O presente algoritmo produzir´a uma seq¨uˆencia de pontos interiores a regi˜ao Ω que converge a uma solu¸c˜ao do problema de complementaridade mediante a resolu¸c˜ao de um sistema linear e uma busca linear nas restri¸c˜oes x ≥ 0 , F (x) ≥ 0 e na fun¸c˜ao potencial φ(x). A busca que iremos utilizar ´e a de Armijo. Vamos considerar os seguintes parˆametros:
c, ² > 0, ρ0, η, ν ∈ (0, 1), β ∈ (1, 2]. Dados iniciais: x0 ∈ Ω estritamente vi´avel tal
que φ(x0) ≤ c e k = 0.
1. Passo 1: Dire¸c˜ao de Busca. Resolva o sistema
[DF (xk)+ Dxk∇F (xk)]dk = −H(xk) + ρkE,
onde ρk = ρ0φ(x
k)β
n . 2. Passo 2: Busca linear.
Define-se o tamanho do passo tk como sendo o primeiro valor da seq¨uˆencia
{1, ν, ν2, ν3, ...} satisfazendo
1) xk+ tkdk ≥ 0
2) F (xk+ tkdk) ≥ 0
3) φ(xk) + tkη∇φ(xk)tdk≥ φ(xk+ tkdk)
3. Passo 3: Atualiza¸c˜ao dos Dados xk+1 := xk+ tkdk e k := k + 1
4. Passo 4: Crit´erio de parada Se φ(xk+1) < ² , pare.
caso contr´ario volte ao passo 1.
Neste algoritmo podemos destacar dois pontos importantes. Primeiro ´e o calculo da dire¸c˜ao de busca e o segundo ´e busca linear. No passo 1 determinamos a dire¸c˜ao
de busca dk por meio da resolu¸c˜ao de um sistema linear. Este sistema fornece uma dire¸c˜ao dk que ´e uma combina¸c˜ao da dire¸c˜ao de Newton dk
1 e da dire¸c˜ao de restaura¸c˜ao dk
2.
A dire¸c˜ao de Newton dk
1 ´e uma dire¸c˜ao de descida para a fun¸c˜ao potencial φ(xk) dentro da regi˜ao Ω, como j´a visto o grande inconveniente de usarmos esta dire¸c˜ao para achar o pr´oximo ponto da seq¨uˆencia ´e que esta dire¸c˜ao n˜ao ´e em geral uma dire¸c˜ao vi´avel na regi˜ao Ω. A dire¸c˜ao dk
2 por sua vez ´e uma dire¸c˜ao de restaura¸c˜ao que tem a propriedade de ser vi´avel na regi˜ao Ω, porem n˜ao ´e em geral uma dire¸c˜ao de descida para fun¸c˜ao potencial φ(xk). Mas a combina¸c˜ao destas duas dire¸c˜oes nos fornece uma dire¸c˜ao dk que tem a propriedade de ser uma dire¸c˜ao de descida da fun¸c˜ao potencial φ(xk) e vi´avel na regi˜ao Ω como mostrado nas proposi¸c˜oes 3.1.2 e 3.1.3.
Desta forma ´e poss´ıvel gerar uma seq¨uˆencia de pontos com a dire¸c˜ao dk onde cada ponto desta seq¨uˆencia esta contido em Ω e ainda decresce o valor da fun¸c˜ao potencial φ(xk). Isto ´e poss´ıvel por meio de uma busca linear na dire¸c˜ao de dk que ´e justamente o segundo passo. A busca linear determina o pr´oximo ponto da seq¨uˆencia, xk+1, que verifica duas condi¸c˜oes xk+1 ∈ Ω e φ(xk+1) ≤ φ(xk). ´E importante na busca linear que o comprimento do passo tk n˜ao tenda a zero pois isso comprometer´a na convergˆencia do algoritmo.
Para a aplica¸c˜ao do algoritmo ´e muito importante termos as seguintes condi¸c˜oes:
• Um ponto inicial x0 estritamente vi´avel.
• O conjunto Ω ⊂ IRn ter interior n˜ao vazio.
• A matriz ∇H(x) ser n˜ao singular para x ∈ Ω.
Portanto o que faremos a seguir ´e estabelecer condi¸c˜oes para que os passos 1 e 2 do algoritmo FDA-NCP estejam bem definidos e ainda garanta que a seq¨uˆencia gerada por eles convirja a uma solu¸c˜ao do problema de complementaridade.
