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DESENHO INSTITUCIONAL: ESTRUTURA FORMAL E

No documento CURITIBA 2006 (páginas 108-112)

4 DESENHO INSTITUCIONAL E PROCESSO DECISÓRIO

4.1 DESENHO INSTITUCIONAL: ESTRUTURA FORMAL E

INSTITUCIONALIZAÇÃO INFORMAL

Como esperamos ter demonstrado no segundo capítulo deste estudo, o desenho institucional de um arranjo político influi nas possibilidades deliberativas internas, na medida em que conforma as relações que podem ser estabelecidas no interior desses arranjos. Estaremos tentando analisar esta proposição nos voltando, a partir de agora, para o desenho institucional do Fórum de Desenvolvimento de Dois Vizinhos no intuito de entender de que forma ele leva a efeito essas possibilidades. O Estatuto da instituição dá lugar central a Diretoria na administração do Fórum, sendo esta submetida a Assembléia Geral (que reúne sócios fundadores e colaboradores uma vez ao ano para, dentre outras coisas, eleger a Diretoria e o Conselho Fiscal) e ao Conselho Fiscal quando este for solicitado (Fórum de DESENVOLVIMENTO DE DOIS VIZINHOS, ESTATUTO, s/d, Art. 19). O Estatuto rege a existência dos seguintes cargos de composição da diretoria: presidente, vice-presidente, secretário e tesoureiro. No recorte temporal selecionado (2002-2004), a diretoria criou os cargos de Diretor de Promoções e Diretor de Marketing como órgãos executivos da entidade, de modo a termos o seguinte desenho institucional:

Diagrama 1: Desenho Institucional do Fórum de Desenvolvimento de Dois Vizinhos ASSEMBLÉIA GERAL

CONSELHO FISCAL

DEMAIS ASSOCIADOS TESOURARIA

DIRETORIA

SECRETARIA DIRETORIA

EVENTOS DIRETORIA

MARKETING

Uma primeira questão que se nos apresenta é acerca do recrutamento dos participantes tendo em vista a participação na instituição. Em primeira mão, os participantes do Fórum são voluntários que se reúnem para discutir, definir e planejar estratégias de ação para o futuro do município (FÓRUM DE DESENVOLVIMENTO DE DOIS VIZINHOS, PLANO DE DIRETRIZES E PROJETOS s/d, p. 19). Uma primeira consideração, portanto, é o caráter voluntário da participação das pessoas no Fórum. Esses indivíduos acabam ingressando na instituição predominantemente por meio de convite prévio: apenas 14,8% deles disseram não ter recebido qualquer convite para participar, ingressando de maneira autônoma (sendo um de seus fundadores, por exemplo). Acerca desse convite, a maioria dos líderes citou que ele partiu de algum participante específico (47,8% do total dos que receberam convite) ou do Grupo Gestor (39,1% deles). Com relação ao tempo de participação no Fórum, notamos que a quase totalidade das lideranças da instituição ingressou a mais de um ano (92,6%) e que a maioria deles está no Fórum de Desenvolvimento entre um e três anos (55,5%), período referente à consolidação jurídico-institucional do Fórum. Nota-se também o elevado número de sócios fundadores assumindo atividades de liderança na instituição.

TABELA 38: Tempo de participação por Incentivo para ingresso no FDDV31

Tempo de participação Total excludentes, as ordenamos nessa ordem, indicando uma a uma em ordem crescente: a) Político que não participa do Fórum; b) Empresário que não participa do Fórum; c) Um participante específico; d) Grupo Gestor; e) Um GT específico; f) Outros.

A caracterização do desenho institucional feita até aqui nos ajuda a entender uma questão muito importante do funcionamento institucional do Fórum de Desenvolvimento de Dois Vizinhos: o caráter de voluntariado e de abertura à livre participação acaba sendo condicionado a algum tipo de aceitação ou afinidade prévia, dado que a forma de ingresso foi predominantemente o convite. Quanto à estrutura interna, pode-se dizer que, em âmbito estritamente formal, respeita os princípios poliárquicos de exercício do poder.

