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As dificuldades encontradas pelos tutores no exercício de sua atividade profissional

fizeram parte do roteiro de entrevistas que realizamos. O relato dessas dificuldades

encontradas nos dá indícios de suas percepções acerca da formação de professores realizada

na modalidade EAD e do seu processo de constituição como tutores. A resistência à

modalidade EAD fica expressa no depoimento da T1 quando enfatiza a importância da

interação face a face:

EAD, principalmente porque só faço aquilo que acredito e gosto de fazer. Nada

substitui o “olho a olho”, o contato coletivo, a discussão em grupo – essa riqueza

é insubstituível. Acredito que para se fazer a crítica e superar as resistências, é

preciso conhecer para poder fazer uma análise crítica. (grifo nosso)

A compreensão do caderno pedagógico é apontada como a principal dificuldade

encontrada pela T2. Destaca ainda as dificuldades de manter a atenção dos alunos e a

freqüência aos encontros tutoriais. Outro aspecto ressaltado pela entrevistada é a concepção

teórica que se faz presente em todos os cadernos pedagógicos. Enfatiza que a linguagem

utilizada nos cadernos pedagógicos contribui para facilitar o aprendizado.

A principal dificuldade encontrada para o exercício da tutoria é a compreensão do

caderno, manter a atenção dos alunos, garantir a freqüência aos encontros

presenciais, chegar e sair no horário estabelecido. O que facilita a compreensão do

caderno é você perceber a concepção da área temática. Eu senti dificuldade na parte

de Estatística porque a gente lida com um conteúdo que não se tem muita

familiaridade. A linguagem do caderno é científica e, ao mesmo tempo, muito

clara e explicativa. (grifo nosso)

Como destacamos anteriormente, a construção do trabalho coletivo é importante por

romper com a lógica do isolamento tão presente no campo da educação. A superação do

sentimento de isolamento passa pelo apoio institucional e pelo atendimento das necessidades

dos tutores, conforme explicita a T8:

É um apoio maior dos professores das disciplinas, principalmente de prática

pedagógica, porque elas ficam lá e a gente tem que telefonar, tem que mandar

e-mail, mas não é a mesma coisa, a gente manda e-e-mail, elas não respondem, a

gente tem pressa aqui porque tu precisas dar resposta para o aluno. (grifo nosso)

A burocracia é também apontada como dificuldade pela T8 e representa uma das

estratégias de intensificação do trabalho das tutoras. O sentimento de que está sendo cobrada

constantemente seja pelas alunas seja pela instituição gera ansiedade para a entrevistada.

Destaca a necessidade de que as tutoras desenvolvam apenas o trabalho pedagógico e não

tenham que assumir a parte administrativa. Contudo, as atividades administrativas como

controle e o preenchimento de formulários fazem parte do rol de atribuições previsto no

manual do tutor:

As alunas ficam muito ansiosas e ficam com uma cobrança em cima da gente. Vai

para coordenação e a coordenação devolve para gente. Se tu estudas numa outra

universidade, tem uma secretaria lá cuidando da parte burocrática. A tua parte é a

aqui dentro da sala de aula, a parte pedagógica. Aqui não, tu acabas te envolvendo

com tudo. O aluno não entende isso, acha que tudo que acontece de ruim para ele

também não sabia, não sabíamos que era assim, às vezes a gente liga, dão uma

orientação, no outro dia já é outra, aí tu pensas, mas quem é que está falando a

verdade. (grifo nosso)

O relato da T8 nos dá indícios de que os tutores podem estar vivendo o chamado

mal-estar docente. Excesso de atividades, burocracia e o sentimento de incapacidade frente a

tantas demandas podem comprometer a qualidade do trabalho realizado. Mosquera et al

(2005, p. 347) aponta algumas causas do mal-estar docente:

Uma carência de tempo, que aparece cada vez mais insuficiente para realizar um

trabalho decentemente. Acresce-se a isto as dificuldades dos próprios alunos, que o

professor muitas vezes tem de atender em aula e até fora dela; [...] o trabalho

burocrático cada vez maior; [...] a descrença do docente em seu ensino, que parece não

estar ajudando os discentes; [...] a constante e rápida modificação no conhecimento e

nas inovações sociais, que são cada vez mais desafiantes, que provocam grande

ansiedade e sentimento de inutilidade.

