4 Framework Conceitual para Criação de In- In-terfaces Gestuais para Aprendizagem de
4.2 Proposta de Trabalho
4.2.1 Descrição do Framework Conceitual
O framework proposto é formado por 25 (vinte e cinco) guidelines baseadas nos Princípios de Design Participativo e noDesign Centrado no Usuário (OLIVEIRA; SANNI-COLA; CORRÊA,2014), colocando em evidência as características relativas às crianças com TDC e estando dividido em 03 (três) partes principais: Projeto (Design), Desenvolvi-mento e Avaliação, como na Figura 11, sendo um processo incremental e iterativo em que todos se interligam para melhorar a qualidade do protótipo em cada iteração do modelo, seguindo o modelo estrela de processo de desenvolvimento de interface.
Figura 11 – Proposta de Framework com as partes de Projeto (Design), Desenvolvimento e Avaliação. Fonte: Elaborado pelo autor.
A parte de Projeto (Design) é o ponto de entrada doframework e visa entender antecipadamente as necessidades das crianças com TDC em relação à aprendizagem de caligrafia, atuando como um conjunto de diretrizes que nortearão o desenvolvimento de interfaces gestuais direcionadas efetivamente a estes sujeitos e sendo corroborado pelos trabalhos de (OTHMAN; KEAY-BRIGHT,2011), (PLACITELLI; GALLO, 2012), (OTHMAN; KEAY-BRIGHT, 2011), (CARO et al., 2014) e (CARO, 2014) no que diz
respeito ao entendimento dos requisitos dos usuários para um melhor desenvolvimento do sistema, tendo, por isso, um maior número de guidelines, 14 (catorze), que as outras etapas do framework, pois leva em conta a parte de planejamento com esquematizações do produto antes de ser gerado (DEY; ABOWD; SALBER, 2001) e de usabilidade (HALL, 2001), (STILL; MORRIS,2010), reduzindo as chances de um mal design (WIETHOFF et al., 2012).
A segunda etapa, Desenvolvimento, tem 07 (sete) diretrizes ligadas às características peculiares dos dispositivos com reconhecimento de movimentos finos, pois, particularmente para o Leap motion, existem alguns formatos de mãos no seu SDK que precisam ser escolhidos e configuradas. Esta etapa concentra as diretrizes que precisam unir as exigências
82
Capítulo 4. Framework Conceitual para Criação de Interfaces Gestuais para Aprendizagem de Caligrafia de Crianças com TDC
dos dispositivos (Formato de Mão e Posição, Imersão das mãos, Espaço entre os Objetos, Destaque para os Selecionados) com as necessidades das crianças com TDC para utilização adequada (Realístico, Encorajamento e Ergonomia).
A fase de Avaliação tem 4 (quatro)guidelines (Tecnologias Utilizadas, Um Disposi-tivo por Criança, Pontuação e Checagem Geral) direcionadas para se realizar a apreciação das etapas e diretrizes anteriores por meio da identificação das particularidades das crianças com TDC, da tecnologia enfocada, dos obstáculos de interface/interação entre sujeitos e ferramentas, de alternativas também adequadas, de como uma adversidade pode afetar nos resultados almejados e, finalmente, da verificação de conformidade das recomendações com o conjunto (PRATES; BARBOSA,2003).
