Em termos globais, a despesa fiscal de 2015 registou um acréscimo de 3,3% face ao ano anterior, para o qual contribuiu em maior escala o aumento verificado ao nível da despesa fiscal dos impostos sobre o rendimento – de entre estes, da despesa fiscal do imposto sobre o rendimento das pessoas singulares – e ao nível da despesa fiscal do ISP.
Contrapondo-se àquela subida, salienta-se o decréscimo verificado na despesa fiscal dos impostos sobre o património. Para este decréscimo contribuiu essencialmente a quebra de despesa fiscal do imposto do selo relativamente a «FIIAH/SIIAH-Aquisição» (-82%), «Aquisições gratuitas de bens»
(-49%) e «Estado, Regiões Autónomas, autarquias locais» (-3%).
Ano Valor regularizado
Anos anteriores 109,2
2008 37,2
2009 78,9
2010 108,0
2011 129,2
2012 140,4
2013 141,9
2014 170,3
Conta Geral do Estado de 2015 aumento de 10,2% face ao ano anterior, resultante de um aumento de 0,5% da despesa relativa ao IRC (mais 4,2 milhões de euros) e do aumento em 31,3% (mais 126 milhões de euros) da respeitante ao IRS.
Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (IRS)
No que respeita à despesa fiscal em IRS, no respetivo cálculo atende-se à diferente natureza dos benefícios fiscais, sendo, em consequência, adotadas metodologias distintas. Assim, consideram-se três grupos de benefícios:
O grupo dos benefícios que operam por dedução à coleta;
O grupo que integra os benefícios que se consubstanciam em isenções ao rendimento, ou em reduções de taxa, onde se incluem:
Valor %
DF.1 Rendimento 1 013,8 1 274,3 1 404,6 130,2 10,2
DF.1.A IRS 269,2 402,0 528,0 126,0 31,3
DF.3.B IVA - interno 108,7 111,6 94,1 -17,5 -15,7
DF.3.C ISP 158,1 163,6 241,8 78,2 47,8
Isenções parciais, com natureza integral, na medida em que os rendimentos não são considerados para efeitos de determinação das taxas a aplicar aos restantes rendimentos (deficientes e propriedade intelectual);
Isenções totais, com natureza de isenção com progressividade, na medida em que o seu montante é considerado para efeitos de determinação de taxas a aplicar aos restantes rendimentos (isentos sujeitos a englobamento, tais como missões internacionais e cooperação);
O grupo dos benefícios que operam por taxas preferenciais.
A despesa fiscal do grupo dos benefícios que se consubstanciam em deduções à coleta traduz-se no valor liquidado e efetivamente deduzido. A despesa relativa aos benefícios de isenção e às taxas preferenciais é a resultante da diferença entre o valor do imposto resultante da reliquidação das declarações desconsiderando estes benefícios (isenções e reduções de taxas) e o montante do imposto efetivamente liquidado.
A despesa fiscal em IRS registou um valor de 528 milhões de euros em 2015, representando um aumento de 31,3% face ao ano anterior.
As rubricas que assumem maior peso na despesa fiscal em IRS são as relativas às pessoas com deficiência, aos residentes não habituais (RNH), às aplicações em PPR, ao e-fatura e aos seguros de saúde, que representam, no seu conjunto, cerca de 95,3% da despesa fiscal em IRS.
A evolução das despesas referentes, quer às pessoas com deficiência, quer aos RNH, foi determinante para o crescimento da despesa fiscal em IRS. Relativamente às pessoas com deficiência registou-se um acréscimo de cerca de 40,2 milhões de euros (mais 16%), e, no que respeita aos RNH, um aumento de 79,6 milhões de euros (mais 133,4%).
Na quantificação apresentada é ainda de salientar o facto de apenas se considerarem os benefícios obtidos por sujeitos passivos residentes no continente.
Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Coletivas (IRC)
A despesa fiscal em IRC é determinada pela extração da base de dados das declarações fiscais apresentadas pelos contribuintes (Declaração de Rendimentos Modelo 22 e respetivo Anexo D) da
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informação relativa a benefícios fiscais, agregada de acordo com a respetiva natureza, ou seja, listam-se os sujeitos passivos de acordo com os seguintes grupos:
Com benefícios por dedução ao rendimento;
Com isenções;
Com taxas reduzidas;
Com benefícios que operam por dedução à coleta.
O cruzamento da informação constante das referidas declarações fiscais permite identificar o montante e o tipo de benefício de que cada sujeito usufruiu. No caso das deduções à matéria coletável, das isenções e das taxas preferenciais, a despesa fiscal foi apurada com base no diferencial entre coleta que seria devida caso o sujeito passivo não usufruísse do benefício e o quantitativo da coleta efetivamente liquidada. No que respeita às deduções à coleta, o montante da despesa fiscal associada correspondeu ao valor efetivamente deduzido.
Importa salientar que a despesa fiscal de 2015 correspondeu ao montante de imposto que deixou de ser pago em 2015, ou seja, ao valor resultante das liquidações efetuadas durante este ano independentemente do período de tributação a que respeitam.
Na quantificação apresentada é ainda de realçar o facto de apenas se considerarem os benefícios referentes ao continente.
A despesa fiscal em IRC registou em 2015 um valor de 876,6 milhões de euros, representando um aumento de 0,5% face ao ano anterior.
O aumento registado na despesa fiscal em IRC resulta essencialmente da conjugação dos seguintes factos:
Por um lado, verificou-se um incremento de 151,7 milhões de euros de isenções tributárias relativas aos fundos de pensões e equiparáveis, relacionado sobretudo com o cumprimento declarativo por parte de fundos que anteriormente se consideravam dispensados da obrigação declarativa, e um aumento de 65,3 milhões de euros de deduções à coleta referentes ao Regime Fiscal de Apoio ao Investimento (RFAI);
Por outro lado, assistiu-se a uma redução de 15,7 milhões de euros na despesa fiscal de deduções à coleta relativa aos Benefícios Fiscais ao Investimento de Natureza Contratual (Grandes Projetos de Investimento), a uma diminuição em 148,6 milhões
de euros relativa ao Crédito Fiscal Extraordinário ao Investimento (CFEI) e a decréscimos de 7,3 milhões de euros e de 43,3 milhões de euros correspondentes ao Regime de Redução de Taxa referente aos benefícios relativos à interioridade e às SGPS, respetivamente.
Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA)
A despesa fiscal em IVA, no ano de 2015, atingiu o valor de 94,1 milhões de euros, o que representou uma diminuição de 15,7% quando comparado com o ano de 2014. Esta despesa fiscal integra:
Restituições de IVA suportado por Missões Diplomáticas (Decreto-Lei n.º 143/86, de 16 de junho), Comunidades Religiosas e Instituições Particulares de Solidariedade Social (Decreto-Lei n.º 20/90, de 13 de janeiro), Forças Armadas, Forças e Serviços de Segurança, Associações e Corporações de Bombeiros (Decreto-Lei n.º 113/90, de 5 de abril), Partidos Políticos (Lei n.º 19/2003, de 20 de junho) e Regime Forfetário dos Produtores Agrícolas (artigo 59.º-A a artigo 59.º-E do Código do IVA);
Isenções do imposto concedidas nas importações, transmissões no mercado nacional e aquisições intracomunitárias de veículos automóveis, efetuadas por deficientes (IVA na vertente aduaneira).
