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Desenvolvendo o processo de interferência lexical

3. CAPÍTULO 03 ATIVIDADES ELABORADAS PARA OS ALUNOS A FIM

3.3. Desenvolvendo o processo de interferência lexical

Esclarecimento ao professor: Consultar o dicionário toda vez que se encontra uma palavra desconhecida é uma prática comum adotada por nós, professores. Como já dissemos no capítulo 2, em vez de sugerir que o dicionário seja o primeiro recurso a ser usado quando o aluno não entender o significado de alguma palavra, devemos explorar as pistas do contexto e o conhecimento de mudo do aluno-leitor, por exemplo. Por isso, agora iremos sugerir uma atividade que privilegia a inferência lexical como já fizemos antes para o jornal. Todavia, agora nos utilizaremos de outros tipos de material.

ATIVIDADES PARA OS ALUNOS

Atividade 1: Lendo o guia do paciente oncológico da Clínica Oncomed

1- Muitas vezes, pensando que o leitor pode não entender o significado de alguma palavra, o autor geralmente toma alguma providência para esclarecê-lo. Quer ver? Leia a explicação sobre o que é quimioterapia e como funciona, extraída do guia do paciente oncológico acima referido:

“Chamamos quimioterapia à utilização de drogas ou medicamentos (remédios), com

atividade sobre as células tumorais, com a intenção de destruir e/ou controlar seu desenvolvimento, neste caso, aliviando os sintomas decorrentes do tumor. A quimioterapia pode ser utilizada antes da cirurgia para diminuir o tamanho do tumor e permitir que seja extraído, ou após a cirurgia como tratamento preventivo, diminuindo a probabilidade que as células tumorais desenvolvam tumores em outros órgãos.

(...) As células tumorais são células anormais porque perdem sua capacidade de controlar sua multiplicação e conseqüentemente seu crescimento.”

a) No 1º parágrafo, o autor diz o que significa a expressão destacada? b) Há, no trecho lido, alguma explicação dessa expressão?

c) Como você chegou a essa resposta?

2- Leia o trecho abaixo:

“O tipo de quimioterapia a ser administrado depende do tipo de tumor, da idade do paciente e suas condições gerais de saúde. É comum a utilização de combinações de quimioterápicos, chamado de protocolos que podem ser administrados de várias maneiras:

 Via oral: através de comprimidos;  Via subcutânea: ???

 Via intramuscular: no músculo;

 Via intravesical: nos tumores de bexiga;

 Via intratecal: no espaço raquidiano na coluna vertebral;  Via endovenoso: através da veia por meio de soro.”

a) Assinale a gravura que melhor define o significado do termo “intratecal”. ( )

( )

( )

( )

b) Na explicação do que define o vocábulo subcutânea, retiramos a resposta propositalmente, a fim de que você, aluno, perceba que não será necessário recorrer ao dicionário para descobrir o seu significado. Para tal, observe:

subsolo

sublinhar subchefe

subterrâneo

I- Após a leitura das palavras acima, o que se pode perceber?

II- Tente imaginar o sentido de cada uma dessas palavras. Uma dica: pense na palavra subdesenvolvido. Então, a que conclusão você chegou?

III- Escolha nas opções abaixo, qual o conceito do termo “via subcutânea”. ( ) abaixo do nervo

( ) abaixo do músculo ( ) abaixo da pele; cutis ( ) abaixo da cabeça

3- Leia atentamente o trecho abaixo:

“Alguns medicamentos podem causar dor e, algumas vezes, úlceras ou aftas, irritações nas gengivas e na garganta. Esses sintomas podem dificultar a alimentação. Chamadas de MUCOSITE, aparecem 5 a 10 dias após a quimioterapia, e podem estar associada à radioterapia. Muitas vezes é necessário suspender o tratamento para recuperação da boca que ocorre em poucos dias.”

a)Leia o trecho acima e descubra o significado de MUCOSITE.

b) Quando estamos com a garganta inflamada, o médico diz que estamos com amigdalite. Pensando nisso, faça a ligação:

estomatite inflamação bacteriana da pele

otite inflamação nos tendões

bronquite inflamação na faringe

faringite inflamação no ouvido

celulite inflamação na boca

tendinite inflamação nos brônquios

4- Leia o trecho abaixo. Em seguida, responda ao que se pede:

REDUÇÃO DE PLAQUETAS

“As plaquetas são elementos que bloqueiam a saída de sangue dos vasos sanguíneos em casos de lesão de suas paredes. A queda na contagem de plaquetas (plaquetopenia) pode determinar o surgimento de pequenos sangramentos espontâneos como manchas avermelhadas na pele, sangramento gengival, e outros.”

a) Há, no trecho lido, alguma explicação da palavra “plaquetopenia”? b) Como você chegou a essa resposta?

c) Defina a palavra.

