decadance, que é capaz de apelar para a opinião pública vitimizando- se através de uma greve de fome.
A reportagem mostra que mesmo fragilizado fisicamente, Garotinho continuava enfrentando seu adversários de igual para igual. Ele ignora a posição de Lula como presidente do Brasil, e o chama de ladrão ao declarar sua opinião sobre a possibilidade concorrer como vice de Lula nas eleições.
Com isso, o telejornal indica seu posicionamento contrário às manifestações de Garotinho através do discurso do âncora, que classifica sua reação de “pesada”, além de permitir que o apresentador se posicione claramente contra o protesto de Garotinho ao duvidar do seu juízo perfeito, deixando subtendido que ele pode ter sido afetado pela inanição que já durava quatro dias. E na reportagem a emissora enfatiza a condição frágil do pré-candidato, tanto física quanto politicamente, e que mesmo assim, não baixa a guarda diante de seus adversários, demonstrando arrogância e grosseria ao xingar o presidente de ladrão.
Nível textual
- discurso de abertura do âncora com as repercussões da decisão judicial à fafor de Garotinho e a suspensão da greve de fome;
- informações sobre a suspensão da greve de fome;
- imagens da entrevista coletiva de Garotinho;
- imagens de arquivo de Garotinho em campanha;
- informações sobre outra denúncia contra Garotinho;
- informações sobre o estado de saúde de Garotinho;
- informações sobre a participação de Garotinho na convenção do PMDB.
Nível discursivo
O ancora aparece na tela, amparado pela logomarca do telejornal ao fundo, e antecipa a articulação dos ângulos da reportagem no seu discurso de abertura, “A revista Veja e o jornal O Globo ainda não informaram se irão recorrer à decisão judicial que garantiu direito de resposta ao pré-candidato do PMDB a presidência, Anthony Garotinho. O ex-governador do Rio suspendeu hoje a greve de fome depois e onze dias sem comer”. Sua postura formal imprime o tom de seriedade à noticia, e a modulação da sua voz ao ler a notícia enfatiza a suspensão da greve de fome de Garotinho.
O repórter adentra a narrativa com imagens de Garotinho bem disposto diante das câmeras e dos repórteres na entrevista coletiva. Em off, ele informa ao telespectador detalhes da condição de saúde de Garotinho após a greve, “Quase quatro quilos mais magro, o ex-governador anunciou a suspensão da greve de fome no início da tarde. Foram onze dias se alimentando de soro caseiro”. Em seguida, revela o motivo da suspensão, “Anthony Garotinho disse estar satisfeito com as duas liminares concedidas pela justiça, que deram a ele o direito de resposta no jornal O Globo e na revista Veja”, e relembra o telespectador do envolvimento dos dois veículos no episódio, “Os dois veículos de comunicação publicaram a denúncia de que o pré-candidato do PMDB à presidência recebeu doações de empresas de fachada, e que essas empresas, ligadas ao estado, estariam canalizando recursos para a sua pré-campanha”. Até o momento, a narrativa enfatizou para o telespectador a condição frágil de Garotinho após a greve, e colocou a manifestação como vitoriosa do ponto de vista legal, já que a justiça concedeu o direito de resposta ao pré-candidato contra dois grandes veículos de comunicação.
Para usar um desfecho polêmico, o repórter apresenta outra denúncia contra Garotinho, “Uma outra denúncia é de que ele usou um jatinho que pertenceria a João Arcanjo, traficante em Mato Grosso”. É importante ressaltar que ele se não refere à fonte da informação. E coloca reação do pré-candidato apenas para efeito de constação, sem mostrar imagens ou entrevistas, “O ex-governador nega as acusações”.
O desfecho da reportagem deixa claro para o telespectador que além das denúncias já divulgadas, existem outras suspeitas que pesam sobre a pré-candidatura de Garotinho. E que ele continua se apoiando na teoria do “inocente até que se prove o contrário, ou se esqueça o comentário”.