Sendo assim, as diretrizes propostas são:
• Projeto (Design):
– P1. Utilize dispositivos com reconhecimento de movimentos motores finos centrados nas mãos: considere pertinente os dispositivos que tenham a característica de reconhecimento de movimentos motores finos centrados nas mãos, sem resposta tátil, como, por exemplo, o Leap motion. Estes dispositivos são relevantes em um contexto no qual existem crianças com dificuldades mo-toras adicionais à normal, como as com TDC, pois ajudariam no processo de autonomia e segurança na aprendizagem de caligrafia durante a alfabetização escolar (NUNES; SILVEIRA, 2015a). Estes artefatos tecnológicos podem ser recomendados para pessoas com TDC antes do processo de aprendizagem de caligrafia tradicional, pois ajudariam na memorização visual da formação das letras por meio da realização de movimentos cinestésicos no ar (SUGDEN;
CHAMBERS, 1998), fazendo com que a criança fique concentrada na coordena-ção, precisão e destreza necessária para execução do movimento de escrita com velocidade e precisão necessárias para a caligrafia (POLATAJKO; CANTIN, 2005), (SNAPP-CHILDS; MON-WILLIAMS; BINGHAM, 2013);
– P2. Concentre as tarefas para aprendizagem de caligrafia: a tarefa do aplicativo deve ser direcionada para exercitar as dificuldades na aprendizagem de caligrafia. No caso das crianças com TDC, essas dificuldades são diferentes e mais acentuadas, em que a criança encontra dificuldades na coordenação motora fina para escrever as letras, números, palavras e pela dificuldade de pla-nejamento do traçado (KAISER; ALBARET; DOUDIN,2009), (SUDIRMAN;
TABATABAEY-MASHADI; ARIFFIN,2011);
– P3. Promova os objetivos das tarefas para as partes cognitiva e mo-tora: os objetivos de cada parte que compõe o software devem ser bem expli-cados e destaexpli-cados, focando em um propósito a ser alcançado, por meio do
4.2. Proposta de Trabalho 83
cumprimento da tarefa (parte cognitiva) e dos movimentos a serem realizados (parte motora), pois crianças com TDC têm dificuldades em aprender como movimentar o corpo e membros (neste caso: ombro, cotovelo, punho, mão e dedos) para executar a escrita e têm que prestar mais atenção para completar as atividades motoras (CARO et al., 2014), (CARO, 2014), (BO; LEE, 2013);
– P4. Proporcione processos interativos para pessoas com TDC: propor-cione no aplicativo processos de comunicação e interação para crianças com TDC por meio da disponibilização de situações possivelmente reais e interati-vas, pois elas podem ficar desinteressadas em algumas atividades e evitarem processos interativos com seus pares ou com circunstâncias mais próximas de suas realidades (OTHMAN; KEAY-BRIGHT, 2011), (ZWICKER et al., 2012), (GONSALVES et al., 2015);
– P5. Forneça motivação constante no aplicativo para as pessoas com TDC: promova estímulos e encorajamento por meio da utilização de animações, vídeos e sons. O engajamento e envolvimento da criança no cumprimento da tarefa pode aumentar suas habilidades em exercitar as partes cognitiva e motora, fazendo com que sejam mais agradáveis e diminuindo as possíveis frustrações.
As animações, vídeos e sons devem ser usados com cautela para não serem inter-pretados como barulho e estresse. Eles devem ser divertidos e usuais, fornecendo opiniões sobre ações, sendo utilizados em momentos de transição ou quando nada acontece na tela, pois o cansaço (COLEMAN; PIEK; LIVESEY, 2001), (BIANCOTTO et al., 2011), (CAIRNEY et al., 2015) e fracasso repetido em
ações não realizadas podem fazer com que elas não participem das atividades e apresentem problemas emocionais secundários, como baixa autoestima, intole-rância à frustração e desmotivação (MAGALHAES; CARDOSO; MISSIUNA, 2011), (TRESSER, 2012), (MANDICH; POLATAJKO; RODGER, 2003);
– P6. Crie níveis e transições fáceis nas tarefas: crie transições bem claras e definidas por meio de níveis fáceis, sem muita dificuldade de um nível para outro, mostrando um progresso das tarefas nas partes cognitiva e motora.
