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DESENVOLVIMENTO DOS VALES DO JEQUITINHONHA, MUCURI E NORTE DE MINAS

DESENVOLVIMENTO DOS VALES DO JEQUITINHONHA,

MUCURI E NORTE DE MINAS

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INSTITUTO DE DESENVOLVIMENTO DO NORTE E NORDESTE DE MINAS GERAIS (IDENE)

A Secretaria de Estado Extraordinária para o Desenvolvimento dos Vales do Jequitinhonha, Mucuri, São Mateus e do Norte de Minas (SEDVAN) tem como finalidade fortalecer politicamente a região mineira de economia historicamente deprimida, promover o planejamento, a implementação e a autogestão do processo de desenvolvimento sustentável de um território, e o seu fortalecimento é o objetivo central.

A secretaria incorpora o Instituto de Desenvolvimento do Norte e Nordeste de Minas Gerais (Idene), como órgão operacional, e tem como missão articular, coordenar e deliberar entre os agentes econômicos, institucionais e sociais a implementação e gestão participativa de programas e projetos que assegurem o processo de desenvolvimento sustentável de sua área de abrangência territorial, considerando o conhecimento acumulado dos agentes locais, respeitando suas características e promovendo a transformação das suas potencialidades em riqueza para a região, objetivo este inserido no Plano Mineiro de Desenvolvimento Integrado – PMDI.

A criação desta secretaria foi a primeira experiência de um governo estadual em que um órgão público está inteiramente voltado para o desenvolvimento de um território. Essa região, ocupada por uma população de dois milhões e oitocentas mil pessoas, é caracterizada por uma imensa diversidade cultural e social, que inclui comunidades de acampados e assentados de reforma agrária, assalariados rurais, produtores familiares, proprietários rurais minifundistas, populações tradicionais (ribeirinhas, pescadores artesanais, quilombolas), garimpeiros, povos indígenas, atingidos por barragens, comunidades extrativistas, entre outros, inclusive pelas populações de grandes e modernas cidades, o que exigiu o desenho de uma metodologia inovadora capaz de promover ações públicas para a redução das desigualdades e alcançar amplo desenvolvimento.

A metodologia desenhada é a Gestão Participativa, capaz de promover ações e políticas públicas centradas numa nova ética social, com democracia, inclusão e participação da sociedade, com geração de emprego e renda, em prol do desenvolvimento. Neste esforço, a implementação de políticas regionais estruturantes pela secretaria, voltadas para o desenvolvimento sustentável estão sendo multiplicadoras de efeitos positivos não somente para estas regiões mas também para o restante do Estado.

O Modelo de Gestão Participativa de Distribuição de Responsabilidades surgiu como importante instrumento para a consolidação das relações de confiança entre os vários atores sociais, públicos e privados. A SEDVAN tem como característica fundante a parceria, seja ela com a sociedade civil organizada ou com diversas áreas temáticas, como secretarias e outros órgãos do Estado, que sinalizam para a descentralização administrativa das ações com o foco numa única região e, principalmente, para a aproximação do governo com a cultura de uma região antes esquecida pela ação estatal. Essa estratégia de atuação ampliou enormemente a rede de parceiros e beneficiários, por

Gestão participativa

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envolver a população local nos projetos que são, efetivamente, prioritários para seu desenvolvimento.

Exemplo disso é o expressivo rol de parcerias com o governo federal, universidades e redes sociais, resultando numa grande mobilização dos diversos setores da sociedade civil organizada, incluindo o segmento de tradições religiosas (300 gestores do Cidadão.Net; 1.350 instituições parceiras do Cidadão Nota Dez; 1.800 gestores do Leite pela Vida; 170 gestores do Artesanato em Movimento; 240 agentes de desenvolvimento da Rede Comunidade Viva; 200 estudantes de 13 faculdades do Sorriso no Campo; 1.800 Associações Comunitárias do PCPR/MG.) Há que ressaltar, também, a constatação da eficiência da ação coletiva organizada e efetiva na transparência e controle social sobre os programas e projetos do sistema Sedvan/Idene.

