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Desenvolvimetento Sustentável e Educação

Observando o curso da história, percebemos, nesse processo de conquista do progresso, uma grande devastação da natureza. O desequilíbrio ecológico é evidente: grandes desmatamentos, poluições, enchentes, apesar das iniciativas e lutas ambientalistas, tanto em nível mundial como local. Na atualidade, cada vez mais é possível perceber o envolvimento dos ecologistas, ambientalistas, simpatizantes pela causa ambiental, defensores da natureza, professores e grupos organizados para lutarem em defesa do meio ambiente, buscando relações mais harmônicas com a natureza, bem como na busca de sociedades sustentáveis.

De acordo com a professora Camargo (2008), o Desenvolvimento Sustentável é um conceito sistêmico, o qual se traduz num modelo de desenvolvimento global que incorpora os aspectos de desenvolvimento ambiental. Foi usado pela primeira vez em 1987, no Relatório Brundtland(nosso futuro comum), elaborado pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, criado em 1983 pela Assembleia das Nações Unidas. Este relatório apresenta quatro parâmetros que o caracterizam: preservação da natureza; eliminação da pobreza; crescimento econômico; garantia da existência das gerações futuras e, ainda, podemos encontrar nele seis aspectos prioritários que podem ser entendidos como metas:

necessidades básicas da população; solidariedade com as gerações futuras;

participação da população; preservação dos recursos naturais; elaboração de um sistema social; efetivação dos programas educativos. Segundo a autora, a definição mais aceita para Desenvolvimento Sustentável é: capaz de suprir as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade de atender as solicitações das futuras gerações, não esgotando os recursos para o futuro.

Para outro autor, Pinheiro (2008), o campo do Desenvolvimento Sustentável pode ser conceitualmente dividido em três componentes:

sustentabilidade ambiental, sustentabilidade econômica e sustentabilidade sociopolítica.

A sustentabilidade ambiental consiste na manutenção das funções e componentes do ecossistema, de modo sustentável, podendo igualmente designar-se como a capacidade que o ambiente natural tem de manter as condições de vida para as pessoas e para os outros seres vivos, tendo em conta a habitabilidade, a beleza do ambiente e a sua função como fonte de energias renováveis.

A sustentabilidade econômica, enquadrada no âmbito do desenvolvimento sustentável, é um conjunto de medidas e políticas que visam à incorporação de O campo do

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Capítulo 4

parâmetros ambientais e socioeconômicos, criando, assim, uma interligação entre os vários setores. Desse modo, o lucro não é somente medido na sua vertente financeira, mas igualmente na vertente ambiental e social, ou seja, os investimentos devem ser priorizados também na área ambiental dos diversos governos.

A sustentabilidade sociopolítica centra-se no equilíbrio social, tanto na sua vertente de desenvolvimento social como socioeconômica. É um veículo de humanização da economia e, ao mesmo tempo, pretende desenvolver o tecido social nos seus componentes humanos e culturais.

Ainda segundo Pinheiro (2008), a partir desses três componentes, foram desenvolvidos dois grandes planos: a agenda 21 e as metas de desenvolvimento do milênio. A Agenda 21 é um plano global de ação a ser tomada em nível global, nacional e local, por organizações das Nações Unidas, governos e grupos locais, nas diversas áreas onde se verificam impactos significativos no ambiente. Em termos práticos, é a mais ambiciosa e abrangente tentativa de criação de um novo padrão para o desenvolvimento do século XXI, tendo por base os conceitos de desenvolvimento sustentável. As Metas de Desenvolvimento do Milênio (MDM) surgem da Declaração do Milênio das Nações Unidas, adotada pelos 191 estados membros, no dia 8 de Setembro de 2000. Criada em um esforço para sintetizar acordos internacionais alcançados em várias cúpulas mundiais ao longo dos anos 1990 relativos ao meio-ambiente e desenvolvimento, direitos das mulheres, desenvolvimento social, racismo, entre outras, a Declaração traz uma série de compromissos concretos que, se cumpridos nos prazos fixados, segundo os indicadores quantitativos que os acompanham, deverão melhorar o destino da humanidade neste século. Esta declaração menciona que os governos não economizariam esforços para libertar nossos homens, mulheres e crianças das condições objetivas e desumanas da pobreza extrema, tentando reduzir os níveis de pobreza e promovendo o bem-estar social.

A professora Camargo (2008) escreve que para ser alcançado, o Desenvolvimento Sustentável depende do planejamento e do reconhecimento de que os recursos naturais são finitos. Esse conceito representou uma nova forma de desenvolvimento econômico, que leva em conta o meio ambiente. Muitas vezes, ele é confundido com crescimento econômico, que depende do consumo crescente de energia e recursos naturais. Esse modelo tende a ser insustentável, pois leva ao esgotamento dos recursos naturais dos quais a humanidade depende.

Abaixo, um artigo do filósofo e escritor Leonardo Boff que não compactua com o conceito de Desenvolvimento Sustentável que é apresentado no contexto mundial.

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DESENVOLVIMENTO (IN)SUSTENTÁVEL?

Leonardo Boff Teólogo da Libertação, escritor, professor e conferencista, doutor em Teologia e Filosofia pela Universidade de Munique (Alemanha), professor de Teologia e Espiritualidade em vários centros de estudo e universidades no Brasil e no exterior. Autor de mais de 60 livros nas áreas de Teologia, Espiritualidade, Filosofia, Antropologia e Mística.

“Desenvolvimento sustentável”, fórmula mágica com a qual o sistema mundial de convivência e de produção pretende resolver os problemas que ele mesmo criou, por mais oficial que seja, representa uma contradição, um equívoco e uma ilusão.