O repórter se transporta para o local onde Garotinho internou-se depois do anúncio do fim da greve para dar detalhes da recuperação do pré-candidato, “Anthony Garotinho continua internado neste hospital da zona norte do Rio de Janeiro. De acordo com os médicos, ele deve ter alta amanhã de manhã. Mas vai continuar ingerindo líquidos até o organismo se acostumar.No final, ele confirma para o telespectador a intenção de Garotinho de continuar lutando pela sua candidatura, “O ex-governador garante que participa da convenção do PMDB em Brasília no próximo dia 11 de junho”.
A reportagem informa para o telespectador sobre a suspensão da greve de fome do pré-candidato Garotinho, enfatizando sua condição frágil de saúde ocasionada por onze dias sem comer. Mas não dá destaque a um detalhe importante, que a manifestação saiu vitoriosa, já que a justiça concedeu o parecer favorável ao pré-candidato, e contra a revista Veja e jornal O Globo, acusados de calúnia e difamação. E reafirma as suspeitas sobre Garotinho divulgando mais uma denúncia contra o pré-candidato sem citar a origem da denúncia.
Nível valorativo
O telejornal classificou a notícia como um caso já encerrado. O ancora não questiona a decisão da justiça em favor do pré-candidato, e a reportagem reforça apenas as suspeitas contra ele, revelando que ainda existem outras denúncias que ainda não foram divulgadas.
A construção narrativa indica a intenção de reforçar a imagem contraditória e polêmica do político Garotinho, que mesmo saindo vitorioso da queixa contra a mídia, ainda tem que se explicar sobre as denúncias publicadas contra ele. Ou seja, mesmo a justiça concedendo o direito de resposta, e atestando que Garotinho foi caluniado pelos veículos de comunicação, ele ainda é colocado no lugar de “acusado” de aceitar ajuda de empresas e indivíduos de reputação duvidosa para a sua pré-campanha.
Logo, podemos perceber que a intenção da reportagem é colocar Garotinho como o vilão do episódio. Mesmo sendo protagonista de uma manifestação de protesto sacrificante e saindo vitorioso de uma ação judicial contra dois veículos de imprensa importantes, o telejornal ainda prefere enfatizar sua condição de acusado, revelando que ele pode estar envolvido com traficantes do Mato Grosso. E ainda não se dá ao trabalho de dar credibilidade à informação, pois o repórter não cita a origem da denúncia.
4.8 Microdrama 8: PSDB - A disputa entre os pré-candidatos Serra e Alckmin Resumo
O ponto alto da disputa entre os pré-candidatos do PSDB noticiado pela imprensa se deu na solenidade de homenagem do partido ao ex-governador Mario Covas. O senador e presidente do PSDB, Tasso Jereissati, evitou a homenagem. Sua ausência poderia ser explicada pelas críticas de partidários do governador e do prefeito à condução do processo de escolha do candidato tucano à Presidência.
O debate interno do PSDB se polarizou entre um candidato assumido (o governador) e outro não (o prefeito). O chamado "triunvirato" tucano (além de Tasso, o governador mineiro Aécio Neves e o ex-presidente Fernando Henrique) ainda não havia conseguido chegar a um acordo entre Alckmin e Serra.
O prefeito se mostrou mais competitivo nas pesquisas de opinião pública do que Alckmin, que não se demoveu da intenção de sair candidato e tem insistido em colocar seu nome "à disposição do partido". Pelo lado de Serra, partidários do prefeito afirmam que ele não sai candidato sem uma "aclamação" do PSDB.
Nessa novela tucana, a homenagem a Covas foi ocasião para novos encontros entre as principais lideranças do partido. Ambos se encontraram hoje à noite na homenagem a Covas na Sala São Paulo, que foi dominada por manifestações a favor de um ou outro pela indicação do candidato do partido à Presidência
Transcrição das matérias e níveis analíticos
Matéria 1: Semana de definição do candidato do PSDB, Globo, 06/03/2006