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Determinação da tarifa total paga pelo cliente em cada hora

5.2 Simulação da fatura do cliente industrial sem cogeração

5.2.4 Determinação da tarifa total paga pelo cliente em cada hora

Concluídas as explicações necessárias à determinação das tarifas de energia e das várias par- celas das tarifas de acesso às redes a serem pagas em cada tipo de hora, a etapa seguinte consistiu na utilização desses valores horários para determinar qual tarifa efetivamente paga pelo cliente industrial exemplo em cada hora de 2014. No entanto, e para que melhor se compreenda o peso de cada uma das componentes na fatura elétrica de um cliente industrial, o cálculo foi efetuado de forma faseada.

Assim sendo, o primeiro valor a determinar foi o encargo horário com aquisição de energia elétrica, excluindo nesta fase os custos com tarifas de acesso às redes. Sendo conhecido para cada hora o seu tipo, bem como a tarifa de energia aplicável (que se encontra presente na figura5.4), o encargo horário com aquisição de energia elétrica pôde simplesmente ser calculado de acordo com o exposto na equação5.3.

Custo Energiah = T Eh + Consumo Clienteh (5.3)

• Custo Energiahrepresenta o custo com energia na hora “h”, do mês “m”, de 2014. [e]

• TEhrepresenta a tarifa de energia aplicável na hora “h”, do mês “m”, de 2014. [e/MWh]

• Consumo Clienteh representa o consumo do cliente na hora “h”, do mês “m”, de 2014.

[MWh]

Concluída a determinação do valor a pagar pela energia elétrica consumida o passo seguinte consistiu na determinação do valor a ser pago pelo cliente em cada hora pelas tarifas de acesso às redes. Tal como exposto nos subcapítulos 5.2.3.1,5.2.3.2e 5.2.3.3existem várias componentes a considerar para este cálculo e, no mesmo, deve ter-se o especial cuidado de manter a coerência entre as unidades uma vez que, enquanto as tarifas de energia ativa e de energia consumida em horas de ponta se encontram eme/MWh, o valor do termo de potência contratada se encontra em e/h. Desta forma, e para que se consiga realizar o cálculo pretendido, aplicou-se a equação5.4.

Custo TARh = (Tenergiah + THPh) × Consumo Clienteh + TPcontratadah (5.4)

Nesta equação:

• Custo TARh corresponde ao valor a pagar na hora “h”, do mês “m”, de 2014 em tarifas de

acesso às redes. [e]

• Tenergiahcorresponde ao termo de energia ativa das tarifas de acesso às redes a pagar na hora

“h”, do mês “m”, de 2014. [e/MWh]

• THPh corresponde ao valor do termo de potência tomada em horas de ponta das tarifas de

acesso às redes a pagar na hora “h”, do mês, “m” de 2014. [e/MWh]

• TPcontratadah corresponde ao termo de potência contratada das tarifas de acesso às redes a ser

pago na hora “h”, do mês “m”, de 2014. [e]

Conhecendo os custos horários com energia e com tarifas de acesso às redes tornou-se possível determinar o custo horário da eletricidade consumida pelo cliente (Custo Totalh) através da simples

soma das referidas parcelas. Esse cálculo foi então executado através da simples aplicação da equação5.5, que de seguida se apresenta.

Custo Totalh = Custo Energiah + CustoTARh (5.5)

Determinado o custo total com a aquisição da energia em cada hora, e sabendo o consumo elétrico em cada hora, foi também possível determinar a tarifa elétrica total que efetivamente foi paga pelo cliente (Tarifa Efetivah) e que engloba não só o valor a pagar pela eletricidade, mas

também a totalidade do valor pago em tarifas de acesso às redes. O referido cálculo pôde então ser realizado através da aplicação da equação5.6que de seguida se apresenta.

Tari f a E f etivah =

Custo Totalh

Consumo Clienteh

Tendo este fator em conta, numa situação em que cliente industrial e cogerador não sejam uma mesma entidade deve ser tomado em consideração que, como proveito da energia fornecida pela cogeração à indústria não pode ser considerado o montante da tarifa efetivamente paga pelo cliente (calculada na equação5.6), mas sim esse valor sem o termo de potência contratada. A justificação para tal prende-se simplesmente no facto de que não podendo a cogeração funcionar em pleno nas 8760 horas de um ano existirá sempre a necessidade de abastecimento pela rede e, consequente- mente, haverá lugar ao pagamento do termo de potência contratada. Assim, esta tarifa sem o termo de potência contratada pode ser determinada simplesmente através da equação5.7.