Cap´ıtulo 4
Convergˆencia Global do
FDA-NCP
Nesta se¸c˜ao apresentaremos resultados te´oricos sobre a convergˆencia global do Algoritmo FDA-NCP a uma solu¸c˜ao do problema de complementaridade. Lembrando que o Algoritmo dever´a gerar uma seq¨uˆencia de pontos {xk} ⊂ Ω, a
partir de um ponto estritamente vi´avel, e a cada itera¸c˜ao dever´a reduzir o valor da fun¸c˜ao potencial φ(xk). Para tal, o algoritmo produzir´a uma dire¸c˜ao de busca dk que tem as propriedades de ser uma dire¸c˜ao vi´avel em Ω e de descida para a fun¸c˜ao potencial φ(x). Mostraremos que esta dire¸c˜ao dk ´e um campo uniforme de dire¸c˜oes vi´aveis e limitado. O passo da busca de Armijo para a fun¸c˜ao potencial φ(x) ´e limitado inferiormente por um valor positivo.
Assumiremos condi¸c˜oes cl´assicas para a fun¸c˜ao F (x), a matriz ∇H(x) e o conjunto de pontos vi´aveis Ω.
Suposi¸c˜ao 4.0.1 O conjunto
Ωc≡ {x ∈ Ω | φ(x) ≤ c} ´e compacto e possui interior Ω0
c 6= ∅, tal que para cada x ∈ Ω0
c satisfaz x > 0 e F (x) > 0.
Suposi¸c˜ao 4.0.2 A fun¸c˜ao F (x) ´e continuamente diferenci´avel e ∇F (x) satisfaz a
condi¸c˜ao de Lipschitz,
para qualquer x, y ∈ Ωc, onde γ0 ´e uma constante positiva.
Suposi¸c˜ao 4.0.3 A matriz ∇H(x) ´e n˜ao singular para todo x ∈ Ωc, ou seja, existe
(∇H(x))−1 para todo x ∈ Ωc.
A suposi¸c˜ao 4.0.1 garante a existˆencia de pontos estritamente vi´aveis em Ωc. Da suposi¸c˜ao 4.0.3 temos que as componentes de x e F (x) n˜ao se anulam simultaneamente para nenhum x ∈ Ωc. Temos tamb´em que o sistema de equa¸c˜oes do algoritmo
∇H(xk)dk = −H(xk) + ρkE,
possui solu¸c˜ao ´unica, logo a dire¸c˜ao dk est´a bem definida.
Como ∇F (x) ´e cont´ınua segue que tanto ∇H(x) quanto (∇H(x))−1 s˜ao aplica¸c˜oes cont´ınuas e limitadas em Ωc. Ou seja existem constantes positivas κ0, κ tal que k∇H(x)k ≤ κ0 e k(∇H(x))−1k ≤ κ para todo x ∈ Ωc.
4.1 Resultados de Convergˆencia
Nos resultados a seguir assumiremos as suposi¸c˜oes (4.0.1 - 4.0.3). Primeiro veremos resultados com respeito a F (x) e a equa¸c˜ao do sistema H(x) = x • F (x).
Lema 4.1.1 Seja um subconjunto Γ ⊂ <n compacto e n˜ao vazio. Ent˜ao as fun¸c˜oes F (x), H(x) = x • F (x) satisfazem a condi¸c˜ao de Lipschitz em Γ.
Prova.:
Primeiro observe que como F (x) ´e de classe C1ent˜ao H(x) = x•F (x) ´e de classe C1
tamb´em. Temos tamb´em que ∇Fi(x) ´e cont´ınua para todo i ∈ {1, 2, ..., n} e como Γ ´e compacto ent˜ao ∇Fi(x) ´e limitado em Γ. Existe CFi constante positiva tal que , k∇Fi(x)k ≤ CFi para todo x ∈ Γ. Assim dados x , y em Γ tal que o seguimento
x + t(y − x) ∈ Γ para todo t ∈ [0, 1] e para qualquer i ∈ {1, 2, ...n}. Segue pelo
teorema do valor m´edio
para algum τ ∈ [0, 1]. Portanto, para qualquer i ∈ {1, 2, ...n}, Fi(x) satisfaz a condi¸c˜ao de Lipschitz
|Fi(y) − Fi(x)| ≤ CFiky − xk.