Nas reflexões da T10, emerge a intensificação do trabalho dos tutores que se manifesta

no processo de orientação e supervisão do estágio. Como já destacamos anteriormente, no

momento de organizar e orientar os estágios e TCCs, as tutoras assumem muito mais o papel

de professores do que de “facilitadores da aprendizagem”:

Essa experiência está sendo ótima por um lado, mas por outro lado está sendo

péssima porque é uma carga muito grande para nós. O estágio está sendo muito

preocupante e cansativo porque a gente não domina todo esse conhecimento.

Com quem eu converso, a angústia é a mesma. Essa angústia de ter que orientar e

mediar é grande e, às vezes, a gente, não sabe como fazer isto muito bem. (grifo

nosso)

O tempo destinado aos encontros tutoriais onde acontece mais diretamente a mediação

por parte do tutor é considerado uma dificuldade. Os encontros tutoriais que acontecem uma

vez por semana não são suficientes para a apropriação dos conceitos-chave de cada caderno

pedagógico e poder orientar melhor o estágio. Sabemos que os processos de aprendizagem de

cada sujeito são diversos e requerem certo tempo para aprender. Tardif; Lessard (2005, p. 76)

explicam que:

[...] é evidente que o tempo escolar não acompanha diretamente o tempo da

aprendizagem dos alunos. Um dos maiores problemas da escola é ajustar esses dois

tempos. O aprendizado requer um tempo variável segundo os indivíduos e os grupos,

ao passo que o tempo escolar segue invariavelmente ritmos de aprendizagem coletivos

e institucionais.

pedagógicos, trabalhos, avaliações; seria necessário ampliar a quantidade de encontros

tutoriais. Assim como há ampliação do trabalho dos tutores, há também a intensificação do

trabalho dos estudantes:

Em primeiro lugar o pouco tempo para mediar a aprendizagem deles, outra

dificuldade é a de avaliação, que não possibilita a avaliar o processo

ensino-aprendizagem. Eu gostaria muito de estar sugerindo mudanças no curso, de

poder pontuar. Esse grupo de Educação Infantil não poderia ter sido formado agora,

já poderia ter sido formado há mais tempo para dar tempo do tutor ficar um tempo

maior com elas, inclusive para orientar melhor o estágio. Não é assim que tem que ser,

gostaria que se tivesse um espaço para gente poder contribuir mais, nós estamos

aqui lidando com a realidade e a gente consegue ver o que dá e o que não dá, o que

funciona e o que não funciona, o que precisa melhorar. (grifo nosso)

A T9 evidencia no seu relato a falta de espaço institucionalizado para fazer avaliações

do trabalho desenvolvido e construir um trabalho coletivo com sugestões vindas do próprio

grupo. É por meio de processos avaliativos produzidos pelos próprios sujeitos que o projeto é

reconstruído com a participação ativa de todos.

A falta de recursos tecnológicos é apontada pela T12 como uma dificuldade para o

desenvolvimento do trabalho, assim como a correção de trabalhos com conteúdos em que não

há domínio por parte do tutor:

A dificuldade é a falta de recurso, tu não podes variar com um CD, pois fica difícil

porque já está em outra sala ou porque é só um. Dificuldade para corrigir trabalhos

de disciplinas que tu não dominas. A concepção geral, a gente tem sobre cada uma

porque a gente compreende a abordagem histórico-cultural. Tu vais ler o caderno

e consegue compreendê-lo, mas não é a tua área. Estatística, Matemática,

Geografia, História, essas disciplinas. Eu acho que elas iriam ganhar muito mais se eu

fosse da área da geografia, se eu fosse da matemática, eu teria muito mais para

contribuir. (grifo nosso)

A compreensão da concepção histórico-cultural é destacada pela T12 como elemento

fundamental para a compreensão dos conteúdos do caderno pedagógico. Contudo, as

especificidades de cada área e disciplina não são de domínio das tutoras, até porque

dificilmente alguém pode dominar todos os conhecimentos. Quando há apenas a orientação

dos alunos para a apropriação dos conteúdos do caderno essa dificuldade é pouco percebida,

pois o tutor não tem a tarefa de ensinar. Nos momentos de orientação e acompanhamento dos

estágios e TCCs, a falta de domínio dos conteúdos específicos se presentifica, pois orientar,

acompanhar e avaliar essas atividades acadêmicas requer do tutor a articulação dos

conhecimentos para poder desenvolver o seu trabalho.

