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Há diferenças no comportamento de retraimento social da criança quando esta constitui o primeiro filho dos progenitores?

ADBB Tempo de amamentação

17. Há diferenças no comportamento de retraimento social da criança quando esta constitui o primeiro filho dos progenitores?

Nesta questão de investigação confirmamos a hipótese alternativa: “há diferenças no comportamento de retraimento social da criança quando esta constitui o primeiro filho dos progenitores”, visto que crianças que constituem o primeiro filho dos progenitores apresentam menor expressão facial (maior pontuação no item que avalia este componente) comparativamente a crianças que não constituem o primeiro filho de ambos os progenitores.

O facto de ser o primeiro filho pode implicar que a criança resida apenas com mãe e pai e, como verificámos anteriormente, a existência de outros elementos no agregado familiar pode ser um fator protetor para a criança, devido existência de outros cuidadores. Na literatura é proposto que a ordem de nascimento da criança não está associada à presença de retraimento social na criança (Guedeney et al., 2008), no entanto, neste estudo está associada a comportamento de retraimento social.

18. As características do nascimento da criança estão relacionadas com o comportamento de retraimento social?

Atendendo aos resultados confirmamos a hipótese alternativa: “há associação entre as características do nascimento da criança e o comportamento de retraimento social”, analisando-se os resultados consoante a variável em questão.

Tempo de gestação

Neste estudo, maior tempo de gestação está associado a menor comportamento de retraimento social (menor pontuação total na escala ADBB), assim como a maior expressão facial (menor pontuação no item) e a menor atividade de auto-estimulação (menor pontuação no item). Simultaneamente, crianças prematuras apresentam menor expressão facial (maior pontuação no item que avalia este componente) comparativamente a crianças de termo.

De acordo com a literatura, crianças com menor idade gestacional apresentam um maior número de alterações no desenvolvimento (Resegue et al., 2007), sendo que

aspetos como a prematuridade contribuem de forma significativa para o desenvolvimento de retraimento social (Gerhold et al., 2002). Por outro lado, a qualidade do ambiente no qual a criança cresce, mesmo quando ainda se encontra em gestação, pode influenciar o seu desenvolvimento. A este nível deve refletir-se sobre a perspetiva de Lung et al. (2008), que propõem que aos 6 meses de idade o desenvolvimento da criança é influenciado pelo risco biológico inerente à prematuridade, no entanto esse mesmo risco pode ser contrariado caso a criança receba condições para um desenvolvimento adequado, por parte dos progenitores.

Tipo de parto e tipo de anestesia

Neste estudo, crianças que nasceram através de parto normal apresentam menos vocalizações (maior pontuação no item da ADBB que avalia este componente) comparativamente a crianças que nasceram através de outro tipo de parto. Ao nível do tipo de anestesia, verifica-se neste estudo que crianças cujo parto ocorreu sem anestesia apresentam maior atividade de auto-estimulação (maior pontuação no item da ADBB que avalia este componente).

De acordo com a literatura, a forma como a mulher / mãe experiencia o parto exerce influência a vários níveis, sendo a mesma descrita, pela maioria das mulheres, como uma experiência difícil (Figueiredo, Costa, & Pacheco, 2002). Simultaneamente, quanto maior for a dificuldade sentida pela mulher pior será o seu ajustamento emocional no período pós-parto e menos adequada será a relação mãe-criança (Figueiredo et al., 2002). Assim, a forma como as mães em estudo experienciaram o parto pode ter conduzido a uma relação menos adequada com a criança, interferindo assim no desenvolvimento social da mesma.

Peso à nascença

Neste estudo, maior peso à nascença está associado a menor comportamento de retraimento social (menor pontuação total na escala) assim como a maior expressão facial e maior vivacidade da criança na resposta à estimulação (menor pontuação nos itens que avaliam estes componentes).

De acordo com a literatura, crianças com menor peso à nascença apresentam um maior número de alterações no desenvolvimento (Resegue et al., 2007) a nível motor, cognitivo, social e escolar (Lopes, Tani, & Maia, 2011). Sabe-se, ainda, que aspetos como baixo peso à nascença contribuem de forma significativa para o desenvolvimento de retraimento social (Gerhold et al., 2002).

Por outro lado, a qualidade do ambiente no qual a criança cresce pode influenciar o seu desenvolvimento, sendo que o risco de desenvolvimento desadequado consequente de baixo peso à nascença pode ser contrariado pela existência de um meio familiar saudável e promotor de condições de desenvolvimento adequadas (Lung et al, 2008).