Geralmente, as crianças executarão a mesma fase ou tarefa diversas vezes e ao mudarem, as novas etapas devem ser similares às anteriores para que também sejam executadas muitas vezes e que a criança não perca a concentração, já que crianças com TDC podem apresentar problemas com mudanças bruscas, com a necessidade de muito esforço para planejar e executar uma tarefa, mostrando resistência para o desempenho (CARO et al.,2014), (MISSIUNA et al., 2007);
– P7. Foque em movimentos repetitivos: foque em repetitividade de movi-mentos em sequência. Ajudará na aprendizagem de novos movimovi-mentos e na consolidação dos exercícios motores, atuando significativamente na interven-ção de terapeutas, além de empoderar os sujeitos para ações futuras, pois a
84
Capítulo 4. Framework Conceitual para Criação de Interfaces Gestuais para Aprendizagem de Caligrafia de Crianças com TDC
criança com TDC pode ter problema em aprender uma nova habilidade mo-tora e com a repetição, algumas destas habilitações serão desempenhadas bem (SMITS-ENGELSMAN et al., 2003), (JELSMA et al., 2014);
– P8. Dê noções espacial/visual e corporal/motor durante a execução das tarefas: dê noções espacial/visual e corporal/motor. Promovendo controle dos movimentos, da postura, do equilíbrio e da coordenação olho mão (visual-motor fino), a criança pode sentir os efeitos que cada movimento proporciona para a completeza de uma tarefa, além de proporcionar noção espacial e visual resultante de cada movimento corporal e motor realizados, já que crianças com TDC podem ter dificuldades com atividades de mudança na posição do corpo e o costume de usar a visão como o feedback guia dos seus movimentos (ZWICKER; MISSIUNA; BOYD,2009), (WILSON et al., 2013), (FERGUSON
et al., 2014);
– P9. Crie tarefas simples e intuitivas no aplicativo: crie tarefas simples, curtas, fáceis de lembrar e intuitivas. Isso ajudará no cumprimento dos objetivos, servirá como estímulo para outras etapas e reduzirá as possíveis frustrações.
Para crianças com TDC, o máximo de carga cognitiva que elas suportam é um pouco inferior a uma criança com desenvolvimento típico, sendo importante traçar metas de prazo mais curto e realísticas, deixando o ambiente o mais previsível possível (CARO, 2014), (SUGDEN; CHAMBERS, 1998), (SUGDEN;
CHAMBERS, 2003);
– P10. Disponibilize recursos para acessibilidade e usabilidade do apli-cativo: disponibilize ferramentas de acessibilidade, promovendo autonomia com o oferecimento de botões nas interfaces do aplicativo, tais como: ir/voltar, sair, pausar/continuar, busca interna, mapa de localização, acesso ao menu principal, aumento/diminuição de fonte, tamanho do texto (se houver), alinhamento, espaçamento, manipulação de cores, contraste, plano de fundo. É importante introduzir e encorajar a utilização de tecnologias digitais com recursos de aces-sibilidade e usabilidade, de forma que a criança com TDC possa ser proficiente e autossuficiente, além de promover motivação para a execução das atividades com os recursos de customização e personalização (OTHMAN; KEAY-BRIGHT, 2011), (JACOBY et al.,2006);
– P11. Seja simples e claro no aplicativo durante a comunicação com a pessoa com TDC: seja conciso, claro e utilize palavras simples, evitando problemas de interpretações e dando tempo de entendimento das instruções aos usuários, pois de acordo com suas características, as crianças com TDC costumam gastar mais tempo para compreender, completar uma ação e executar as instruções. Ressaltando que elas têm que prestar mais atenção na execução das atividades que uma criança de desenvolvimento típico, necessitando
nor-4.2. Proposta de Trabalho 85
malmente um tempo de resposta maior e com mais lentidão para execução das tarefas (MANDICH; POLATAJKO; RODGER, 2003), (DEWEY et al., 2002), (SNAPP-CHILDS et al.,2013);
– P12. Forneça sempre instruções e ajuda: forneça instruções precisas e úteis como forma de ajuda, evitando muita informação. Crie um botão/ícone para emergência em caso de dúvidas. Esse tipo de recurso pode ser um suporte a mais no entendimento da tarefa e beneficiar os usuários com níveis mais severos do transtorno ou com múltiplos transtornos (comorbidade ou coocorrência), pois a criança com TDC necessita da descrição de cada etapa para execução do gesto requerido pela atividade, ajudando-a no planejamento do movimento (WILSON et al.,2013), (SMYTH; MASON, 1997);
– P13. Cuidado com os erros e respostas fornecidas pelo aplicativo:
promova correções de erros dando respostas/dicas por meio de uma fala, por exemplo, sobre o possível equívoco ao usuário e como ele pode corrigi-lo fazendo a ação correta, já que as crianças com TDC precisam de valorização na maior parte do tempo de uma atividade, garantindo que o esforço seja mais destacado que a habilidade (POULSEN; ZIVIANI, 2004), (KATARTZI; VLACHOPOULOS, 2011);
– P14. Seja funcional com o design da interface do aplicativo: utilize design simples (clean interfaces) e estritamente funcional para o objetivo geral do aplicativo, impedindo uma ansiedade e nervosismo antes da execução da tarefa e que o sujeito se distraia com elementos visuais sem relevância para o contexto do momento, pois criança com TDC necessita de foco no objetivo da atividade e sem possibilidade de distrações (MON-WILLIAMS; WANN;
PASCAL, 1999), (VISSER, 2003), (CHEN et al., 2015).
