QAUDRO 15 Cotação do plástico reciclado
4.1 Análise de mercado
4.1.3 Diagnóstico setorial do mercado fornecedor
Para a análise setorial do mercado fornecedor de matéria prima, a busca por informações iniciou pela Secretária Municipal do Meio Ambiente (SMMA) do Município de Ijuí, onde foi entrevistada a secretária adjunta, entrevista essa que ocorreu através do roteiro de que consta como apêndice B. A entrevista realizada na Secretaria Municipal do Meio Ambiente foi motivada a fim de contextualizar a situação em que se encontra o tratamento dos resíduos sólidos no município e identificar possíveis parceiros para a empresa deste trabalho.
De acordo com a Secretária Municipal do Meio Ambiente, o município de Ijuí possui um programa de Gerenciamento Integrado de Resíduos Sólidos Urbanos o qual contempla
sete subprogramas que tem como propósito a redução do impacto ambiental desses resíduos, proporcionar um desenvolvimento sustentável para o município além de contemplar ações de cunho sócio educativos, são eles:
- Programa Sócio Ambiental REVIVA: Este subprograma busca dar apoio aos profissionais da reciclagem, dentre as ações planejadas e executadas está a busca pela quantidade e qualidade de materiais destinados as associações de catadores, incentivo a construção de associações de catadores e projetos para a construção de galpões de reciclagem. - Projeto de Educação Ambiental “Caminhos da Reciclagem”: Esse programa tem por objetivo o aperfeiçoamento do sistema de coleta seletiva onde foram realizadas suas grandes ações que foi a campanha educativa com distribuição de material impresso nas residências (campanha SE – PA – RE); e a formação de agentes multiplicadores através de oficinas educativas.
- Projetos Coletivos de educadores (curso de extensão): tem por objetivo realizar curso
de extensão para Formação de Educadores Ambientais, capacitando assim, diferentes grupos de coletivos, para atuarem como transformadores, multiplicadores e fiscalizadores da geração, segregação e disposição correta dos resíduos sólidos domiciliares coletados no município de Ijuí.
- Coleta Seletiva de Resíduos Recicláveis: coleta e transporta de resíduos sólidos
domésticos e de resíduos sólidos recicláveis.
- Ecoponto: São locais de destinação de resíduos que causam algum malefício aos
seres humanos. No caso de Ijuí são encontrados dois tipos de ecopontos: um para recolhimento de pilhas (devido aos metais pesados) e outro para o recolhimento de vidro (por ser altamente cortante e causar acidentes graves quando mal acondicionados). Há no município mais de 100 Ecopontos.
- Programa Lâmpada Legal: Visa incentivar a devolução das lâmpadas fluorescente
inutilizadas, contendo vapores metálicos, no local da compra.
Apesar da quantidade de subprogramas que a prefeitura vem executando, ainda não há nenhuma parceria com empresas privadas nem com outras prefeituras.
A coleta seletiva, hoje é o principal subprograma do Gerenciamento Integrado de resíduos Sólidos Urbanos. Foi implantada no município em Novembro de 2007, de acordo com o que determina a Política Nacional de Resíduos Sólidos, onde determina que a coleta
seletiva deve no mínimo, estabelecer a separação de resíduos secos e úmidos e priorizar as cooperativas e outras associações de catadores. A coleta do lixo em Ijuí é realizada por dois tipos de caminhões: o caminhão compactador, que recolhe os resíduos orgânicos, que são destinados a aterros sanitários, e o caminhão do tipo baú, que é utilizado exclusivamente para recolher os resíduos recicláveis. A coleta do lixo seco com o caminhão baú, ocorre de segunda à sábado, tendo escalas diárias, conforme quadro 8.
Quadro 8 – Dias e locais da coleta seletiva em Ijuí
Fonte: Prefeitura Municipal de Ijuí (2014)
Os resíduos coletados pelo caminhão compactador são levados para um aterro sanitário no município de Giruá. Já o material recolhido através da coleta seletiva no município de Ijuí é destinado a três organizações: Associação de Catadores de Materiais Reciclados de Ijuí (Acata), Associação de Reciclagem da Linha 6 Leste (ARL6) e Galera da Reciclagem. A Acata e a ARL6 são associações formadas por catadores e a Galera da Reciclagem é uma empresa informal onde também atuam catadores, cada organização recebe de duas a três cargas por semana.