Altura à nascença

Analisando os resultados verificamos que esta variável não se relaciona significativamente com o comportamento de retraimento social.

Perímetro cefálico à nascença

Neste estudo, maior perímetro cefálico à nascença está associado a maior expressão facial da criança (menor pontuação do item que avalia este componente).

19. O tempo de amamentação está relacionado com o comportamento de retraimento social da criança?

Nesta questão de investigação confirmamos a hipótese alternativa: “há associação entre o tempo de amamentação e o comportamento de retraimento social da criança”, uma vez que maior tempo de amamentação está associado a maior vivacidade da criança na resposta à estimulação (menor pontuação no item que avalia este componente).

De acordo com a literatura, o ato de amamentar uma criança apresenta componentes que se relacionam com o desenvolvimento da personalidade da criança (Antunes, Antunes, Corvino, & Maia, 2008). De facto, amamentar a criança de forma

afetuosa e tranquila leva a que esta sinta as suas necessidades de alimentação satisfeitas e sinta prazer pelo contacto com a mãe, através da voz, cheiro e afeto maternos (Antunes et al., 2008). O aleitamento materno proporciona, assim, os nutrientes que a criança necessita, tal como proporciona proteção e desenvolve as estruturas ósseas, neurológicas e psicológicas, que se tornam importantes a curto e longo prazo (Antunes et al., 2008). Afirma-se ainda que é provável que as crianças que são amamentadas no peito sejam mais tranquilas e apresentem maior facilidade em socializar, assim como se afirma que a amamentação proporciona benefícios à criança e à mãe (Antunes et al., 2008).

20. A idade atual da criança está relacionada com o comportamento de retraimento social?

Analisando os resultados confirmamos hipótese alternativa: “há associação entre a idade atual da criança e o comportamento de retraimento social”, verificando-se que maior idade da criança está associada a menor comportamento de retraimento social (menor pontuação total na escala), assim como a mais vocalizações, maior vivacidade na resposta à estimulação e maior competência para entrar em relação (menor pontuação nos itens que avaliam estes três componentes).

O retraimento / comportamento de retraimento social na criança pode apresentar diferentes trajetórias de desenvolvimento (estabilidade relativa, aumento ou decréscimo), sendo que para estas diferenças contribuem, e muito, as reações parentais e o meio que rodeia a criança (Rubin et al., 2009). Analisando o estudo de Kochanska e Akasan (2004), verifica-se que entre os 7 e os 15 meses de idade as crianças se tornaram mais responsivas em relação aos comportamentos de interação social e regulação de humor realizados pelos progenitores, argumentando os autores que as diferenças encontradas ao nível da resposta da criança podem ser explicadas pelo tipo de estimulação que é realizada à mesma. Por outro lado, é proposto na literatura que a existência de outros cuidadores além da mãe pode constituir um fator de proteção para criança, contrariando o efeito que a sintomatologia psicopatológica parental pode exercer no desenvolvimento da criança (Lee, Halpern, Hertz-Picciotto, Martin, & Suchindran, 2006). Tendo em atenção todos estes aspetos, considerando a creche como

outro cuidador, e tendo em conta que todas as crianças frequentam creche, desenvolve- se a hipótese de maior idade da criança poder significar que já se encontra na creche há mais tempo, em contacto com outros cuidadores e recebendo outro tipo de estimulação, o que pode conduzir a um decréscimo na ocorrência de comportamento de retraimento social.

21. Há diferenças entre o género masculino e o género feminino quanto ao comportamento de retraimento social?

Nesta questão de investigação aceitamos a hipótese nula: “não há diferenças entre o género masculino e o género feminino quanto ao comportamento de retraimento social”.

Estes resultados estão em concordância com os estudos de Mäntymaa et al. (2008) e de Puura et al. (2010), opondo-se ao estudo de Guedeney et al. (2008), no qual se verificou que o retraimento social em crianças dos 14 aos 18 meses estava associado, de forma significativa, a ser do género masculino. Importa referir ainda que, de acordo com a literatura, há a possibilidade de que crianças do género masculino apresentem uma maior necessidade em ter cuidador sensível e emocionalmente saudável, que facilite a sua regulação emocional e atencional (Grace et al., 2003).