como superar a resistência inicial à modalidade EAD, compreender os cadernos pedagógicos,

motivar os alunos para que aprendam, tenham atenção e sejam assíduos. Outros aspectos

como apoio maior dos professores autores, lidar com a ansiedade própria e a angústia dos

estudantes, o excesso de burocracia potencializado pela falta de uma estrutura administrativa

com profissionais necessários, domínio dos conteúdos, pouco tempo para os encontros

presenciais, falta de recursos tecnológicos e também a falta de espaços institucionalizados

para construir um trabalho coletivo são apontados pelos entrevistados como elementos que

dificultam seu trabalho.

Esse conjunto de dificuldades encontradas pelos tutores nos indica que a modalidade

EAD impõe novos contornos para o fazer pedagógico. Novos desafios são colocados em

movimento, seja em termos pessoais, pedagógicos e institucionais, sobretudo, quando

verificamos indícios de um processo de intensificação do trabalho que nos torna reféns de nós

mesmos.

6 EXPANSÃO DA EDUCAÇÃO SUPERIOR NA MODALIDADE EAD

A expansão da educação superior tem sido apontada como uma meta a ser perseguida

pelo Estado Brasileiro tendo em vista os ditames de organismos internacionais.

Genericamente a expansão da educação superior esteve atrelada ao discurso

desenvolvimentista, e, no caso de Santa Catarina, pelo discurso do desenvolvimento regional

potencializado pelas instituições de educação superior comunitárias, vinculadas à ACAFE. O

movimento de expansão foi fortalecido pela LDB 9394/96 quando estabeleceu a necessidade

de formar professores para a Educação Básica em nível superior até o final de 2006, a

diversificação de formatos institucionais como universidades, centros universitários e a

própria modalidade EAD.

Compreender as percepções dos tutores sobre a formação de professores nos desafia a

refletir como eles percebem a expansão da educação superior alavancada pela EAD. Como

destacamos anteriormente, o Brasil, por ser um país muito extenso, é terreno fértil para a

ampliação da educação superior na modalidade EAD. Essa expansão, principalmente, quando

realizada pelo setor privado, pode se constituir como uma das estratégias de mercantilização

da educação.

O depoimento da T1 coloca em evidência a preocupação com a qualidade de ensino

que se manifesta também pela interação. O ensino presencial é considerado pela entrevistada

como de melhor qualidade em relação à EAD. Manifesta sua preocupação com a diminuição

do ensino presencial por considerar que o custo da EAD é menor. Sua preocupação tem

sentido na medida em que o índice de candidatos ao vestibular destinado ao preenchimento de

vagas do curso de Pedagogia das IES vinculadas à ACAFE diminuiu sensivelmente a partir da

oferta deste curso pela UDESC, na modalidade EAD:

A expansão do ensino superior na modalidade EAD, eu ainda tenho algumas

restrições, pois por mais que eu valorize e acredite que realmente acontece

aprendizagem na EAD eu continuo dizendo que o ensino presencial é

fundamental. A gente sabe que a EAD é mais barato e por isso pode haver uma

diminuição do ensino presencial que para mim é o melhor de todos. É melhor pela

interação, o professor estar ali no dia-a-dia, o próprio professor da disciplina

porque na EAD existe apenas um encontro do professor com os acadêmicos, os

outros encontros são com os tutores. (grifo nosso)

Contudo, a T2 destaca a dificuldade de fazer comparações entre EAD e ensino

presencial por atender necessidades e interesses de públicos diferenciados. A preocupação

com a mercantilização da educação que não acontece apenas na modalidade EAD aparece

novamente no depoimento desta entrevistada:

É impossível fazer comparações, atendem necessidades e interesses de diferentes

grupos. O que há de positivo na EAD é a possibilidade desse pessoal que trabalha,

que tem o tempo muito carregado poder minimizar esse tempo e fazer o curso

superior. Eu não vejo apenas na modalidade de EAD, na educação de maneira geral,

cursos de educação são muito fáceis de se abrir, pedagogia mesmo, em qualquer

instituição privada, e não só porque é privada, não se tem estrutura, qualquer

sala que se alugue, cantinho, se abre um curso superior. (grifo nosso)

