1.2. METODOLOGIA
2.1.1. Contexto Global
2.1.1.2 Dimensão Territorial Ambiental
a) Sustentabilidade Ambiental
O desequilíbrio ambiental, conseqüência do uso inadequado dos recursos naturais, a geração de resíduos e a falta de conscientização tornou a questão ambiental o foco de inúmeras discussões nas mais diversas esferas da sociedade. Atualmente muitas das questões ambientais transitam entre fóruns locais e temas de pauta internacional.
a.1) O Contexto mundial e a questão da sustentabilidade no Brasil
A preocupação ambiental crescente desde a conferência de Estocolmo, 1972, vem recebendo contribuições de diferentes setores do conhecimento, preocupados em assegurar a melhoria da qualidade de vida no planeta. Na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro em 1992, que teve a Agenda 21 apresentada pelos países participantes, representou um avanço ao propor atingir essa melhoria por meio da operacionalização e disseminação do conceito de desenvolvimento sustentável.
O Brasil é considerado um dos países detentores de mega-biodiversidade. Abriga, cerca de 10 a 20% do número de espécies conhecidas pela ciência, principalmente nas suas extensas florestas tropicais úmidas, as quais representam um total de 30% das florestas desse tipo no mundo (MMA, 1998).
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O maior desafio tem sido conservar esse patrimônio biológico. A questão central da conservação da biodiversidade e seu uso sustentável está em implementar meios de gestão e manejo que garantam a continuidade de espécies, formas genéticas e ecossistemas.
O impacto que têm sofrido os biomas brasileiros decorre do processo de ocupação antrópica dos espaços nacionais, onde práticas econômicas e sociais inadequadas têm se perpetuado.
Muitas dessas práticas baseiam-se na idéia de que os recursos naturais são inesgotáveis.
Esses impactos podem ser avaliados pelo que ocorreu na Floresta Atlântica, hoje reduzida a menos de 10% de sua área original. No entanto, nos últimos anos, esses impactos têm sido mais sentidos na Amazônia e no Cerrado.
Em contra ponto a degradação desses biomas surge o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), o qual constitui-se em um dos principais instrumentos de conservação da biodiversidade hoje. Ele estabelece diversos tipos de unidades de conservação, segundo diferentes categorias de manejo, cujo objetivo é reduzir os riscos de empobrecimento genético do país, resguardando o maior número possível de espécies animais e vegetais.
Dentre os vilões dos impactos, como já citamos acima, está o processo de ocupação antrópica.
É evidente que a ocorrência de processos de uso inadequado (agrícola e não-agrícola) do solo, resulta em degradação, em vários níveis. Nesses processos, incluem-se principalmente:
acidificação, erosão e desertificação. A extensão dessas áreas é de difícil dimensionamento, mas reconhecidamente expressiva.
Os impactos negativos, na economia e no ambiente, decorrentes de formas inadequadas de uso do solo são preocupantes, exigindo reversão da situação. Segundo dados do IPEA (1997), as perdas ambientais associadas ao uso do solo em agricultura e produção florestal, causadas por processo de erosão, são estimadas em U$ 5,9 bilhões ou 1,4% do PIB brasileiro.
Esses impactos afetam a capacidade produtiva dos solos e os demais recursos naturais, principalmente os recursos hídricos. Além disso, suas conseqüências têm, muitas vezes, repercussões que extrapolam as áreas onde ocorrem. Assim, por exemplo, a erosão hídrica acelerada resulta no assoreamento e na poluição de cursos de rios e reservatórios de água, causando enchentes, destruição e pobreza em amplas áreas geográficas. São exemplos recentes dessa condição as enchentes ocorridas em vários municípios da região sudoeste que causaram enormes impactos e prejuízos à todas as populações atingidas.
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Com respeito aos recursos hídricos, a água doce presente em rios, lagos e lençóis subterrâneos, essencial à maior parte das atividades humanas é, no entanto, um bem escasso:
ela corresponde 0,3 % do volume total da água do planeta. E, por ser depositária de boa parte dos resíduos gerados pelas atividades humanas, a água doce de boa qualidade torna-se um bem cada vez mais raro.
