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TÓPICO 1 – AS CADEIAS DE SUPRIMENTOS E SUA EVOLUÇÃO

2.3 DESAFIOS PARA IMPLANTAÇÃO DE CADEIAS DE SUPRIMENTO

Grandes são os esforços na busca de construção de uma Cadeia de

Suprimentos ajustada que garanta o alcance dos benefícios pretendidos por seus

participantes.

FIGURA 17 – DESAFIOS A SUPERAR NA CONSTRUÇÃO DE UMA CADEIA DE

SUPRIMENTOS

DESAFIOS PARA CONSTRUIR UMA SCM

diversidade

tecnológica integraçãointerna atuação comparceiros

tecnológicos organizacionais culturais

FONTE: Taboada (2007)

Com relação aos principais desafios enfrentados pelas organizações na

busca do melhoramento de suas Cadeias Logísticas, destacam-se os seguintes

fatores:

• Diversidade tecnológica representada pelo conjunto dos conhecimentos

aplicados no processo de manufatura, gestão, controle, entre outros.

Considerando que nem todos os participantes se encontram no mesmo nível

tecnológico, admite-se que naturalmente ajustes e qualificações haverão de ser

promovidas na busca de performances melhores no relacionamento comercial,

visando à garantia de adequação ao uso de seus produtos e serviços.

• Desafios organizacionais caracterizados, em grande parte, por desajustes

causados pela ausência de conhecimento ou, ainda, falta de uma maior e melhor

sintonia entre todos os agentes envolvidos, tanto do meio interno quanto do

meio externo à organização. Aqui podemos entender que os recursos (materiais,

humanos, tecnológicos, patrimoniais etc.) encontram-se fora de uma maior

integração, seja no contexto produtivo, gerencial, ou de informações que levem

FIGURA 16 – CADEIAS DE SUPRIMENTOS DO SÉCULO 21

Consumidores

Fornecedores

Matéria-Prima

Distribuidores

Supermercados

Indústria

MERCADORIAS

DINHEIRO

INFORMAÇÃO

FONTE: Os autores

TÓPICO 1 | AS CADEIAS DE SUPRIMENTOS E SUA EVOLUÇÃO

• Desafios culturais. Em pleno século XXI, encontramos relacionamentos

culturais ainda baseados em uma relação GANHA X PERDE, em que,

necessariamente, uma das partes deverá “perder”, para atender seus objetivos

individuais. A resistência na mudança dos relacionamentos comerciais, que

levem a uma relação GANHA X GANHA, são dificultados sobremaneira pela

visão imediatista de lucros, pois em tal relação se privilegiam ganhos menores

entre as partes envolvidas, mas que garantam uma continuidade das transações

comerciais por períodos de tempo maiores. Concorrentes e fornecedores não

são, necessariamente, INIMIGOS e, em muitas situações, podemos encontrar

concorrentes em processo de integração parcial, momentânea ou até definitiva

em busca de satisfação de uma necessidade específica de mercado de forma

conjunta, em que cada um dos envolvidos contribui com suas excelências

individuais para o sucesso.

NOTA

Nem todas as possibilidades de abastecimento e nem todos os fornecedores

estarão aptos a atender todas as necessidades de sua empresa. Isso envolve escolha, critérios

e um grande esforço colaborativo, tanto interno, quanto externo.

Reflexão: Você consegue imaginar por qual motivo o setor, que busca

o aprimoramento constante e dinâmico da aplicação dos fundamentos de

relacionamentos comerciais baseados em Cadeias de Suprimentos ágeis e

integradas, seja o setor automobilístico? Será pelo fato de que um único produto

final seja o resultado da composição de aproximadamente 2.500 itens que, em sua

grande maioria, estão distribuídos em mais de uma centena de fornecedores, com

grau de desenvolvimento distinto entre si, e que estoques altos ou inexistentes

comprometem o desempenho da atividade?