De forma an´aloga temos o mesmo resultado para Hi(x).
|Hi(y) − Hi(x)| ≤ CHiky − xk.
Tomando CF =Pni=1CFi, podemos concluir que
kF (y) − F (x)k ≤ n X i=1 |Fi(y) − Fi(x)| ≤ n X i=1 CFiky − xk = CFky − xk.
Tamb´em de maneira an´aloga segue que
kH(y) − H(x)k ≤ n X i=1 |Hi(y) − Hi(x)| ≤ n X i=1 CHiky − xk = CHky − xk, onde CH =Pni=1CHi.
Lema 4.1.2 Seja um subconjunto Γ ⊂ <n compacto e n˜ao vazio. Ent˜ao a fun¸c˜ao ∇H(x) satisfaz a condi¸c˜ao de Lipschitz em Γ.
Prova:
Dados x , y em Γ ent˜ao: (∇H(x) = DF (x)+ Dx∇F (x))
||∇H(y) − ∇H(x)|| = ||DF (y)+ Dy∇F (y) − DF (x)− Dx∇F (x)|| ≤ ≤ ||DF (y)− DF (x)|| + ||Dy∇F (y) − Dx∇F (x)|| ≤
≤ ||DF (y)− DF (x)|| + ||Dy(∇F (y) − ∇F (x))|| + ||(Dy− Dx)∇F (x)|| ≤
≤ ||DF (y)− DF (x)|| + ||Dy||||∇F (y) − ∇F (x)|| + ||∇F (x)||||Dy − Dx||.
Como Γ ´e compacto e ∇F (x) ´e uma fun¸c˜ao continua, ent˜ao existem uma constante positiva tal que ||Dz|| ≤ c0 e ||∇F (z)|| ≤ c1∀z ∈ Γ e da suposi¸c˜ao 4.0.2 temos
||∇H(y) − ∇H(x)|| ≤ CFky − xk + c0γ0ky − xk + c1ky − xk = γky − xk,
Lema 4.1.3 Para x, y ∈ Γ, se o seguimento de reta x + t(y − x) ∈ Γ para todo
t ∈ [0, 1], segue as seguintes desigualdades:
Hi(y) ≤ Hi(x) + ∇Hi(x)(y − x) + γ||y − x||2 ∀ 1 ≥ i ≥ n , (1.1)
Hi(y) ≥ Hi(x) + ∇Hi(x)(y − x) − γ||y − x||2 ∀ 1 ≥ i ≥ n , (1.2)
onde ∇Hi(x) ´e um vetor linha. Prova:
Observe primeiro que: ∇H(x) ´e uma matriz com a i-esima linha igual a ∇Hi(x) logo
∇Hi(x)d = [∇H(x)d]i.
Assim temos que
|∇Hi(x)d| ≤ k∇H(x)dk ≤ ||∇H(x)||kdk. (1.3) Ent˜ao pelo teorema do valor m´edio existe τ ∈ [0, 1] tal que
Hi(y) = Hi(x) + ∇Hi(x + τ (y − x))(y − x).
agora somando e subtraindo ∇Hi(x)(y − x) no segundo membro da igualdade temos
Hi(y) = Hi(x) + ∇Hi(x)(y − x) + (∇Hi(x + τ (y − x)) − ∇Hi(x))(y − x). (1.4) Da equa¸c˜ao (1.3) temos
|(∇Hi(x + τ (y − x)) − ∇Hi(x))(y − x)| = |[(∇H(x + τ (y − x)) − ∇H(x))(y − x)]i| ≤ ≤ k∇H(x + τ (y − x)) − ∇H(x)kky − xk,
e pelo lema 4.1.2 segue
|(∇Hi(x + τ (y − x)) − ∇Hi(x))(y − x)| ≤ γkτ (y − x)kky − xk ≤ γky − xk2. (1.5)
Portanto da equa¸c˜ao (1.4) e da desigualdade (1.5) segue as duas desigualdades do lema (1.1) e (1.2).
Os resultados a seguir provaram que a dire¸c˜ao de busca gerada pelo algoritmo FDA-NCP ´e: limitada; uma dire¸c˜ao de descida ; e constitui um campo uniforme
de dire¸c˜oes vi´aveis. Lembrando que ρk = ρ0φ(xnk)β onde ρ0 = α min{1, 1
cβ−1} com β ∈ [1, 2] , α ∈ (0, 1) e xk ∈ Ωc.