QUADRO 42 – Despesa fiscal em IVA
(Milhões de euros)
Fonte: Autoridade Tributária e Aduaneira
A despesa fiscal em IVA relativa a restituições a Missões Diplomáticas, Comunidades Religiosas e Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), Forças Armadas, Forças e Serviços de
2013 2014
Valor Valor Valor % Valor %
Missões Diplomáticas Decreto-Lei n.º 143/86, de 16 de junho 13,4 10,8 9,9 10,5 -0,9 -8,3
Igreja Católica Decreto-Lei n.º 20/90, de 13 de janeiro 13,4 12,4 12,9 13,7 0,5 4,0
IPSS Decreto-Lei n.º 20/90, de 13 de janeiro 51,3 39,0 25,1 26,7 -13,9 -35,6
Forças Armadas e de Segurança Decreto-Lei n.º 113/90, de 5 de abril 21,2 38,2 33,6 35,7 -4,6 -12,0
Associações de Bombeiros Decreto-Lei n.º 113/90, de 5 de abril 3,5 3,3 3,1 3,3 -0,2 -6,1
Partidos Políticos Lei n.º 19/2003, de 20 de junho 0,3 0,2 0,4 0,5 0,2 118,7
Regime Forfetário dos Produtores Agrícolas Artigos 59.º-A a 59.º-E do Código IVA 0,1 0,1 0,1
103,1 103,9 85,1 90,4 -18,8 -18,1
Automóveis - deficientes Decreto-Lei n.º 394-B/84, de 26 de outubro 5,6 7,7 9,0 9,6 1,3 16,9
108,7 111,6 94,1 100,0 -17,5 -15,6
SUBTOTAL
TOTAL
2015 Variação 2015/2014
Designação Legislação
Conta Geral do Estado de 2015
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Produtores Agrícolas, no ano de 2015, atingiu o montante global de 85,1 milhões de euros, conforme discriminado no quadro supra.
Importa referir que os valores respeitam unicamente ao continente e têm por base as restituições emitidas durante o ano.
De realçar o peso do valor imputado às IPSS e Forças Armadas no valor global da despesa fiscal em IVA, representando em conjunto cerca de 62%.
Noutro escalão de grandeza enquadra-se o valor respeitante às Comunidades Religiosas, às Missões Diplomáticas e às isenções do imposto relativas a veículos automóveis – deficientes (IVA vertente aduaneira), apresentando respetivamente 13,7%, 10,5% e 9,6% do valor global.
Quanto às restantes rubricas – Associações de Bombeiros, Partidos Políticos e Regime Forfetário dos Produtores Agrícolas –, apenas representaram cerca de 3,8% do total da despesa.
Em 2015, os acréscimos registados na despesa fiscal relativa a restituições foram de pouca expressividade e verificaram-se na despesa relativa às Comunidades Religiosas, com um acréscimo de 0,5 milhões de euros, e nos Partidos Políticos, com um aumento de apenas 0,2 milhões de euros.
Quanto às restantes rubricas, verificou-se um decréscimo da despesa, sendo o mais significativo respeitante às IPSS, no montante de 13,9 milhões de euros, que representou, em termos relativos, uma descida de 35,6%. Relativamente a estas entidades, manteve-se a tendência dos últimos anos, com início em 2011, decorrente das alterações legislativas ocorridas pela Lei n.º 55-A/2010, de 31 de dezembro (OE2011), ao nível do benefício da restituição do IVA suportado com a aquisição de bens e serviços relacionados com a construção, manutenção e conservação de imóveis utilizados total ou principalmente na prossecução dos respetivos fins estatutários, passando a ser de apenas 50%.
Apenas para as obras abrangidas pelo regime transitório (n.º 2 do artigo 130.º da Lei n.º 55-A/2010, de 31 de dezembro), o benefício da restituição do IVA manteve-se na proporção dos 100%.
Com a Lei n.º 82-B/2014, de 31 de dezembro, artigo 198.º, n.º 1 (OE2015), foi criado o regime forfetário para os pequenos produtores agrícolas que reúnam as condições de aplicação do regime especial de isenção previsto no artigo 53.º do Código do IVA, permitindo-lhes que solicitem à Autoridade Tributária e Aduaneira uma compensação em sede de IVA relacionada com a sua atividade agrícola, fixada em 6%.