CONCLUSÃO

Gostaria de pedir licença na conclusão para praticar efetivamente o exercício da subjetividade e poder falar na primeira pessoa do singular. Durante muito tempo, eu queria fazer do texto uma leitura instigante, para o questionamento de diferentes aspectos do mundo, mas não sabia como nem por onde começar. Como professora de Língua Portuguesa, percebia que as práticas leitoras por mim desenvolvidas até então não eram motivadoras e quase que exclusivamente se reduziam a mera extração de informação da linha textual. Ou um pretexto para o ensino da metalinguagem, do vocábulo e da frase.

Com o intento de oferecer oportunidades para que o aluno-leitor modele sua própria leitura, tentei mostrar caminhos possíveis para que se possa construir uma nova perspectiva de leitura. Mas como?

A presente dissertação tentou dar uma resposta concreta e prática através de uma proposta de trabalho, levando em conta estratégias de leitura que pudessem de alguma forma ajudar, nas aulas de língua portuguesa, o professor a motivar, no aluno, a criticidade, a autonomia e a competência pela leitura. Estratégias essas que visam a tornar esse aluno um leitor proficiente e capaz de interagir com o texto e posicionar-se frente a ele rumo à busca de significados, que começa na sala de aula e continua concretamente fora dela. Tal fato foi possível graças aos referenciais teóricos apresentados pelo prof. Dr. Maurício da Silva, entre eles o de um grupo de linguistas franceses que se enquadra dentro da Linguística Textual, um campo amplo que tem o texto como objeto de análise.

O grupo de linguistas franceses (Charolles, Combettes, Vigner, Adam, Portine, Coste, Moirand e outros) sobre os quais o prof. Dr. Maurício da Silva vem predominantemente se baseando para construir o seu trabalho com leitura na escola, apresenta uma preocupação com questões didático-pedagógicas, tentando unir a teoria e a prática de ensino.

Como vimos no início do presente trabalho, esses autores se baseiam no estudo da Abordagem global que chama atenção para o fato que de o aluno já traz uma bagagem prévia que pode ser utilizada no ato de ler. Durante o trabalho constatei que, na maioria das vezes, para desenvolver a atividade interpretativa na leitura, era necessário partir do universo já conhecido pelos alunos para introduzi-los a novos conteúdos. Além disso, perceber a verdadeira função da Abordagem global: interligar o verbal e o não verbal, o literário e o não literário, fez as atividades aqui propostas se tornarem um grande diferencial diante de diversos materiais até então já vistos. Não quero dizer com isso que se trata de um trabalho único, pois

já vem sendo desenvolvido, por exemplo, pelo meu orientador. Mas é um trabalho que, segunda a minha experiência, tem traços bastante singulares, uma vez que outros professores, como eu mesma, vivia imersa na prática do experientalismo, sem ter tempo nem possibilidade de mergulhar com mais detença num arcabouço teórico que pudesse fornecer subsídios para a realização de atividades com leitura em que nos sintamos mais seguros.

A adoção desse estudo na composição de nossa pesquisa se deu em função de outro postulado também muito relevante para o grupo de linguistas franceses: a competência comunicativa. Como dissemos no capítulo do referencial teórico, ela não se limita apenas ao conhecimento linguístico, é constituída também de outros componentes e aborda uma perspectiva mais ampla da língua: ela é global.

Fazer ressurgir o uso do objeto-jornal em sala de aula serviu de pretexto para o trabalho com texto de qualquer natureza. Trazendo textos com características distintas, fotografia e recursos gráficos, os jornais são uma fonte respeitada para pesquisa e para a obtenção de informação sobre o mundo atual. Além disso, eles se modernizaram e passaram por reestruturações gráficas e editoriais para proporcionar uma leitura mais agradável de seu conteúdo e hoje possuem uma versão on-line. Sem contar que com o jornal podemos abordar a globalidade da leitura, ao levar sempre em consideração toda a arquitetura textual: gráficos, cores, imagens, fotos, formas, diagramação, etc. uma prática quase incomum em livros didáticos, por exemplo.

Sei que muito mais coisas ainda podem ser feitas no âmbito do ensino da leitura em sala de aula, as atividades e práticas pedagógicas não se esgotam aqui. Constatamos que as práticas leitoras desenvolvidas pela escola refletem diretamente na formação do leitor, uma vez que muitos dos alunos que frequentam classes regulares do ensino fundamental, só encontram no ambiente escolar espaço propício para realizar o ato de ler de forma plena, ou seja, interagindo de forma consciente com o texto escrito. Por isso, quisemos realizar/ mostrar uma visão diferenciada de leitura, pois constatamos que muitas vezes o problema do ensino da leitura na escola não está só no método, mas no próprio conceito do que é leitura e de como ela é vista por nós, professores.

Finalizando, como diz o prof. Dr. Maurício da Silva, no sentido metafórico para tentar explicar a base teórica de nosso estudo, “o pai não está morto”. Ou seja: existe um referencial teórico sobre o ensino do texto e como a leitura deve ser processada em sala de aula. Foi uma busca pelas origens, foi um encontro com o pai.

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