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DETERIORO COGNITIVO Um conceito que é usualmente considerado no processo de envelhecimento, é o de deterioro

CASO DE AVALIAÇÃO

DETERIORO COGNITIVO Um conceito que é usualmente considerado no processo de envelhecimento, é o de deterioro

cognitivo, sendo este definido pelo conjunto de alterações nas capacidades mentais superiores, manifestando-se habitualmente em alteração ou até mesmo decréscimo das capacidades/habilidades próprias que fazem parte do reportório funcional do indivíduo. Estas alterações, podem ser reversíveis ou crónico, focal (restrito a uma área) ou difuso (a vários níveis), ou seja, afectar uma função mental isolada ou pelo contrário, afectar um conjunto de funções que se encontram relacionadas entre si (Peña-Casanova, 1995 cit. in Franco & Criado, 2002). O Deterioro Cognitivo Leve (DCL), em meados do século passado, era considerada como uma alteração diferenciada da memória,

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DISSERTAÇÃO CONDUCENTE A GRAU DE MESTRE UNIVERSIDADE DA BEIRA INTERIOR 2007/2008 23 posteriormente outros autores elaboraram diferentes nomenclaturas para um conceito quase nosológico, tais como deterioro mnésico associado à idade. No entanto, no final dos anos 90, surge o conceito de Deterioro Cognitivo Leve definido por Petersen, Smith, Waring, Ivanik, Tangelos & Kokmen (1999) (Quadro 2).

Quadro 2. Critérios de Diagnóstico de Deterioro Cognitivo Leve, adaptado de Petersen, Smith, Waring, Ivanik, Tangelos

& Kokmen (1999)

Tendo em conta a Quadro 2, bem como segundo Bischkopf, Busse & Angermeyer (2002), o Deterioro Cognitivo Leve é o estado entre as funções cognitivas normativas e a demência num estado inicial. Os sujeitos apresentam um desempenho normativo nas actividades de vida diária, sendo esta característica fulcral na distinção entre deterioro cognitivo leve e demência. É importante assinalar que o critério para o deterioro cognitivo leve é importante na medida em que define o estado clínico entre o idoso normativo e a demência (Figura 6).

Figura 6. Evolução do Deterioro Cognitivo, adaptado de Peterson, Stevens, Ganguli, Tangalos, Cummings & DeKosky,

2001).

Considerando os critérios de diagnóstico da Associação Americana de Psiquiatria (APA) (2002), a demência caracteriza-se pelo desenvolvimento de uma variedade de déficits que abrangem o comprometimento da memória e pelo menos de uma das seguintes perturbações cognitivas: afasia, apraxia, agnosia ou uma perturbação do funcionamento executivo (Barbizet & Duizabo, 1978). Associado à severidade dos déficits, encontra-se comprometido o funcionamento ocupacional, familiar e social, bem como expressar um declínio em relação a um estado pré-mórbido de funcionamento. Tal como referido anteriormente, um dos sintomas mais premente para o seu diagnostico, é representado pelos déficits mnésicos que se caracteriza por dificuldades na aprendizagem de nova informação ou esquecimentos de outra já apreendida previamente (Spaan, Raaijmakers & Jonker, 2005; Mack, Eberle, Frölich, et al., 2005). A dificuldade primária de memória mais frequente e em termos práticos é expressa nos esquecimentos quotidianos tais como: esquecer-se da comida a cozinhar, esquecimentos de objectos (e.g., pequenos objectos, carteira, chaves de casa, etc.), desorientação espacial em locais familiares, esquecimento de nomes de pessoas conhecidas,

Critérios de diagnóstico de Deterioro Cognitivo Leve (amnésico)

Queixas de fala na memória, sustentadas por significativos; Rendimento cognitivo geral normativo

Evidencia objectiva de déficits de memoria inferior a 1.5 de desviações em relação à média de idade Ausência de déficits funcionais relevantes em actividades de vida diária

Ausência de critérios diagnósticos de demência.