Contudo, um ponto importante para entendermos o desenho institucional do Fórum de Desenvolvimento diz respeito ao tipo de organização interna procedida pela instituição por ocasião da elaboração do Planejamento Estratégico Dois Vizinhos 2003-2013, dado que a elaboração e operacionalização desse planejamento constitui-se em dimensão essencial do Fórum mediante seus objetivos institucionais32. Em princípio, esta organização interna estruturou-se a partir da dinâmica de formação de Grupos de Trabalho para trabalhar as diversas questões temáticas sobre o desenvolvimento local, estimulando a participação de voluntários em cada um dos Grupos de Trabalho do Fórum. Esses voluntários, por sua vez, foram recrutados de forma autônoma pelos coordenadores de cada GT, dentre sócios e não sócios da instituição; os coordenadores de cada GT, por fim, foram escolhidos por indicação da diretoria, tendo liberdade para compor seu grupo, convidando a participar quem considerassem conveniente. Essa característica aponta para um critério de participação nos GT’s baseado no voluntariado associado a um certo tipo de seletividade tecnocrática, como já explorado nem sessões anteriores (Capitulo V, 1.1, p. 61). Esta característica formaliza-se nos objetivos gerais dos Grupos de Trabalho que, segundo o próprio Planejamento Estratégico (FORUM DE DESENVOLVIMENTO DE DOIS VIZINHOS, S/D, p. 19), “estruturam-se a partir da reunião de pessoas com afinidades e conhecimento para buscar o desenvolvimento do segmento (GT) e das suas diretrizes internas” para então estruturar o trabalho interno e:

a) Organizar o segmento e as diretrizes;

b) Direcionar as ações dentro do segmento e as diretrizes;

c) Canalizar recursos para o desenvolvimento do segmento e as diretrizes;

32 Estaremos discutindo o Planejamento Estratégico de maneira mais completa n próxima sessão.

d) Buscar inovações no mercado;

e) Envolver todos os segmentos da sociedade na busca dos objetivos da mesma;

f) Buscar qualidade de vida;

g) Criar oportunidades de trabalho para manter as pessoas na comunidade;

h) Buscar o desenvolvimento sustentado do município (Idem, ibidem, p. 19).

Esta composição de Grupos de Trabalho (GT’s) visando a elaboração do Planejamento Estratégico Dois Vizinhos 2003-2013, dada a natureza dos objetivos gerais do Fórum, acabou por consolidar-se como uma institucionalidade paralela que veio a se tornar protagonista das principais ações do Fórum de Desenvolvimento.

Tal organização, bem como as dimensões contempladas na visão desenvolvimentista do Fórum de Desenvolvimento pode ser expressa conforme diagrama que segue:

Diagrama 2: Estruturação dos GT’s visando a elaboração do Planejamento Estratégico.

G. T.

A caracterização desta institucionalização paralela nos leva a considerar a forma setorializada de operar do Fórum de Desenvolvimento por ocasião da Formulação do Planejamento Estratégico. Notemos que os objetivos citados expressam basicamente que uma comissão central (Grupo Gestor, formado pela liderança de cada GT) estimula a participação voluntária com a finalidade de organizar segmentos, que por sua vez organizem diretrizes, ações, canalização de recursos, etc. com vistas ao desenvolvimento de um planejamento estratégico elaborado a partir de pequenos grupos. Em outras palavras, o trabalho desenvolve-se num processo de formação de células, a partir do incentivo ao voluntariado por uma célula central, combinando o principio da representação (cada líder de GT participa do Grupo Gestor) com o da participação (discussões internas em cada GT).

Em síntese, a análise do desenho institucional, tanto o formal quanto o originado da dinâmica de elaboração do Planejamento Estratégico nos leva a uma conclusão importante para nossa pesquisa: a forma fragmentada de operar do Fórum de Desenvolvimento de Dois Vizinhos baseada na estrutura de formação de Grupos de Trabalho interligados por uma comissão central estimula o caráter deliberativo da instituição ao motivar um processo de capilarização interna na instituição, ainda que esse processo seja feito de forma direcionada (dado que cada líder de GT escolhe os participantes de seus grupos). Contudo, para entendermos de maneira plena a lógica de ação do Fórum de Desenvolvimento necessitamos ainda somar as características do desenho institucional aqui estudadas com o padrão de características subjetivas exploradas (capital social e valores políticos), numa análise do processo decisório da instituição.

4.2 PROCESSO DECISÓRIO: ANALISANDO O PLANO ESTRATÉGICO DOIS

No documento CURITIBA 2006 (páginas 108-112)