No que se refere aos diferentes usos da água, predomina hoje, no Brasil, o princípio de “bem coletivo”. A Constituição de 1988 estabelece que, praticamente, todas as águas são públicas, sendo que, em função da localização do manancial, elas são consideradas bens de domínio da União ou dos estados, deixando de existir, desse modo, as águas comuns, municipais e particulares, cuja existência era prevista no Código de Águas de 1934.
Os problemas relacionados à área de recursos hídricos no país de um modo geral podem ser atribuídos a um conjunto de fatores inter-relacionados, como manejo inadequado do solo na agricultura; inexistência de práticas efetivas de gestão de usos múltiplos e integrados dos recursos hídricos; base legal insuficiente para assegurar a gestão descentralizada;
disseminação de uma cultura da abundância dos recursos hídricos (noção equivocada de que os recursos hídricos são inesgotáveis).
a.2) A questão ambiental no Paraná
A paisagem original do Paraná era largamente dominada pelas florestas, que cobriam 85% do território, deixando para os campos e várzeas, apenas 15%. Diversos fatores contribuíram para configurar os diferentes ambientes dessa paisagem, como a proximidade do mar, o tipo de solo, a existência de serras e planaltos elevados, de planícies ou de rios. Nesses ambientes formaram-se diferentes tipos de florestas.
Em 1965, quando o Código Florestal foi promulgado, as florestas do Paraná cobriam aproximadamente 4,8 milhões de hectares do território. Esta área de floresta correspondia a cerca de 28% da cobertura original do estado. O geólogo Reinhard Maak, responsável pelo mais completo estudo da paisagem do Paraná, calculava, naquela época, que já haviam sido destruídos quase 12 milhões de hectares de mata (SPVS, 1996).
Os números, hoje, são bem diferentes. Calcula-se que o tenha apenas 1,5 milhões de hectares de remanescentes das grandes florestas, 40% dos quais estão concentrados em áreas protegidas, no litoral e no extremo oeste. Outras áreas protegidas, como parques e reservas
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estaduais, constituem pouco mais de 1 % do total da área do estado com vegetação nativa. O restante das florestas do Paraná é constituído por reservas particulares, em geral pequenas e já alteradas pela retirada das melhores madeiras.
A grande redução de florestas nativas ocorreu nas regiões de agricultura dinâmica, transformadas em áreas críticas do ponto de vista de cobertura vegetal. Assim, as regiões que vão do Norte velho ao Extremo Oeste detêm, aproximadamente, 58% da área dos estabelecimentos rurais e apenas 25% da área de matas naturais do estado. Regiões como Paranavaí e Maringá, por exemplo, têm apenas 3,35% e 2,5% de suas áreas, respectivamente, com algum tipo de cobertura nativa. Essas ocorrendo em geral com maior concentração em propriedades com mais de 100 hectares.
b) Produção do espaço no contexto global
Como colocado no item 1.1.1 deste documento, em grupo o homem produz a partir da natureza para continuidade de sua própria vida, e neste produzir está incluído produzir espaço. O viver em grupo resulta em outros tipos de relações, além das relações de produção, como as de poder, cultura, religiosidade, etc. Pode-se dizer que o conjunto destas relações caracteriza o modo de vida do homem e, conforme o pensamento e valores que dão origem a estas relações se modificam através do tempo, também se modifica o modo de vida do homem.
O gradual aumento de complexidade do modo de vida do homem, representado especialmente pela sofisticação das relações econômicas, pela especialização da produção e pela divisão das atividades, traz como conseqüência a diferenciação e especialização dos espaços. Numa ordem de escala e no desenrolar do processo civilizatório o espaço produzido se configura como espaço rural, aldeias, vilas, cidades, metrópoles. E dentro destas categorias, o espaço pode ainda se diferenciar quase que infinitamente, dependendo do seu grau de sofisticação.
