5 MODELAGEM CONCEITUAL DE UM SISTEMA DE APOIO À DECISÃO PARA
5.3 Estrutura de desenvolvimento do Sistema de Apoio à Decisão para
5.3.1 Descrição dos elementos dispostos no Domínio do Problema
Para uma melhor compreensão da estrutura conceitual do modelo SADGESTOR mostrada na figura 5.3, apresenta-se, a seguir, uma descrição dos elementos que a compõem, de acordo com as especificidades que envolvem a inserção de cada um deles. Dessa forma, primeiramente, é apresentada a descrição das etapas que compõem o domínio do problema, conforme segue:
I. O Problema: Apoio à Decisão em Logística.
Do ponto de vista do processo decisório num ambiente logístico, o uso adequado da infra-estrutura e equipamentos do sistema de transporte é condição essencial para se obter ganhos com a redução dos custos e maior satisfação dos clientes. Nesse sentido, o primeiro elemento tratado pelo modelo SADGESTOR refere-se ao problema considerado na concepção do modelo, o qual diz respeito ao apoio à decisão dos gestores de logística num sistema de transporte multimodal (vias e terminais). Essas decisões envolvem diversos aspectos relativos às atividades, aos agentes e ao meio físico, considerados num sistema logístico, como também, aos seus efeitos sobre a eficiência e produtividade de um serviço ou rota de transporte. Com esse propósito, a solução do problema pode ser obtida a partir da avaliação de todos os elementos que constituem o sistema, de modo a orientar os gestores na seleção da melhor alternativa dentre as opções disponíveis, para obterem a máxima eficiência logística no escoamento de produtos pelos canais de exportação.
II. Descrição das Atividades de Gestão Logística
Na fase subseqüente do domínio do problema, o modelo SADGESTOR trata da descrição das atividades de gestão logística, que constituem o universo decisional, envolvendo conhecimentos peculiares ao sistema de transporte (agentes, infra-estrutura e equipamentos) e das atividades complementares, tais como: transbordo, desembaraço aduaneiro e alfandegário, armazenagem, inventário, comunicação de dados, etc. É fundamental, portanto, que no modelo seja previsto um levantamento e análise dessas atividades, para se formatar o conjunto de atributos que os gestores, no nível estratégico, consideram para avaliar as alternativas de rotas ou serviço de que dispõem nos corredores de transporte multimodal e tomarem suas decisões, visando ganhos de produtividade e custos.
III. Caracterização do Ambiente Logístico:
Nesta fase é analisado o conjunto de elementos que subsidiam a caracterização do ambiente logístico, tratando dos seguintes temas: Infra-estrutura,
Legislação, Políticas Públicas, Tipos de Atores, Inter-relacionamento entre os Atores, Experiências Vividas, Análise de Cenários. O estudo desses temas conduz à
construção de um referencial de análise e julgamento, necessários à fundamentação dos conceitos e critérios que subsidiarão a tomada de decisão dos gestores. O conhecimento desses temas e suas nuances inerentes ao estado da prática possibilita a identificação dos componentes do sistema logístico e fundamenta a formulação de decisões, seja para a situação atual, seja para cenários futuros. Assim sendo, essa fase deve ser conduzida, no sentido de:
i. definir os principais canais de fluxos de cargas;
ii. caracterizar os inter-relacionamentos entre os principais atores do sistema logístico de exportação;
iii. especificar os principais modais e rotas;
iv. descrever, sucintamente, o sistema de gestão governamental e suas ações na formulação e implementação de políticas públicas, orientadas para a logística em canais de exportação;
IV. Situação Atual e Cenário Futuro.
Estes componentes referem-se a uma descrição sintetizada do sistema em análise, considerando a situação atual e cenário futuro de implementação de melhorias ou novos projetos no sistema de transporte para determinado horizonte de tempo.
V. Identificação e seleção dos atributos e alternativas para o Processo Decisório.
Ao se estabelecer as principais características do processo de decisório, uma questão fundamental tratada no modelo SADGESTOR refere-se à identificação dos atributos e alternativas que incorporam o painel de análises à disposição dos gestores para subsidiar suas decisões. Este componente possui uma interface direta e recíproca com os gestores, especialmente quanto aos atributos requeridos, porquanto é essencial considerar o feedback da experiência desses atores-chave no processo decisório. Para os atributos, é, também, relevante considerar os resultados de estudos desenvolvidos por especialistas e pesquisadores da área, no Brasil e no mundo. No que diz respeito às alternativas, elas são analisadas e configuradas a partir da infra-estrutura e equipamentos disponíveis nas alternativas de rotas dos corredores de transporte que servem aos canais de exportação.
VI. Tomada de Decisão.
Este componente representa exclusivamente o momento em que o gestor é requerido a proferir sua decisão sobre a escolha da melhor rota, dentre as alternativas disponíveis, com base nos atributos que caracterizaram tais alternativas, segundo seus pontos de vista, emergidos das experiências vivenciadas em decisões anteriores ou embasados nos resultados apontados por essa pesquisa. Entretanto, embora ele integre o domínio do problema, o componente relacionado à tomada de decisão somente é requerido na fase final de aplicação do modelo, pois, a sua implementação é possibilitada pelo conjunto de análises e meios considerados nos três domínios da estrutura conceitual.
Em decorrência da decisão tomada, a solução é apresentada com um detalhamento esquemático da rota escolhida, incluindo os indicadores que a caracterizaram como a melhor alternativa de escolha.
VIII. Implementação.
Este componente consiste na fase final do modelo, no qual a solução advinda da decisão do gestor é implementada. Todavia, para o aprimoramento de análises futuras, o modelo prevê ajustes nas variáveis de entrada (atributos e alternativas), caso se observe alterações ou inconsistência nos julgamentos dos atributos, por exemplo, ou novas rotas passem a compor o painel de alternativas do sistema de transporte multimodal; fato que, provavelmente, deve interferir na otimização dos resultados.