1.2. METODOLOGIA
2.1.1. Contexto Global
2.1.1.1. Dimensão Socioeconômica
A abordagem analítica relacionada à dimensão socioeconômica apresenta inicialmente uma análise contextual em que se destaca o ambiente da análise e a definição de um modelo de interpretação da economia municipal em face de uma nova dinâmica de desenvolvimento da economia brasileira. Tal modelo será tratado como referência aos novos vetores de crescimento econômico e explicitação de limites e potencialidades do município.
Este estudo possibilitará uma aproximação fundamentada em uma composição entre um diagnóstico do município e em uma definição de perspectivas para o mesmo. Embora o estudo se concentre nas atividades urbanas, não se pode desconsiderar o setor primário, porque, como se sabe, as cadeias produtivas incluem a produção deste setor.
a) O Ambiente da Análise
Conforme análise efetuada anteriormente (Faria, et alii, 2002), o desenvolvimento da economia brasileira pode ser caracterizado espacialmente por quatro fases, caracterizadas da seguinte forma (Galvão e Vasconcelos, 1999:6):
Fase do isolamento relativo ou do arquipélago regional, representada pelos antigos complexos exportadores, que, no geral, perduraram até o princípio deste século;
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Fase da articulação comercial, concomitante com a primeira etapa da industrialização brasileira - centrada e relativamente concentrada ou polarizada principalmente em São Paulo - e que marcou a economia brasileira até os anos 60;
Fase da articulação produtiva, que percorre os anos 70 e alcança os 80, e foi acompanhada de um processo de desconcentração espacial em relação ao centro São Paulo/Sudeste;
Fase do desenvolvimento regional difuso (“nem concentração, nem desconcentração”), a partir do final dos anos 80.
A concentração espacial da economia brasileira “esteve associada e foi determinada, em grande parte, pelos processos que ocorreram na fase de isolamento relativo, e que deram lugar ao dinamismo diferenciado das regiões e complexos exportadores regionais, e à fase mais recente de formação do mercado interno (‘articulação comercial’), quando as demais economias regionais – não o Sudeste – ajustam os seus espaços econômicos à concorrência da produção industrial do sudeste, que avança sobre os mercados regionais, anteriormente isolados”
(Guimarães, 1997:7).
Já o processo de desconcentração, que ocorre a partir de meados dos anos 70 (‘integração produtiva’), resultou de vários fatores: “(a) deseconomias de aglomeração na área metropolitana de São Paulo e criação de economias de aglomeração em vários outros centros urbanos e regiões; b) ação do estado em termos de investimento direto, incentivos fiscais e construção da infra-estrutura; c) busca de recursos naturais, traduzida pelo movimento das fronteiras agrícola e mineral, com reflexos na localização de um conjunto de atividades industriais; d) unificação do mercado, potenciada pelo desenvolvimento da infra-estrutura de transportes e comunicações, com efeitos sobre a competição interindustrial e a localização” (Diniz, 1995:7).
O processo de reversão da polarização “se fez com um relativo espraiamento industrial para o próprio interior do estado de São Paulo e para quase todos os demais estados brasileiros”.
Merece destaque, nesse processo, o papel dos investimentos das empresas estatais federais.
Na “década de 70 e, em especial, em cumprimento às ambiciosas metas do II PND, ocorreu uma avalanche de investimentos industriais pelas empresas controladas pelo governo federal denominadas ‘estatais’ (aço, petróleo, fosfato, potássio, papel, petroquímica, carvão, mineração, titânio, cobre, cloroquímica, entre outros). A decisão local em vários casos foi tomada por
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critérios políticos. Entretanto, seja por razões técnicas ou políticas, a maioria dos investimentos foi realizada fora do estado de São Paulo, e distribuída por vários estados e regiões brasileiros [inclusive o Paraná], contribuindo para a desconcentração relativa da indústria” (Diniz, 1995:7).
Entre 1970 e 1985, a participação da produção industrial de São Paulo no total nacional diminui de 58,1% para 51,9%. Já a do Paraná aumentou de 3,1% para 4,1%.