Nos dias de hoje, o modo de vida do homem é eminentemente urbano e universal. Urbano porque suas relações e seus valores (modo de produção, processo de acúmulo, serviços, lazer e entretenimento mais sofisticados) demandam cada vez mais a necessidade de se viver em grupos racionalmente concentrados em espaços menores, otimizando seu funcionamento. Os mesmos valores citados, aliados às conseqüências da aceleração do fluxo de informações, produtos e dinheiro, como a mundialização do consumo e o aparecimento de empresas transnacionais, têm um efeito globalizante sobre o modo de vida atual. Como conseqüência, o
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espaço produzido atualmente tem a cidade como elemento estruturante e preponderante, e resulta "da intervenção simultânea de redes de influência operando simultaneamente em uma multiplicidade de escalas e níveis desde a escala mundial até a escala local". (M. SANTOS: 1997, p.166)
O Brasil entra em sintonia com o processo de urbanização que vinha ocorrendo no mundo todo na década de 60. Até então era um país eminentemente rural, com um modo de vida rural e pouco sofisticado, situação condizente com a economia agrícola, baseada no setor primário. Em uma década a situação se inverteu. Em 1960 cerca de 55% da população era rural enquanto que 45% era urbana; dez anos depois, 60% da população era urbana enquanto que 40% era rural. O processo de urbanização se acelerou chegando em 2000 a ter 81% de sua população morando nas cidades.
Este fenômeno decorre de vários fatores dentre eles: o processo de industrialização que se intensificou neste período; o modo de vida que ficou mais sofisticado, com mais serviços, produtos, meios de lazer e entretenimento oferecidos, resultando na concentração urbana; a mecanização da agricultura, que teve como efeito a expulsão dos trabalhadores do campo; a inviabilidade por questões econômicas para pequenos proprietários produzirem e permanecerem no meio rural e; a pressão dos grandes proprietários para os pequenos venderem suas propriedades
O processo acelerado de urbanização a partir de centros urbanos tradicionais com uma história comum de colonização, aliado aos efeitos do modo de vida urbano resultam na cidade brasileira com características semelhantes que, genericamente, pode ser representada da seguinte maneira:
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Cidade tradicional Cidade Planejada
Área destinada ao mercado de média e alta renda Área destinada ao mercado de baixa renda Cidade Informal
Este gráfico é uma esquematização abstrata da configuração espacial da cidade brasileira, ou seja, as esferas apresentadas não são estanques, nem no espaço, nem no tempo. A cidade informal, por exemplo, apesar de ser mais freqüente em áreas periféricas, se manifesta inclusive em regiões tradicionais da cidade, na forma de cortiços, favelas em áreas públicas etc.
A cidade tradicional é formada pela cidade colonial ou pela cidade originária das necessidades (comércio/serviços) e relações provenientes de um modo de vida rural, onde a economia agropastoril é preponderante. Em geral possui desenho orgânico, sem muitos critérios formais de planejamento. O ritmo mais lento de produção do espaço que caracterizou esta fase da cidade permitiu ajustes e adaptações de forma natural e suave, em sintonia com as modificações socioculturais concernentes a sua história .
Em paralelo ao processo de industrialização e ao crescimento acelerado da população, as atividades e funções vão se especializando e se diversificando, modificando o modo de produção do espaço urbano. Devido à velocidade deste processo, a malha urbana se expande de forma rápida e acelerada, sem grandes possibilidades de ajustes graduais. As adaptações decorrentes da nova lógica de produção do espaço são bruscas e danosas para a cidade como um todo. Nesta fase, aumenta a necessidade de se implantar sistemas e infra-estruturas que melhorem o funcionamento, as condições de higiene e conforto das cidades, como por
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exemplo, redes de água e esgoto, sistema de transporte coletivo, sistemas de tráfego, etc. Ao mesmo tempo são criadas regras, normas e instrumentos de planejamento com o intuito de ordenar e controlar a produção do espaço urbano. Por conseqüência, o desenho da cidade tem um padrão mais formal, resultando no que está representado no esquema como cidade planejada.