22. A sintomatologia psicopatológica do pai está relacionada com o comportamento de retraimento social da criança?

Nesta questão de investigação confirmamos a hipótese alternativa: “há associação entre a sintomatologia psicopatológica do pai e o comportamento de retraimento social da criança”. Analisando os resultados verificamos que:

a) menor expressão facial da criança (maior pontuação no item que avalia este componente) está associada a menor somatização, a menos obsessões- compulsões e a menor ideação paranóide;

b) menor nível geral de atividade corporal da criança (maior pontuação no item que avalia este componente) está associada a menos obsessões-compulsões,

menor sensibilidade interpessoal, menor ideação paranóide, menor índice geral de sintomas (IGS) e menor número de sintomas psicopatológicos (TSP);

c) menor competência da criança para entrar em relação (maior pontuação no item que avalia este componente) está associada a menor índice de sintomas positivos (ISP);

d) maior atividade de auto-estimulação da criança (maior pontuação no item que avalia este componente) está associada a maior ansiedade, maior ideação paranóide, maior psicoticismo, maior índice geral de sintomas (IGS) e maior índice de sintomas positivos (ISP).

23. A sintomatologia psicopatológica da mãe está relacionada com o comportamento de retraimento social da criança?

Nesta questão de investigação confirmamos a hipótese alternativa: “há associação entre a sintomatologia psicopatológica da mãe e o comportamento de retraimento social da criança”. Analisando os resultados verificamos que:

1) menor competência da criança para entrar em relação (maior pontuação no item que avalia este componente) está associada a menor hostilidade;

2) maior comportamento de retraimento social da criança (maior pontuação total na ADBB) está associado a menor hostilidade;

3) menor nível geral de atividade corporal da criança (maior pontuação no item que avalia este componente) está associado a maior somatização;

De acordo com a literatura, a forma como o pai e a mãe se comportam em relação à criança influencia, de forma direta ou indireta, o comportamento da mesma (Conboy, 2008). De igual forma, propõe-se que a ocorrência de alterações na saúde mental parental pode interferir com a interação criança-cuidador (Crandell et al., 2003; Mäntymaa et al., 2008; Pajulo et al., 2001) e que uma das formas da criança comunicar

que recebeu estimulação necessária é a manifestação de comportamento de retraimento social, como forma de regular a interação com os progenitores (Mäntymaa et al., 2008). Tendo por base esta perspetiva desenvolve-se a hipótese de que a criança, ao percecionar alterações nos progenitores decorrentes da ocorrência de sintomatologia psicopatológica, manifesta a sua perceção através de comportamento de retraimento social

Analisando de forma pormenorizada a relação entre sintomatologia psicopatológica parental e comportamento de retraimento social da criança verificamos que diferentes dimensões de sintomatologia do pai e da mãe se relacionam com diferentes componentes do comportamento de retraimento social da criança. De acordo com a literatura, a atenção que o pai e a mãe dedicam a cada estádio do desenvolvimento da criança pode conduzir a diferenças ao nível do impacto que ambos exercem na criança e ao nível do impacto que esta exerce nos mesmos, havendo ainda a hipótese de que o pai dedica maior atenção, comparativamente à mãe, ao desenvolvimento social da criança (Bailey, 1994; Lung et al., 2009). Tudo isto pode justificar o porquê de haver um maior número de dimensões de sintomatologia psicopatológica paterna relacionadas com o comportamento de retraimento social da criança. Importa ainda referir que o índice geral de sintomas (IGS, avalia a intensidade de sintomas) e o índice referente ao total de sintomas positivos (TSP) estão associados ao comportamento de retraimento social da criança, mas apenas no caso do pai. Todos os aspetos discutidos parecem reforçar, desta forma, o papel desempenhado pelo pai, o que está em concordância com a literatura, na qual se propõe que existe, atualmente, uma maior participação do pai na vida da criança, em resultado do aumento da proporção de mulheres no mercado de trabalho (Benczik, 2011; Lung et al., 2009). Na amostra deste estudo 81.7% das mães encontram-se a realizar atividade laboral.