O período recente tem seu início na segunda metade da década de 80 e se caracteriza como uma quarta fase do desenvolvimento econômico espacial brasileiro. Esta fase é descrita por Guimarães como nem concentração, nem desconcentração espacial. Pode-se também denominá-la de fase de desenvolvimento regional difuso.
Segundo Galvão e Vasconcelos (1999), as teses mais importantes em discussão sobre essa nova fase defendem ora a presença de um processo de reconcentração da dinâmica econômica (agora em um polígono territorial de proporções mais amplas que o núcleo anterior representado pela Região Metropolitana de São Paulo, cobrindo extensa fatia do chamado Centro-Sul do país2), ora a existência de um processo de fragmentação econômica do território nacional, com o surgimento e consolidação de núcleos dinâmicos dispersos nesse território (”ilhas de produtividade”), alguns bem especializados e muitas vezes desatrelados de vínculos mais sólidos com a economia nacional. As principais referências dessas teses são as análises de Diniz (1995) e Pacheco (1999), respectivamente:
Na concentração poligonal, segundo Diniz, o crescimento industrial e a desconcentração relativa observada na década de 70 ocorreram dentro do mesmo padrão industrial anterior, ou seja, com grande expansão das indústrias básicas, articuladas à base de recursos naturais e dos duráveis de consumo. Contemporaneamente, o que ocorre nos países industrializados é exatamente o contrário. As mudanças tecnológicas em curso induzem exatamente à expansão [ou renovação] de setores que estão fortemente sustentados na ciência e na técnica, com reduzida ou inexpressiva demanda de recursos naturais. O requisito locacional destes setores está articulado com a presença de centros de ensino e pesquisa, mercado de trabalho profissional, relações industriais articuladas geograficamente, facilidade de acesso, base educacional e cultural, clima de negócios, concentração dos recursos de pesquisa, entre outros.
2 Este polígono tem os seguintes vértices: Belo Horizonte, Triângulo Mineiro, Ribeirão Preto, Norte do Paraná, Porto Alegre, Curitiba, Rezende (RJ) e, novamente, Belo Horizonte.
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Embora estes recursos possam ser encontrados em localizações dispersas, tendem a se restringir a regiões com grandes aglomerações urbanas. As poucas localidades com vantagens preexistentes tendem a ampliá-las ainda mais, uma vez que o crescimento das atividades de alta tecnologia agem como poderosa força aglomerativa. Neste sentido, nos últimos anos vem sendo enfatizada a importância dos parques tecnológicos para o desenvolvimento industrial em geral, e para o crescimento diferenciado das regiões, especialmente nos países industrializados.
A maioria dessas análises parte do reconhecimento do processo de reestruturação no sistema produtivo internacional, com a emergência de novos setores. Esses são identificados como indústria de alta tecnologia, que caracterizaria uma nova revolução industrial e um novo ciclo expansivo de longa duração. Até onde esta concepção se encaixaria para o caso brasileiro? No caso do Brasil, a concentração industrial prévia e a desigualdade do potencial de pesquisa e de renda dificultam um processo de desconcentração industrial para as regiões pobres ou vazias.
