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PROJECTO :” APRENDER SEM RUÍDO”

No documento Plano de Actividades Triénio (páginas 37-40)

EQUIPA COORDENADORA

Anabela Medalho Enfermeira Especialista em Saúde Comunitária Cláudia Arcanjo Técnica Saúde Ambiental

Fernando Guerreiro Médico de saúde Pública Lola Monteiro Técnica Saúde Ambiental Luís Abreu Técnico Saúde Ambiental Rosete Lourenço Técnica Saúde Ambiental

ENQUADRAMENTO

É sobejamente reconhecida a relação existente entre exposição prolongada a ruído excessivo e o aparecimento de surdez.

Este problema tem sido estudado particularmente em contexto laboral, principalmente em ambiente industrial, onde se encontram, por vezes, níveis de ruído muito elevados.

A relação existente com o aparecimento de diversos problemas de saúde, quando a exposição se dá a níveis de ruído inferiores, também tem sido amplamente estudada e provada. São exemplo, a fadiga auditiva, a irritabilidade e agressividade acrescidas, a diminuição de concentração, o cansaço, o aumento do stress, as alterações do padrão de sono, a hipertensão arterial, entre outros.

A industrialização e urbanização crescentes assim como a inovação tecnológica e a mudança de comportamentos que caracterizam a sociedade actual, têm levado a uma exposição cada vez maior e mais precoce ao chamado ruído social.

São exemplo de inovação tecnológica, o aparecimento de aparelhos de alta- fidelidade cada vez mais sofisticados que, ao inibirem qualquer distorção do som, permitem a audição de música a níveis de intensidade sonora cada vez maior, assim como o aparecimento de aparelhos que permitem uma agressão directa no ouvido como os leitores portáteis de cd, i-pods, etc. Estes últimos com a agravante de poderem ser utilizados em qualquer circunstância permitindo uma exposição potencialmente interminável.

A mudança comportamental tem levado a uma utilização de espaços recreativos, como os concertos e as discotecas, cada vez mais frequente e em idades cada vez mais precoces.

Deste modo, a exposição ao ruído social, embora generalizada, terá um impacto maior nos mais jovens.

Mais recentemente, têm sido desenvolvidos diversos estudos que têm demonstrado que o ruído excessivo também estará disseminado nos espaços educacionais.

Este ruído, embora não seja expectável que atinja níveis suficientes para causar lesão auditiva, é suficiente para ter impacto negativo a vários níveis em toda a comunidade escolar, particularmente em professores e alunos.

Os ginásios têm constituído o único espaço escolar onde têm sido encontrados níveis de ruído, muitas vezes, semelhantes aos dos espaços industriais.

As causas principais derivam da mudança de metodologia de ensino, com a introdução de mais equipamentos tecnológicos e maior participação dos alunos, e da alteração do paradigma comportamental por parte dos alunos na sala de aula.

Estes dois últimos factores são os mais importantes porque sabe-se que o maior gerador de ruído nas instituições de educação é a voz humana.

Para além destas fontes internas de ruído, existem fontes externas dependentes do ambiente em que a escola está inserida, e da sua própria organização espacial, cuja repercussão é determinada por factores estruturais, nomeadamente a arquitectura do edifício e das salas de aula. É fundamental que a mensagem oral transmitida pelo professor seja, por um lado, completa e adequadamente percebida pelo aluno e, por outro, que o seja sem esforço suplementar de atenção que possa gerar cansaço, distracção e perda de concentração do aluno.

O nível de ruído existente numa sala de aula tem repercussão óbvia na inteligibilidade da mensagem emitida pelo professor.

Para além do ruído, a inteligibilidade é influenciada pelo tempo de reverberação que é determinado pela reflexão das ondas sonoras nas paredes e diferentes objectos existentes na sala.

Perante um nível de ruído e/ou um tempo de reverberação desadequados o professor vê-se na obrigação de falar mais alto, cerca de 10 dbA em relação ao ruído de fundo, com a consequência provável de aparecimento de problemas da voz relacionados com lesões nas cordas vocais que são, comprovadamente, mais frequentes neste grupo profissional.

Por outro lado, existe a necessidade constante de aplicação de medidas disciplinares com desvio da atenção para outros objectivos que não os da aula.

Tudo isso tem levado à identificação de outros problemas relacionados como a fadiga, desconforto, desmotivação, alterações do sono, etc.

Nos alunos, a consequência mais prejudicial tem-se evidenciado a nível de surgimento de dificuldades de aprendizagem.

As tarefas mais sensíveis ao ruído parecem ser aquelas que envolvem o processamento central e a compreensão da linguagem como a leitura, a atenção, a memória e a resolução de problemas.

Foram demonstrados deficits na atenção sustentada, atenção visual, concentração, discriminação auditiva e percepção da fala com consequente diminuição da performance escolar.

Todos estes efeitos são mais evidentes em idades mais jovens. Porque, por um lado, são geradores de mais ruído por razões comportamentais, e, por outro, são mais sensíveis à redução da inteligibilidade da mensagem do professor. As crianças mais jovens, devido à incapacidade em tirar vantagem do contexto da linguagem, podem perder o conteúdo da mensagem ao não perceberem uma palavra, ao contrário do que, habitualmente, sucede em crianças mais velhas ou no adulto.

Para além disso, as crianças têm uma atenção mais dispersa sendo obrigados a desenvolverem um maior esforço para se manterem focados no estímulo principal (voz do professor) em relação ao estímulo competitivo (ruído).

Estes deficits cognitivos parecem ter uma relação dose-resposta em relação ao nível de ruído o que é favorável à existência de uma relação causal.

Diversos estudos demonstraram que a diminuição do ruído na sala de aula, por melhoria da acústica e/ou por alterações pedagógicas, foi seguida de uma melhoria da performance escolar.

Assim, propomo-nos fazer um diagnóstico de situação do ruído existente nas escolas do ACES Oeste Norte, particularmente nas escolas dos 1º e 2º ciclos onde esperamos que o problema seja mais efectivo.

Para isso, vamos medir a intensidade do ruído, em dBA, e o tempo de reverberação, em segundos, existentes nas salas de aula, refeitórios/cantinas e ginásios das escolas do ACES Oeste Norte integradas em complexos escolares. Os valores que irão servir de padrão são os recomendados pela OMS, ou seja, 35-45 dBA e 0,4 segundos para as salas de aula, para a intensidade do ruído e tempo de reverberação respectivamente, para além de sabermos que níveis de ruído de 55 dBA e de 85 dBA são suficientes para provocar o aparecimento de problemas de saúde e de surdez, respectivamente.

OBJECTIVOS

i. Avaliar os níveis de ruído e tempo de reverberação nas escolas do 1.º e 2.º Ciclo (com diferentes localizações);

ii. Identificar os níveis de ruído nos diferentes espaços escolares e nos diferentes ciclos;

iii. Apresentar propostas de medidas correctivas.

DESCRIÇÃO DO PROGRAMA

No documento Plano de Actividades Triénio (páginas 37-40)

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