2.2 Design e Sociedade
2.2.4 Design Thinking, a Ferramenta “Mestra”
A partir de todos os dados levantados até agora, surge a necessidade de juntá-los de uma maneira a desenvolver o projeto alcançando todo seu potencial de sucesso. Para isso, optou-se pela abordagem design thinking tanto para o desenvolvimento do projeto piloto, quanto como inspiração na aplicação do design em sala de aula.
O design thinking é uma abordagem que concilia necessidades de pessoas ao que é tecnologicamente executável, através da utilização da sensibilidade do design thinker e de métodos usados por profissionais da área do design, tendo como principal objetivo transformar oportunidades que agregam valor em soluções para contextos específicos (CAVALCANTI e FILATRO, 2017).
O design thinking é uma abordagem, e não apenas uma metodologia [...] quando se fala em metodologia, espera-se encontrar orientações específicas, e estáticas, enquanto a abordagem é composta de etapas em um processo que estimula releituras de um problema complexo, identificando nas necessidades das pessoas envolvidas em um contexto analisado. Desse modo, uma conceituação mais apropriada para o design thinking seria um “modo de pensar”, cujo principal objetivo é a produção criativa de soluções inovadoras (CAVALCANTI e FILATRO, 2017, p.20).
Essa abordagem mostra-se a mais adequada levando em consideração a grande possibilidade de releituras passíveis de serem construídas para contextos bem específicos. A partir da singularidade do problema, através de estratégias criativas, é desenvolvida a ideia, criando uma solução humana e inovadora que conecta informações técnicas, sensibilidade criativa e contexto sociocultural.
Todo o processo de inovação pode ser melhorado com a abordagem humanista que dá voz às pessoas, desafia padrões, avalia ideias e elabora soluções de maneira criativa e empática, tendo como principal preocupação a necessidade humana, ou seja, o que as pessoas precisam dentro de um contexto (CAVALCANTI e FILATRO, 2017).
O design thinking se beneficia da capacidade que todos nós temos, mas que é negligenciada por práticas mais convencionais de solução de problemas. Não se trata de uma proposta apenas centrada no ser humano; ela é profundamente humana pela própria natureza. Baseia-se em nossa capacidade de ser intuitivos, reconhecer padrões, desenvolver ideias que tenham um significado emocional além de funcional, expressar-nos em mídias além de usar palavras ou símbolos (CAVALCANTI e FILATRO, 2017, p.21).
O Design Thinking engloba a busca por soluções de maneira inovadora e colaborativa, utilizando da observação e da cocriação, analisando diferentes pontos de vista de um mesmo contexto específico, e prototipando soluções a partir dessas análises, para dessa forma chegar à uma solução inovadora e focada em uma necessidade humana (CAVALCANTI e FILATRO, 2017). Assim apresenta-se como uma abordagem com potencial para desenvolver uma solução que crie uma conexão com o indivíduo, causando uma experiência positiva, levando em consideração que diferente de outros métodos, o design thinking volta-se para as necessidades do sujeito interessado.
Através dessa abordagem, os resultados aparecem na forma de protótipos, sejam eles produtos, processos, serviços ou soluções educacionais e permitem uma rápida transmissão de ideias, tornando mais rápido o processo de verificação e atualização, fazendo do produto final um produto correspondente à necessidade inicialmente identificada. É composto por processo, modo de pensar, métodos e estratégias. A união desses aspectos destaca as pessoas como o centro de desenvolvimento do projeto. O desenvolvimento da abordagem acontece com a utilização da criatividade para geração de soluções e da razão para analisá-las e adaptá-las ao contexto real, através de etapas (CAVALCANTI e FILATRO, 2017), conforme aparecem na figura 7.
Figura 7– Etapas do Design Thinking na perspectiva Ideo e d.school
Fonte: Cavalcanti e Filatro (2017, p. 119)
Na figura 7, aparecem as etapas do design thinking que esse projeto vai utilizar como base. A partir do ponto de vista da Ideo e da d. school, Hasso Plattner Institute of Design at
Stanford, que fornece um programa de disseminação da utilização do design thinking para a
resolução de problemas complexos de maneira inovadora (CAVALCANTI e FILATRO, 2017).
