Passa-se agora a analisar diferentes denominações do desenvolvimento aplicadas na localidade. O conceito de integrado pode ter vários significados. Pode-se entender como o desenvolvimento dos diversos setores (econômico, social, político e cultural, cada um nas suas várias dimensões) da vida comunitária, de forma harmônica, equilibrada entre eles e de acordo com as aspirações e interesses da comunidade.
Assim, o crescimento econômico é necessário, segundo Coelho (1998), mas não suficiente para o desenvolvimento integrado. De fato, a vida social está composta de diversos componentes, como saúde, alimentação, educação, ocupação e renda, habitação, transporte, meio ambiente, justiça, entre outros, sobre os quais há necessidades, demandas e aspirações populares. Adequadamente identificadas e atendidas, elas representarão desenvolvimento, isto é, melhor qualidade de vida.
O desenvolvimento é integrado porque se apóia numa estratégia de desenvolvimento que soma esforços e recursos de parceiros públicos e privados. Neste contexto se constituem redes estruturadas como ligação de pontos no espaço, desprovidos de identidade e, como dizia Franco (2000), são elos fortes de integração dos processos promovidos pela globalização. Este espaço socialmente construído com base territorial delimitada constrói uma conexão fundamental ao sistema como um todo.
Sob uma perspectiva distinta, Franco (2000) acredita que com a visão de desenvolvimento integrado a sociedade é capaz de preservar e desenvolver seu próprio quadro de representações. Quadro este, que irá expressar distintos níveis de interesse e solidariedade.
A sustentabilidade significa que o crescimento econômico precisa se apoiar em práticas que conservem e expandam a base de recursos ambientais, de tal maneira que o atendimento das necessidades das gerações atuais, quanto ao uso dos recursos naturais, não comprometa a sobrevivência das gerações futuras.
Como diz Sachs (2000), falar de sustentabilidade econômica significa referir-se a um desenvolvimento baseado em um crescimento econômico que apóia mais crescimento e que procura incluir grupos excluídos, ao ser adequadamente distribuído (eqüitativo) a ao buscar a superação da pobreza e da exclusão (solidário).
Mas o conceito de sustentabilidade quanto ao desenvolvimento, segundo Sachs (2000), diz respeito também a outras dimensões, além da econômica e da ambiental. Uma das mais importantes é a sustentabilidade política, isto é, pelo crescimento econômico eqüitativo e solidário mais pessoas e grupos sociais e políticos se perceberão incluídos com necessidades atendidas, o que implica no crescimento do apoio ao modelo e seus promotores (agentes políticos, como governantes, partidos ou outras organizações sociais).
Pode-se falar também de sustentabilidade cultural. Isto é, o desenvolvimento sustentável implica em reconhecer e preservar a diversidade de grupos humanos, concepções de vida, formas de pensar e agir, como patrimônios inestimáveis legavam de geração a geração absolutamente enriquecedoras das soluções originais e peculiares engendradas para o desenvolvimento local. (SACHS, 2000).
Na visão de Franco (1999), o desenvolvimento é sustentável por possibilitar que cada município encontre sua autonomia, suprindo as necessidades locais e promovendo o desenvolvimento humano, social e econômico em equilíbrio com o meio ambiente.
Outra consideração relevante referente à sustentabilidade é que o desenvolvimento é um processo de mudança pelo qual uma organização tende a ser uma entidade sustentável. Assim, Franco (2000) menciona que a idéia de
desenvolvimento deve estar intimamente ligada à idéia de transformação, mudanças e escolhas cujos caminhos levam à sustentabilidade. Ser sustentável, para o autor, é criar um padrão, crescer mantendo esse padrão, renovar-se, reinventar-se, ou seja, mudar esse padrão para adaptar a organização às mudanças internas e externas. Na medida em que aumentarem o número e os tipos de relações entre o ambiente interno e externo, será intensa a interação, e, portanto, mais condições de troca de energia, matéria e informação aumentarão a capacidade de mudança e de desenvolvimento. Além desta interação entre os ambientes (interno e externo), estes ambientes devem ser favoráveis ao desenvolvimento.
Corroborando com esta idéia de desenvolvimento sustentável, Barbieri & Lage (2001) detalham os conteúdos das dimensões da sustentabilidade, apresentando-as desta forma:
a) Sustentabilidade na dimensão ecológica, inclui questões relacionadas com a gestão integrada dos recursos naturais, como o manejo sustentável dos recursos, a preservação, a reciclagem, a reutilização, o combate ao desperdício e a conservação dos recursos finitos, de modo que o desenvolvimento seja possível dentro de uma ética ambiental mais solidária com a natureza e com as gerações futuras.
b) Sustentabilidade na dimensão econômica inclui a criação de mecanismos para um novo sistema produtivo, integrado e de base local, nos quais sejam estimuladas a diversidade e a complementaridade de atividades econômicas, gerando uma cadeia de iniciativas de modo que a agricultura, a indústria, o comércio e setor de serviços gerem melhorias nas condições de vida para todos os sistemas envolvidos, quer sejam sociais ou naturais.
c) Sustentabilidade na dimensão social, inclui o atendimento às necessidades essenciais de uma sociedade, como saúde, educação, habitação, infra-estrutura e saneamento básico e na garantia dos direitos fundamentais do ser humano, como também o trabalho de redução das desigualdades sociais, combatendo prioritariamente pobreza. Desse modo, deve criar mecanismo para geração de trabalho e renda e inserção social, de forma a prover condições e dignidade para superar as precárias condições em que vive uma expressiva parcela da sociedade brasileira. Para alcançar esse objetivo, deve apoiar-se na transferência de recursos exógenos e na mobilização de recursos endógenos, quer sejam públicos ou privados.
d) Sustentabilidade na dimensão espacial inclui a promoção da desconcentração de atividades econômicas do centro urbano, a ampliação à infra-estrutura e o atendimento às necessidades básicas da população nas áreas rurais, o fomento da instalação de empreendimentos que utilize como insumos a produção local, construindo assim uma cadeia produtiva que agrega valor à produção local e melhora a qualidade de vida da região.
e) Sustentabilidade na dimensão cultural inclui o desenvolvimento de projetos que contribuam para a preservação da diversidade cultural local, frente à cultura de massa, capacitando à sociedade com base em valores tradicionais e éticos, criando condições para a expressão da arte local e para transferência das tradições às gerações futuras. Capacita a sociedade também no exercício da cidadania consciente para a construção de uma ética baseada em princípios de solidariedade e confiança mútua.
f) Sustentabilidade na dimensão tecnológica, inclui a promoção do desenvolvimento científico e tecnológico local, o fomento de parcerias entre órgãos governamentais e não governamentais, universidades, mercado e sociedade civil, promovendo o intercâmbio e a cooperação técnica e investindo no desenvolvimento de recursos humanos locais.
g) Sustentabilidade na dimensão política, inclui a criação de condições para a participação efetiva da sociedade civil, no planejamento e controle social das políticas públicas, a partir da disponibilização de uma base de informação desagregada, que permita uma análise mais apurada da economia e da realidade social local, provendo condições de êxito para a participação da sociedade nos projetos de desenvolvimento sustentável. Cabe ainda atuar também no desenvolvimento de uma filosofia, dentro administração pública, voltada para os interesses da sociedade, de modo a eliminar qualquer prática clientelista ou distorcida sobre os conceitos da governabilidade. Contas equilibradas e responsabilidade com o patrimônio público fazem parte desta filosofia. (BARBIERI & LAGE, 2001, p.3-4).