UNIDADE 3 | A CADEIA DE SUPRIMENTOS

LEITURA COMPLEMENTAR

A UTILIZAÇÃO DO SUPPLY CHAIN MANAGEMENT NO

GERENCIAMENTO LOGÍSTICO NO BRASIL

Zeferino Francisco da Silva Filho

INTRODUÇÃO

O temo em inglês SCM - Supply Chain Management (gerenciamento da cadeia

de produção) surge no processo logístico das empresas nacionais caracterizado

por um novo conceito de gestão de toda a cadeia produtiva. Com o advento da

qualidade totale produção enxuta, algumas técnicas e procedimentos, como o JIT,

Kabam e engenharia simultânea, foram amplamente adotadas por várias empresas,

contribuindo para um significativo avanço da qualidade e produtividade.

O uso do SCM em empresas nacionais é recente, porém seus

resultados têm alcançado índices cada vez maiores, um exemplo prático

dessa evolução é o resultado demonstrado na redução significativa dos

custos logísticos, tempos do fluxo de produtos no canal de suprimentos,

maximização dos lucros, ampliação e penetração em novos mercados.

Na definição do Council of Logistics Management (CLM, 1998), logística é o processo

de planejamento, implementação e controle do fluxo eficiente e economicamente

eficaz de matérias-primas, estoque em processo, produtos acabados e informações

relativas desde o ponto de origem até o de consumo, com o propósito de atender

às exigências dos clientes. Este conceito substitui outras definições anteriores, em

função da progressiva evolução dessa ciência e a inclusão da noção de cadeia de

suprimento, da qual a logística passa a ser um componente. Um dos conceitos

mais primitivos de logística é definido como: o processo de entregar o produto

certo, no lugar certo, com um nível de serviço esperado, ao menor custo possível.

La Londe (1994) destacou esse desafio colocado pela terminologia em

rápida mutação, quando examina a evolução do conceito de logística integrada. Ele

apresenta esse tema em três estágios:

1 Distribuição física.

2 Suprimento, operação e distribuição física.

3 Vendedor de insumos aos fornecedores, suprimento e distribuição física.

A empresa que busca sucesso sustentável no ambiente competitivo atual

deve observar com grande atenção a ponta de rede de suprimentos (o cliente final),

parece óbvio para muitos, mas a grande realidade é que esse aspecto se perde

quando as crises aparecem. A procura incessante por sua satisfação e fidelidade é

recompensada pela confiabilidade e fortalecimento dos elos da cadeia.

Após a chamada década perdida, caracterizada pela queda nos

investimentos e no crescimento do PIB, a indústria nacional dos anos 90

TÓPICO 1 | AS CADEIAS DE SUPRIMENTOS E SUA EVOLUÇÃO

apresentou um grande avanço. O segmento logístico tomou um novo rumo

em desenvolvimento, com o advento da implementação de novas tecnologias

na produção industrial, utilização de novas ferramentas de gestão e a

necessidade de adequação aos padrões da globalização da economia mundial.

Segundo Cecatto (2002) em seu artigo “A importância do Supply Chain

Management no desenvolvimento das Empresas Brasileiras”, ressalta que o

envolvimento das empresas ainda é uma barreira nas empresas brasileiras, onde

é muito comum encontrarmos estruturas muito departamentalizadas e com má

comunicação interna.

Alguns fatores inibem o desenvolvimento do mercado de SCM no Brasil,

segundo a analista de Supply Chain Management da IDC, Lathrop (2001), que destaca,

entre elas: a pouca confiança nos fornecedores nesse tipo de solução, altos custos de

implementação e a falta de um claro entendimento sobre os benefícios das ferramentas.

Baseando-se em elementos frequentemente sobrepostos e de alta dependência

entre si, algumas características são muito importantes para condução dessa nova

visão como:

- confiança;

- relações de longo prazo;

- compartilhamento de informações;

- forças individuais da organização.