A compensação forfetária é semestral e deve ser solicitada até 20 de janeiro e 20 de julho de cada ano. Daí que, na despesa do ano de 2015, apenas teve impacto o pagamento relativo ao primeiro semestre, tendo sido de 0,1 milhões de euros.
O seguinte gráfico apresenta a evolução da despesa fiscal, entre 2014 e 2015, em termos de quantidade de pedidos de restituições de IVA.
GRÁFICO 18 – Despesa fiscal em IVA
Fonte: Autoridade Tributária e Aduaneira
Em termos do número de pedidos de restituições emitidos no ano de 2015, foi o respeitante às Missões Diplomáticas que maior peso teve, representando 37% do total. O número de pedidos das IPSS apresentou também grande expressividade, sendo de 31%, seguindo-se o das Comunidades Religiosas, com um peso de 15%, e o Regime Forfetário dos Produtores Agrícolas, com cerca de 7%.
Por último, situou-se o das Associações de Bombeiros, Forças Armadas e o dos Partidos Políticos.
De referir que, com exceção dos pedidos das Missões Diplomáticas, que mantiveram praticamente o mesmo número de pedidos, todos os restantes registaram um acréscimo no ano de 2015 face a 2014.
Procedendo à análise do valor da despesa fiscal face ao número de pedidos, é de realçar que, relativamente às verbas imputadas às IPSS e Forças Armadas, ainda que se tenha registado um maior decréscimo da despesa, de 2014 para 2015, verificou-se, no entanto, em termos do número de
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Quanto às Comunidades Religiosas e Partidos Políticos, o acréscimo da despesa fiscal, embora com pouca expressividade, foi acompanhado do aumento do número de pedidos.
No que respeita à despesa fiscal IVA na vertente aduaneira, apurou-se, em 2015, um valor de 9 milhões de euros, representando um acréscimo de 1,3 milhões de euros relativamente ao ano de 2014, o que traduziu uma variação percentual de 16,9%. Este incremento encontra justificação na acentuada recuperação do mercado automóvel, embora a sua variação seja manifestamente inferior à resultante do aumento significativo das vendas de veículos automóveis relativamente ao ano transato.
De referir que, em 2015, para esta despesa fiscal relativa à vertente aduaneira, continuou a seguir-se o método de cálculo iniciado em 2010, que inclui um coeficiente de ponderação relativo à margem de comercialização dos agentes económicos, estimado em 0,2.
A correlação entre os valores da despesa fiscal em IVA, por função, é efetuada da seguinte forma:
CF.02-Defesa – Forças Armadas; inclui os montantes restituídos aos diferentes ramos das Forças Armadas (Força Aérea, Marinha e Exército), à Secretaria-Geral do Ministério da Defesa Nacional, ao Estado-Maior-General das Forças Armadas, à Guarda Nacional Republicana (GNR) e à Polícia de Segurança Pública (PSP);
CF.03 – Segurança e ordem pública – Associações de Bombeiros;
CF.04.Z – Assuntos económicos – Outros – Regime Forfetário dos Produtores Agrícolas e Partidos Políticos;
CF.08 – Serviços associativos, recreativos, culturais e religiosos – Comunidades Religiosas;
CF.10 – Proteção Social – IPSS e isenções concedidas a deficientes;
CF.11 – Relações internacionais – Missões Diplomáticas.
Imposto do Selo
Quanto ao processo de quantificação da despesa fiscal, os dados utilizados para o seu apuramento foram fornecidos pela Área de Sistemas de Informação da Autoridade Tributária e Aduaneira, obtidos a partir do Sistema Liquidador, com base nos códigos de benefício.
No que se refere ao Imposto do Selo (IS), os benefícios fiscais concedidos consubstanciam-se, em regra, em isenções.