A mercantilização da educação como um dos reflexos da política educacional

assumida pelo Estado brasileiro não passa despercebida pela reflexão da T9. As políticas de

educação empreendidas no Brasil se traduzem, muitas vezes, como estratégias de

desregulamentação, o que possibilita que instituições de educação superior sejam autorizadas

a funcionar sem as condições necessárias. De modo complementar o Estado também assume

o papel de regulador na medida em que estabelece diretrizes curriculares, define critérios para

autorização, reconhecimento e recredenciamento de instituições de educação e seus

respectivos cursos. Essas práticas de regulação se articulam com os sistemas de avaliação

atualmente materializadas pelo Sistema de Avaliação da Educação Superior – SINAES. No

que tange à modalidade EAD, em 2007 foram estabelecidos pelo MEC os critérios de

avaliação, principalmente para analisar as condições para abertura de pólos onde serão

ofertados cursos superiores. Laval (2004, p. 109) afirma que:

A ideologia liberal acompanha, reforça e legitima as diversas formas de

desregulamentação, cuja característica geral consiste em deixar no espaço escolar um

lugar crescente para os interesses particulares e para os financiamentos privados, quer

sejam de empresas ou de indivíduos. Apesar dos desmentidos oficiais, a modernização

da escola passa por uma extinção progressiva das fronteiras entre o domínio público e

interesses privados, o que na tradição administrativa francesa representa uma ruptura

considerável.

O questionamento acerca da rigidez dos tempos-espaço do ensino presencial e a

expansão tímida das universidades públicas presenciais é explicitado pela T9:

Acho que facilita a propagação da educação como mercado livre e, a educação a

distância, vai depender da política educacional que está por trás dela. Eu penso que

nós tínhamos que ter flexibilizado o tempo do curso presencial e ter dado mais

oportunidades de curso superior via instituição pública. Abrir esse curso para

pessoas que não estão no exercício da docência foi um problema. Aqui uma das

coisas que chama e atrai as pessoas é a possibilidade de fazer um curso superior sem

pagar, sem custo. Na verdade isso acabou se estendendo para todo mundo porque no

início ele era para atender só quem estava atuando e quem não tinha feito o curso

superior, aí é que está, de repente, isso virou comércio. (grifo nosso)

Conforme depoimento da T9, o público atendido nos cursos na modalidade EAD deve

ser bem focado para que não se crie um “comércio educativo”. Em sua opinião, o principal

atrativo para cursar Pedagogia, na modalidade EAD, na UDESC é a gratuidade, uma vez que

a universidade é pública. A T13 faz uma diferenciação entre EAD ofertada numa universidade

pública e EAD ofertada na universidade privada. Nas universidades privadas é necessário um

número mínimo de alunos matriculados para sustentar financeiramente a oferta do curso,

enquanto que nas universidades públicas essa preocupação é minimizada, uma vez que a

educação é vista como bem público e não um serviço a ser prestado:

Existem diferenças quando a EAD é ofertada em instituições públicas e privadas

porque os interesses são diferentes. Nós temos turmas aqui na UDESC com vinte

alunos. Numa instituição privada tu não abres uma turma com menos de trinta e

cinco alunos. Eu tenho alguns colegas que dizem que se nós não tivemos trinta e

cinco alunos, eles fecham a turma. Acredito que um dos fatores que mais

comprometem a educação é o fator econômico. (grifo nosso)

Expandir a educação superior regulada por critérios pode ser uma estratégia de

democratização, conforme destaca a T12. Enfatiza a importância das relações entre diferentes

sujeitos para o processo ensino-aprendizagem e coloca a EAD como alternativa para quem

não pode fazer ou não se enquadra num curso presencial:

Eu acho que a EAD democratiza, mas teria que ter alguns critérios. Primeiro o jovem

deveria tentar um ensino presencial. O ensino a distância é uma alternativa para

aqueles que não conseguiram entrar no ensino presencial. Acho que no encontro

com o grupo tu cresces tanto quanto com o estudo do material pedagógico, a relação

com os colegas da turma é tão rica quanto ler um livro ou mais até. Então, eu acho

que deve se priorizar o encontro diário. O ensino a distância democratiza no sentido

de que aquelas pessoas que não conseguem, que não se enquadram mais na

modalidade presencial, elas têm essa oportunidade. Acho que a distância é uma

alternativa para quem não se enquadrou no presencial. Tem que ser priorizado o

presencial pelo encontro diário que tu vais ter com o grupo, pela interação que tu vais

ter. (grifo nosso)