A otimização dessa cadeia torna-se cada vez mais importante,

principalmente por motivo das inovações no ambiente de negócios, um

exemplo é a expansão do business to business na Internet. Com isso, as empresas

brasileiras enfrentam os seguintes desafios e oportunidades:

- incentivar mecanismos de logística integrada (intermodal)

- focar o modelo de gestão na redução de estoque;

- melhorar a comunicação em todos os elos da cadeia de suprimentos.

A adequação a estes pontos fortalece a participação mútua entre todos

os participantes da cadeia, desenvolve o compartilhamento das informações

específicas, aumentando o elo entre empresas, incorporando qualidade aos

produtos e serviços e apresentando melhores maneiras de servir aos mercados.

CONCLUSÕES

UNIDADE 3 | A CADEIA DE SUPRIMENTOS

Observa-se nesse tema um vasto campo de estudos, podendo destacar

importantes aspectos nessa evolução como o avanço de novos recursos

tecnológicos, aumento de competitividade, reduzindo o ciclo de vida dos

produtos, com a utilização das seguintes ferramentas relacionadas:

- EDI - Intercâmbio Eletrônico de Dados – Electronic Data Interchange: ligação

direta entre a base de dados do produtor e a de seus fornecedores.

- RR - programa de Respostas Rápidas: sistema de reposição Just in time com

fornecedores, baseado na utilização de código de barras e de EDI. Este sistema

possui a intenção de criar um Just in time entre fornecedores e empresas.

- ECR - Sistema de Resposta Eficiente ao Consumidor (Efficient Consumer

Response): é um sistema usado como estratégia de negócio, em que distribuidor,

fornecedores e comerciantes trabalham próximos e em conjunto para levar

produtos aos seus clientes.

Considerando que o Brasil possui dimensões continentais, grande potencial

de mão de obra e rápida adequação aos avanços tecnológicos, a tendência das

linhas de suprimento e distribuição demonstra um futuro promissor.

Estas tendências rumam para uma economia mundial integrada.

Empresas estão buscando, ou têm desenvolvido, estratégias globais nas

quais os seus produtos são projetados para o mercado mundial e produzidos

onde os baixos custos de matéria-prima, componentes e mão de obra possam

se encontrados ou simplesmente a produção local é mantida e vendida para o

mercado internacional. Essa tendência não vem ocorrendo somente de forma

natural, através de empresas que buscam reduzir custos e expandir seus

mercados, sendo fortemente encorajadas por arranjos políticos que promovem

grandes negócios entre economias globais (BALLOU, 2001).

FONTE: SILVA FILHO, Zeferino Francisco da. A Utilização do Supply Chain Management no

Gerenciamento Logístico no Brasil. Disponível em: <http://www.guialog.com.br/> Acesso em: 15

abr. 2008.

Neste tópico, você viu que:

• As empresas industriais buscam a implementação, em suas atividades, de

um novo modelo competitivo e gerencial, que permita alcançar seus objetivos

organizacionais, denominado Gestão da Cadeia de Suprimentos (em inglês,

Supply Chain – SC).

• Trata-se da implantação de uma nova cultura organizacional, baseada em

atitudes apoiadas em uma nova mentalidade organizacional apoiada na

Filosofia das reais propostas da empresa que promova a construção de

uma equipe de Classe Mundial, através da seleção dos players corretos e do

estabelecimento dos relacionamentos adequados.

• Para que os objetivos organizacionais possam ser alcançados, necessário se

faz o desenvolvimento de Cadeias de Suprimento ágeis, e que garantam a

manutenção das atividades ajustadas aos requisitos dinâmicos dos mercados.

• Aqui o fator de sucesso está pautado em INTEGRAÇÃO das diversas atividades

e atores envolvidos, comprometidos com os acordos mútuos assumidos.

1 Quais as principais alterações no ambiente competitivo de negócios que vêm

obrigando as organizações à utilização de práticas de cadeia de suprimentos?

2 Quais os principais desafios para a construção de uma cadeia de suprimentos?

3 O que é cadeia de suprimentos?

4 Qual é o objetivo básico do Supply Chain Management ou cadeias de

suprimentos? Descreva os principais componentes.