Como reiteradamente destacado, cabe referir que o Imposto do Selo, regra geral, assenta no método da repercussão legal, caraterizado pelo facto de a figura do sujeito passivo estar dissociada da do titular do encargo, ou seja, durante as diferentes fases do imposto, o sujeito ativo do imposto não tem qualquer contacto com o titular do encargo. Esta forma de liquidação e pagamento do Imposto do Selo é estruturante ao imposto e obedece a um princípio de simplicidade que vem consagrado no 3.º parágrafo do Preâmbulo do respetivo Código. Esta especificidade inerente ao Imposto do Selo distingue-o dos impostos sobre o rendimento, onde o sujeito passivo é simultaneamente o titular do encargo do imposto.
Assim, os benefícios fiscais em sede de Imposto do Selo acompanham o titular do encargo e, regra geral, são automáticos, não sendo verificados pelos Serviços, mas por uma pluralidade de sujeitos passivos, entre os quais se incluem notários, conservadores, instituições de crédito, seguradoras, advogados, solicitadores; no limite, poderá ser qualquer pessoa coletiva ou profissional no exercício de uma atividade independente.
Constituem exceções ao referido, os casos de liquidação pelos Serviços, em que se incluem a verba n.º 1 e 1.2 da Tabela Geral do Imposto do Selo (TGIS) – a partir de 2009, face à alteração introduzida pela Lei n.º 64-A/2008, de 31 dezembro, que aprovou o OE2009 –, a verba n.º 28 (aditada à TGIS pela Lei n.º 55-A/2012, de 29 de outubro, em vigor a partir de 30 de outubro de 2012) e ainda o imposto relativo à verba n.º 2, a partir de 1 de abril de 2015 (artigo 206.º da Lei n.º 82-B/2014, de 31 de dezembro, que aprovou o OE2015).
Com base nos valores apurados da despesa fiscal referente ao IS, procede-se a uma breve análise dos resultados obtidos para o ano de 2015.
A despesa fiscal em sede deste imposto registou o valor de 200,9 milhões de euros em 2015, apresentando um decréscimo de 131 milhões de euros face a 2014, o que representou uma diminuição de 39,5%.
Concorreu, essencialmente, para esta redução o decréscimo da rubrica «Aquisição gratuita de bens, incluindo usucapião», com uma redução de 127 milhões de euros, o que correspondeu a um decréscimo de cerca de 49%, em relação ao ano de 2014, bem como da rubrica «Estado, Regiões Autónomas, autarquias locais», com uma diminuição de cerca de 1,2 milhões de euros, menos 3% da despesa verificada no ano de 2014.
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Não obstante a redução evidenciada pelas rubricas identificadas no parágrafo anterior, o peso global de ambas na despesa fiscal do IS continuou preponderante, representando mais de 85% da despesa fiscal registada em 2015 em sede deste imposto.
Em sentido inverso, das rubricas que apresentaram um aumento da despesa, evidenciaram-se
«Código da Insolvência e da Recuperação de Empresas – Transmissões integradas em Planos de insolvência ou de pagamentos ou no âmbito da liquidação da massa insolvente» e «Pessoas coletivas de utilidade pública administrativa e de mera utilidade pública», com um acréscimo de 34,9% e 5,1%, respetivamente, face a 2014. Estas rubricas representam um peso de 5% e 2,3%, respetivamente, na despesa fiscal registada em 2015 em sede de IS.
Imposto Único de Circulação
Quanto ao processo de quantificação da despesa fiscal, os dados utilizados para o seu apuramento foram fornecidos pela Área de Sistemas de Informação da Autoridade Tributária e Aduaneira (AT), obtidos a partir do Sistema Liquidador, com base nos códigos de benefício, acrescentando-se ainda que os dados correspondem à receita fiscal cessante, sendo que a sua quantificação foi efetuada com base nas tabelas que integram os artigos 9.º a 15.º do Código do IUC, bem como nas tabelas aplicáveis em resultado do «Adicional em sede de IUC» (introduzido pelo artigo 216.º da Lei 82-B/2014, de 31 de dezembro).