Outro aspeto sobre o qual se deve refletir é o facto de que não existe associação estatisticamente significativa entre pais emocionalmente perturbados (atingiram ponto de corte do BSI) e crianças com retraimento social (atingiram ponto de corte ADBB); no entanto, há associação estatisticamente significativa entre sintomatologia psicopatológica parental e comportamento de retraimento social da criança. Para estes resultados pode contribuir a frequência de instituições de cuidados pré-escolares, as creches. De facto, verificou-se no estudo de Lee et al. (2006) que a associação encontrada entre sintomatologia depressiva materna e problemas de comportamento da

criança variava consoante a existência de apoio social e de outros cuidadores além da mãe. Considerando a creche como “outro cuidador”, e tendo em atenção que todas as crianças da amostra frequentam creches, é possível que a sintomatologia psicopatológica dos progenitores não exerça efeito significativo no desenvolvimento social da criança, atendendo ao facto de que as crianças permanecem na creche durante uma parte significativa do dia, em contacto com outras crianças e, principalmente, com outros cuidadores. A literatura suporta esta hipótese uma vez que a ausência de suporte social, como creches e outros cuidadores, por exemplo, parece constituir um fator de risco para o desenvolvimento da criança (Abel et al., 2005) e para o desenvolvimento de

stress associado a competências parentais (Wan & Green, 2008). No estudo de

Guedeney et al. (2008), observou-se uma associação entre a não frequência de creche e a presença de retraimento social em crianças dos 14 aos 19 meses. Deve ainda referir-se que, de acordo com a literatura, a existência de outros cuidadores e o temperamento da criança podem atuar como amortecedores do impacto resultante de alterações da saúde mental dos progenitores (Matthey et al., 2005; Puura et al., 2010).

Associado à realização das funções parentais está o conceito de co-parentalidade (conjunto de comportamentos que um progenitor realiza no sentido de apoiar o outro progenitor, ao nível dos cuidados parentais face à criança) (Bögels & Brechman- Toussaint, 2006). Por outro lado, a idade, o nível educacional e o estatuto socioeconómico dos progenitores parecem atuar como mediadores do efeito que as alterações de saúde mental dos mesmos exercem no desenvolvimento da criança (Mensah & Kiernan, 2010).

No que diz respeito ao nível de escolaridade, na amostra em estudo 36.9% dos pais e 53.5% das mães possui ensino superior, desenvolvendo-se a hipótese de que os pais (pai e mãe) em estudo possuem conhecimento acerca do impacto que o seu comportamento pode exercer no desenvolvimento da criança. De acordo com a literatura, o nível educacional parece influenciar os cuidados maternos (Kolobe, 2004), sendo que baixo nível educacional materno e a existência de crenças e atitudes rígidas face ao desenvolvimento da criança constituem fatores de risco ao mesmo (Sameroff, 1998).

Por outro lado, o facto de os progenitores perceberem que é possível que o seu comportamento influencia o desenvolvimento da criança pode facilitar / promover a ocorrência da co-parentalidade, ou seja, a realização de comportamentos de apoio ao

outro progenitor (Bögels & Brechman-Toussaint, 2006), diminuindo, assim, o impacto da sintomatologia psicopatológica dos pais. A co-parentalidade pode ser ainda promovida pelo facto de, neste estudo, menor sintomatologia psicopatológica paterna estar associada a menor sintomatologia psicopatológica materna.

No que diz respeito ao estatuto socioeconómico, propõe-se na literatura que crianças que se encontram em risco de desenvolver problemas de comportamento e que apresentam estatuto socioeconómico elevado podem ser sinalizadas mais cedo comparativamente a crianças de estatuto mais baixo, que podem ser identificadas apenas mais tarde, durante o ensino pré-escolar (Essex et al., 2006). Atendendo a este aspeto desenvolvemos a hipótese de que o estatuto socioeconómico condiciona a frequência de creche, o que por sua vez condiciona a sinalização das dificuldades da criança e o contacto das mesmas com outros cuidadores. Essex et al. (2006) afirmam ainda que sinalizar estas dificuldades apenas quando a criança ingressa o ensino escolar pode constituir um período demasiado tardio para a realização de intervenções preventivas eficazes. Desta forma, podemos estar perante uma relação indireta entre estatuto socioeconómico e comportamento de retraimento social, o que está em oposição à literatura, em que se propõe que o estatuto socioeconómico do agregado familiar não está associado a retraimento social na criança (Guedeney et al., 2008; Puura et al., 2010).

Em tudo isto deve analisar-se ainda a perspetiva de que é possível que não seja a presença de perturbação que interfere no desenvolvimento da criança, mas sim a forma como as competências parentais se alteram devido à sintomatologia dessa perturbação (Dollberg et al., 2006). Atendendo aos resultados obtidos, desenvolve-se a hipótese de que as competências parentais dos progenitores em estudo não foram prejudicadas pela presença de sintomatologia psicopatológica e que a existência de outros cuidadores assume uma importância fundamental para o desenvolvimento da criança.