O ato de planejar a cidade como conhecemos hoje tem influências desde a antiguidade clássica (como sistemas utilizados no império romano), mas tomou corpo a partir do séc XIX, em paralelo à revolução industrial, quando vários pensadores propuseram e executaram formas de melhorar a qualidade do espaço urbano dentro de uma nova lógica, obedecendo um novo ritmo, absorvendo e criando novas tecnologias. No entanto, esta maneira de planejar projetava uma cidade ideal, sem levar em conta os anseios políticos e sociais da maioria dos cidadãos e muitas vezes indo contra o modo de vida destas pessoas.
L’Illustration, 1868: Ilustração sobre a reestruturação urbana da cidade de Paris, planejada por Haussmann em meados de 1860
(BENEVOLO, 1983, p. 591)
Complementação e Adequação do Plano Diretor de Desenvolvimento de Maringá 43 Haussman: Parte do projeto de reestruturação urbana da cidade
de Paris (BENEVOLO, 1983, p. 591)
Pode-se dizer que esta maneira de planejar teve seu auge em meados do séc XX (período modernista da arquitetura e do urbanismo), quando se pensou que o espaço urbano produzido poderia modificar valores e costumes dos cidadãos a ponto de resolver problemas decorrentes do seu modo de vida.
Lúcio Costa: Plano Piloto de Brasília - 1960 (HOUSTON, 1993, p. 39)
Sobre a cidade planejada, dois aspectos chamam a atenção:
O processo econômico que caracteriza o modo de vida urbano acarreta um efeito de fundamental importância para a configuração atual das cidades: a terra se torna mercadoria. E quando a cidade cresce, este efeito se intensifica. Os terrenos passam a ser valorizados pela sua localização em relação aos serviços, funções, facilidades, infra-estrutura e condições de acessibilidade. Também surge o fenômeno da especulação imobiliária, ou seja, são formados estoques de terra não utilizada, na expectativa de valorização para a posterior venda, trazendo lucro ao proprietário.
Os padrões de ocupação do solo comumente definidos pelos planos diretores e zoneamentos estão baseados na lógica da economia e do mercado, ou acabam favorecendo esta lógica, fazendo com que a cidade planejada, formal ou legal, seja direcionada para uma parcela menor da população – classe média e alta – enquanto que a maior parcela da população é pouco contemplada. O resultado é que a maior área, a região mais central e infra-estruturada, é destinada a uma porção menor dos cidadãos, e a menor área, normalmente mais periférica, é destinada a maior porção da população.
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A população de baixíssima renda que não tem condições de acessar o mercado de terras acaba ocupando as áreas que sobram e as áreas externas ou intersticiais a cidade formal, dando origem aos parcelamentos irregulares. Ou seja, a cidade informal é constituída pelos terrenos com pouco ou nenhum valor, ocupados por uma faixa da população excluída das relações socioculturais que caracterizam o modo de vida atual, pessoas que não tem acesso aos benefícios e serviços oferecidos pela cidade.
Os efeitos referentes à distribuição espacial da população em relação à sua renda e à infra-estrutura implantada são bastante visíveis, destacando-se os seguintes:
A população de baixa renda, que deveria ocupar espaços mais próximos ao seu trabalho e aos serviços/atividades que auxiliariam na sua mudança de patamar econômico, não pode pagar por toda a infra-estrutura e facilidades instaladas na parte central da cidade.
Esta parcela da população acaba ocupando a periferia da cidade ou espaços sem valor imobiliário e de fragilidade ambiental, aumentando as dificuldades para a realização de suas atividades.
Os centros das cidades se esvaziam pela criação de um círculo vicioso formado pelo preço alto da terra – que inviabiliza moradia para classes média e baixa, bem como a instalação de uma grande camada das atividades produtivas – e pelo envelhecimento e degradação do espaço central – que afasta a classe social que pode pagar pelo espaço ou pela recuperação dele, além dos empreendimentos econômicos mais importantes. A substituição do uso residencial pelo uso comercial e de serviços, fenômeno comum nas cidades em processo de crescimento, causa a sub-utilização da infra-estrutura implantada, já que esta parte da cidade só é utilizada durante 8 ou 10 horas por dia.