Assim considerando, não resta dúvida de que as melhores condições para a localização de atividades de alta tecnologia estão predominantemente no estado de São Paulo e secundariamente no corredor que vai de Belo Horizonte a Porto Alegre. O resultado combinado de mudanças nas economias de aglomeração, da crescente integração do mercado nacional, da abertura externa e crescimento dos efeitos do Mercosul, da desigualdade regional do gasto em pesquisa, do mercado de trabalho profissional e da renda tendem a reforçar o crescimento industrial da região que vai de Belo Horizonte a Porto Alegre. Esta região, composta pelos estados de Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e pelo próprio estado de São Paulo, excluída a sua área metropolitana, ampliou sua participação na produção industrial do país de 33% para 51% entre 1970 e 1990. Isto permite conciliar a idéia de reversão da polarização da área metropolitana de São Paulo, que de fato ocorreu, com a idéia de uma aglomeração nessa macrorregião. Embora tenha ocorrido um relativo processo de desconcentração industrial nos últimos 20 anos, vários elementos parecem atenuar a possibilidade de sua continuação, pelo menos na velocidade e na direção registrada" (Diniz, 1995:40-1);
Segundo Pacheco, “um exame preliminar da dimensão regional do investimento industrial recente parece mostrar a emergência de um conjunto de alterações significativas no padrão de localização da atividade produtiva. Atenção especial tem sido dada ao que parece ser uma certa desconcentração relativa dos investimentos no setor de bens duráveis, especialmente na
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automobilística, bem como em alguns gêneros de bens salários3, com destaque para segmentos em que o dispêndio com mão-de-obra ainda se mostra relevante no custo de produção, tais como calçados, têxtil e vestuário. Motivados por essa aparente desconcentração, vários estados e municípios têm-se lançado em programas arrojados de atração de investimentos, utilizando-se de ampla gama de incentivos e de algumas iniciativas localizadas voltadas à geração de externalidades favoráveis a esses novos investimentos. Apesar de os diversos rounds da guerra fiscal tenderem a igualar o nível de benefícios concedidos pelos diversos estados envolvidos, ao mesmo tempo em que se amplia a renúncia fiscal, é inegável que a maior agressividade das unidades da Federação menos industrializadas reforça ainda mais essa trajetória de desconcentração. Em paralelo, e ao contrário dessas tendências, também se identifica um processo de concentração regional dos investimentos em setores com grande potencial de crescimento, como telecomunicações e informática — nesse último segmento, muito em função da sistemática do processo produtivo básico que visa equalizar os incentivos para o conjunto do país. De forma análoga, os impactos diretos do programa de privatização ampliam o peso das áreas mais industrializadas do país, tanto por intermédio da racionalização das atividades das empresas privatizadas quanto – no limite – pelo fechamento de antigas plantas situadas em regiões menos desenvolvidas. Nessa mesma direção situa-se a importância crescente que algumas externalidades novas assumem na determinação da competitividade industrial, a exemplo da proximidade com fornecedores ou da existência de serviços especializados de apoio à atividade produtiva, o que, evidentemente, favorece as áreas mais intensamente industrializadas. Ainda que o resultado global dessas transformações seja de difícil aferição, pode-se argumentar que está em curso uma sensível alteração na dimensão espacial do desenvolvimento brasileiro, em que uma possível continuidade da desconcentração das últimas décadas deve ser acompanhada pelo aumento da heterogeneidade interna das regiões brasileiras, com o surgimento de ilhas de produtividade em quase todas as regiões e crescimento relativo maior das antigas periferias nacionais e a importância maior do conjunto de cidades médias perante as áreas metropolitanas [já forte e tradicionalmente industrializadas]
4. De todas essas observações iniciais, resulta nítido que a configuração de novos padrões locacionais não será um processo uniforme para o conjunto da indústria, devendo, ao contrário,
3 Bens cujo consumo corrente deriva básica e diretamente dos rendimentos gerados sob a forma de salários, a exemplo dos bens de consumo não-duráveis (alimentos, vestuário, calçados, etc.).
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assistir-se a desempenhos setorialmente muito distintos. Com isso, não se deve esperar a definição de uma tendência clara e geral na direção da re-aglomeração, da mesma forma que não se deve contar com fortes movimentos de desconcentração. Uma avaliação completa desse panorama é ainda mais difícil pelo fato de os fenômenos em curso estarem marcados pela emergência de um quadro econômico muito distinto daquele que prevalecia no país até a última década. Desde logo, o menor peso direto do Estado no investimento produtivo, a abertura econômica, a própria estabilização e a implementação do Mercosul têm, cada um a seu modo, impactos nada desprezíveis na configuração regional da indústria brasileira. É absolutamente relevante, também, que se considerem as conseqüências das mudanças em curso na economia internacional, quer no aspecto de as estratégias das grandes empresas estrangeiras serem formuladas em termos mundiais, mas em inserções produtivas localizadas regionalmente, quer quanto ao fato de o movimento das grandes empresas acelerar os processos de reestruturação produtiva, com uma série de implicações sobre os padrões de localização da atividade industrial” (Pacheco, 1999:5-6).