Lema 4.1.4 Para qualquer xk ∈ Ωc, da dire¸c˜ao de busca dk gerada pelo algoritmo satisfaz
kdkk ≤ κφ(xk). (1.6)
Como conseq¨uˆencia, kdkk ≤ κc.
Prova:
Seja xk ∈ Ωc. Como dk = M−1(xk)[−H(xk) + ρkE], temos a seguinte desigualdade kdkk ≤ kM−1(xk)kk−H(xk)+ρkEk. Basta mostrar uma limita¸c˜ao para k−H(xk)+
ρkEk. Tome a seguinte igualdade
k − H(xk) + ρkEk2 = kH(xk)k2− 2ρkφ(xk) + n(ρk)2.
Como kH(xk)k2 ≤ φ2(xk)k para todo xk∈ Ωc temos que
k − H(xk) + ρkEk2 ≤ φ2(xk) − 2ρkφ(xk) + n(ρk)2 = (n − 1)(ρk)2+ (φ(xk) − ρk)2, como ρk = ρ0φ(xk)β n e ρ0φ(xk)β−1 < 1 segue k − H(xk) + ρkEk2 ≤ [(n − 1)(ρ0φ(x k)β−1)2+ (n − ρ0φ(xk)β−1)2 n2 ]φ(xk)2,
observe que (n − 1) < (n − ρ0φ(xk)β−1) < n e (ρ0φ(xk)β−1)2 < ρ0φ(xk)β−1 < 1 ent˜ao
[(n − 1)(ρ0φ(x
k)β−1)2+ (n − ρ0φ(xk)β−1)2
n2 ] < n − ρ0φ(x
k)β−1
n < 1.
Assim temos a seguinte desigualdade
k − H(xk) + ρkEk ≤ φ(xk) , ∀xk ∈ Ωc.
Portando, segue daqui as desigualdades do lema kdkk ≤ κφ(xk) e kdkk ≤ κc para
Lema 4.1.5 A dire¸c˜ao de busca dk ´e uma dire¸c˜ao de descida para φ(xk) para
qualquer xk∈ Ωc tal que H(xk) 6= 0. Prova:
Como φ(xk) ´e continuamente diferenci´avel basta verificarmos que ∇φ(xk)dk < 0
para qualquer xk ∈ Ωc tal que H(xk) 6= 0 para concluirmos que dk ´e dire¸c˜ao de descida.
Observe que ∇φ(xk) = Et∇H(xk), assim
∇φ(xk)dk = Et[∇H(xk)dk] = Et[−H(xk) + ρkE] = −(1 − ρ0φ(xk)β−1)φ(xk) < 0 o que conclui o resultado.
Lema 4.1.6 Sejam f e g fun¸c˜oes reais cont´ınuas no intervalo da reta [0, b]. Se
f (t)g(t) > 0 ∀ t ∈ (0, b) ent˜ao uma das duas condi¸c˜oes ocorre:
1) f (t) ≥ 0 e g(t) ≥ 0 ∀ t ∈ [0, b], 2) f (t) ≤ 0 e g(t) ≤ 0 ∀ t ∈ [0, b].
Prova.: ´E f´acil ver que f e g tem o mesmo sinal no intervalo (0, b). Pois caso contr´ario, existiria um t ∈ (0, b) tal que f (t)) < 0 e g(t) > 0 o que implicaria
f (t)g(t) < 0 que ´e uma contradi¸c˜ao.
Agora se existe um t ∈ (0, b) tal que
f (t) > 0 e g(t) > 0 ∀ t ∈ (0, t), f (t) < 0 e g(t) < 0 ∀ t ∈ (t, b).
Pela continuidade da f (t) (g(t)) temos que f (t) = 0 (g(t) = 0) o que ´e uma contradi¸c˜ao pois por hip´otese f (t)g(t) > 0 para todo t no intervalo (0, b). Logo f e
g ter˜ao o mesmo sinal em todo intervalo (0, b).
10) f (t) > 0 e g(t) > 0 ∀ t ∈ (0, b), 20) f (t) < 0 e g(t) < 0 ∀ t ∈ (0, b).
No caso de termos 10) isto implica em f (0) , g(0) , f (b) e g(b) ≥ 0. No caso de termos 20) isto implica em f (0) , g(0) , f (b) e g(b) ≤ 0.