• Desenvolvimento:
– D1. Escolha um formato de mão amigável e a posicione dando noção de profundidade para a pessoa com TDC: escolha um modelo de mão que seja amigável para crianças e a posicione para que haja um entendimento de profundidade e espaço com a utilização de 3D, iluminação e textura, além de dar controle de posição e rotação apropriados (GARBER, 2013), (POTTER;
ARAULLO; CARTER, 2013), (ADHIKARLA et al., 2015). Escolha o melhor formato de mão e posição, pois os movimentos das mãos podem ser limitados, já que a caligrafia em crianças com TDC requer uma coordenação maior das articulações e membros necessários para a execução dos movimentos de escrita e, consequentemente, de um esforço mais significativo que em crianças em desenvolvimento típico (PRUNTY et al., 2014);
86
Capítulo 4. Framework Conceitual para Criação de Interfaces Gestuais para Aprendizagem de Caligrafia de Crianças com TDC
– D2. Concentre na imersão das mãos para o ensino de caligrafia:
concentre-se na imersão apenas das mãos em virtude do foco em ensinar caligra-fia para crianças com TDC em processo de alfabetização. Recomenda-se que não seja gerado um avatar de corpo todo, que cria dificuldades com as habilidades motoras amplas, podendo confundir a criança e deixá-la desconcentrada em manter o foco no domínio dos movimentos motores finos, pois a escrita envolve o constante entendimento do feedback dos movimentos das mãos e a criança com TDC tende a se dispersar e desanimar com outros pontos de distração (KAISER; ALBARET; DOUDIN,2009), (FORSYTH et al., 2008), (CANTIN;
RYAN; POLATAJKO, 2014);
– D3. Seja o mais realístico possível nas atividades: utilize da escala 1:1 de Realidade Virtual (RV) para que os objetos e as mãos virtuais sejam mais realísticos e naturais quanto possíveis. Seja o mais realístico possível, pois ajudará a criança com TDC a se inserir melhor no ambiente das atividades, já que elas podem apresentar problemas emocionais ligados também à frustração das tarefas ou do meio, não sendo próximos à realidade, desencorajando a utilização de tecnologias digitais de RV (TRESSER, 2012), (TARNANAS et al.,2013), (SILVA; RODRIGUES, 2015);
– D4. Dê espaço entre os objetos para que as pessoas com TDC não se-lecionem algo indesejado: configure um espaço razoável (aproximadamente 5 centímetros) entre os objetos (botões, avatars) do aplicativo, bem como oferecer uma área de clique grande e confortável, evitando os acionamentos indesejáveis e acidentais, pois as crianças com TDC tendem a ser mais desajei-tadas, acarretando dificuldades de aprendizagem, comportamento, de caráter emocional e de desempenho em novas tarefas motoras (CELLETTI et al.,2015), (SMITS-ENGELSMAN et al., 2015);
– D5. Destaque os objetos selecionados: realce por meio de luzes ou cores diferentes o que foi selecionado ou o que está sendo deslizado/preenchido.
Assim, os usuários diferenciarão a parte manipulável com mais destaque, já que uma criança com TDC necessita algumas vezes de ferramentas que chamem a atenção e despertem o interesse nas atividades, evitando o cansaço e a distração (WEICHERT et al., 2013), (ROBERT et al.,2014);
– D6. Encoraje a pessoa com TDC para realização das tarefas: uso de layout com recursos de acessibilidade e usabilidade apropriados para incentivar o cumprimento das tarefas, acrescentando também recursos de pontuação como maneira de se chegar a um objetivo. Um layout que promova a utilização por crianças com diferentes graus de comprometimento do TDC, pois estes precisam exercitar corretamente os movimentos de escrita com velocidade e precisão para a caligrafia, juntamente com sentimentos de diversão, de desenvolvimento destas
4.2. Proposta de Trabalho 87
habilidades, obtenção de sucesso nas tarefas, participação e interação com o aplicativo (SILVA; RODRIGUES,2015), (FERGUSON et al., 2013), (JARUS et al., 2015);
– D7. Cumpra com as exigências de ergonomia para as pessoas com TDC utilizarem adequadamente o aplicativo: disponibilize um posiciona-mento confortável das mãos, sendo apropriado para uso constante e repetitivo dos movimentos motores finos, evitando estresse e desconforto, já que para a criança com TDC o desempenho da tarefa é ligado aos fatores de conforto e cansaço, ocasionando a desmotivação para participar das atividades motoras, como a caligrafia, em que acontecem os estágios primitivo, de transição e de maturidade na sua execução (HSU et al., 2013), (PAUCHOT et al., 2015), (STANDARDIZATION, 1998).
