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Detalhamento do percurso do estudo: os achados do levantamento

2 O PROGRAMA INSTITUCIONAL DE BOLSA DE INICIAÇÃO À DOCÊNCIA:

2.3 Considerações sobre as possibilidades de formação do coordenador de área no PIBID

2.4.2 Detalhamento do percurso do estudo: os achados do levantamento

Este levantamento, caracteriza-se como de natureza metodológica pelo caráter bibliográfico e tem sua abordagem a partir da metodologia qualitativa.

As fontes utilizadas para este estudo foram o grupo de trabalho de formação de professores (GT8) da plataforma online da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPEd)80, em que foram analisadas as reuniões nacionais, buscando pelo descritor “PIBID” e após o levantamento dos trabalhos, filtrados para “Coordenadores de área PIBID”.

Após busca no Catálogo de Teses e dissertações da CAPES81, encontramos 704 resultados para “PIBID”, o que depois foi especificado, com filtro, para “Coordenadores de área PIBID”.

80 Investigação realizada e organizada pela própria pesquisadora em outubro de 2018, no grupo de trabalho

“GT8” de formação docente da ANPED.

Ainda no Catálogo da CAPES, buscamos pelo descritor "PIBID UFOP" apareceram apenas dois resultados iniciais “Letramento e tempo presente” no jornal discente “A revolução começa aqui!” (PIBID/UFOP-História, 2013-2015)” e “Atuação do PIBID Ciências em uma sequência didática investigativa sobre Alquimia”. A partir desse levantamento, não encontramos pesquisas a respeito do coordenador de área usando o descritor “PIBID UFOP” e consideramos importante que, nessa experiência da UFOP, se possa investigar e dar voz aos sujeitos da ação, ou seja, os coordenadores de área, sobretudo, que passaram pelo programa mediante a proposta do Edital 061/201382, através da Portaria 096, de 18 de julho de 2013.

Procedemos no mesmo Catálogo da CAPES uma nova busca, com outro descritor, “PIBID PED UFOP”. Identificamos que em 2014 foi publicada pesquisa importante sobre o PIBID/UFOP, intitulada “Políticas de formação de professores no Brasil: um estudo sobre o PIBID na região dos Inconfidentes – MG”, com um recorte de professores iniciantes, egressos do programa. Essa pesquisa utilizou, como metodologia, a coleta de dados do grupo focal para responder à questão: “O PIBID tem promovido ações para a melhoria da formação inicial?”.

Foram realizados levantamentos nas revistas periódicas: Brasileira de Pesquisa sobre Formação de professores (RBPFP) com descritor “PIBID” e na Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos (RBEP) com descritor “PIBID”.

O levantamento nas reuniões nacionais do GT8 da ANPEd se concentrou no recorte temporal de 2007 a 2018, buscando identificar trabalhos sobre este ator, desde a formulação do programa em 2007 até o último Edital83, que encerrou suas atividades em fevereiro de 2018. No entanto, na plataforma online estavam disponíveis as publicações nos anais até ano de 2017, a 38ª reunião científica nacional da ANPEd em São Luís do Maranhão.

Ao todo foram selecionados 9084 trabalhos nas plataformas, com os descritores “PIBID” e “coordenador de área PIBID”, apresentados a seguir, a partir de dois critérios: o primeiro relacionado ao título e, o segundo, por meio da leitura dos resumos e palavras-chave. Procedeu-se à leitura dos resumos, verificando, diante dos resultados encontrados, quais pesquisas e/ou artigos tratavam sobre o PIBID, posteriormente, após a seleção e

82 Segundo o relatório de Gestão da Diretoria de Educação Básica (DEB, 2014, p. 70), este edital “foi universal

para convocar as instituições a apresentarem suas propostas. Esse edital diferenciou-se dos demais por sua abrangência e alcance das instituições de Ensino Superior: públicas e privadas sem fins lucrativos e, ainda, alunos ProUni das instituições privadas.”

83 O edital 061/2013 referido para a discussão desta pesquisa, teve seu período de vigência de março de 2014 a

fevereiro de 2018.

84 Foram considerados deste total: os 67 resultados “brutos” da pesquisa com descritor “coordenador de área

PIBID” da Plataforma Catálogo de teses e dissertações da CAPES, somados aos 9 trabalhos do GT8/ANPEd/Reuniões nacionais compreendendo 2007 a 2018, acrescidos à esse número, 8 trabalhos da Revista Formação Docente e 6 da Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos.

organização das investigações, filtrados para “coordenador de área PIBID” a fim de delimitar os achados nas plataformas.

