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Diante do Desenvolvimento Sustentável e da Sustentabilidade

Para ressaltar os conflitos existentes na área de estudo cabe neste contexto fazer uma retrospectiva histórica do termo desenvolvimento sustentável. Este merece destaque no âmbito da pesquisa, pois está associado a sustentabilidade da bacia. Sendo que aparece pela primeira vez no documento “A estratégia mundial para a conservação” (PNUMA, Nova York, 1980), patrocinado e elaborado sob a supervisão Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. Na Conferência de Estocolmo este termo foi amplamente difundido, onde a delegação estadunidense considerava o conceito de ecodesenvolvimento extremamente radical. Entretanto, os termos desenvolvimento sustentável e sustentabilidade ganharam força a partir de 1982, com o “Relatório Brundtland”, elaborado pela Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, criada pela ONU no ano de 1987.

Partindo do princípio da sustentabilidade segundo o Ministério do Meio Ambiente, este enfoca a questão econômica que reporta ao desenvolvimento, sendo que o termo não aparece ligado apenas ao crescimento de indicadores econômicos; há também outros pressupostos como: o desenvolvimento econômico em si, a liberdade política e a equidade

social. Todos estes contextos se consolidam de forma mais eficaz quando há uma interdependência e uma gestão integrada dos interesses em foco.

O elo entre desenvolvimento e meio ambiente veio por meio do Relatório Brundtland, onde as Nações Unidas estabeleceram este viés; as questões ambientais, as perspectivas que se tinham sobre e para o planeta e os desafios que deveriam enfrentar também ganhou reflexão e destaque. Neste tempo também surge à construção do conceito de desenvolvimento sustentável que tinha sido divulgado de forma bastante ampla e ainda constitui objeto de constante discussão e reflexão, que o conceitua da seguinte forma:

‘é aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer as possibilidades das gerações futuras atenderem também às suas próprias necessidades’.

Neste contexto surge a discussão dentro de várias dimensões que analisando o contexto de desenvolvimento sustentável, cita-se o “Relatório Brundland” :

• Sustentabilidade econômica que enfoca a gestão eficaz dos recursos em geral e tem como característica a regularidade do fluxo dos investimentos públicos e privados. Está implícita a eficiência dos processos macrossociais;

• Sustentabilidade ecológica que se refere ao processo físico do crescimento tendo como objetivo maior manter os estoques de capital natural que se encontram incorporados à atividade produtiva;

• Sustentabilidade ambiental que busca a manutenção da capacidade de sustentação dos ecossistemas, implicando a capacidade de absorção e de recomposição dos mesmos diante da ação antrópica;

• Sustentabilidade política, onde se busca a construção da cidadania como meio de se garantir a integração dos indivíduos no processo de desenvolvimento.

• Sustentabilidade social, que prioriza a melhoria da qualidade de vida da sociedade e abrange também os problemas da exclusão e da desigualdade social; a base deste princípio está ligada a uma política de universalização dos serviços de saneamento básico além de uma melhor distribuição de renda;

• Sustentabilidade espacial, que é adquirida a partir da equidade distributiva territorial dos aglomerados humanos, objetivando minimizar o impacto nas regiões metropolitanas, protegerem os ecossistemas frágeis e instituir unidades de reservas naturais a fim de proteger a biodiversidade;

• Sustentabilidade cultural, que inclui a procura de raízes endógenas de processos de modernização e de sistemas agrícolas integrados, processos que busquem mudanças dentro da comunidade cultural, e que traduzam o conceito de desenvolvimento sustentável em um conjunto de soluções específicas para cada local;

• Sustentabilidade de política nacional, baseada na democracia e no respeito aos direitos humanos, de modo que o Estado programe um projeto nacional em parceria com todos os atores desse processo.

• Sustentabilidade de política internacional, que consiste na aplicação do princípio da precaução na gestão dos ativos ambientais, assim como em garantir a paz entre as nações e promover a cooperação internacional nas áreas financeira e de ciência e tecnologia.

Todas estas dimensões aparecem associadas as mais distintas áreas como: a biologia, a geografia, a estatística, a história, ciências (naturais e humanas). Para tanto, a sustentabilidade garante a eficácia dos seus princípios quando está inter relacionada ao processo de desenvolvimento de todo e qualquer espaço seja ele: natural ou urbano.

Desta forma, discute-se o processo de sustentabilidade como sendo uma construção social complexa, pois envolve um grande número de atores: as organizações da sociedade, os empresários, o governo federal, os governadores estaduais, os prefeitos, os interesses pessoais e coletivos, as escolas e universidades e a própria sociedade objeto desta discussão. Ela se torna cada vez mais complexa a partir do momento que abrange situações distintas e cenários os mais diversos, pois, o nosso País é um território amplo e, que exige uma melhoria no seu planejamento afim de se garantir a manutenção e o equilíbrio dos ecossistemas de forma sustentável.

Seguindo este pensamento verifica-se que o uso exagerado dos recursos naturais implica em: desequilíbrio, empobrecimento (perda do poder aquisitivo de grande parte da população) que não tem como acompanhar o crescimento acelerado. Ressultante do capitalismo que fortalece aqueles que já possuem bens em detrimento dos demais e a sobrexploração, fazendo com que as espécies e os serviços ambientais vitais possam entrar em colapso e até mesmo, desaparecerem.

Para tanto faz-se necessário que a população possa cada vez mais ser informada ecologicamente da importância e vitalidade dos recursos naturais. Isso é importante, pois: em primeiro lugar com ela é possível organizar uma prática de manejo sustentável dos recursos naturais e posteriormente, adequar as políticas a fim de assegurar a manutenção dos mesmos; segundo, porque a maioria dos danos causados ao ambiente é resultante do desconhecimento sobre a importância, equilíbrio e funcionamentos dos ecossistemas de maneira geral.

Segundo este princípio cita-se AFFIN e ZINN, onde a construção de uma sociedade humana sustentável corresponde ao desenvolvimento sustentável e também

‘.... consiste basicamente em estabelecer as condições necessárias para que a população da espécie humana possa permanecer viva na biosfera do planeta Terra através das futuras gerações sendo elas: vem alimentada, saudável, realizada, progredindo científica e tecnologicamente melhorando de forma constante sua qualidade de vida de maneira eqüitativa e sem conflitos sociais importantes’.

Sendo assim, o processo de expansão urbana das cidades brasileiras se deve ao intenso êxodo rural e as disparidades sociais da renda da população. Fator este que se intensificou com a ocupação desordenada do solo, principalmente pelas correntes migratórias oriundas de várias partes do Brasil.

Com o aumento da população o consumo dos recursos hídricos também aumentou consideravelmente, no DF em especial, este índice cresceu de forma assustadora. Um dos motivos se deve ao surgimento cada vez mais freqüente de condomínios irregulares que invadem, se instalam, constroem mansões, muram e começam a furar os poços artesianos a fim de usar as águas superficiais de forma desestruturada e sem um estudo prévio do assunto.

Observa-se então que o modelo de ocupação urbana das cidades e, no caso o Distrito Federal não é diferente, é algo que compromete a sustentabilidade dos serviços ambientais em toda a extensão da bacia em estudo. Essas disparidades ocorrem, quando os governos locais fecham os olhos diante dos problemas e são pressionados a regularizarem as áreas onde se localizam os conflitos, dando início a um jogo de interesses políticos e econômicos particulares que contribuem para a deterioração dos espaços e dos seus serviços ambientais.

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