O Projecto de Vigilância Sanitária de Piscinas contempla as vertentes tecnológica, analítica e epidemiológica, assim:
i. Os procedimentos devem ser de acordo com a Circular Normativa nº 14/DA de 21/08/2009;
ii. Proceder à caracterização da piscina e efectuar visitas inspectivas periódicas (pelo menos anualmente);
iii. Solicitar à entidade exploradora da piscina a apresentação atempada dos boletins analíticos referentes ao controlo da qualidade da água por ela realizado;
VERTENTE TECNOLÓGICA
Actividade 1 Apreciação de processo de obras e avaliação das condições de instalação e funcionamento.
Actividade 2 Actualização de cadastro das piscinas públicas do ACES – Oeste Norte (Anexo I), da Circular Normativa 14/DA de 21/08/2009 da DGS.
Actividade 3 Aplicação dos questionários:
“Avaliação das condições de instalação e funcionamento de piscinas”: (Caracterização técnica da instalação).
Anexo II A da Circular nº 14/DA sempre que ocorram alterações ao projecto inicial;
“Avaliação das condições higio-sanitárias e de funcionamento das instalações”
Anexo II B da Circular nº 14/DA – Anualmente Actividade 4 Realização de inspecções anuais.
Actividade 5 Consulta do Livro de Registo Sanitário.
VERTENTE ANALÍTICA
Actividade 6 Colheitas de amostras de água para determinação de parâmetros microbiológicos e físico-químicas.
Os procedimentos de colheitas de água encontram-se descritos na Tabela 2 da Circular Normativa nº 14/DA de 21/08/2009.
A periodicidade das análises recomendada pela DGS é a seguinte:
Periodicidade das Análises Análises Microbiológicas Análises Fisico-Químicas
Explorador da Piscina Quinzenal Mensal
Vigilância Sanitária Mensal Trimestral
Os parâmetros a pesquisar são os seguintes: MICROBIOLÓGICOS
PARÂMETROS VR VL
Microrganismos cultiváveis a 37ºC/24H (UFC/ml) ≤100 (a) _ Bactérias coliformes (UFC/100ml) 0 10
Escherichia coli(UFC/100ml) _ 0
Enterococos (UFC/100ml) _ 0
Pseudomonas aeruginosa (UFC/100ml) _ 0
Estafilococos produtores de coagulase
(UFC/100ml) _ 0 (b)
N.º total de estafilococos (UFC/100ml) <20 (a) _ VR- Valor Recomendado; VL – Valor limite
(a) O VR pode ser ultrapassado uma vez por época (de abertura ao público ou por ano civil) (b) 0/100ml em 90% das amostras. Esta avaliação (no final da época ou do ano civil) é da
FÍSICO-QUÍMICOS
PARÂMETROS VALORES INDICATIVOS
Cloro total (a) 1,0-2,5
Cloro combinado (a) ≤0,5
Cloro livre (a) 1,0-2,0 (7,5>pH ≤8,0) 0,5-1,2 (6,9<pH≤7,4)
Ácido cianúrico (b) ≤ 75 Bromo total © 2,0-4,0 Cobre (d) 2 Turvação 0,5-4,0 pH 6,9-8,0 Condutividade 1500 Cloretos 500 Oxidabilidade ou COT 6 Temperatura da água ≤ 30
Triahalometanos totais (piscinas cobertas) 100
(a) Pesquisar apenas no caso de serem utilizados produtos de cloro não estabilizado na desinfecção de água
(b) Pesquisar apenas no caso de serem utilizados produtos de cloro estabilizado na desinfecção da água
(c) Pesquisar apenas no caso de ser utilizado bromo na desinfecção da água (d) Pesquisar apenas no caso de ser utilizado cobre na desinfeccção da água
Actividade 7 Articulação com os gestores no sentido de ter acesso aos resultados do controlo da qualidade da água das piscinas.
