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2.2. ANÁLISE SITUACIONAL TENDENCIAL

2.2.2. Aspectos Territoriais Ambientais

2.2.2.1. Sustentabilidade Ambiental

Em comparação com outras cidades do Paraná, Maringá apresenta um bom quadro com relação a saneamento ambiental. Quase a totalidade da malha urbana é atendida por rede de abastecimento de água e pelo sistema de coleta de lixo. Cerca de 60% da população é atendida pelo sistema de coleta e tratamento de esgoto, o que, apesar de distante do ideal, tanto para a realidade brasileira (40% de atendimento) como para a realidade paranaense (31,4% de atendimento) é um índice alto. Porém, algumas falhas relativas não só às questões de saneamento, mas à sustentabilidade ambiental que comprometem a qualidade de vida no município devem ser destacadas:

A agricultura de Maringá se caracteriza pela produção de grãos, em especial a soja e o milho. É uma Produção baseada nos princípios da revolução verde, ou seja, altamente insumizada - uso de agroquímicos e sementes melhoradas. O alto índice do uso de agrotóxicos, o uso inadequado do solo e a falta de uma visão mais ampla a respeito da agricultura causa, entre outros problemas ambientais, a poluição das reservas de água, principalmente as áreas de captação de Maringá, o desmatamento das áreas de reserva legal e de preservação permanente nas propriedades (ver mapa 01 – Saneamento Ambiental – Território Municipal). Outro fator relevante é o impacto extremamente negativo deste sistema produtivo nas condições de saúde dos trabalhadores rurais.

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Quanto ao manancial de abastecimento, detectou-se a alguns anos atrás um nível de poluição da água acima do recomendável. Este fato pode estar relacionado a três fatores: (i) pela falta de infra-estrutura de saneamento, principalmente em alguns bairros periféricos com alta densidade e dinâmica populacional, (ii) pela deterioração dos fundos de vale, tanto da área urbana como da área rural e (iii) por não haver integração entre os municípios que compõem a região metropolitana, já que a bacia de manancial atingia a porção mais densamente habitada da cidade de Sarandi.

Devido ao comprometimento da qualidade da água, o ponto de captação teve que ser relocado para uma área mais à montante do rio Pirapó, retirando a área urbana de Maringá (que atingia quase ¼ da malha) e de Sarandi (quase metade da malha) da bacia de manancial. No entanto, esta relocação teve como conseqüência a diminuição do volume de água captado.

Com o aumento da população da cidade e da região, uma das melhores hipóteses para aumentar o volume de abastecimento seria da captação voltar ao seu ponto original, mas isto só será possível com a melhoria da infra-estrutura de saneamento e a recuperação dos fundos de vale.

A retirada da mata ciliar foi ponto de partida para problemas com erosão e desequilíbrio ambiental, tendo como uma das conseqüências o assoreamento dos rios e a degradação dos mananciais de abastecimento do município. O Rio Pirapó e seus afluentes encontram-se muito degradados, devido ao assoreamento por processo erosivo e pela contaminação por efluentes e agroquímicos. A mata ciliar, que funcionaria como filtro ou barreira natural já não existe mais.

Até hoje a destinação final dos resíduos sólidos acontece em um lixão sem as condições necessárias de esterilização e cuidados ambientais. O projeto para a construção de um aterro sanitário está na fase de Elaboração do Estudo de Impacto Ambiental que, apesar de não concluído, aponta a região próxima ao atual lixão como provável ponto para sua instalação. Apesar da proximidade das malhas urbanas de Maringá, Sarandi, Paiçandu e Marialva, não foi cogitada a possibilidade de formação de um consórcio para definição de um único ponto de destinação final dos resíduos sólidos.

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Quanto ao sistema de drenagem urbana, a situação é bastante complexa, conforme explicitado no estudo anterior da prefeitura para o Plano Diretor:

A drenagem pluvial na cidade apresenta significativa complexidade e aspectos preocupantes, em função da combinação desfavorável de fatores tais como a elevada impermeabilização do solo provocada pela urbanização que aumenta o coeficiente de escoamento superficial;

A conformação topográfica, em que as áreascentrais são excessivamente planas, dificultando a drenagem, enquanto outras na periferia apresentam declividades acentuadas, contribuindo para aumentar a velocidade e, portanto, o potencial erosivo das águas superficiais;

O tipo de solo predominante no sítio urbano, o qual, em determinadas situações, apresenta franca suscetibilidade à erosão.