Isto ´e verdade pois, sem perda de generalidade, vamos assumir que estamos com a condi¸c˜ao 10) e supor f (b) < 0. Pela continuidade f existe um δ > 0 tal que para todo t que satisfa¸ca |b − t| < δ implica que f (t) < 0, ou seja, existe um t < b tal que
f (t) < 0 o que ´e uma contradi¸c˜ao. Portanto conclu´ımos que uma das duas condi¸c˜oes
se verifica:
1) f (t) ≥ 0 e g(t) ≥ 0 ∀ t ∈ [0, b], 2) f (t) ≤ 0 e g(t) ≤ 0 ∀ t ∈ [0, b].
Lema 4.1.7 A seq¨uˆencia de dire¸c˜ao {dk} gerada pelo algoritmo FDA-NCP, consiste em um campo uniforme de dire¸c˜oes vi´aveis do problema de complementaridade em
Ω. Prova:
Segue da equivalˆencia de normas e do lema 4.1.2 que
k∇Hi(y) − ∇Hi(x)k ≤ γky − xk para todo x , y ∈ Ωc e 1 ≤ i ≤ n.
Suponhamos que exista θ > 0 tal que para todo xk ∈ Ωc o seguimento [xk, xk+ τ dk] ⊂ Ωc para τ ∈ [0, θ]. Do teorema do valor m´edio temos que
Hi(xk+ τ dk) ≥ Hi(xk) + τ ∇Hit(xk)dk− τ2γkdkk2
para qualquer τ ∈ [0, θ] e 1 ≤ i ≤ n. Como
∇Hi(xk)dk = −xkiFi(xk) + ρk (1.7) segue que
Em conseq¨uˆencia,
Hi(xk+ τ dk) ≥ 0
para todo 1 ≤ i ≤ n e qualquer τ ≤ min{1,γkdρkkk2}. Portanto, pelo lema 4.1.6
conclu´ımos que xk+ τ dk ∈ Ω.
Considerando agora o lema 4.1.4, e pela defini¸c˜ao de ρk temos
τ ≤ min{1, ρ0
γnκ2φ(xk)β−2} (1.8)
Como β ∈ [1, 2], basta escolher
θ = min{1,ρ0cβ−2 γnκ2 }.
Lema 4.1.8 Existe ξ > 0 tal que, para todo xk ∈ Ωc, a condi¸c˜ao de Armijo no algoritmo ´e satisfeita para qualquer tk ∈ [0, ξ].
Prova:
Seja tk ∈ (0, θ], onde θ foi obtido no lema anterior. Aplicando o Teorema do Valor
M´edio para i = 1, 2, ..., n e tomando xk+1 = xk+ tkdk, nos temos
Hi(xk+1) ≤ Hi(xk) + tk∇[H(xk)]idk+ tk2
γkdkk2.
Somando as n inequa¸c˜oes e considerando a equa¸c˜ao (1.7), temos:
φ(xk+1) ≤ [1 − (1 − ρkn
φ(xk))t
k]φ(xk) + ntk2
γkdkk2.
Considerando agora da condi¸c˜ao de Armijo para φ(xk) e pelo lema 4.1.5, deduzimos que se, [1 − (1 − ρkn φ(xk))t k]φ(xk) + ntk2 γkdkk2 ≤ [1 − tkη(1 − ρkn φ(xk))]φ(x k)
´e verificado, ent˜ao a condi¸c˜ao de Armijo no algoritmo ´e satisfeita. Assim, ´e suficiente tomarmos
tk ≤ (1 − η)(1 −
ρkn
φ(xk))φ(xk)
Como no lema anterior, podemos tomar
tk ≤ (1 − η)(1 − ρ0φ(xk)β−1)φ(x k)−1
γnκ2 . (1.9)
Assim, o lema fica provado para
ξ = min{(1 − η)(1 − ρ
0cβ−1)
γnκ2c , θ},
onde θ foi obtido no Lema 4.1.7.
Como conseq¨uˆencia dos lemas 4.1.7 e 4.1.8, podemos concluir que o passo da busca linear de Armijo no algoritmo FDA-NCP ´e limitado inferiormente por νξ > 0. Assim podemos enunciar o teorema que garante a convergˆencia global do algoritmo a uma solu¸c˜ao do problema de complementaridade.