Segundo a SMMA, no primeiro semestre do ano de 2013 o município de Ijuí produziu em média 1.200 toneladas de lixo por mês, e desse total, aproximadamente 3,6% foram destinados a reciclagem através da coleta seletiva conforme mostra o gráfico 10, no entanto os números da quantidade de lixo destinados a reciclagem são maiores, visto que há muitos
catadores de lixo no município que sobrevivem desta atividade, mas o município não tem esta estimativa e nem o percentual de cada material. O gráfico também mostra a principal dificuldade que o município enfrenta, o baixo índice de separação do lixo.
Gráfico 10: Destino do lixo no município de Ijuí
Fonte: Pesquisa de Campo (2014)
No município há em torno de 17 empresas que comercializam materiais recicláveis conforme demonstrado no quadro 9, foram realizadas visitas em 8 organizações com o objetivo de observar a empresa, sua dinâmica de trabalho e a maneira como se organizam, além de entrevistar os responsáveis pelas empresas com roteiro de entrevista do apêndice C.
Quadro 9 – Empresas comercializadoras de materiais recicláveis em Ijuí
Das 8 empresas visitadas, duas eram associações (Acata e ARL6), cinco eram empresas privadas de pequeno porte familiar (geralmente pai e filho) e uma empresa de porte maior, também familiar mas com cinco funcionários.
Essas empresas, em geral são organizações de estruturas simples tanto físicas quanto organizacionais, a gestão é feita de maneira informal e não aparenta preocupação por parte de seus gestores que gerenciam de acordo com seus conhecimentos adquiridos no decorrer da carreira e foco é a produção e comercialização. As empresas possuem particularidades em vários aspectos que vão desde a obtenção do material até a administração da organização. Em relação à visão que essas organizações têm do mercado de matérias recicláveis variam de acordo com o tamanho, as duas empresas de maior porte (levando em consideração a quantidade de material comercializada) que obtêm o material comprando de empresas menores, vêm o mercado de forma otimista, mesmo que na região noroeste tenha poucas empresas recicladoras e o comércio depende de empresas maiores situadas em outras regiões, ambas afirmam que o mercado de materiais recicláveis está crescendo e há mais opções para comercializar seus materiais e acreditam no crescimento de suas empresas (em volume de materiais).
Já as demais empresas e associações afirmam que o mercado está estagnado, onde não vêm novas oportunidades, observando um aumento da concorrência, porém sempre conseguem comercializar seus materiais.
Na questão das dificuldades as associações e empresas menores alegam que a principal dificuldade do setor é a comercialização dos materiais, por venderem seus materiais, na maioria das vezes para “atravessadores”, que são empresas que também comercializam materiais recicláveis, comprando esses materiais de empresas menores e revendendo para indústria de reciclagem ou até mesmo para outro atravessador antes de chegar a indústria, isso causa uma redução nos preços dos materiais, pois acaba sendo comercializado várias vezes até chegar a industria. As empresas maiores reclamam que não há apoio nem incentivo por parte dos governantes, também tem a questão da oscilação do preço do material, dificuldade relatada por todas as empresas visitadas.
As empresas que recebem materiais da coleta seletiva sofrem com um problema em comum, cerca de 50% do material que recebem não conseguem aproveitar para sua atividade. Esses materiais que não conseguem aproveitar são denominados de rejeitos que são oriundos da má separação do lixo, ou mesmo por materiais recicláveis que as empresas não comercializam como o PVC. Os rejeitos exigem um trabalho das empresas em que elas
perdem muito tempo, e também o retrabalho para a prefeitura, visto que esses materiais devem ser recolhidos e destinados ao aterro junto com o lixo orgânico do município.
Os materiais que as empresas comercializam têm origem da coleta seletiva e seus associados, que catam o material pela cidade no caso das associações. Já as demais empresas compram os materiais de empresas menores e de outros catadores, a empresa de maior porte visitada afirma compram uma grande quantidade de plástico de outras empresas do município, por que a maioria das empresas não junta muito plástico, pois gera muito volume e o preço do material é mais baixo assim preferem receber menos e vender no município mesmo do que ficar guardando grande quantidade para comercializar por um preço maior em outro município. Após a aquisição dos materiais eles passam pelo processo de triagem, são prensados e enfardados, então estão prontos para comercialização, a única empresa que não realiza esse processo é a Galera da Reciclagem que não possui prensa, por isso o único processo realizado pela empresa é a triagem e os produtos são comercializados em “big bags”. Em relação à comercialização dos plásticos das oito empresas visitadas, três empresas de menor porte vendem os plásticos para uma empresa maior do próprio município, e essa empresa que compra os materiais diz ter mais clientes desse tipo. As demais, incluindo as associações, vendem para empresas de fora do município nas cidades de Soledade, Caxias do Sul e Bento Gonçalves e outros da região noroeste, onde os fretes geralmente são custeados pela empresa que compra o material, não havendo nenhum tipo de parceria com empresas na região.