Posteriormente, foram identificados resultados segundo as temáticas discutidas nas pesquisas e assim, identificados a abordagem teórica, as universidades (segundo as regiões pesquisadas), os objetos de estudo, as temáticas abordadas, o percurso metodológico, instrumentos e as fontes de coleta de dados.

Inicialmente foram encontrados, com o descritor “PIBID”, na plataforma catálogo de teses e dissertações da CAPES, 704 trabalhos, dentre os quais, 458 dissertações e 145 teses, porém com decorrências extensas, o que não objetivaria o foco desta investigação.

Em virtude disso, tratamos de encontrar os sujeitos coordenadores de área nas pesquisas selecionadas e buscamos com o descritor “coordenador de área PIBID”, para filtrar os resultados.

Identificamos 67 resultados, sendo 31 dissertações e 23 teses. Após a leitura dos resumos, percebeu-se que alguns deles não tratavam do assunto pesquisado, Dessa forma, estas pesquisas foram descartadas do levantamento, restando 35 trabalhos que tratavam do PIBID.

Das 35 pesquisas encontradas na plataforma Catálogo de Teses e Dissertações da CAPES, 16 delas referiam-se à formação inicial, abarcando os bolsistas de iniciação à docência e/ou egressos, 3 sobre o supervisor e as outras tratavam sobre a relação entre universidade e escola, docência universidade, atividades práticas, disciplinas e o PIBID, discursos sobre a interpretação das orientações do PIBID, o PIBID como terceiro espaço de formação, atividades refletivas e sistemas eletrônicos de processo seletivo do PIBID.

Das pesquisas apuradas, identificamos que apenas 5 trabalhos versaram sobre o coordenador de área, no entanto, as abordagens nos trabalhos precedem percepções diversas sobre esse ator e não necessariamente tratam de uma investigação sobre a formação do mesmo.

Dessa forma, o coordenador de área é citado, seja no desenvolvimento da pesquisa, como parte dos entrevistados, para trazerem sua avaliação e percepção sobre a formação inicial, seja em relação às contribuições do PIBID como política, ou ainda no envolvimento dos supervisores, e a relação entre a escola e a universidade.

Ao realizar a busca pelo coordenador de área, a fim de descobrir trabalhos desenvolvidos sobre a contribuição do PIBID para a formação, prática docente e atuação deste profissional no programa, identificou-se que os trabalhos encontrados no catálogo da CAPES

são de abordagem qualitativa, referindo-se à possibilidade de abarcar subjetividades e diferenças em torno de cada contexto, objeto ou questão problema.

Assim como Minayo (2016) esclarece, a pesquisa dentro das ciências sociais se refere a diversos significados, símbolos e subjetividades, portanto, o objeto é qualitativo, pois:

A realidade social é a cena e o seio do dinamismo da vida individual e coletiva com toda a riqueza de significados dela transbordante. Essa mesma realidade é mais rica que qualquer teoria, qualquer pensamento e qualquer discurso que possamos elaborar sobre ela. Portanto, os códigos das ciências que por sua natureza são sempre referidos e recortados são incapazes de conter a totalidade da vida social. As Ciências Sociais, no entanto, possuem instrumentos e teorias capazes de fazer uma aproximação da suntuosidade da existência dos seres humanos em sociedade, ainda que de forma incompleta, imperfeita e insatisfatória (MINAYO, 2016, p. 14).

Desse modo, compreendemos que este tipo de pesquisa trabalha com questões de ordem particular e singular, e necessita, como a pesquisadora salienta, utilizar diversas técnicas como estratégia para coletar os dados e assim construir seu objeto85 (MINAYO, 2016, p. 30).

A partir desse entendimento, compreendemos as escolhas dos pesquisadores no levantamento, que utilizaram questionários, fizeram análises textuais e discursivas de trabalhos veiculados em revistas, narrativas escritas e estudos de caso do tipo pesquisa- formação.

Percebeu-se que, nos trabalhos identificados, como salienta André (2010), há uma multiplicidade de instrumentos e técnicas de pesquisa para as investigações do campo docente, o que demonstra uma preferência dos pesquisadores em relação à utilização destas ferramentas em pesquisas no campo docente.

A utilização de uma ou mais técnicas ou instrumentos para a coleta de dados, possibilita aos pesquisadores, buscar cercar aspectos diversos que surgem mediante o processo de pesquisa. Para André (2010), existe um processo de constituição do campo de formação docente, característico, mencionado por García (1999), que faz “uso de mais técnicas em processos de pesquisa”, sejam uma ou mais, para facilitar o processo de “aprofundamento em questões mais complexas” (ANDRÉ, 2010, p. 6).