Aproximadamente 600 mil pessoas estão sendo beneficiadas, e recursos da ordem de R$ 112,6 milhões foram aplicados na região, em 2007, por meio dos projetos que envolvem crédito subsidiado para infra-estrutura produtiva e social para as associações de trabalhadores rurais, instalação de equipamentos públicos de produção coletiva e inclusão digital, serviços de monitoria virtual, equipamentos e serviços de combate à desnutrição e de promoção da saúde bucal, capacitação, aquisição e distribuição de produtos alimentícios, incremento da agricultura familiar, apoio ao desenvolvimento do turismo e artesanato da região, além da organização de associações comunitárias por intermédio de um grande projeto de alfabetização.

No que se refere ao combate às desigualdades sociais das regiões norte e nordeste de Minas, o Rede Comunidade Viva visa ao fortalecimento dos projetos e programas do sistema Sedvan/Idene dedicados a essa temática. Sua ação consistiu na realização de três seminários de sensibilização, organização e aprimoramento das institucionalidades dos diferentes projetos e programas, além da publicação de um livro contendo artigos sobre o material pedagógico dos seminários.

O Cidadão.NET é um programa que faz a inclusão digital, por meio de telecentros comunitários, dos cidadãos residentes nos municípios com baixo IDH e alto índice de analfabetismo. Os telecentros comunitários promovem a alfabetização digital, o acesso gratuito à internet, a difusão de informações públicas, bem como o uso das tecnologias da informação e da comunicação para processar e produzir conhecimentos e implantar campanhas e ações comunitárias com vistas à melhoria da qualidade de vida das pessoas. Desde que foi implementado, já foram capacitados aproximadamente 700 jovens, Educadores.NET, que atuam como multiplicadores da inclusão digital a serviço da cidadania e efetivam a gestão participativa e o processo de apropriação dos telecentros, que inclui representantes de vários segmentos da sociedade. O Cidadão.NET já incluiu cerca de 18 mil pessoas no universo digital, com a implantação de 110 telecentros e investimentos da ordem de R$ 8 milhões. Em 2007, foram investidos R$ 1,3 milhão.

A inclusão social também é promovida por intermédio do programa Cidadão Nota Dez, que trata a alfabetização como um processo que Mobilização

dos diversos setores sociais

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potencializa a emancipação social das comunidades para a gestão de políticas sociais, por meio da construção participativa de um modelo de gestão alternativo, incentivando a politização para a cidadania ativa, buscando o entendimento da força da participação coletiva, da formulação de alternativas ao desenvolvimento e geração de trabalho e renda, a partir da sala de alfabetização. O plano de capacitação continuada foi, em 2007, dirigido às equipes pedagógicas e a toda a rede de gestão do Cidadão Nota Dez, com a capacitação de 1.393 parceiros entre alfabetizadores, gestores, coordenadores e supervisores, para a consolidação de 17 Núcleos de Apoio à Alfabetização, Inclusão Social e Cidadania. Ele abrange os 188 municípios que compõem a área de atuação da Sedvan/Idene, já atingiu 200 mil pessoas e alfabetizou 86 mil jovens e adultos até a conclusão da IV fase, em 2007. Os investimentos foram de R$ 8.155.000,00. Em fevereiro de 2008 se inicia a V fase, que pretende atingir 100 mil pessoas.

O Leite pela Vida visa diminuir os índices de desnutrição e mortalidade infantil e gerar emprego e renda, por meio da compra local de alimentos, no segmento da agricultura familiar, com garantia de preço e distribuição de 150 mil litros/dia de leite a famílias que possuam crianças entre seis meses e seis anos de idade, nutrizes, gestantes e idosos acima de 60 anos. Atualmente, a rede de captação do leite conta com 39 laticínios e cooperativas que recebem R$ 1,00 por litro de leite e se encarregam de fazer o repasse de R$ 0,50 por litro aos 4.887 pequenos produtores habilitados. O programa está no quinto módulo e atinge 193 municípios. Em 2007, foram capacitados agentes para formação dos 193 Comitês Gestores do Leite. Os investimentos foram de R$ 54.350.000,00.