O processo de abertura da economia brasileira “também significou a confirmação de uma ruptura mais profunda com o principal traço característico da etapa anterior do desenvolvimento regional: os laços de solidariedade que uniam o crescimento das regiões do país. Os investimentos programados pelo II Plano Nacional de Desenvolvimento (PND), apoiados pela realização de empreendimentos estatais de vulto e por um conjunto de incentivos fiscais e financeiros, permitiram um crescimento diferencial maior das economias periféricas, mesmo durante um período relativamente curto, mas que antecipou, em certa medida, o que viria a ocorrer posteriormente. Grandes projetos foram implantados nos segmentos de bens intermediários e de insumos básicos, no intuito de completar a estrutura industrial brasileira para distribuí-la espacialmente pelo território brasileiro, com repercussão maior em várias economias regionais periféricas5”.
4 O crescimento relativamente maior de cidades médias ou mesmo de áreas metropolitanas não forte e tradicionalmente industrializadas não é incompatível com as novas tendências de reconcentração espacial da economia brasileira, dado que tais cidades ou áreas podem vir a se constituir em “ilhas de produtividade”, a exemplo de Curitiba, Joinville, Londrina, etc.
5 “Todo o crescimento das regiões periféricas nacionais até o princípio dos anos 80 articulava-se fortemente ao da região economicamente central, São Paulo. Por isso mesmo, suas opções produtivas encaminhavam-se para um papel complementar ao da economia do pólo, e havia pouca chance de se duplicarem determinados compartimentos produtivos ali instalados. Em outras palavras, o crescimento das áreas periféricas dependia diretamente do aproveitamento de oportunidades complementares à economia paulista, em uma busca incessante por novas e melhores ligações para frente e para trás com a indústria paulista”. (Galvão e Vasconcelos, 1999:8-9)
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Já em decorrência da “abertura tornou-se uma possibilidade concreta a busca direta de fornecedores externos e, em menor grau até o momento, de mercados para as produções regionais. O pólo paulista não mais constitui o provedor/comprador quase único de determinados insumos/produtos da periferia nacional. Se, dentro das fronteiras nacionais, observou-se esse movimento de autonomização das perspectivas de desenvolvimento regional, fora, outros processos coerentes com as transformações no cenário internacional estavam em curso. Em particular, destacou-se, no período recente, a tendência de se organizarem blocos econômico-comerciais como o Mercosul, no caso brasileiro. O Mercosul criou perspectivas renovadas de estruturação das redes comerciais no interior do bloco e propiciou o redimensionamento do próprio tecido produtivo do território compreendido pelos quatro países-membros, especialmente dos dois maiores, Brasil e Argentina. Dessa forma, o Mercosul vem tendo forte repercussão sobre as estratégias empresariais vigentes nesses países. No plano regional, prevalece a idéia de que o projeto do mercado comum do Cone Sul trará efeitos econômicos, sobretudo para a região Centro-Sul do país. Apesar disso, a dinâmica de determinados compartimentos produtivos periféricos brasileiros no âmbito do Mercosul leva a crer que este também apresente impacto, embora sobre uma base original de menor monta, em nichos, espalhados pelo país, de algumas economias regionais/locais” (Galvão e Vasconcelos, 1999:9).
Outro fator importante para a configuração de uma nova dinâmica espacial da economia brasileira é a estabilidade monetária alcançada a partir do Plano Real. Para Galvão e Vasconcelos (1999:9-19), ao “recuperar a racionalidade do cálculo econômico usual, o Plano promoveu claro retorno de uma visão empresarial de mais longo prazo, ao estimular alguns investimentos de maior vulto e significado. Conquanto tenha prevalecido um ritmo de crescimento moderado, o Plano Real possibilitou, ao lado de outros fatores, uma volta do Brasil como destino de investimentos diretos estrangeiros. Vive-se um momento de reposicionamento dos empresários nacionais e estrangeiros perante um mercado que apresenta novas dimensões e reclama novas configurações produtivas, e o país, com a estabilidade, tem sido levado à condição de opção locacional preferencial dos novos investidores no âmbito do Mercosul”.
Assim, um balanço das tendências espaciais da economia brasileira indicam perspectivas de uma nova rodada de concentração das atividades econômicas, seja na concepção analítica de
“concentração poligonal” (Diniz, 1995), seja na de “ilhas de produtividade” (Pacheco, 1999).
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b) O Caso do Paraná
No geral, no decorrer de sua história, a economia paranaense vem se transformando e acompanhando as várias fases pelas quais é possível caracterizar espacialmente o desenvolvimento da economia brasileira.
