2.2 ESTAMPARIA TÊXTIL
2.2.2 Diferentes tipos de cobertura
Para possibilitar a materialização dos desenhos gravados nas telas ou reproduzidos de forma digital, a estamparia utiliza-se de diversos tipos de produtos químicos, que têm como função cobrir a superfície têxtil com cor, brilho, volume, transparência ou efeitos especiais. Esses efeitos são reproduzidos sobre a superfície têxtil por meio dos seguintes processos:
– adição de cor;
– corrosão de cor;
– corrosão de fibras;
– isolamento;
– efeitos especiais.
Os processos serigráficos permitem a utilização de todos os processos acima citados, enquanto os processos digitais de estamparia, até os dias atuais, utilizam restritivamente corantes ou pigmentos.
2.2.2.1 Adição de cor
A forma mais comum de aplicação de desenhos sobre uma superfície têxtil é feita por coloração dos tecidos de forma predeterminada, por adição de corantes e de pigmentos (PRICE; COHEN; JOHNSON, 2005).
A escolha entre corantes e pigmentos, principais substâncias colorantes utilizadas na estamparia, depende do resultado esperado no produto final. Os corantes são aplicados ao tecido sem que este perca características de toque e caimento e, normalmente, são utilizados em estampa corrida. Os pigmentos em geral são utilizados em pequenas áreas do tecido e não são muito apropriados para tecidos leves e transparentes, por alterar sua superfície (BRIGGS-GOODE, 2014).
Os corantes são substâncias químicas que penetram nas fibras e se incorporam a elas. São apropriados tanto para os processos de estamparia quanto para os de tingimento. A sua aplicação prevê a mistura com água e outros produtos químicos responsáveis pela impregnação dos corantes no tecido.
O bom funcionamento dos corantes está sujeito à composição dos substratos têxteis aos quais serão aplicados. Especialmente em relação aos corantes, eles têm uma especificação de aplicação conforme a matéria-prima em que serão utilizados, a qual pode ser de origem natural ou química, como mostra a Tabela 1. No caso dos corantes, a incompatibilidade entre eles e a fibra pode resultar na diminuição da qualidade de impressão.
Tabela 1 - Relação entre fibras e corantes
Tipo de corante sintético), que deve ser adicionado para conferir viscosidade à pasta de estamparia, evitando que ela borre na superfície têxtil (GOMES, 2007). Os pigmentos podem ser adicionados para criar estampas com efeitos em relevo, termossensíveis, peroladas e metálicas, devendo ser fixados aos tecidos por tratamento térmico.
2.2.2.2 Corrosão à cor
A estamparia por corrosão à cor prevê a retirada de corantes depositados sobre a superfície do tecido utilizando produtos químicos. Esse processo é feito em tecido previamente tingido; a aplicação de produto químico corrói o corante já existente, fazendo aparecer, nas áreas em que se aplicou o produto químico corrosivo, as áreas brancas do tecido. Caso junto à pasta química corrosiva seja aplicado corante, além da corrosão do corante que foi primeiramente aplicado, será feita adição de novo corante (Figura 21).
Figura 21 - Corrosão à cor
Fonte: Desenvolvido pela autora, 2012
2.2.2.3 Estamparia por isolamento
O isolamento de áreas específicas do tecido pode produzir efeitos diversos de superfície, resultando em efeitos programados, como na estamparia por reserva, ou em efeitos abstratos, como no tie-dyeing.
A estamparia por reserva é o processo pelo qual se aplica estampa com pasta contendo produtos que impedem que o tingimento posterior se fixe nos locais estampados. Essa estamparia pode ser feita de duas formas: a pasta isolante é aplicada sobre tecido de fundo branco, que é tingido posteriormente; ou o tecido é previamente tingido, para depois receber a pasta isolante e ser submetido ao processo de estampagem (GOMES, 2007).
Apesar de não ser classificado como estamparia por reserva, o tie-dyeing segue a mesma lógica do processo mencionado. A diferença é que, no tie-dyeing, o isolamento de áreas específicas é feito a partir de amarrações, com posterior imersão em corante diluído em água (TORTORA; MERKEL, 2005). A Figura 22 mostra o efeito tie-dyeing desenvolvido pela empresa Rit Dye, responsável pela popularização da técnica na década de setenta.
Figura 22 - Técnica tie-dyeing
Fonte: RIT STUDIO, 2014
O resultado são estampas com efeitos programados, como listras e círculos irregulares, e efeitos abstratos.
2.2.2.4 Estamparia por corrosão de fibras
A estamparia por corrosão de fibras prevê o desgaste ou retirada de fibras por processos químicos, como o devoré, ou físicos, como a estamparia a laser.
Do francês, devoré significa “devorado” e é a técnica que prevê a aplicação sobre tecidos mistos, com fibras diferentes, pois a pasta corrosiva deve agir especificamente sobre uma das fibras. A Figura 23 mostra o efeito obtido na estampa sobre tecido misto de seda e viscose, onde se observa a corrosão de fibras de viscose (fios rosa claro) feita com pasta de sulfato de alumínio, e a permanência das fibras de seda (fios vermelhos), que não foram corroídas pela pasta.
Figura 23 - Efeito devoré
Fonte: Desenvolvido pela autora, 2012
A estamparia a laser, feita de forma digital, é produzida a partir da retirada de matéria-prima por meio de laser em áreas predeterminadas do desenho. O desenho a ser criado na estampa, que frequentemente é feito de forma localizada, é determinado a partir de software específico que detalha o desenho, a localização e o nível de corrosão (Figura 24).
Figura 24 - Processo de corrosão a laser
Fonte: JEANOLOGIA, 2013, p. 16
Esse tipo de estampa tem como diferencial, além dos efeitos obtidos, a questão sustentável. Isso porque a estamparia a laser reduz o consumo de água, de energia e de produtos químicos utilizados, bem como ameniza os efeitos insalubres de lavanderias convencionais.
2.2.2.5 Efeitos especiais de estamparia
Além das tintas comuns à estamparia têxtil, feitas de pigmentos ou corantes, existem diversos efeitos especiais que podem ser aplicados sobre a superfície têxtil.
Eles são conseguidos por meio da utilização de substâncias químicas com efeitos visuais e táteis diferenciados.
Tais efeitos podem ser estimulados pelo meio ambiente, como as tintas fluorescentes que brilham no escuro, as tintas hidrocrômicas, que respondem à água, e as termocromáticas, que mudam de cor com a variação de temperatura.
Efeitos holográficos ou perolados proporcionam variação cromática de acordo com o ângulo de visão (UDALE, 2009).
Outros efeitos conferem aspectos táteis, como a tinta puff, que se expande sobre a superfície do tecido, criando efeitos tridimensionais. Também caracterizada como efeito tátil, a flocagem consiste na aplicação de cola em locais programados;
sobre a superfície do tecido, são aplicadas fibras muito curtas, que aderem à cola, conferindo efeito aveludado (Figura 25).
Figura 25 - Estampa em flocagem
Fonte: Arquivo pessoal
Além dos processos de estamparia, tidos na pesquisa como aspectos técnicos a serem observados no projeto de estampas, consideram-se questões
relacionadas com a estrutura têxtil, fibras e corantes, o que está diretamente ligado aos processos de estamparia.