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4 RESULTADOS

4.2 ATUAÇÃO FRENTE AOS DESASTRES

4.2.2 Deslizamentos de terra em Mocoa/Colômbia (2017)

Na noite de 31 de março e a madrugada de 1º de abril de 2017, a cidade de Mocoa, capital do departamento do Putumayo, foi atingida por fortes chuvas que provocaram inundações causadas pelo aumento de três rios, além de deslizamentos de terra (EL TIEMPO, 2017, tradução nossa).

Cerca de dez horas da noite começou uma chuva torrencial, que foi precedida por dias de chuvisco. Pouco mais de três horas depois, a cidade enfrentou a pior tragédia em seus 454 anos de história: os três rios que cruzam o município - o Mocoa, o Mulato e o Sangoyaco - e vários córregos, como o Taruca, arrastaram milhares de pessoas e toneladas de lama para 17 bairros. Na Figura 15 podemos notar como ficou a região após o infortúnio (EL TIEMPO, 2017, tradução nossa).

_____________________________________________________________________________________________ Figura 15 – Pós deslizamentos de terra em Mocoa

Fonte: ROBAYO (2017) 4.2.2.1 Prevenção

O desenvolvimento econômico, apesar dos grandes esforços envidados para fortalecer os processos de planejamento e proteção dos componentes ecológicos, fez com que a intervenção no território fosse acompanhada de ações como a secagem de pântanos e brejos, a perda de florestas e cobertura vegetal, com as consequências que isso tem em termos de erosão e aumento do escoamento, afetando significativamente as fontes de água e a estabilidade do solo, o que a torna suscetível a deslizamentos de terra, inundações e avenidas torrenciais em áreas que não eram anteriormente (MUNDIAL et al, 2012, p. 14, tradução nossa).

Nem todos os riscos existentes se materializam em perdas ou desastres; no entanto, quando ocorrem, são assumidos como um indicador do comportamento dos riscos devido a fenômenos socionaturais frequentes. Isto é especialmente válido no caso de perdas devido a inundações, deslizamentos de terra ou inundações torrenciais. Para fenômenos como terremotos e erupções vulcânicas, o risco permanece latente por períodos relativamente longos, e geralmente se manifesta ocasionalmente. Mudanças no comportamento das perdas são um reflexo da transformação e acumulação dos riscos subjacentes à dinâmica de uma sociedade (MUNDIAL et al, 2012, p. 17, tradução nossa).

______________________________________________________________________________ 4.2.2.2 Preparação

Não se havia muita preparação com relação a suprimentos e materiais necessários para as buscas e atendimento da população. De acordo com o jornal El Tiempo (2017, tradução nossa), adicionado à tragédia estavam as dificuldades logísticas enfrentadas pelos sobreviventes. Segundo o relatório divulgado pelo governador Aroca na época, na cidade não havia gás, o aqueduto foi afetado e a subestação de energia também não funcionava, para piorar seu conserto poderia demorar um mês. Ademais, algumas das rotas de entrada e saída estavam bloqueadas por sujeira, lama e detritos de árvores e partes de carros e casas que foram arrastadas pela água e pela lama. A avalanche tomou o mercado, que incidentalmente afeta o fornecimento de alimentos no meio da emergência.

O secretário de Governo de Mocoa, Eduardo Alfredo Jiménez, disse que o município não possui equipamentos de monitoramento que possam oferecer um alerta precoce contra esses eventos, que também não tinha antecedentes naquela região. De fato, as emergências tendem a ser mais associadas a inundações devido ao transbordamento de rios, do que as avalanches repentinas, que, no entanto, estão entre os medos coletivos do povo Moco (EL TIEMPO, 2017, tradução nossa).

4.2.2.3 Resposta

A cidade colombiana foi declarada em estado de calamidade para facilitar e agilizar as operações de resgate e de ajuda às vítimas, com um número indeterminado de desaparecidos e atingidos. Menores resgatados pelas autoridades e cujos familiares não tinham informação foram levados para a sede da Mocoa Family Welfare. O governo ativou o Sistema Nacional de Gerenciamento de Risco de Desastres para lidar com o banco de emergência e maquinário, bem como a provisão de caminhões-tanque com água (EL TIEMPO, 2017, tradução nossa).

Foram entregues mil alimentos, mil kits de toalete, mil kits de cozinha, três mil cobertores e três mil colchões para as vítimas. Além disso, foi organizada a entrega de subsídios para 250 mil pesos mensais durante três meses para as famílias afetadas (EL TIEMPO, 2017, tradução nossa).