Dois desses trabalhos identificados no levantamento, tratavam de analisar as contribuições e os limites do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) dentro da formação e atuação profissional, não somente dos bolsistas de iniciação à

85 Minayo (2016, p. 30) esclarece que objeto construído é uma” tradução do real, a partir de leituras orientadas

por conceitos operadores”. Desse modo, a autora afirma que a pesquisa não é neutra e o pesquisador faz escolhas metodológicas, teóricas, para traduzir a versão do real.

docência, mas também dos supervisores, professores colaboradores, coordenadores institucionais, de gestão de processos educacionais e de área. O outro tratava sobre uma análise dos limites e das potencialidades das sinalizações feitas na literatura de formação docente ao desenvolvimento profissional dos professores da educação superior e o papel das políticas públicas de formação de professores.

Selecionamos, então, 3 trabalhos que encontramos com o objetivo de investigar sobre e, unicamente, o coordenador de área do PIBID. Os trabalhos envolvem uma tese abordando o desenvolvimento profissional na interação entre universidade e escola, uma dissertação tratando sobre o desenvolvimento profissional de coordenadores de área do curso de licenciatura em Física e, por último, e não menos importante, uma dissertação sobre os percursos formativos, profissionais e práticas docentes de coordenadores de área. Essas pesquisas endossaram a preocupação a respeito do desenvolvimento profissional docente, um tema ainda silenciado, apontado por Massena (2013).

As pesquisas sobre o coordenador de área do PIBID envolveram a abordagem qualitativa e o instrumento mais utilizado para a coleta de dados foi a entrevista semiestruturada, aliada a outros instrumentais como análises narrativas, documental, bibliográfica e questionários.

Nos trabalhos, ora citados anteriormente, de Almeida (2015), Fernandes (2016) e Silva (2015) foi utilizada a entrevista semiestruturada como instrumento de coleta de dados, a fim de oportunizar narrativas dos coordenadores de área para a concretização dos objetivos de suas pesquisas.

A opção por este instrumento, considerando a relevância do questionário, vem sendo frequentemente usado no campo de formação de professores. Como também a utilização de mais de um instrumento para a coleta de dados em pesquisas, o que André (2010) avalia como uma progressão positiva:

Quanto às técnicas de coleta de dados, observa-se uma evolução positiva nos últimos anos: pesquisadores passam a utilizar o questionário, que havia sido banido das pesquisas nos anos 1990, o que mostra uma diminuição do preconceito sobre dados quantitativos. Além disso, outro aspecto positivo nas pesquisas recentes é a de que questões tão complexas como as que envolvem a formação docente precisam ser investigadas sob múltiplos ângulos (ANDRÉ, 2010, p. 6).

Encontramos, nas pesquisas sobre o coordenador de área do PIBID, a utilização da junção de outros instrumentos que podem enriquecer a construção dos dados, como a análise

bibliográfica e documental, questionários, histórias de vida, entrevistas abertas e análise de narrativas, como mencionamos anteriormente.

É importante ressaltar que os estudos vinculando o PIBID e o coordenador de área, tiveram uma maior concentração nas regiões Sudeste e Sul. Portanto, infere-se que essa predominância pode ser resultado, como apontado por André (2011), de “uma maior concentração de programas de pós-graduação nestas regiões” (ANDRÉ, 2011, p. 85).

Fernandes (2016) ressalta a importância do PIBID para a formação de professores, sobretudo, como uma ação de fortalecimento. E ainda afirma que, embora o programa seja voltado para a formação inicial, tem um importante aspecto que precisa ser considerado em relação ao desenvolvimento profissional dos formadores (FERNANDES, 2016, p. 29).

Considerando abranger essa busca, devido a quantidade pequena de trabalhos encontrados e, visando identificar os coordenadores de área do PIBID, procuramos, por meio da plataforma da ANPEd, as reuniões nacionais ocorridas entre os anos de 200786 e 2017, no grupo de formação de professores “GT887”, com os mesmos descritores.

Para compreender o percurso da busca pelos trabalhos do PIBID, apresenta-se, a seguir, o trajeto percorrido, a fim de verificar a existência de investigações sobre os coordenadores de área.