PROGRAMA DE CONTROLO DA QUALIDADE DA ÁGUA DAS PISCINAS
i. Independentemente da periodicidade sugerida para os diferentes parâmetros que devem ser pesquisados no Programa de Controlo, devem ser asseguradas as determinações diárias preconizadas na alínea d) do Anexo III da CN nº 14/DA (residual e total de desinfectante, pH, temperatura da água, transparência, …).
ii. Este programa deverá ser cumprido independentemente e sem prejuízo do da vigilância sanitária a efectuar pela Autoridade de Saúde no exercício das suas funções.
iii. Sempre que ocorra uma situação de alerta (como por exemplo um acidente fecal ou acidente físico), o gestor deverá enviar ao Delegado de Saúde o modelo de comunicação de situações de alerta (Anexo IV da CN nº 14/DA). Sugere-se a leitura do ponto 6 da CN nº 14/DA.
ORIENTAÇÕES TÉCNICAS
No caso de análises impróprias (pelo menos um parâmetro microbiológico com resultado superior ao VL – quer no programa de controlo quer no PVSP) , o Delegado de Saúde deverá proceder de acordo com o seguinte (depois de devidamente ponderada e avaliada a situação, o histórico da bacia e os eventuais condicionamentos que possam ter conduzido à ocorrência):
No caso de: Microrganismos cultiváveis; Bactérias coliformes; Escherichia coli; Enterococos, Pseudomonas aeruginosa; Estafilococos produtores de coagulase; N.º
total de estafilococos
Procedimentos a adoptarem pelo Delegado de saúde
i. Determinar o encerramento do tanque;
ii. Mandar proceder a um tratamento de choque através de adição directa da quantidade de desinfectante suficiente para se atingir a concentração de 20mg/LCl2 durante 8 horas (ou 40 mg/LCl2 durante 4 horas);
iii. Efectuar no prazo mais curto possível uma nova colheita para realização de nova análise;
iv. Caso a nova análise confirme a má qualidade da água, o Delegado de Saúde manterá o encerramento da actividade ou actividades aquáticas servidas pela água imprópria, até que a mesma se encontre em condições potáveis.
Complementarmente deve-se:
i. Verificar as determinações químicas efectuadas no momento da colheita (pH, residual de desinfectante, temperatura da água);
ii. Consultar o Livro de registo sanitário e verificar os registos relativos ao funcionamento (pH, concentrações de residual de desinfectante, avarias de equipamento ou acidentes) e de qualidade da água, assim como avaliar os processos inerentes à filtração e desinfecção;
iii. Avaliar a higiene das superfícies e acessórios sempre que se justifique
Actividade 8 Envio do plano de colheitas para 2011/12/13 para a Equipa Coordenadora do PVSP.
Actividade 9 Envio da ficha de avaliação trimestral para a Equipa Coordenadora do PVSP.
Actividade 10 Envio do modelo de comunicação de suspensão/encerramento de piscina, na sequência da má qualidade da água ou de outra situação para a Equipa Coordenadora do PVSP.
Actividade 11 Avaliação Global da Qualidade da Água.
O anexo II do Decreto Regulamentar nº 5/97 de 31 de Março, ao procurar introduzir de alguma forma uma avaliação global da qualidade da água, estipulando percentagens de cumprimento dos valores limite, é mais permissivo para «estafilococos produtores de coagulase» (patogénicos) que para os indicadores de contaminação.
Deste modo a avaliação global da qualidade da água seguirá os critérios adoptados para as piscinas de utilização colectiva.
Sendo conhecida a variabilidade da qualidade da água de uma piscina em termos microbiológicos, a atribuição de uma classificação qualitativa a uma piscina baseada em resultados pontuais é manifestamente insatisfatória. É preferível avaliar essa qualidade através do historial da piscina, preconizando- se como base temporal um ano civil.