Deterioro Cognitivo Leve

Idade

Deterioro Cognitivo de Tipo Alzheimer Provável Deterioro Cognitivo de Tipo Alzheimer Definitiva

DISSERTAÇÃO CONDUCENTE A GRAU DE MESTRE UNIVERSIDADE DA BEIRA INTERIOR 2007/2008 24 entre outros aspectos (Moss, Cappelletti, Davies et al., 2000). Associados às dificuldades mnésicas, o paciente pode manifestar concomitantemente dificuldade na compreensão da linguagem falada (Hodges & Patterson, 1996); escrita (Graham. 2000; Hughes, Graham, Patterson, et al., 1997); a deterioração das funções da linguagem (afasia), como por exemplo, anomia (dificuldades em nomear nomes de pessoas, objectos, localidades, etc.). A nível motor poderá ser afectado na forma de execução de actividades, podendo os pacientes evidenciar apraxia construtiva, ideatória, do vestir, ideomotora, entre outras (Luchelli, Lopez, Faglioli, et al., 2004; Kramer & Duffy, 1996). Para além das alterações ao nível das praxias, verifica-se também dificuldades no reconhecimento ou na identificação dos objectos (sem evidencia de déficit sensorial), ou seja as agnosias, também podem ocorrer e manifestarem-se através da incapacidade do paciente reconhecer objectos comuns, familiares e a si próprio (em fotografia ou espelho) (Funnell, 2000; Kramer & Duffy, 1996). A nível executivo, é também frequente a afecção, o que poderá estar subjacente à lesão das regiões frontais ou vias subcorticais associadas (Greene, Hodges & Baddeley, 1995). Este tipo de funções são importantes no dia-a-dia e permitem a capacidade de planear, iniciar, sequenciar, monitorizar, finalizar e pensar abstractamente sobre o problema (Gil, 2004).

CASO DE AVALIAÇÃO

____________________________________________________________________________CASO Nº 2

Identificação Sumária

Nome: A.R.S. Sexo: Feminino Idade: 75 anos Escolaridade: Iletrada Estado Civil: Viúva Profissão: Reformada Residência: Colmeal da Torre Dominância Manual: Direita Número de sessões realizadas: 3 Sessões Motivo de avaliação: pedido efectuado pelo Médico Neurologista para avaliação do deterioro cognitivo.

TESTES UTILIZADOS

- Entrevista semi-estruturada

- Mini Mental State Examination (Guerreiro, 1993 – Adapt. de Folstein, 1975)

- Teste do relógio - Séries de Luria

- Figura complexa de Rey

- Geração de Palavras por categorização semântica - Prova de Dígitos

- Escalas da Bateria de Escalas da Bateria de Avaliação Neuropsicológica de Luria-Nebraska (Maia, Loureiro e Silva, 2002, Versão Experimental - Adapt. de Golden, Hammeke & Purisch, 1985)

ESTADO DE CONSCIÊNCIA E ATITUDE NA REALIZAÇÃO DA AVALIAÇÃO:

Segundo a familiar (neta) que acompanhou a paciente às consultas, bem como, a própria paciente, referem-nos que as suas principais dificuldades se situam ao nível da orientação eapacio-temporal, bem como, em dimensões de orientação tanto autopsiquica como alopsiquica (e.g. não sabe o seu próprio nome, o das filhas, a sua data de nascimento, a sua idade, etc); exacerbando-se na ocorrência de períodos confusionais. Todavia, em comorbilidade com esta dificuldade, a paciente refere ainda a ocorrência de esquecimentos recorrentes quanto à localização de alguns objectos (e.g. onde colocou as chaves, os produtos alimentares, etc.), ao qual refere se terem exacerbado desde o ultimo episódio de urgência que foi

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acometida em 20/03/2006, relacionado com episódio confusional agudo. A paciente apresenta-se colaborativa durante todo o processo de avaliação, apresentando um facies triste, associado a um humor distimico.

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