AGINDO NA MAYA
DESPERTANDO DO SONO DA ALMA
Personagens presos entre –1 e –10 pontos de CP estão no Sono da Alma — um estado de coma induzido por danos psíquicos extensos. Neste estado, a psiquê se encontra muito próxima da destruição total, e por isso se fecha em um estado de vida latente — uma vida ilusória em um mundo de imaginação.
Apesar de tudo, essa não é uma vida boa ou agradável — os Iniciados lutam por toda sua vida para se libertarem de um mundo ilusório, e algo dentro deles sabe que esta é só mais uma ilusão dentro de outra. A “vida” simulada pelo Sono geralmente representa algum dilema pessoal do personagem, que deve ser resolvido para que ele saia deste estado e passe a ter 0 pontos de CP. Quantos pior for a situação, mais difícil é a resolução do enigma que libertará o personagem — um Iniciado com –1 em CP pode se ver apenas resolvendo um trauma de consciência por esconder sua vida secreta de uma amante, enquanto que um com –9 pode se ver revivendo uma vida passada, na qual fez algo extremamente danoso para a humanidade. O conselho é: o Mestre deve se divertir ao criar o Sono da Alma. Analise os PJs e descubram seus calcanhar de Aquiles, e quando o conseguir, ataque-o! Não transforme a resolução de um dilema social em uma seqüência de combates cheios de efeitos especiais — o Sono de um guerreiro até pode ser algo simples como derrotar um enorme monstro imaginário, mas certamente se tornará mais intenso e dramático se resumir-se a perdoar seu falecido pai, que não teve a chance de reconciliar-se com o filho antes de morrer. O histórico dos personagens é muito importante na construção do Sono — todos têm assuntos mal resolvidos em sua vida, que podem servir de matéria- prima para os pesadelos causados pelo Sono. Abaixo segue
uma lista de possíveis motivos para cada intensidade do Sono:
CP Enredo do Sono
-1 a –3 Dilemas de consciência, mágoa de um ente querido.
-4 a –7 Defeito intrínseco, falha de caráter que deve ser corrigida.
-8 e –9 Vida passada onde se contraiu um kharma forte, trauma pessoal intenso (morte de entes queridos, culpa esmagadora).
-10 Viver como uma das vítimas de sua mais terrível encarnação, e vencer, ou perecer tentando, o mal causado por ela. Note que o Sono deve ser resolvido através de interpretação, e temos várias razões para isso — é injusto que um jogador que tenha interpretado seu personagem de fio a pavio o perca por causa de uma jogada infeliz de dados, enquanto que um sujeito que só
fez besteiras e escolhas inadequadas durante o Sono se safe graças a uma inesperada maré de sorte. A resolução do Sono e deve a boa interpretação, não a rolamentos consecutivos. Maiores detalhes sobre a dramaticidade e
de como age um Iniciado afetado pelo Sono no capítulo
PLANOS
Ela ainda estava tonta. O raio de energia psíquica que o Entropista tinha disparado contra ela lhe atingira em cheio. Se ela não tivesse preparado um escudo, sabe-se lá o que lhe teria acontecido. Ela olhou em volta e percebeu que a coisa estava feia.
Dois de seus irmãos de Egrégora caiam aos seus pés. Os outros dois lutavam na defensiva contra os quatro Entropistas que invadiram o abrigo de mendigos que eles estavam tentando construir. Os poucos Doutrinados que se encontravam na hora continuavam a agir normalmente. Ela ainda achava estranho o fato deles simplesmente não perceberem o que acontecia.
Resolveu então apelar. “Dane-se” pensou ela “me preocupo com o kharma e me explico para a polícia depois”. Pegou um pedaço de madeira e atirou violentamente no Entropista. Isto acabou com a Doutrinação e todos os presentes se voltaram para ela. Percebia-se nos seus olhos os seus cérebros trabalhando freneticamente para “rearranjar” a Maya. Então ela gritou:
“Estes arruaceiros vieram destruir nosso trabalho.” Um pequeno shiddi para que todos enxergassem alguns sujeitos mau encarados e para criar antipatia imediata. Os Entropistas ficaram confusos, sem saber o que fazer por instantes. Era o suficiente para a reação.
O mundo de um Iniciado não é simples. Ele não é composto apenas dos elementos que percebemos com nossos 5 sentidos físicos, mas sim de 5 planos diferentes da existência. Um Iniciado deve inevitavelmente ter um conhecimento básico dos quatro primeiros, o último – a Hierarquia Intuitiva – será dominada aos poucos pelos felizardos que estiverem próximos da concretização de seus dharmas.
Estes planos não estão dispostos em “camadas”, mas sim em estados vibracionais diferentes. Por isso, ao invés de visualizá-los como prédio de vários andares, o Iniciado os percebe como uma rede que tem todos os seus fios entrelaçados. Na verdade, estamos todos mergulhados nestes estados vibracionais o tempo todo e cada um deles oferece o “tecido” ou “matéria-prima” que constrói os elementos do corpo que vestimos ao nascer para vivermos e desenvolvemos ou atrofiamos enquanto crescemos.
Os planos também são muito importantes para o Iniciado devido o fato de que servem de matéria-prima para a invocação dos shiddis – os inigualáveis poderes dos que não são Doutrinados. Eles são os seguintes; na ordem do mais “denso” ao mais “sutil” : físico, etérico, astral, mental e, é claro, a Hierarquia Intuitiva ou simplesmente Intuitivo.