Inicialmente, foram visitadas as programações de todas as reuniões do período de recorte. A partir das buscas na 31ª reunião ocorrida em 2008, e nas de 2009 e 2010, todas concentradas em Caxambu, não foi encontrado nenhum trabalho sobre o PIBID ou sobre o coordenador de área. Então, na 34ª reunião anual em Natal, em 2011, localizamos o primeiro trabalho no formato de pôster, porém, não aborda sobre o coordenador de área. Na 35ª reunião que ocorreu em 2012, em Porto de Galinhas, Pernambuco, não encontramos trabalhos sobre investigações vinculados ao PIBID, no entanto, percebemos que a abordagem predominante das pesquisas se tratava da docência universitária.

Na busca no GT8, encontramos 9 trabalhos sobre o PIBID, publicados nas reuniões nacionais da ANPEd, entretanto, não identificamos trabalhos a respeito do coordenador de área, somente sobre a iniciação à docência, relação universidade e escola sob a mediação dos

86 A opção por esse recorte visava contemplar o início do PIBID, no ano de 2007 em que foi publicada pelo

Diário Oficial da União (DOU) a Portaria Normativa nº 38, DE 12 de Dezembro de 2007, que dispõe sobre o Programa de Bolsa Institucional de Iniciação à Docência – PIBID no âmbito do MEC e da CAPES. Pretendíamos compreender a busca até o ano de 2018, pois era ano em que este levantamento foi realizado, no entanto, verificamos que a última reunião nacional da ANPEd, a 38ª reunião, ocorreu em outubro de 2017 em São Luís do Maranhão, devido a isso as pesquisas verificadas compreenderam o que foi alimentado na plataforma até o momento do levantamento.

87 As reuniões nacionais da ANPEd aconteciam anualmente, porém, a partir de 2013 passaram a ocorrer

supervisores e formação de professores da educação básica. Sendo assim, procedemos outras buscas em outra fonte, a Revista periódica: Revista Brasileira de Pesquisa sobre Formação de professores (RBPFP), para abranger os resultados.

A revista RBPFP é acadêmica científica, conhecida como “Formação Docente”, buscamos trabalhos com o período de recorte temporal de 2007 a 2018 (momento dessa investigação) sem demais filtragens, obtivemos 8 resultados, entre 2014 e 2018, com o descritor “PIBID” e, em seguida, partimos para identificar, dentro desse levantamento, o “coordenador de área”, contudo, não houve nenhum trabalho resultante da busca.

Dos resultados com o descritor “PIBID”, a busca revelou um trabalho sobre a pesquisa e formação inicial em 2014, dois nos anos de 2015, em que um mesmo trabalho foi lançado nos anos 2014 (volume 7 nº 13) e 2015 (volume 6 nº 10), com o foco na formação que une o ensino e a pesquisa.

Em 2015, encontramos um artigo sobre a formação inicial e a parceria entre universidade e escola, um artigo abordando a parceria universidade para a formação inicial de pedagogos docentes no PIBID e um último artigo, apresentando parte de uma investigação de mestrado, que analisou as contribuições da utilização do instrumento pedagógico, diário de aula, para a reflexão da prática no ensino de Biologia.

Em 2017, encontramos apenas um resultado sobre o desenvolvimento profissional docente e a inovação pedagógica, relacionada ao professor supervisor do PIBID, abordando sua prática pedagógica, reflexões e transformações sobre o fazer profissional e a carreira docente.

Em 2018, verificamos a publicação de dois artigos com o tema PIBID, sendo um sobre Política Nacional de Formação de Professores, com ênfase na promoção e valorização da formação docente e o outro sobre a formação de professores, no Estado do Paraná, que atuam no Ensino Fundamental e Médio, na perspectiva das políticas públicas voltadas para sua formação. Porém, nenhum sobre o foco de investigação no coordenador de área do PIBID.

Procedemos o levantamento de trabalhos na Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos (RBEP), com o descritor “PIBID”, sem demais filtros, onde encontramos seis resultados, considerando o período de busca de 2007 a 2018. A partir da leitura dos artigos, verificamos que a maior parte dos textos tratam da formação inicial do docente e um trabalho não se relacionava com o PIBID, abordando as cotas raciais.

Os temas mais abordados nos artigos foram em relação à formação inicial, as práticas de leitura e à metodologia utilizada, sendo predominante a de abordagem qualitativa. As pesquisas utilizaram os instrumentos para coleta de dados como portfólios, rodas de conversa,

fichas de avaliação e relatórios de bolsistas. No entanto, como na revista Formação Docente, não encontramos resultados de pesquisas sobre o coordenador de área do PIBID.