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Riscos das Responsabilidades Contingentes

No documento Conta Geral do Estado (páginas 68-72)

II. E STRATÉGIA DE C ONSOLIDAÇÃO O RÇAMENTAL _______________________________________________________ 13

II.6. Impacto dos Riscos Orçamentais

II.6.2. Riscos das Responsabilidades Contingentes

II.6.2.1. Garantias e Contragarantias

Garantias Concedidas ao Setor Bancário

O stock da dívida garantida pelo Estado às Instituições de Crédito (IC) ascendia, em 31 de dezembro de 2015, a 6300 milhões de euros.

QUADRO 21 – Dívida garantida pelo Estado às instituições de crédito em 31 de dezembro de 2015 (Milhões de euros)

Fonte: Direção-Geral do Tesouro e Finanças

No que respeita às operações financeiras contratadas pelas IC e garantidas pelo Estado no âmbito da Iniciativa para o Reforço das Estabilidade Financeira (IREF), prevê-se o seu reembolso até fevereiro de 2017, de acordo com os respetivos planos de amortização, aprovados pelo Garante, que consagram o reembolso no montante de 1000 milhões de euros durante o ano de 2016.

Refira-se que as IC asseguraram desde 2008, data em que foi lançada a IREF, o pagamento atempado da dívida garantida e das respetivas comissões de garantia ao Estado, tendo-se verificado a amortização antecipada de diversas operações, por opção das IC, restando apenas três garantias concedidas ao Novo Banco cujas obrigações transitaram do BES.

Relativamente à Garantia de Carteira, é de mencionar que se trata de um instrumento no âmbito do qual a República Portuguesa assegurou, até ao limite de 2800 milhões de euros, o cumprimento das obrigações de pagamento assumidas pelas IC (BPI, CGD, BES e BCP) junto do BEI, referentes a uma carteira de operações de financiamento de projetos desenvolvidos e a desenvolver em Portugal, cuja exposição poderá atingir um montante máximo de 6000 milhões de euros.

Novo Banco 3 500

Garantia de Carteira 2 800

TOTAL 6 300 TOTAL 6 300

2 800 Emitente Montante Amortizações 2016-2020

IREF – Iniciativa para o reforço da estabilidade financeira 3 500 Garantia de Carteira / BEI

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Esta garantia tem um prazo de sete anos, com maturidade em 2020. A particularidade de a maioria das operações incluídas beneficiar de garantias bancárias reduz, assim, o risco assumido pelo Estado.

Garantias Concedidas a Outras Entidades

O stock da dívida garantida pelo Estado ascendia, a 31 de dezembro de 2015, a cerca de 16 524,9 milhões de euros, concentrando-se nas operações contratadas pelas empresas que constam do quadro seguinte.

QUADRO 22 – Garantias concedidas a outras entidades

(Milhões de euros)

Fonte: Direção-Geral do Tesouro e Finanças Notas:

(*) Montante garantido à data de 31/12/2015.

(**) Disperso por cerca de 35 entidades públicas, na sua maioria não reclassificadas, privadas e países objeto da cooperação portuguesa.

(***) Amortizações a ocorrer entre 01/01/2016 e 31/12/2020.

Beneficiário da Garantia Montante

Entidades reclassificadas 11 635,8 70,4% 694,8 5 805,9 -49,9%

Parvalorem 2 591,3 15,7% 269,3 2 169,8 -83,7%

Metropolitano de Lisboa 2 570,2 15,6% 87,5 1 027,4 -40,0%

Infraestruturas de Portugal 2 906,7 17,6% 105,5 937,1 -32,2%

CP 721,5 4,4% 42,7 165,2 -22,9%

EDIA 531,8 3,2% 6,7 381,9 -71,8%

Metro do Porto 798,6 4,8% 54,1 291,5 -36,5%

Parque escolar 996,2 6,0% 42,7 242,6 -24,4%

PARUPS 464,5 2,8% 86,4 535,5 -115,3%

Transtejo 55,0 0,3% 55,0 -100,0%

Entidades não reclassificadas 1 718,0 10,4% 89,0 459,5 -26,7%

AdP 1 373,3 8,3% 46,4 262,7 -19,1%

Carris 244,7 1,5% 42,6 196,8 -80,4%

STCP 100,0 0,6%

Outras (**) 1 976,1 12,0% 75,8 353,8 -17,9%

Regiões Autónomas 1 195,0 7,2% 8,2 309,0 -25,9%

Região Autónoma da Madeira 1 162,1 7,0% 5,9 297,2 -25,6%

APRAM 32,9 0,2% 2,4 11,8 -35,7%

TOTAL 16 524,9 867,9 6 928,1 -41,9%

No caso das empresas reclassificadas no perímetro das AP identificadas no quadro, o montante da dívida e encargos anuais está já considerado para efeitos da conta das Administrações Públicas em Contabilidade Nacional. Acresce o facto de, no OE2016, se prever a concessão de financiamentos do Estado ou aumentos de capital, através da DGTF, que permitirão a essas empresas assegurar o respetivo serviço da dívida, mitigando, desta forma, o risco de incumprimento.