Conclusão

De modo a proporcionar uma melhor reflexão apresentam-se as conclusões deste estudo com base nos objetivos estabelecidos para o mesmo.

No que diz respeito ao primeiro objetivo - Verificar se existe relação entre variáveis sociodemográficas dos pais e da criança e sintomatologia psicopatológica

parental – abordou-se qual o contributo da idade dos progenitores, do número de anos de estudo completos, da composição do agregado familiar, do facto de constituir o primeiro filho e da idade da criança para a manifestação de sintomatologia psicopatológica parental. No caso do pai, a idade do pai e o número de anos de estudo completos não exerceram contributo significativo; em contrapartida, verificou-se que pais cujo agregado familiar é composto por mãe, pai, criança e outros apresentam maior ansiedade fóbica; pais cuja criança em estudo não é o primeiro filho apresentam mais obsessões-compulsões, maior ansiedade fóbica e maior número de sintomas psicopatológicos; pais de crianças mais novas manifestam maior hostilidade. No caso da mãe todas as variáveis mencionadas contribuíram de forma significativa. Assim, mães mais velhas têm maior sensibilidade interpessoal; mães com maior número de anos de estudo completos têm menor somatização, menor sensibilidade interpessoal e menor índice geral de sintomas; mães cujo agregado familiar é composto por mãe, pai, criança e outros têm maior ansiedade; mães cuja criança em estudo não é o primeiro filho têm maior somatização, mais obsessões-compulsões, maior sensibilidade interpessoal, maior ansiedade, maior hostilidade, maior ansiedade fóbica, maior índice geral de sintomas, maior número de sintomas psicopatológicos e maior índice de sintomas positivos; mães de crianças mais novas têm maior índice de sintomas positivos.

No que diz respeito ao segundo objetivo - verificar se existe relação entre sintomatologia psicopatológica do pai e sintomatologia psicopatológica da mãe – verificamos que, com exceção da ansiedade fóbica e do índice de sintomas positivos, há associação positiva e estatisticamente significativa entre a sintomatologia paterna e materna ao nível da somatização, obsessões-compulsões, sensibilidade interpessoal, depressão, ansiedade, hostilidade, ideação paranóide, psicoticismo, índice geral de sintomas e total de sintomas positivos. Assim, maior sintomatologia psicopatológica do pai está associada a maior sintomatologia psicopatológica da mãe.

No que concerne ao terceiro objetivo – verificar se existe relação entre variáveis sociodemográficas dos progenitores e comportamento de retraimento social da criança – abordou-se o contributo da idade dos progenitores, do número de anos de estudo completos e da composição do agregado familiar. Assim, crianças de mães mais velhas têm menor comportamento de retraimento social, maior expressão facial, maior nível geral de atividade corporal, e menor atividade de auto-estimulação; crianças cujas mães têm maior número de anos de estudo completos têm maior comportamento de

retraimento social, menor expressão facial, menor contacto visual, e menor vivacidade na resposta à estimulação; crianças que residem apenas com mãe e pai têm menor expressão facial e menor contacto visual.

Relativamente ao quarto objetivo - verificar se existe relação entre variáveis demográficas e clínicas da criança e comportamento de retraimento social – é possível constatar que crianças que constituem o 1º filho dos progenitores têm menor expressão facial; maior tempo de gestação da criança está associado a menor comportamento de retraimento social, maior expressão facial e menor atividade de auto-estimulação; crianças prematuras apresentam menor expressão facial; crianças que nasceram através de parto normal têm menos vocalizações; crianças cujo parto ocorreu sem anestesia têm mais atividades de auto-estimulação; crianças com maior peso à nascença têm menor comportamento de retraimento social, maior expressão facial e maior vivacidade na resposta à estimulação; a altura da criança à nascença não está associada a comportamento de retraimento social; crianças com maior perímetro cefálico à nascença têm maior expressão facial; crianças com maior tempo de amamentação têm maior vivacidade na resposta à estimulação; crianças mais velhas têm menor comportamento de retraimento social, mais vocalizações, maior vivacidade na resposta à estimulação e maior competência para entrar em relação; não há diferenças de género quanto ao comportamento de retraimento social.

No que diz respeito ao quinto e último objetivo - verificar se existe relação entre sintomatologia psicopatológica parental e comportamento de retraimento social da