Quadro 10 – Média de preço e quantidade de plástico comercializado mensalmente
As empresas conseguem vender todo o material disponível que possuem estocados, a quantidade média de plásticos que essas empresas vendem e os preços médios de cada material estão expostos no quadro 11, com exceção de duas empresas que não informaram o preço de venda de seus materiais.
As empresas estimam que cerca de 30% os plásticos dos tipos PP e PS comercializados são de cor preta, o que para elas não muda muita coisa pois os plásticos brancos e pretos são comercializados pelo mesmo valor.
Outro ponto importante a ser destacado é a variação da quantidade comercializada, as empresas além de não possuírem um período pré determinado em que comercializam seus matérias, também sofrem a variação da quantidade de produtos que juntam para comercializar, um exemplo está no quadro 10, que mostra a quantidade de plástico comercializada pela Acata durante o período de 28 de maio à 18 de agosto de 2014, onde é registrado a quantidade de material recolhido e o período em que essa quantidade foi recolhida, havendo variações que se aproximam de 50% entre os períodos registrados.
Quadro 11 – Quantidade de material plástico comercializado pela Acata
Fonte: Itecsol (2014)
É possível observar que uma das organizações comercializa com preços mais baixos, o motivo é que a mesma não possui prensa para enfardar o material, e isso desvaloriza o seu produto.
O quadro 12 contempla o preço médio de comercialização praticado pelo mercado entre as empresas que comercializam materiais recicláveis e a indústria da reciclagem de plásticos, originados da indústria e de pós-consumo, em peças que pode ser considerado como sucata ou moído.
Quadro 12 – Preço do plástico matéria prima para reciclagem
Fonte: Rede do Plástico (2014)
O comparativo entre os preços praticados pelas empresas de Ijuí e o preço médio de mercado, comprova a dificuldade encontrada pelas empresas menores, há muitos atravessadores e por isso perdem valor no seu material. O preço dos plásticos recicláveis comercializados pelas empresas menores é quase a metade do preço médio praticado no mercado.
De acordo com a pesquisa realizada sobre a comercialização de plásticos, a comercialização total das empresas localizadas em Ijuí por mês chega a: 11.620 kg de PEAD; 5.800 kg de PEBD; 3.180 kg de PP; 4.400 kg de PS. Inicialmente são números pequenos para abastecer uma indústria de reciclagem em termo de produção, de acordo com o Sr. Flavio Luiz Burkhard. Com base nessa avaliação, foi feito uma estimativa da quantidade de plástico para ser comercializado por empresas comercializadoras de matérias recicláveis das principais cidades na região noroeste, a estimativa foi feita com base na quantidade de plástico comercializadas em Ijuí e no número de habitantes do município, assim a quantidade de plástico nos municípios da região seriam diretamente proporcional ao número de habitantes, os municípios escolhidos foram Santo Ângelo, Cruz Alta e Santa Rosa por serem semelhantes a Ijuí e mais próximos. Para realização da estimativa foi utilizado o número de habitantes dos municípios, dados do censo de 2010 realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), onde consta a Ijuí com população de 78.950 habitantes, Santo Ângelo com
76.304 habitantes, Cruz Alta 62.825 habitantes e Santa Rosa 68.587 habitantes. O que resultou nas quantidades expostas no quadro 13.
Quadro 13 – Estimativa de sucata de plástico para comercialização em outros municípios
Fonte: Pesquisa de Campo (2013)
Essas empresas não costumam fazer contratos nem parceiras com as empresas que compram seus materiais, e o único requisito para vender para uma empresa nova é que a mesma pague um valor maior do que está sendo comercializado no momento. Assim venderiam material sem problema alguma para uma nova empresa no mesmo município, e sendo uma indústria de reciclagem, todas empresas afirmaram que traria benefícios para esse mercado na região com um possível aumento no preço dos matérias.