Um plano é constituído de átomos, porém sempre ligado a estrutura que fundamenta o mesmo. O plano astral – por exemplo – tem em sua estrutura básica “átomos de emoção” e o mental, “átomos de pensamento”. Estes átomos, por pertencerem a planos diferentes, não estão
relacionados da forma que podemos imaginar. Por isso, se desmembrarmos um átomo físico não chegaremos ao átomo astral. Cada átomo faz parte de seu próprio plano.
Outro detalhe importante é que para que cada plano seja percebido é necessário que o personagem carregue em si átomos do mesmo. Por isso, nem todos os seres existentes nos planos sabem da existência de outros planos. Já a percepção com algo parecido com os 5 sentidos humanos exige uma mudança do estado de consciência. Por exemplo, se um Iniciado se transporta para o plano etérico, somente alguém com a capacidade de “enxergar” a nível etérico perceberia este Iniciado no local. É interessante notar que se pode enxergar um plano a partir de outro, desde que tenha o shiddi necessário. Se isto não ocorrer, se perceberá apenas o plano em que se encontrar. Aqui percebemos a origem de conceitos como “Limbo” e “Purgatório”, que encontramos em várias culturas: estes “lugares” foram assim entendidos por pessoas que entraram em outros planos sem desenvolverem consciência para percebê-los, como se fossem cegos, surdos e sem tato.
A capacidade de percepção dos mais diversos planos fornece também um dos segredos para a ação dos Iniciados sem afetar aos Doutrinados, pois um shiddi – em princípio – afetaria apenas aos elementos do plano pertencente. Contudo, um Iniciado com compreensão suficiente consegue determinar o que no plano físico seria afetado. Isto significa que uma descarga elétrica (shiddi que é desenvolvido a nível etérico), poderia atravessar toda a sala e derrubar apenas um vaso que se encontra sobre a mesa, se o Iniciado assim desejasse e tivesse competência para tanto.
Outro detalhe importante é que Iniciados novatos ainda perceberão os elementos dos diversos planos da forma com que se acostumaram no plano físico. Por exemplo, o corpo astral de uma pessoa não é igual ao corpo físico mas ele pensará ainda como se tivesse. O Iniciado pensa que segura algo com sua mão ou que enxerga algo com seus olhos físicos... mas nem um e nem o outro existem. Como “carrega” consigo os elementos que o compõem no plano físico, o Iniciado acaba por ter reflexos que não fazem parte do plano – ele pode sentir alegria ou tristeza, prazer ou dor que são inconcebíveis no plano mental em que se encontraria, por exemplo. O controle disto, para os Iniciados mais experientes e para os Iluminados lhes concedem uma vantagem incomensurável.
EGRÉGORAS
Nos outros planos – principalmente no astral e no mental – pode-se perceber com maior firmeza às Egrégoras. Como resultante psico-mentais de um grupo de Iniciados ou de uma população humana inteira, elas se reforçam e subsistem melhor nestes planos. Apesar de poderem ser consideradas como elementares (ver explicação abaixo) as Egrégoras são um pouco mais
complexas que isso. Sua força é muito maior (por ser mais direcionada) do que a de um elementar. Além disso, Egrégoras podem ser colocadas em “hibernação” enquanto que elementares existem ativamente ou não, e pronto.
Uma Egrégora existe para cumprir a missão pela qual foi nomeada. Se ela pára de cumprir essa função – ou melhor, deixa de manipular os Doutrinados para que cumpram a missão por ela – se enfraquece. Daí pode-se deduzir as incríveis capacidades manipulativas de uma Egrégora. Sua habilidade neste ponto é tanta que ela pode simplesmente fazer com que um grupo de pessoas crie uma outra Egrégora menor, mas que para cumprir seu objetivo tenha que necessariamente cumprir o objetivo da maior. Então, por exemplo, a Egrégora da Avydia (ignorância) influencia um grupo de Doutrinados a trabalhar pela Egrégora da violência. Acontece que a Egrégora da violência sabe que seus objetivos dependem da ignorância humana para que sejam alcançados. Com isso, ela trabalha diligentemente para que a avydia prolifere.
Apesar da grande preocupação com os efeitos que as Egrégoras provocam nos Doutrinados, os Iniciados sabem que elas também têm seus exércitos de seguidores nos outros planos, controlando verdadeiras legiões de seres dos mais diversos planos que estejam no seu nível ou abaixo dele.
As Egrégoras se alimentam basicamente da energia mental e emocional gerada pelas pessoas. Por isso, sua necessidade de desenvolver um alto grau de manipulação destas mesmas pessoas. Isto também as torna excelentes ferramentas para se trabalhar a consciência humana. Os Doutrinados seguem no seu dia-a-dia e não se dão conta do quanto podem estar sendo “conduzidos” pelas diversas Egrégoras criadas. Outro detalhe essencial é que a mesma pessoa pode estar ligada a diversas Egrégoras no decorrer de sua vida e até mesmo em um único dia. Em um exemplo simples: o professor dedicado que durante a aula está ligado a Egrégora do ensino, poderá a noite sair com uns amigos para uma boate e ficar ligado a Egrégora da luxúria. As duas Egrégoras (e outras mais) lutarão para tomar conta da consciência dele e se tornar a principal de sua vida. A vitoriosa decidirá o destino de sua consciência e Evolução espiritual.