Acreditamos que um dos principais questionamentos para a modalidade EAD é a

dificuldade de acompanhamento do processo como um todo. Quando se amplia muito o

universo de pessoas atendidas o risco de se perder o acompanhamento sistemático do

processo por parte da IES é potencializado. O movimento pela garantia da universidade

pública e gratuita emerge no depoimento da T9:

Teve um problema sério aqui em Criciúma. Quando a UDESC percebeu, eles tinham

criado uma turma sem a UDESC saber. Essa última turma está tendo aula por

decisão judicial. As alunas foram para justiça buscando garantir a continuidade deste

Objetivo que abriu a turma. Quando a UDESC viu, a turma já estava formada. Então

todos esses problemas levaram a Universidade a rever algumas coisas, inclusive

porque eles estavam querendo continuar com o curso a distancia. (grifo nosso)

Reflexão semelhante pode ser encontrada no relato do T13 quando destaca as

diferenças entre EAD ofertada em universidade pública e universidade privada. Enfatiza a

importância da democratização da educação superior pública, questiona o número de

universidades públicas em Santa Catarina e elogia o trabalho desenvolvido pela UDESC, na

modalidade EAD:

Acho que existem aí duas vertentes. Eu tinha preconceito com relação à EAD. Eu

acreditava que EAD era algo para quem não queria estudar, mas necessitava de

um diploma. Essa era a visão que eu tinha. Eu mudei depois que comecei a ver o

trabalho sério da UDESC. Eu sei que hoje em dia a EAD virou um grande negócio.

Tem gente ganhando muito dinheiro com a EAD. A UDESC não, ela é pública.

Nenhum acadêmico paga nada. Quando foi cobrada mensalidade foi por conta do

convênio UDESC e o Colégio Objetivo. A UDESC teve que inclusive intervir neste

processo e nós tivemos que fazer concurso para regularizar a situação. Agora, é

inegável que algumas instituições estão ganhando dinheiro com a EAD. Eu não posso

falar de outros cursos na modalidade EAD, agora, a UDESC trabalha com a idéia da

democratização. Quantas universidades públicas têm em Santa Catarina? Apenas

duas, uma federal e outra estadual. A grande maioria das pessoas não tem acesso à

universidade pública. Nesse sentido, a UDESC tem um trabalho muito interessante em

termos de EAD. (grifo nosso)

O princípio da democratização da educação superior pública tem motivado o Estado

brasileiro a criar práticas de interiorização das universidades, principalmente na modalidade

EAD. No caso de Santa Catarina, a UFSC também está sendo interiorizada em Criciúma com

a oferta de cursos de Administração, Física e Matemática, na modalidade EAD, em condições

muito semelhantes da UDESC. A partir dessas constatações ficam algumas questões: o que

significa democratizar a educação superior? Disponibilizar uma sala de aula numa escola de

ensino médio com um tutor, estudantes e materiais instrucionais significa interiorizar a

universidade? É possível afirmar que a UDESC e a UFSC se fazem presentes em Criciúma?

Estudar numa universidade pública possui algumas “vantagens” que são apresentadas

pelo T13. O compromisso social dos professores e sua autonomia é colocado pelo

entrevistado como aspecto positivo das instituições educacionais públicas:

Às vezes, nós professores, que trabalhamos em escolas públicas, matriculamos nossos

filhos em escolas privadas. A vantagem dos alunos que estudam na escola pública

é que seus profissionais têm mais compromisso social do que aqueles que

trabalham numa instituição privada. Numa instituição pública tu tens mais

liberdade para desenvolver o trabalho. Isso pode inclusive produzir algum resultado

diferente, mas acredito que as diferenças não sejam tão grandes. O nosso público, na

maioria das vezes, são alunos trabalhadores. (grifo nosso)

Além da questão econômica, para a T5 a flexibilidade de tempo permite que o

estudante concilie trabalho, estudo, cuidado da casa e também assumir um outro trabalho. No