5 Descreva as principais características que cadeias de suprimentos ágeis

devem possuir.

TÓPICO 2

DESENVOLVIMENTO DE PARCERIA E ALIANÇAS

ESTRATÉGICAS COM OS FORNECEDORES

UNIDADE 3

1 INTRODUÇÃO

Atualmente, existe um entendimento comum a respeito dos

benefícios que uma parceria pode proporcionar aos seus envolvidos. Entre as

inúmeras oportunidades, destaca-se o aumento do desempenho coletivo e da

competitividade geral.

O desenvolvimento de parcerias, hoje, é considerado a base do sucesso

organizacional.

Parte-se da premissa de que seus participantes se reconheçam como

parceiros e de que o alcance de objetivos seja comum entre as partes, apoiados por

relacionamentos comerciais colaborativos. Para alcançar este estágio, é necessária

a mudança da abordagem dos gestores envolvidos.

Os relacionamentos comerciais são muito importantes para o sucesso de

uma empresa. Vamos estudar, a seguir, os relacionamentos de concorrência e os

relacionamentos de colaboração.

2 RELACIONAMENTOS DE CONCORRÊNCIA X

RELACIONAMENTOS DE COLABORAÇÃO

Os relacionamentos comerciais, hoje e sempre, são a base do sucesso e da

sobrevivência das empresas. Quando tais relacionamentos não são administrados

adequadamente, podem originar resultados adversos para os clientes e/ou

vendedores envolvidos.

Tal situação é parcialmente entendida pela justificativa a seguir: vendedores

e clientes buscam obter o melhor resultado financeiro na transação comercial. De

UNIDADE 3 | A CADEIA DE SUPRIMENTOS

• Os vendedores tentam adivinhar as necessidades dos clientes, pois estes não

fornecem estimativas precisas de demanda.

• Os clientes desconfiam dos vendedores, atribuindo-lhes uma condição de

adversários.

Do ponto de visto de negócios, é óbvio observar que, ao contrário de somar

esforços, vendedores e clientes dividem e comprometem suas relações comerciais

que, se negligenciadas, podem levar a uma situação de autodestruição mútua.

Contrariamente ao exposto anteriormente, a gestão integrada da cadeia de

suprimentos propõe o alcance de objetivos comuns entre as partes, apoiados por

relacionamentos comerciais colaborativos. Para alcançar este estágio, necessária

se faz a mudança da abordagem dos gestores envolvidos.

Facilmente podemos deduzir que o processo de transição não ocorre

rapidamente e implica forte quebra de paradigmas contidos em ambas as culturas

organizacionais.

Para que tais mudanças sejam alcançadas a contento, três premissas

básicas necessitam ser trabalhadas:

2.1 ESTÍMULO À CONFIANÇA E AOS VALORES MÚTUOS

Para que haja o desenvolvimento de relacionamentos comerciais de

colaboração, gerando a seus participantes um desenvolvimento sustentado e

duradouro, faz-se necessário que haja uma visão e objetivos comuns compartilhados.

A colaboração, necessariamente, implica abandonar definitivamente a ideia de

dominação por um de seus participantes, permitindo que haja a possibilidade de

agregação de valor aos clientes finais.

2.2 LIDERANÇA E RESPONSABILIDADES COMPARTILHADAS

Na maioria dos casos, o estabelecimento de diretrizes claras, de

liderança e de responsabilidades compartilhadas tendem a eliminar eventuais

ruídos de comunicação, minimizando o surgimento de eventuais rupturas de

relacionamento, prolongando-os ao longo do tempo e, traduzindo-se em maior

segurança entre as partes.

A dependência mútua fica claramente explicitada, na forma colaborativa,

na medida em que são definidas penalidades e premiações atribuídas aos negócios

comuns, seu desempenho e comprometimento.

Em outras palavras, o compartilhamento de riscos e benefícios recíprocos

faz com que ambos (fornecedores e clientes) visualizem, de forma comum, a