Na ausência de legislação, a avaliação final é feita com base na classificação preconizada pelos serviços de engenharia sanitária da Administração Regional de Saúde. Assim a água da piscina é classificada, de acordo com o Quadro seguinte em:
“Boa Qualidade” “Qualidade Aceitável” “Má Qualidade”
AVALIAÇÃO GLOBAL DA QUALIDADE DA ÁGUA DAS PISCINAS – CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO Parâmetros Qualidade Boa Aceitável Má (%) de amostras próprias Microrganismos Cultiváveis a 37ºC/24 h
(Germes Totais, Germes Aeróbios,
Microrganismos Viáveis) >80 ≤80 -
Coliformes Totais
(Bactérias Coliformes) >80 50-80 <50
Escheríchia Coli >90 85-90 <85
Enterococos
(Estreptococos Fecais, Enterococos Fecais) >90 85-90 <85 Estafilococos Produtores de Coagulase >90 85-90 <85
Total de Estafilococos >80 ≤80 -
Pseudomonas Aeruginosa >90 85-90 <85
Residual livre do Desinfectante (*) >70 50-70 <50
pH >70 50-70 <50
(*) Quando se tratar de desinfectante à base de cloro, tem de ser feita a correlação com o pH.
Para aplicação destes critérios deve ser utilizado um mínimo de cinco amostras para piscinas cobertas e de duas amostras para piscinas ao ar livre.
Actividade 12 Avaliação da Qualidade do Ar Interior
A manutenção de uma boa qualidade do ar é uma garantia da saúde e do conforto dos utilizadores das piscinas, dos acompanhantes e assistentes e, particularmente dos trabalhadores. A atmosfera em piscinas cobertas é susceptível de acumular produtos derivados da cloragem – trihalometanos e cloraminas, p.e. – e bactérias ou outros microrganismos – legionelas, por exemplo. Não se pretende a sua avalição sistemática mas existem indicadores de conforto que permitem uma primeira avaliação das condições.
Na fase de apreciação de projecto deverão ser verificados o modo e os sistemas previstos para a renovação do ar quer da nave dos tanques, quer dos vestiários e balneários e a zona técnica, atendendo às especificidades de cada um.
Durante o funcionamento deverá ser avaliada a temperatura ambiente e a humidade relativa. Os valores indicativos são os apresentados no quadro seguinte.
Temperatura e humidade relativa do ar das piscinas:
Local Humidade relativa
(%) Temperatura seca (º C) Temperatura de bolbo húmido (º C)
Nave dos tanques 55 a 75 Temp. da água do
tanque mais frio + 2º C. Mínima ≥ 24 ≥23 Vestiários e balneários - 22 a 24 - Zona técnica - 18 - Fonte: Directiva CNQ 23/93 O nível de conforto compreende a avaliação dos parâmetros: temperatura, humidade relativa e velocidade do ar, obtidos através da metodologia de análise do Equipamento EMV-series, Air Quality Monitor, Modelo EVM-7 com a sonda de medição da velocidade do ar, Modelo Air Probe, da Quest Techonologies. ;
Os poluentes a avaliar: monóxido de carbono (CO), dióxido de carbono (CO2)
e compostos orgânicos voláteis (COV), com recurso ao equipamento descrito anteriormente.
Quanto à renovação de ar em piscinas cobertas, deverá ser assegurado o valor de 10 m3/(h.m2) como caudal mínimo de ar novo, de acordo com o disposto no Anexo VI do Decreto-Lei n-º 79/2006, de 4 de Abril (Regulamento dos Sistemas Energéticos de Climatização em Edifícios).
Nas piscinas onde não seja aplicável o Regulamento dos Sistemas Energéticos de Climatização em Edifícios (RSECE) deve ser assegurada no mínimo 4 renovações de ar por hora.
VERTENTE EPIDEMIOLÓGICA
Actividade 13 Manter sob vigilância epidemiológica situações adversas para a saúde associadas à utilização de piscinas.
Actividade 14 Adopção das medidas necessárias para eliminação, redução ou correcção dos factores de risco identificados.