É uma contradição, pois, os dois termos se rejeitam mutuamente.

A categoria “desenvolvimento” provém da área da economia dominante. Ela obedece à lógica férrea da maximalização dos benefícios com a minimalização dos custos e do tempo empregado.

Em função deste propósito se agilizaram todas as forças produtivas para extrair da Terra literalmente tudo o que é consumível. Ela foi torturada pela tecno-ciência e submetida a um assalto sistemático de suas riquezas no solo, no subsolo, nos ares e nos mares. O resultado foi uma produção fantástica de bens materiais e serviços mas distribuídos sem justo equilíbrio. Essa falta de equilíbrio está destruindo a paz entre os povos e ameaçando a biosfera, submetida a estresse quase insuportável.

A categoria “sustentabilidade” provém do âmbito da biologia e da ecologia, cuja lógica é contrária àquela deste tipo de

“desenvolvimento”. Por ela se sinaliza a tendência dos ecossistemas ao equilíbrio dinâmico e se enfatizam as interdependências de todos, garantindo a inclusão de cada ser, até dos mais fracos.

Como se depreende, unir esse conceito de sustentabilidade ao de desenvolvimento configura uma contradição nos próprios termos.

Dizíamos ainda que o “desenvolvimento sustentável” representa um equívoco. Sim, pois, se alega como causa aquilo que é efeito.

Diz-se que a pobreza é a causa da degradação ecológica. Portanto, quanto menos pobreza e mais desenvolvimento menos degradação.

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Ele explora as pessoas empobrecendo-as e dilapida os recursos da natureza degradando-a. Por isso, a utilização política da expressão

“desenvolvimento sustentável” representa uma armadilha do sistema:

assume os termos da ecologia (sustentabilidade) para esvaziá-los e assim mascara a verdadeira causa do problema social e ecológico (tipo de desenvolvimento) que ele mesmo é.

Por fim, a fórmula “desenvolvimento sustentável” significa uma ilusão. Postula-se um desenvolvimento que se move entre dois infinitos: o infinito dos recursos da Terra e o infinito do futuro. A Terra seria inesgotável em seus recursos. E o futuro para frente, ilimitado.

Ora, os dois infinitos são ilusórios: os recursos são finitos e o futuro é limitado, por não ser universalizável. Se a Índia quisesse ser como a Inglaterra, precisaria de duas Terras para explorar, como já dizia ironicamente Gandhi nos anos 50.

O “desenvolvimento sustentável” não é uma panacéia, mas um placebo. Persistir em aplicá-lo, é enganar o paciente, talvez, matá-lo. É o que tememos com a biosfera. Entender tal equívoco é entender o porquê do impasse na Cúpula da Terra no Rio-92 e agora em Johnesburgo-2002. A categoria mestra é sustentabilidade e não desenvolvimento. Precisamos a Terra, a sociedade e a vida humana sustentáveis. Em seguida o desenvolvimento. É o que os senhores do “desenvolvimento (in)sustentável” não entendem. O Titanic está vazando água por todos os lados. Não temos tempo a perder. Importa despertar senão pode ser tarde demais. Isso não é ser apocalíptico, mas simplesmente realista.

Fonte: Disponível em <www.leonardoboff.com>. Acesso em: 25 jun2011.

O desafio que se coloca no umbral do século XXI é nada menos do que mudar o curso da civilização, deslocar o seu eixo da lógica dos meios a serviço da acumulação, num curto horizonte de tempo, para uma lógica dos fins em função do bem-estar social, do exercício da liberdade e da cooperação entre os povos.

O problema de insustentabilidade não está apenas no desenvolvimento, é preciso reconhecer que o nosso modo de vida se tornou insustentável, e este é muito mais difícil de mudar, pois implica aperfeiçoamento individual e coletivo, simultaneamente, parece não haver saída: ou acreditamos que o ser humano, tal como é, pode construir um mundo melhor para si, para seus semelhantes, no

O problema de é muito mais difícil de mudar, pois implica

aperfeiçoa-mento individual e coletivo.

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presente e no futuro, ou cabe reconhecer o fracasso de nossa existência e admitir que a busca de um Desenvolvimento Sustentável seja ilusória, apenas uma forma de adiar o inevitável fim.

É preciso iniciar um aprendizado individual e coletivo que nos leve a outras formas de manifestação concreta de nossa natureza e que possibilite uma perspectiva de mudança em nosso modo de viver.

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-207020 04000100007

http://www.scielo.br/pdf/rbedu/n23/n23a03.pdf

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1413-24782001000200014&scri pt=sci_arttext

http://www.scielo.br/pdf/asoc/v7n1/23537.pdf

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-753X2 004000200016

Sinopse:

A Terra sofre alterações climáticas que modificam drasticamente a vida da humanidade.

Com o norte se resfriando cada vez mais e passando por uma nova era glacial, milhões de sobreviventes rumam para o sul. Porém o paleoclimatologista Jack Hall (Dennis Quaid) segue o caminho inverso e parte para Nova York, já que acredita que seu filho Sam (Jake Gyllenhaal) ainda está vivo.

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Sinopse:

O diretor Michael Moore investiga como os Estados Unidos se tornaram alvo de terroristas, a partir dos eventos ocorridos no atentado de 11 de setembro de 2001. Os paralelos entre as duas gerações da família Bush que já comandaram o país e ainda as relações entre o atual Presidente americano, George W. Bush e Osama Bin Laden.

Atividade de Estudos:

1) Escolha um dos filmes apresentados na indicação anterior e faça uma analogia com os conceitos teóricos estudados neste capítulo. Lembre-se mobilizar a teoria na prática nos auxilia a compreendê-la.

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