O Sorriso no Campo promove a melhoria generalizada na saúde bucal da população residente na zona rural, por meio de ações odontológicas preventivas e educativas, realizadas por estudantes de odontologia, no período de férias escolares. Desde que foi implementado, há quatro anos, o programa prestou atendimento a mais de 250 mil pessoas, com a participação de mil estudantes e distribuição de mais de 500 mil kits de prevenção. Nas duas etapas, 200 municípios foram atendidos e cerca de 60 mil pessoas foram beneficiadas. Participaram 400 estudantes de 13 faculdades parceiras. Na etapa realizada em julho de 2007, cerca de 20 municípios que não pertencem à área de atuação do sistema Sedvan/Idene foram incluídos. Para 2008, pretende-se realizar mais duas etapas do programa e estender ainda mais a área de atuação do programa, para municípios que possuem IDH inferior a 0,7.

O Artesanato em Movimento busca desenvolver os meios e mecanismos para a formação de redes de trabalho integrado, na qual cada organização atuará dentro do seu campo de competências de forma complementar, além de criar condições e fundamentos para a elaboração de políticas públicas que regulamentem o setor e favoreçam seu desenvolvimento na região. Em 2007, o Artesanato em Movimento priorizou a elaboração de planos, programas e projetos com vistas a otimização da aplicação dos recursos e dos esforços na realização das ações para o fomento do setor artesanal. O programa buscou ações que possibilitassem sua consolidação e avanços, como a atualização do diagnóstico do setor, nos 144 municípios das regiões norte e nordeste de Minas, registrada no Sistema de Processamento de Dados do Programa

Programa Cidadão Nota Dez

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Artesanato em Movimento – SIDPAM; o acompanhamento dos 12 Comitês Intermunicipais (CIA); o fortalecimento da Associação Centro de Negócios Artesanato em Movimento – CENATO. O Programa Artesanato em Movimento marcou presença na XVIII Feira Nacional de Artesanato com a participação de 10 Comitês Intermunicipais de Artesanato (CIA), por meio da Fundação Banco do Brasil, que disponibilizou 10 estandes ao programa. Os investimentos foram de cerca de 77 mil reais.

O Turismo Solidário é uma nova modalidade de viagem que tem como principal objetivo promover a inclusão social da população carente e a dinamização da economia dos municípios por meio do desenvolvimento do turismo possibilitando novos empreendimentos, postos de trabalho, aumentando a circulação de riquezas, distribuindo renda de forma mais eqüitativa e democrática e combatendo a pobreza em torno do uso sustentável das riquezas ambientais, materiais e patrimoniais de suas cidades. As localidades contempladas pelo programa são 20: Alecrim, Bonfim, Cachoeira do Norte, Cafezal, Campo Alegre, Campo Buriti/ Coqueiro Campo, Capivari, Chapada do Norte, Couto de Magalhães de Minas, Extrema, Gangorras, Grão- Mogol, Mato Grosso/ Ribeirão, Mendanha, Milho Verde, Santa Rita, São Gonçalo do Rio das Pedras, São Gonçalo do Rio Preto, São João da Chapada e Serro. Em 2007, o programa teve como foco a promoção/ comercialização e divulgação dos destinos e do Turismo Solidário. Foram confeccionados 7 mil folders, 5 mil catálogos, camisetas, canetas, cartões de visitas, blocos de anotações e banner. O material foi utilizado em feiras voltadas para a atividade turística, cujo programa teve espaço graças a uma parceria com a Secretaria de Turismo e Sebrae/MG. Essas feiras aconteceram em Belo Horizonte – Salão Mineiro do Turismo, Rio de Janeiro – ABAV 2007 e Festival do Turismo de Gramado, quando membros dos grupos gestores puderam ter conhecimentos do “trade” turístico através de missões. Ainda houve duas viagens de familiarização voltadas às operadoras de turismo e impressa em setembro e novembro de 2007, com participação de aproximadamente 60 pessoas que levaram o tema aos eventos internacionais posteriores ao famtour, que trouxeram grandes demandas e expectativas de sucesso para proposta do Turismo Solidário. Os grupos gestores passaram por quatro capacitações, fortalecendo, assim, a gestão participativa do programa. Os investimentos foram de R$124.600,00.