Tari f a sem PCh =

Custo Energiah + ( Tenergiah + THPh ) × Consumo Clienteh

Consumo Clienteh

(5.7)

Estando finalmente concluída a exposição do procedimento implementado na simulação anual dos custos com aquisição de energia elétrica por parte do cliente, os resultados obtidos podem ser observados na tabela5.3. Mais uma vez, a mesma apresentará apenas um dia que, mais uma vez, corresponderá a 2 de Janeiro de 2014 pelos motivos anteriormente explicitados.

Tabela 5.3: Procedimento implementado na determinação dos encargos horários para o cliente com a aquisição de energia elétrica.

Seguindo o procedimento anteriormente descrito, foi possível calcular todos estes parâmetros não só para o dia apresentado como para todo o ano de 2014. Tendo por base esses dados tornou- se interessante compreender qual o preço médio a que o cliente adquiriu energia elétrica em cada uma das 24h de cada dia do ano. De forma a atingir este objetivo bastou que na folha de cálculo utilizada se criasse uma nova coluna e na mesma se aplicasse a função “média.se.s” que não faz mais do que uma média para cada hora, de cada dia da semana, de qual o valor ao qual o cliente adquire a energia elétrica. Seguindo o procedimento descrito foi possível conhecer qual o preço médio a que o cliente adquiriu a energia elétrica que consumiu em cada uma das horas de cada tipo de dia (útil, Sábado ou Domingo) durante o ano de 2014. Após a análise dos valores obtidos rapidamente se compreendeu que devido ao perfil de consumo do cliente, à variação do número de horas de ponta em cada mês e à existência de tarifas de acesso à rede distintas quer consoante o consumo, quer consoante o período do ano, o custo médio de aquisição de energia elétrica nos dias úteis não era exatamente o mesmo. No entanto, e uma vez que se pretendia apresentar em formato gráfico o custo médio de aquisição de energia elétrica em cada uma das 24 horas que compõe os dias úteis, os sábados e os domingos, existiu a necessidade de trabalhar os primeiros. Assim, depois de obter um valor médio horário do custo da energia elétrica consumida em cada um dos cinco dias úteis da semana, foi determinado, para cada hora, uma média dos mesmos, conseguindo-se assim agrupar a informação obtida através da aplicação da função anteriormente mencionada da forma pretendida.

Concluído todo este procedimento foi possível, tal como desejado, construir-se a figura 5.8

na qual se encontra retratado o custo médio de aquisição de energia verificado em cada uma das 24h dos dias úteis, sábados e domingos de 2014. Através da figura precedentemente mencionada torna-se então óbvia a compreensão de que um cliente industrial adquire energia elétrica a um preço bastante elevado em horas de ponta dos dias úteis. Tal como se pode compreender através do anteriormente exposto no presente capítulo, este facto já era expetável em função não só do valor mais elevado do custo de aquisição de energia e do termo de energia ativa das TAR aplicável nestas horas, como também da existência de um termo de potência das TAR exclusivamente apli- cável a horas de ponta e que onera significativamente a eletricidade consumida nestes períodos. Desta forma torna-se também percetível a razão pela qual se encontrava e continua a encontrar prevista na modalidade especial uma bonificação pela energia que é injetada na rede em horas de pontas e cheias. No caso concreto da solução de autoconsumo em estudo, e uma vez que em horas de ponta o consumidor industrial adquire energia elétrica a um preço significativamente mais ele- vado que nas restantes, rapidamente se compreende que pelo menos nestas horas a cogeração se deve encontrar, sempre que assim seja tecnicamente possível, a funcionar num regime que além de satisfazer o consumo do industrial deva ser o mais próximo possível da plena carga (os dois valores devem ser, idealmente, o mais próximos possível). Caso tal seja verificado, além de ser maximizado o rendimento global da instalação, evita-se ao máximo o abastecimento elétrico por parte da RESP o que auxilia a redução dos encargos com a aquisição de energia nestes períodos.

Pela figura torna-se ainda compreensível que aos fins-de-semana, sobretudo em virtude da inexistência de horas de pontas, os custos médios de aquisição de energia elétrica se apresentam

e de vazio normal, os custos de aquisição de energia apresentam-se semelhantes ao longo do dia variando apenas de forma ligeira aquando da mudança de período horário.

Figura 5.8: Custo médio de aquisição de energia elétrica para o cliente industrial tomado como exemplo em cada uma das 24h dos dias úteis, Sábados e Domingos de 2014.

5.2.5 Determinação do montante a ser pago em energia e do montante a ser pago