• Avaliação:
– A1. Verifique se a tecnologia utilizada é para movimentos motores finos: verifique se o aplicativo esclareceu que precisará de movimentos gestuais para seu progresso e que está ligado a um dispositivo para realização de uma tarefa. Isso é importante para situar a criança com TDC sobre o que será solicitado dela com a utilização das tecnologias de movimentos finos, como oLeap motion e as interfaces gestuais do aplicativo manipulado por meio das atividades de caligrafia. Ou seja, ela saberá previamente quais movimentos motores finos serão solicitados para realização, ajudando a criança a ter noção do movimento e que deve executar oLeap motion em conjunto com o aplicativo (SUDIRMAN;
TABATABAEY-MASHADI; ARIFFIN,2011), (SOUZA; PRATES; BARBOSA, 1999), (PRATES; SOUZA; BARBOSA, 2000), (THORVALDSEN et al.,2011);
– A2. Disponibilize um dispositivo por criança: verifique se foi fornecido um dispositivo por criança ou que seja compartilhado entre crianças com TDC para se utilizar o aplicativo individualmente, pois o transtorno se manifesta de forma diferente em cada uma, podendo vir acompanhado também de ou-tros distúrbios (comorbidade ou coocorrência) (VISSER,2003), (FLAPPER;
SCHOEMAKER, 2013), (KIRBY; SUGDEN; PURCELL, 2014). Toda tarefa do aplicativo deve estar focada na criança com TDC, suas necessidades, prefe-rências e particularidades, sendo, portanto, customizado (CARO et al., 2014), (CARO,2014). Ressalta-se que os testes serão realizados individualmente;
– A3. Confira se o aplicativo está cumprindo os requisitos de acessibi-lidade e usabiacessibi-lidade: averigue se os quesitos de acessibiacessibi-lidade e usabiacessibi-lidade foram implementados, se estão adequados para as crianças com TDC de maneira que estes ítens não sejam impedimentos para a aprendizagem de caligrafia no aplicativo desenvolvido e encorajem estes sujeitos para que atinjam o objetivo
88
Capítulo 4. Framework Conceitual para Criação de Interfaces Gestuais para Aprendizagem de Caligrafia de Crianças com TDC
proposto (JELSMA et al., 2014), (FERGUSON et al., 2013), (CHANG; YU, 2010);
– A4. Certifique-se se a pessoa com TDC deseja reutilizar o aplicativo:
como ponto de comprovação se o aplicativo atingiu o objetivo de ajudar na aprendizagem de caligrafia e motivou a criança com TDC a aprimorar essa sua dificuldade (na qualidade ou velocidade da escrita), pode-se perguntar se ela gostaria de utilizar novamente o aplicativo desenvolvido. E com esse desejo, verifica-se se as guidelines propostas nas fases de projeto (design) e desenvolvimento foram atingidas, mesmo que parcialmente, pois repetindo elas entenderam o que está por trás de cada diretriz do framework (WEICHERT et al., 2013), (JEFFRIES et al.,1991), (NIELSEN,1994b), (CURTIS et al.,2009).
Ainda de acordo com a Figura 11, verificam-se conexões entre todas as fases do framework, fazendo com que o projetista das interfaces gestuais navegue livremente entre todas as fases, mas com a observação de que nem todas as diretrizes estarão necessariamente relacionadas com as outras, tendo como ponto de entrada a parte de projeto (design) e como finalização a de avaliação.