A Zona Central, pelo fato de estar localizada sobre o divisor de águas supra mencionado, desenvolve-se sobre terreno com baixas declividades, o que, somado à elevada vazão decorrente da impermeabilização do solo, ocasiona condições potencialmente críticas para o escoamento superficial e o funcionamento da rede de drenagem, condições essas agravadas, ainda, pelo fato da arborização pública perder sua folhagem no inverno, o que concorre para o entupimento das galerias nessa época do ano, fazendo com que, na temporada das águas, ocorram enchentes em pontos localizados da região. A par desses inconvenientes, soma-se o fato da rede de drenagem ter sido executada há muitos anos, quando o coeficiente de deflúvio era relativamente baixo e, embora fosse previsível o futuro adensamento da ocupação do solo na área, a mesma, por motivo de economia, foi dimensionada apenas para as contribuições da época, tornando-se incompatível com aquelas hoje verificadas, sobretudo durante as chuvas de alta intensidade. A substituição dessas tubulações por outras de diâmetro adequado é dificultada pelo fato de não haver cadastro da rede assentada, o que tornaria tal providência bastante onerosa e com elevado grau de transtorno para a população residente na região e seus usuários. (PLANO DIRETOR DE DESENVOLVIMENTO DE MARINGA, 2002, p.231)

Dados mais específicos sobre os sistemas de abastecimento de água, de coleta e tratamento de esgoto e de drenagem urbana podem ser consultados no documento para a elaboração do Plano Diretor desenvolvido pela prefeitura municipal em 2002.

Assim como na área rural, a situação dos fundos de vale dos corpos hídricos que interceptam a malha urbana é bastante preocupante. Como pode ser observado na mapa 02 – Saneamento Ambiental, existem poucos fragmentos de mata ciliar em torno dos ribeirões, fato que, aliado às características do solo da cidade, acarretou no processo erosivo bastante avançado.

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Atualmente, segundo levantamento realizado pela Secretaria de Meio Ambiente e Agricultura de Maringá, o município possui entre 2% e 3% de toda sua área coberta com algum tipo de floresta, sendo que esses remanescentes encontram-se em sua maioria nas reservas florestais e parques municipais. Por este quadro fica claro que os fundos de vale e as áreas de reserva legal do meio rural não foram respeitados. Quanto à qualidade desses fragmentos pode se dizer que se apresentam bastante degradados. Este fato ocorre pelo isolamento e falta de conectividade com outros fragmentos, de forma a garantir variabilidade genética. Outro problema está na ausência de monitoramento e fiscalização dos parques e fragmentos de vegetação existentes, acarretando em desmate clandestino, como vem ocorrendo no Parque das Perobas.

Ainda nas áreas de parques municipais, como é o caso do Parque dos Pioneiros (ou também conhecido como Bosque II) e Parque do Ingá, a degradação ambiental é preocupante visto apresentar sérios problemas de erosão e casos de voçorocas com proporções alarmantes.

Também neste caso, a interrupção dos corredores verdes previstos no desenho original da cidade (parques de fundo de vale com o cinturão verde em torno da malha urbana) causa a degeneração genética e diminuição gradativa da diversidade das espécies nativas dessas áreas.

Conhecida como uma das cidades com melhor arborização do Brasil, Maringá vem trabalhando para manter seu status e, conseqüentemente, o orgulho da população. Pela idade e trato cultural, várias destas árvores necessitam de substituição. No entanto, a cidade não conta com um plano de arborização que defina áreas prioritárias, prazos e espécies a serem utilizadas. A reposição das espécies removidas não tem acompanhado o ritmo de retirada ou queda, fato este que está comprometendo o conceito de cidade bem arborizada. Além disso, a arborização urbana tem sido objeto de podas, na maioria dos casos, drásticas e inadequadas, acarretando um processo de degeneração e envelhecimento precoce das árvores, com conseqüentes quedas.

A administração de Maringá apresenta grande quantidade de ações isoladas para solução de demandas na área ambiental, na maioria com caráter de urgência. A falta de uma Política Ambiental articulada com o restante da gestão municipal enfraquece o resultados destas ações.