvalho. A acareação está marcada para o próximo da 26, e é aguardada com grande expectativa. Alessandra Campos para o jornal do SBT. Ele revela a informação com caráter antecipatório, anunciando as “cenas do próximo capitulo”, o desenrolar das investigações, o próximo episódio do drama.
Nível valorativo
O discurso de abertura do âncora deixa claro a intenção do telejornal em polemizar o tema, e cria o clima de expectativa para reafirmar o envolvimento de petistas no assassinato.
O repórter divide a narrativa com o principal personagem da matéria, onde seu papel é articular as partes mais importantes do depoimento com os fatos já apurados pela investigação da CPI. Os fragmentos do depoimento são mostrados com o objetivo de reconstruir o clima de
suspense em que se deu acontecimento. As imagens dão veracidade à versão reproduzida pelo telejornal, e conduzem o telespectador para os momentos mais importantes do depoimento.
Na entrevista, Bruno Daniel é mostrado cercado de repórteres, após o fim do depoimento, e faz mais uma acusação envolvendo petistas. Aqui, o telejornal concede importância a mais uma declaração de Bruno Daniel, revelando informações que ele deu fora do foro oficial do depoimento, ou seja, que não serão usadas pela CPI, mas que reforçam o envolvimento de políticos do PT. O telejornal dá a Bruno Daniel mais uma chance de acusar os petistas, exibindo uma declaração oficiosa, dada depois do depoimento. Isso indica a intenção da emissora em enfatizar para o telespectador que existem fortes indícios do envolvimento de pessoas ligadas ao presidente Lula, e de outros políticos importantes como o ex-ministro José Dirceu.
Outro indício de intenção comunicativa é que o telejornal não concede voz aos acusados dentro da narrativa. Ou seja, a reportagem encerra a narrativa fechando o campo discursivo em torno das acusações contra envolvimento de petistas, e da condição de vítima da família de Celso Daniel.