A parte de Projeto (Design) está diretamente ligada à de Desenvolvimento, sendo que uma diretriz da primeira pode ser revista quando for analisada uma outra da segunda, estando interligadas. Entre as fases de Desenvolvimento e Avaliação isso também se apresenta. Na primeira e na última fase, Projeto (Design) e Avaliação, essa interligação aparece novamente, pois, após ocorrer a verificação das guidelines na terceira etapa, havendo a necessidade de mudança na fase do protótipo, esta ação pode ser realizada diretamente, sem a necessidade de passar pela parte do meio.
De modo geral, oframework conceitual com as guidelines pode ser visto na Tabela 9.
4.2.1.1 Interligações das Guidelines entre as Partes do Framework
Como mencionado anteriormente, entre as diretrizes de cada uma das partes do framework podem haver conexões, sejam por semelhança de temática ou por implicações de configuração e implementação. Sendo assim, são necessárias as devidas descrições e justificativas, verificando-se mais detalhadamente por meio de figuras no ApêndiceC.
Para a etapa de Projeto (Design), configurou-se a Tabela 10, mostrando as intra e interligações que cada diretriz apresenta. Pode-se perceber que na primeira linha, a guideline P1 está diretamente ligada ao tema desta tese, ou seja, para trabalhar com dispositivos que mapeiam os movimentos motores finos de uma criança com TDC, devem-se levar em consideração as diretrizes ligadas à tarefa-alvo, a caligrafia (P2), tornando-a sempre com características de usabilidade e acessibilidade (P10) e verificando-as (A3),
4.2. Proposta de Trabalho 89
Tabela 9 – Resumo do framework proposto com suas guidelines. Fonte: Elaborado pelo autor.
Projeto (Design)
P1 Utilize dispositivos com reconhecimento de movimentos motores finos centrados nas mãos
P2 Concentre as tarefas para aprendizagem de caligrafia
P3 Promova os objetivos das tarefas para as partes cognitiva e motora P4 Proporcione processos interativos para pessoas com TDC
P5 Forneça motivação constante no aplicativo para as pessoas com TDC P6 Crie níveis e transições fáceis nas tarefas
P7 Foque em movimentos repetitivos
P8 Dê noções espacial/visual e corporal/motor durante a execução das tarefas P9 Crie tarefas simples e intuitivas no aplicativo
P10 Disponibilize recursos para acessibilidade e usabilidade do aplicativo P11 Seja simples e claro no aplicativo durante a comunicação com a pessoa
com TDC
P12 Forneça sempre instruções e ajuda
P13 Cuidado com os erros e respostas fornecidas pelo aplicativo P14 Seja funcional com odesign da interface do aplicativo
Desenvolvimento
D1 Escolha um formato de mão amigável e a posicione dando noção de profundidade para a pessoa com TDC
D2 Concentre na imersão das mãos para o ensino de caligrafia D3 Seja o mais realístico possível nas atividades
D4 Dê espaço entre os objetos para que as pessoas com TDC não selecionem algo indesejado
D5 Destaque os objetos selecionados
D6 Encoraje a pessoa com TDC para realização das tarefas
D7 Cumpra com as exigências de ergonomia para as pessoas com TDC utili-zarem adequadamente o aplicativo
Avaliação
A1 Verifique se a tecnologia utilizada é para movimentos motores finos A2 Disponibilize um dispositivo por criança
A3 Confira se o aplicativo está cumprindo os requisitos de acessibilidade e usabilidade
A4 Certifique-se se a pessoa com TDC deseja reutilizar o aplicativo
além de levar em consideração o tipo de mão (D1) a ser escolhida pelo projetista a partir da SDK, neste caso, oLeap motion. Além dessas diretrizes, as ligadas à imersão das mãos (D2), com a necessidade de espaço entre os objetos (D4) do aplicativo para o correto manuseio por estas crianças, o devido destaque para os itens selecionados (D5) e a obediência em relação aos critérios ergonômicos (D7) para este público, também devem ser levadas em consideração. Em relação à diretrizes de Avaliação, existe a de averiguar que tecnologias são utilizadas (A1) e se houve o desejo de repetição (A4) como compreensão da boa avaliação.
Todas estas características, portanto, estão relacionadas à guideline que recomenda a utilização em dispositivos com rastreamento de movimentos finos (P1).
Todas estas características, portanto, estão relacionadas à guideline que recomenda a utilização em dispositivos com rastreamento de movimentos finos (P1).