Teorema 4.1.1 Dado um ponto inicial estritamente vi´avel, x0 ∈ Ωc, existe uma subseq¨uˆencia de {xk} gerada pelo Algoritmo FDA-NCP que converge para x∗, solu¸c˜ao do problema de complementaridade.
Prova:
Segue dos lemas 4.1.4 a 4.1.8 que {xk} ⊂ Ωc. Como Ωc ´e compacto, a seq¨uˆencia
{xk} possui ponto de acumula¸c˜ao em Ωc. Seja x∗ um ponto de acumula¸c˜ao desta seq¨uˆencia. Como o tamanho do passo ´e sempre positivo e limitado inferiormente por
νξ, conclu´ımos que kdkk → 0. E do sistema do algoritmo temos que {φ(xk)} → 0. Assim, x∗ ´e uma solu¸c˜ao do problema de complementaridade.
Cap´ıtulo 5
Problema de Complementaridade
Mista
5.1 Id´eias B´asicas
Vamos extender o FDA-NCP para problemas que envolvam mais vari´aveis e uma condi¸c˜ao de igualdade al´em da condi¸c˜ao de complementaridade. Este tipo de problema ´e chamado de Problema de Complementaridade Mista (MNCP). Que tem a seguinte defini¸c˜ao:
Defini¸c˜ao 5.1.1 Sejam F : IRn× IRm → IRn e Q : IRn× IRm → IRm, aplica¸c˜oes de classe C1 em IRn× IRm ent˜ao uma solu¸c˜ao para este problema ´e:
Encontrar (x, y) ∈ IRn× IRm tal que x ≥ 0 , F (x, y) ≥ 0 e
x • F (x, y) = 0 Q(x, y) = 0.
Quando F (x, y) e Q(x, y) s˜ao lineares temos o Problema de Complementaridade Mista Linear (MLCP).
Para a utiliza¸c˜ao do algoritmo FDA-NCP no problema 5.1.1 vamos agregar no sistema H(x, y) = 0, onde H(x, y) = x•F (x, y), a equa¸c˜ao de igualdade Q(x, y) = 0. Assim o novo sistema fica da seguinte forma:
S(x, y) = H(x, y) Q(x, y) = x • F (x, y) Q(x, y) = 0 (1.1)
Tomando Ω = {(x, y) ∈ IRn× IRm / x ≥ 0 e F (x, y) ≥ 0} e a fun¸c˜ao potencial f (x, y) = φ(x, y) + kQ(x, y)k2, onde φ(x, y) = xTF (x, y). Vamos procurar uma
solu¸c˜ao para o sistema (1.1) na regi˜ao Ωc = {(x, y) ∈ Ω / f (x, y) ≤ c}. Da mesma forma como no algoritmo FDA-NCP vamos construir uma seq¨uˆencia de pontos que converge para uma solu¸c˜ao do sistema (1.1). ´E f´acil ver que:
(x, y) ´e uma solu¸c˜ao de MNCP ⇔ (x, y) ´e solu¸c˜ao do sistema 1.1 em Ω. O gradiente de S(x, y) ´e dado pela express˜ao:
∇S(x, y) = ∇xH(x, y) Dx∇yF (x, y) ∇xQ(x, y) ∇yQ(x, y)
onde ∇xH(x, y) = DF (x,y) + Dx∇xF (x, y). Aplicando simplesmente uma itera¸c˜ao
de Newton para o sistema (1.1) n˜ao garante que a dire¸c˜ao d seja vi´avel em Ω assim pelos mesmos argumentos apresentados no algoritmo FDA-NCP, podemos obter uma dire¸c˜ao de busca vi´avel em Ω resolvendo o seguinte sistema:
∇xH(xk, yk) Dxk∇yF (xk, yk) ∇xQ(xk, yk) ∇yQ(xk, yk) dk = −xk• F (xk, yk) + ρkE1 −Q(xk, yk) (1.2) onde ρk = ρ0φ(xk,yk)β n ∈ (0, 1), φ(xk, yk) = xk • F (xk, yk), ρ0 = α min{1, 1 cβ−1}, α ∈ (0, 1) e β ∈ [1, 2] para todo (xk, yk) ∈ Ωc. Definimos o seguinte vetor coluna
E = E1 E0 com E1 = [1, 1, ..., 1]T ∈ IRn e E0 = [0, 0, ..., 0]T ∈ IRm. Assim, o sistema na sua forma compacta ´e