No que concerne ao IUC, os benefícios fiscais concedidos consubstanciam-se em isenções delimitadas ao previsto no artigo 5.º do Código do IUC, coexistindo benefícios automáticos a par de benefícios dependentes de reconhecimento prévio.
Em 2015, a despesa fiscal em sede de IUC fixou-se em 8,4 milhões de euros, apresentando um aumento de cerca de 25% face ao ano de 2014.
Neste imposto, assumiu maior expressão a despesa fiscal registada na rubrica «Pessoas com deficiência cujo grau de incapacidade seja maior ou igual a 60% em relação a veículos das categorias A, B e E, e nas condições previstas no n.º 5», que apresentou o valor de 3,4 milhões de euros, representando 40,3% do valor global da despesa fiscal do imposto, evidenciando um aumento de 0,7 milhões de euros (acréscimo de 26,9%) face ao ano de 2014.
Destacou-se o valor registado de 2,3 milhões de euros na rubrica «Veículos da categoria D, quando autorizados ou licenciados para o transporte de grandes objetos» [artigo 5.º, n.º 7, alínea a) do CIUC], facto que evidenciou um aumento de cerca de 47,2% face ao ano de 2014.
Imposto sobre os Produtos Petrolíferos (ISP)
Em 2015, a despesa fiscal em sede de ISP sofreu um acréscimo de 47,8% (mais 78,2 milhões de euros) relativamente ao montante apurado em 2014 (163,6 milhões de euros), fixando-se em 241,8 milhões de euros.
Este aumento ficou a dever-se fundamentalmente à contabilização do adicionamento do CO2
aplicável à maioria dos produtos petrolíferos e energéticos utilizados nas atividades consideradas para efeitos de despesa fiscal contabilizada na Conta Geral do Estado, com especial relevo na rubrica
«Produção de eletricidade ou de eletricidade e calor (cogeração)», que registou em 2015 um aumento de 304,4% (mais 62,1 milhões de euros) face ao ano anterior, motivado pelo adicionamento do CO2 aplicável ao carvão.
Imposto sobre os Tabacos Manufaturados (IT)
Em 2015, no que concerne ao IT, a despesa fiscal fixou-se em 0,5 milhões de euros, tendo sofrido uma redução de 16,7% (menos 0,1 milhões de euros) relativamente ao ano de 2014 (0,6 milhões de euros).
Imposto sobre o Álcool e as Bebidas Alcoólicas (IABA)
Em 2015, a despesa fiscal contabilizada na Conta Geral do Estado em sede de IABA registou um decréscimo na ordem dos 37,5% (menos 0,6 milhões de euros) relativamente ao ano anterior (1,6 milhões de euros), fixando-se em 1 milhão de euros.
Este comportamento é justificado pela variação ao nível da rubrica «Aguardentes produzidas em pequenas destilarias para autoconsumo (30 litros)» (0,9 milhões de euros de despesa fiscal em 2015), decorrente do aumento da eficácia no controlo e fiscalização desta atividade.
Imposto sobre Veículos (ISV)
Em sede de ISV, assistiu-se ao aumento da despesa fiscal no ano de 2015 relativamente ao ano de 2014 em cerca de 2,7 milhões de euros (de 29,4 milhões de euros para 32,1 milhões de euros), correspondendo este valor a uma variação positiva de 9%, consolidando a tendência de subida verificada a partir daquele ano.
Conta Geral do Estado de 2015
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Este comportamento da despesa fiscal está diretamente relacionado com o aumento das vendas no mercado automóvel, com repercussões, nomeadamente, no aumento da concessão de benefícios a táxis e a veículos destinados a pessoas com deficiência motora. Paralelamente ao aumento da concessão destes benefícios, o incremento verificado nas transferências de residência para Portugal alavancou a subida da despesa.