Pode-se afirmar que essas fases referenciam, cada uma no seu tempo, diversos “modelos de interpretação da economia paranaense”.
À fase de isolamento relativo corresponde a “economia do mate”.
Nos anos 70 e 80, os novos rumos da industrialização do País, da “industrialização da agricultura” e das diferentes articulações do tripé capital estatal-capital estrangeiro-capital nacional - refletidos principalmente nos I e II Planos Nacionais de Desenvolvimento - definiram os limites de desenvolvimento “autônomo” das economias regionais e, ao mesmo tempo, induziram um processo de relativa desconcentração da atividade econômica a partir do centro dinâmico paulista/paulistano.
Nesse contexto, segundo Maria Oliva Augusto, o caminho escolhido pelo “projeto paranista de desenvolvimento” (intervencionismo estatal e ideologia desenvolvimentista), então disseminado pela CODEPAR, negou a realização de um Paraná Autônomo: os novos rumos da industrialização do País, então na fase de integração produtiva, “conduziu, [no dia a dia], a que se reformulassem caminhos e possibilidades para o Paraná. Passou-se da tentativa emancipatória à busca de complementaridade. Ou seja, a afirmação do Paraná frente (ou contra) São Paulo, explicitada pela substituição de importações estaduais, foi substituída pela constatação de uma ‘papel’ industrial complementar a ser desempenhado” pela economia paranaense, em um modelo ou processo de industrialização no Paraná, complementar ao centro dinâmico paulista (IPARDES, 1982).
Finalmente, na atual fase de desenvolvimento regional difuso da economia brasileira (“nem concentração, nem desconcentração”), começa-se a definir, um novo modelo de desenvolvimento da economia paranaense, principalmente a partir de meados dos anos 90.
Ainda na falta de uma denominação corrente, podemos caracterizá-lo como um “modelo de integração da economia paranaense à rede de núcleos dinâmicos da economia brasileira”.
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Quais as principais características desse novo modelo ou qual a especificidade do Paraná nessa nova fase da dinâmica espacial da economia brasileira? Como pode ser observado pela análise desenvolvida no tópico anterior, o Paraná não só está dentro do polígono traçado por Diniz (1995), como vem se constituindo em uma das ilhas de produtividade, conforme definidas por Pacheco (1999).
A intensidade e a natureza do recente fluxo de novos investimentos que vem ocorrendo na economia paranaense estão redefinindo a sua forma de inserção na dinâmica espacial da economia brasileira. Grande parte desses investimentos vem sendo realizados no setor automotivo (montadoras e fornecedores), com elevado potencial de geração de efeitos endógenos diretos e indiretos.
Segundo o BNDES, “no Paraná, onde já se localizavam as plantas da Volvo, caminhões e ônibus, da New Holland, tratores agrícolas, e um pequeno parque local de fornecedores, foram implantados três projetos de novas montadoras. Em função destas fábricas, o número de fornecedores novos no estado é relevante, estimado em torno de 45 pelas informações divulgadas por publicações do estado, dos quais apenas cinco estavam presentes no país até 1998. Além da prática do follow sourcing, o número de fornecedores novos é resultado do volume de produção expressivo e do fato de serem novas no país, portanto sem uma rede já desenvolvida. Estes fornecedores, em função da responsabilidade de entrega de produtos a custos competitivos são hoje os principais interessados em desenvolver uma rede de subfornecedores o que pode vir a ocorrer tanto no próprio estado como em São Paulo” (BNDES, 1999).
A idéia de complementaridade da economia paranaense em relação à de São Paulo (principalmente) vem sendo substituída pela noção de uma economia que se afirma como um dos elos fundamentais da rede de núcleos dinâmicos - cada vez mais integrada e articulada com o exterior - que está passando a centralizar o processo de criação de riquezas em uma economia brasileira.
No entanto, a inserção do Paraná nesse processo está se dando de forma muito diferenciada naquilo que se refere às suas diferentes regiões e segmentos produtivos.
Os engates do Paraná na nova dinâmica regional estão ocorrendo fundamentalmente a partir da Região Metropolitana de Curitiba. A quase totalidade dos investimentos de natureza