A periferia se adensa com residências de baixo padrão em lugares com infra-estrutura precária, muitas vezes em ocupações irregulares. Permeado a elas estão condomínios residenciais de alto padrão, que não têm nenhuma relação com seu entorno, formando guetos e interrupções da malha urbana. Este fenômeno causa o aumento do percurso entre residência e trabalho, ou mesmo entre outros serviços urbanos, resultando em problemas de transporte e tráfego. A ocupação em áreas sem infra-estrutura causa problemas de saúde por condições inadequadas de higiene, além de contribuir para problemas ambientais pelo comprometimento da qualidade dos corpos hídricos.
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Como a população de baixa renda não pode pagar por espaços próximos ao centro, estes, por iniciativa própria ou por seus mercados, vão buscar novos terrenos externos à malha urbana, provocando um crescimento indefinido da cidade.
A expansão indefinida da malha urbana provoca conflitos entre o espaço produzido – a cidade, e a natureza – base para a produção do espaço. Ou seja, cria conflitos ambientais que causam poluição dos mananciais de abastecimento de água, diminuição da área verde, extinção ou degeneração genética de espécies de fauna e flora, interrupção de corredores de biodiversidade etc
As terras ocupadas pela população sem poder aquisitivo não são contempladas pelos instrumentos de planejamento e normas de controle urbano, causando distorções na lógica de produção do espaço urbano.
Grande parte destes problemas tem sua origem no distanciamento entre o planejamento urbano, que trata a cidade como objeto puramente técnico sem levar em conta relações sociopolíticas que também condicionam a produção do espaço, e a prática de gestão da cidade, que acaba incorporando os conflitos e influências políticas de maneira desarticulada e fragmentada.
Como pode se observar, as facilidades de contato criadas pelo modo de vida urbano atingem na prática apenas parte da população, devido à diferença no acesso a essas facilidades. O espaço urbano construído, além de refletir as diferenças geradas pelo modo de vida atual, amplia seus efeitos.
c) A questão da moradia
O processo de urbanização acelerada e as inovações tecnológicas, aliadas às mudanças estruturais que vêm correndo no cenário econômico mundial nas últimas décadas resultam, de um lado, em benefícios como uma maior possibilidade de interação entre povos e cidades, a sofisticação dos serviços, o aumento da qualidade e diversidade de produtos oferecidos à população. Por outro lado, o mundo passa por um processo de aumento da disparidade de renda, de exclusão social, precariedade do trabalho, que atinge não exclusivamente, mas com maior intensidade os países em desenvolvimento, como o Brasil. Estes efeitos negativos se manifestam claramente na produção do espaço, criando uma situação global de deterioração
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dos assentamentos humanos, ameaçando os próprios efeitos positivos do processo de urbanização.
No espaço, a disparidade de renda e a exclusão social se expressam principalmente na falta ou nas condições inadequadas de moradia, que atingem uma parcela significativa da população, com tendência de agravamento deste quadro.
Para dar continuidade no raciocínio, vale esclarecer o que se entende por moradia no mundo atual. Este assunto foi muito debatido nas duas Conferências sobre Assentamentos Humanos promovidas pelas Nações Unidas. Estas discussões resultaram nas seguintes definições:
Moradia não se restringe apenas à habitação edificada, mas abrange em seu conceito a disponibilidade de infra-estrutura e acessibilidade aos serviços urbanos e à cidade, bem como um conjunto de elementos que incluem dimensões culturais, históricas, sociais, econômicas, políticas, legais, ambientais, físicas e territoriais.
A moradia é considerada como direito humano, ou seja, existe a obrigatoriedade direta da prestação deste serviço por parte do Estado. Pela complexidade e intensidade do problema habitacional no mundo, ficou acordado na Conferência de Istambul que este direito deve ser efetivado de forma progressiva.
Entende-se também que o poder local, pela proximidade da problemática e dos cidadãos envolvidos, torna-se a principal força transformadora da realidade em pró do direito à moradia.
Entende-se também que o poder local, pela proximidade da problemática e dos cidadãos envolvidos, torna-se a principal força transformadora da realidade em pró do direito à moradia.