_____________________________________________________________________________________________ 4.2.2.4 Reconstrução

Aos 03 dias de abril de 2017, o Governo colombiano já se pronunciava sobre a reconstrução de Mocoa, Luis Carlos Villegas, Ministro da Defesa, assumia a missão de reconstruir o município do departamento de Putumayo, declarado uma emergência econômica, social e ecológica (SIG, 2017, tradução nossa).

O desastre deixou 76 pessoas desaparecidas, 1461 casas danificadas, 3 pontes danificadas e duas destruídas além de 333 mortos e 398 feridos. Destinou-se então, 1,2 bilhões de pesos através da Conpes 3904 para a recuperação de Mocoa. O governo entregará 1209 casas às vítimas, até março deste ano 309 casas já haviam sido entregues. O Ministério da Defesa acredita na recuperação total de Mocoa até o ano de 2021 (EL TIEMPO, 2018, tradução nossa).

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5 CONCLUSÃO

A revisão de literatura mostrou que existe uma grande lacuna, tanto de bibliografia quanto de trabalhos científicos, relativa à Gestão de Risco e Gerenciamento de Desastres. A maioria das publicações, nacionais e internacionais, é direcionada a estudos de caso, trazendo geralmente respostas frente à desastres já ocorridos.

Verifica-se que as calamidades ocorrem em totalidade mundial desde o princípio da humanidade, nota-se um aumento significativo conjuntamente com a urbanização acelerada. Esta trouxe consigo a desigualdade, ocasionando um quadro evidente de pobreza, piora nos índices socioeconômicos e urbanísticos.

Em relação a este estudo comparativo pôde-se observar que, de modo geral a Colômbia está à frente do Brasil, conduzindo uma maior gestão com relação à prevenção, preparação, resposta e reconstrução dos desastres.

O Brasil deveras não possui políticas públicas, mas sim programas que auxiliam principalmente na etapa de resposta, o monitoramento e o banco de dados, acabam sendo falhos pois muitos municípios não reportam as situações de emergência. A Colômbia por sua vez, dispõe de subsídios maiores nesta área, possuindo um Sistema Nacional de Gerenciamento de Risco de Desastres.

Precisa-se desenvolver o conhecimento e a atuação integrada entre as áreas de planejamento urbano e gestão de riscos, que demonstram dificuldade na atuação cooperativa. Outrossim, a insuficiência de pesquisas e literatura específica, relacionadas à gestão de riscos, requer a assistência da pesquisa empírica com o objetivo de garantir a segurança na produção de políticas públicas informadas e fundamentadas na realidade do Brasil.

O processo de interação entre a comunidade e a universidade deve acontecer de forma que contribua para as mudanças da prática local e disponibilize informações que auxiliem na melhoria de vida da população, sendo este um processo recíproco. Uma sociedade conhecedora terá a possibilidade de prevenir-se e minimizar a fase pós-evento onde as perdas e os consequentes custos tornam-se superiores ao pré-evento.

_____________________________________________________________________________________________ Recomenda-se ao governo brasileiro uma postura superior com relação aos investimentos em relação aos desastres naturais, no sentido melhorar a gestão de risco e segurança, além de melhorar as ações em situações de desastres. Na criação efetiva de mecanismos de produção de uma cultura de risco entre a população, à divulgação de conhecimento de risco, ao incentivo às universidades na formação de grupos de pesquisa referentes ao assunto, à capacitação dos municípios, ademais na melhora dos sistemas e programas já existes.

Para o governo colombiano, aconselha-se que o Sistema Nacional de Gerenciamento de Desastres continue avançando e que tenha competência para atingir todas as metas já estipuladas e na criação de novas. Busque-se progressivamente a capacitação das equipes para o avanço, principalmente no que tange a resposta de desastres, hoje seu maior ponto fraco, instruindo todos os cidadãos colombianos principalmente na questão de vulnerabilidade. Deve-se criar uma política de proteção financeira, e no que compete às intervenções para reduzir as condições de risco existente e projetos de investimentos, é preciso procurar implementar táticas efetivas no acompanhamento de sua real implementação, qualidade e atualização.

Sugere-se para trabalhos futuros, uma análise das necessidades para a criação de um Sistema Nacional de Gerenciamento de Risco de Desastres.

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