A primeira etapa denominada “compreender o problema” é dividida em três importantes momentos, sendo o primeiro, organização de conhecimentos prévios, o segundo, imersão no contexto analisado para coleta de informações e o terceiro, análise dos dados coletados. É quando acontece a organização do cronograma, a coleta de dados, a observação de realidade e a análise de tudo o que foi observado. É nesse momento que se busca entender o desafio estratégico sob diferentes perspectivas (CAVALCANTI e FILATRO, 2017).
Aqui a palavra-chave é empatia, ou seja, a capacidade de se colocar no lugar do outro e entender sua realidade sem julgar suas atitudes e palavras ou as circunstâncias. A empatia é o fundamento da etapa do design thinking chamada de compreender o problema, pois é o que permite que uma solução criada seja realmente centrada no ser humano (CAVALCANTI e FILATRO, 2017, p.124).
A segunda etapa do DT denominada “projetar soluções” é dividida em outros três importantes momentos, sendo o primeiro refinamento do problema, o segundo brainstorming e o terceiro avaliação de ideias. É quando as ideias começam a surgir e são estudadas e selecionadas. Soluções inteligentes devem ter as seguintes características: 1. Ser potencialmente inovadoras; 2. Advir de perspectivas coletivas; 3. Explorar áreas e/ou aspectos pouco explorados e inesperados (CAVALCANTI e FILATRO, 2017).
A terceira etapa é a “prototipagem”, onde acontece a divisão de tarefas em pequenas partes, que possibilita que a sensação de pequenas vitórias torne o sujeito motivado a ver o impacto de suas ações e como elas influenciam diretamente no sucesso do projeto. É quando as ideias começam a ganhar “vida” nas mãos do “criador” (CAVALCANTI e FILATRO, 2017).
[...] um protótipo pode ser um produto, um processo, ou um serviço, representado por esboço ou modelo tridimensional de baixa resolução, feito de diversos materiais, como papelão, massa de modelar ou papel. É uma forma de transmitir uma ideia rapidamente. Storyboards, diagramas, mockup, filmagens, peças de teatro, maquetes, páginas da internet e programas de computador são exemplos de protótipos possíveis (CAVALCANTI e FILATRO, 2017, p.129).
A quarta e última etapa é “implementar a melhor opção”, onde serão feitos os ajustes do protótipo e será feito o plano de implementação. É quando o projeto começa a se inserir no contexto real, dando forma a ideia.
Assim, a partir da abordagem design thinking, o projeto piloto de intervenção na educação infantil com a utilização do design como ferramenta, começa a ganhar “vida”, guiado por Cavalcanti e Filatro (2017) na busca de um serviço de intervenção que torne a criança em um adulto ciente de seu potencial criativo e humano.
3 RESULTADOS
O desenvolvimento deste projeto, então, como anteriormente citado, foi guiado pela abordagem Design Thinking (CAVALCANTI e FILATRO, 2017), que tem como ponto de partida “compreender o problema”, para depois estabelecer os passos seguintes para chegar à solução. De acordo com o autor:
O design thinking é composto de um processo, um modo de pensar, métodos e estratégias. A articulação desses aspectos visa colocar as pessoas e suas necessidades no centro do desenvolvimento de um projeto, de forma que usem a criatividade para gerar soluções e empreguem a razão para analisá-las e adaptá-las ao contexto real.(CAVALCANTI e FILATRO, 2017)
Dessa forma, fica claro, que a abordagem é adaptável à realidade do contexto analisado, ou seja, há um conjunto de estratégias que são escolhidas e aplicadas conforme a realidade do projeto a ser desenvolvido, levando em consideração a necessidade humana, que nesse caso seria “utilizar a criatividade na resolução de problemas e otimização de potenciais”.