Deste modo, o risco orçamental de eventuais execuções de garantia para o período em análise, por incumprimento dos devedores, limitar-se-á, em grande parte, à AdP, CARRIS e RAM, cuja dívida a vencer no período 2016-2020 se estima ser de 768,5 milhões de euros, ou seja, 26% do montante atualmente garantido a este grupo e 5% do montante total garantido. No entanto, salienta-se que este grupo de empresas é totalmente detido pelo Estado, não se tendo verificado, até à data, qualquer execução de garantia. Mais se refere que a dívida garantida em causa corresponde essencialmente a financiamentos contraídos junto do BEI, cujas condições financeiras são favoráveis.

Em relação aos beneficiários acima designados por «Outras», cujo stock da dívida ascende a cerca de 1976,1 milhões de euros, a previsão dos reembolsos para 2016 estima-se em cerca de 75,8 milhões de euros, não se prevendo um risco de incumprimento significativo com base no histórico das execuções de garantia. Exceciona-se a situação da Europarques, relativamente à qual se inscreveu, no OE2016, cerca de 1,1 milhões de euros, uma vez que já em anos anteriores a mesma foi objeto de pagamentos em execução de garantia.

II.6.2.2.Parcerias Público-Privadas

Nas Parcerias Público-Privadas (PPP) existem riscos orçamentais ou responsabilidades contingentes decorrentes nomeadamente da execução dos contratos em vigor e da respetiva modificação dos mesmos.

Setor Rodoviário

No tocante às PPP rodoviárias, à data de elaboração do Relatório do OE2015 existia um conjunto de litígios pendentes, que respeitavam designadamente a pedidos de reposição do equilíbrio financeiro dos contratos, bem como a outros pedidos de indemnização apresentados pelas concessionárias e subconcessionárias – alguns já em processo arbitral, outros em fase pré-contenciosa e outros ainda em que apenas tinha sido anunciada a intenção de apresentar pedidos de reposição do equilíbrio

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construção, com a introdução de portagens em autoestradas circundantes, com as variações de tributação direta sobre lucros e com a introdução da Taxa de Regulação de Infraestruturas Rodoviárias (TRIR) e das tarifas do Sistema de Identificação Eletrónica de Veículos, S.A. (SIEV).

No ano de 2015, foram resolvidos alguns dos diferendos em curso, destacando-se, a este respeito, o processo relativo à concessão do Litoral Centro, cuja execução da respetiva sentença arbitral se traduziu num impacto orçamental, em 2015, de cerca de 38 milhões de euros.

Setor Ferroviário

No que toca às PPP ferroviárias, importa notar que continuam por dirimir os dois diferendos em curso29 à data de elaboração do Relatório do OE2015.

Setor da Saúde

No que diz respeito às PPP do setor da saúde, tal como antecipado no Relatório do OE2015, não se materializaram quaisquer riscos orçamentais.

Setor da Segurança

No que diz respeito à PPP do setor da segurança, tal como antecipado no Relatório do OE2015, não se materializaram quaisquer riscos orçamentais, mantendo-se por resolver os quatro pedidos de reposição do equilíbrio financeiro, relacionados com alegados atrasos na montagem da rede SIRESP ou com encargos adicionais incorridos pela concessionária para que o prazo definido contratualmente não fosse incumprido.

29 Um dos quais relativo ao pedido de indemnização apresentado pela ELOS – Ligações de Alta Velocidade, na sequência da recusa de visto por parte do Tribunal de Contas ao contrato de concessão do projeto, construção, financiamento, manutenção e disponibilização de infraestruturas ferroviárias no troço Poceirão-Caia, e ainda do projeto, construção, financiamento, manutenção, disponibilização e exploração da Estação de Évora, e o outro referente ao pedido de reposição do equilíbrio financeiro apresentado em 2012 pela concessionária do serviço de transporte suburbano de passageiros no Eixo Ferroviário Norte-Sul (a Fertagus), na sequência do aumento da taxa das infraestruturas ferroviárias.

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