O Projeto de Combate à Pobreza Rural do Estado de Minas Gerais (PCPR/MG), oriundo do Acordo de Empréstimo com Banco Mundial (Bird), incluído entre os Projetos Estruturadores do Estado, visa apoiar investimentos comunitários, não-reembolsáveis, de natureza produtiva, social e de infra- estrutura básica, das comunidades rurais mais pobres da área de atuação do sistema Sedvan/Idene, contribuindo para a redução da pobreza rural, por meio da geração de trabalho e renda e da melhoria da qualidade de vida e do bem- estar das famílias beneficiadas. Além disso, o projeto busca fortalecer as associações comunitárias e os Conselhos Municipais de Desenvolvimento Rural Sustentável (CMDRS) para que sejam os atores principais das ações a serem desenvolvidas, participando ativamente nas discussões sobre as suas demandas e definindo a prioridade da destinação dos recursos e das políticas públicas no município. Em 2007, pelo PCPR, já foram assinados 645 convênios, totalizando um investimento de cerca de R$ 33 milhões, Turismo Solidário Projeto de Combate à Pobreza Rural (PCPR)

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beneficiando 39 mil famílias. Até o final do ano está prevista a liberação de mais 1.216 convênios, superando a meta de 800. No total, o PCPR beneficiará comunidades rurais mais pobres de 188 municípios das regiões Norte (89) e Central (11) e dos vales do Jequitinhonha (53) e Mucuri (35). Serão contemplados 1.800 projetos produtivos e atendidas 93 mil famílias. A previsão é de que o projeto seja executado no prazo de quatro anos.

Cisternas no Semi-árido Mineiro visa à construção de 4.500 cisternas de placas para armazenamento de água de chuva, em 55 municípios do semi- árido mineiro. Em 2007, deu-se continuidade às capacitações sobre o processo de construção e gerenciamento de recursos hídricos e formação de

cisterneiros na metodologia da construção de cisterna de placa. Até o

momento, 885 cisternas já foram concluídas, e foram investidos R$ 1.460.250,00. Para o exercício de 2008, está prevista a conclusão das 4.500 cisternas.

Ovinos Gerais visa garantir a sustentabilidade da agricultura familiar e melhorar a qualidade de vida dos pequenos produtores rurais do norte de Minas, gerando alternativas de emprego e renda por meio da implantação de unidades de ovinocultura. Cada unidade é constituída por 150 ovelhas, três reprodutores, 50 hectares de pastagem, devidamente cercada e aprisco. Quinze unidades já foram implantadas para beneficiar cerca de 1.800 pessoas. Para 2008, pretende-se criar um termo aditivo para implementação de mais 20 unidades produtivas de ovinocultura.

Com a implantação de unidades produtivas, “Cozinhas Comunitárias Sertanejas” estimula a geração de renda, valoriza a alimentação sertaneja e incentiva o associativismo e o cooperativismo entre as comunidades. Dezoito associações comunitárias em diferentes municípios já foram contempladas, incluindo uma comunidade quilombola. Até o momento, foram capacitadas 1.056 pessoas para a gestão sustentável e operação das unidades produtivas. Já foram gerados cerca de 540 empregos diretos e há 18 municípios beneficiados. Em 2007, equipamentos para novas 10 unidades de cozinhas comunitárias foram adquiridas, com investimentos de R$ 476.860,62.

Garantia da sustentabilidade da agricultura familiar Cozinhas Comunitárias Sertanejas