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DIRETRIZES DA INTERVENÇÃO

III | O PROJETO

QUESTÕES PROGRAMÁTICAS:

3.3. PROPOSTA DO EDIFICADO

3.3.2. DIRETRIZES DA INTERVENÇÃO

Com base nos principais eixos do projeto urbano – acessos, concetual e residencial – foram desenhados os espaços do núcleo de edificado central da aldeia. Junto ao eixo concetual estão implantados todos os edifícios cuja função está diretamente ligada à unidade hoteleira, fazendo com que todos os serviços estejam perto da zona central do hotel, área fortemente marcada através da transformação dos antigos terreiros da aldeia em grandes pátios, respetivamente designados por pátio dos jardins e pátio dos espelhos de água, interrompidos ao centro pelo eixo concetual, fisicamente marcado pela plantação de oliveiras e de um rego contínuo, cuja função, para além de uma questão prática de regadio, é reforçar a ligação concetual entre as termas e o hotel. Deste modo, este espaço central acaba por tornar-se numa das zonas mais emblemáticas, realçando a beleza do alçado da casa senhorial (futuro restaurante e sala de pequenos almoços) através da continuidade da simetria conferida a ambos os pátios.

A entrada para o hotel é efetuada pelo eixo de acessos, junto ao qual se encontram localizados os dois parques de estacionamento. Porém, de acordo com a finalidade da entrada, assim é atribuída uma área diferente, isto é:

Entrada principal. Esta será a primeira imagem que um visitante terá do Hotel Rural do Monte do Pereiro, orientando-o para a receção. Ao entrar no edifício, o visitante é recebido por um pátio delimitado a sul por fachadas envidraçadas (loja e receção), e a norte por um telheiro transformado num espaço de estar ajustável a todas as estações do ano – durante as estações mais quentes, este espaço permitirá manter uma temperatura relativamente mais fresca por nunca ser intersetado por raios solares devido à sua orientação; durante o inverno e o outono, através de uma fogueira suspensa, os visitantes poderão aquecer-se e desfrutar de um belo serão de convívio no exterior.

O pátio central será ainda embelezado por duas magnificas cerejeiras, cuja beleza natural é deslumbrante devido aos tons de rosa que a mesma acaba por adquirir durante a época de reprodução (primavera e verão). Contudo, a escolha desta árvore não se deve exclusivamente ao seu sentido estético, como também à sua função como técnica passiva devido às características da sua folhagem (folha caduca). Durante o verão, esta terá um forte papel no sombreamento das fachadas envidraçadas da loja e da receção; no inverno, a folha cairá, permitindo a passagem dos raios solares e o aquecimento dos espaços interiores. Serão plantadas duas cerejeiras e não uma, pois necessitam de ser plantadas aos pares de forma a viabilizar a reprodução da árvore.

A entrada na porta da receção foi intencionalmente pensada de forma a criar um ângulo que dirige o visitante para um segundo hall, elemento de transição para o

museu da herdade ou para o eixo concetual que dará posteriormente acesso a todos os espaços do hotel rural.

Entrada de serviço. Esta destina-se única e exclusivamente aos funcionários do hotel. Estes nunca deverão comparecer ao trabalho pela entrada referida no ponto anterior. Através do pátio desta entrada, os funcionários terão acesso às traseiras da receção, assim como também, a todos os espaços de apoio e administração, como copa, sala de refeições, balneários com sala de cacifos incorporada, espaço de estar, gabinete do diretor geral e respetiva sala de reuniões.

Entrada para cargas e descargas. Com espaço de manobra, as carrinhas de entrega de mercadorias (do mais variado tipo) poderão descarregar sem interromper a passagem pelo eixo de acessos, assim como também o acesso direto aos espaços de armazenamento.

Entrada para clientes externos. Apesar de não ser obrigatório o acesso pela entrada mais a norte do hotel por parte dos clientes externos, este foi desenhado e pensado como medida para aliviar a afluência no parque de estacionamento inicial e nos serviços de receção. Quem chega para frequentar um evento (por exemplo: casamentos; eventos de empresas; conferências; uma simples refeição no restaurante do hotel; entre outros), não necessita de passar pelos serviços de receção, pelo que poderá aceder ao eixo concetual através do pátio dos jardins, e deslumbrar-se imediatamente com a paisagem da envolvente.

Esta entrada poderá ser dividida em duas zonas, consoante a intenção da visita: se for para ir ao restaurante, poderá aceder diretamente pela fachada principal da casa senhorial, cujo acesso de faz pelo pátio dos jardins; no caso de se pretender chegar a um evento, a entrada poderá ser feita diretamente no nível do salão de conferências e refeições, cuja zona central é marcada por um jardim, pensado para realizar welcome drinks e coffee breaks.

Tendo em conta o projeto desenvolvido para o Hotel Rural, todos os sistemas convencionais de um hotel com funcionamento de serviços nas traseiras (escondidos do “olho” do cliente) e maioritariamente vertical não fará sentido ser tido em conta. Como tal, com a visita ao São Lourenço do Barrocal – Hotel e Monte Alentejano, foi permito entender o funcionamento de serviços de limpeza, logísticos e de manutenção segundo uma grelha horizontal e passível de ser observado pelos visitantes. Nos dois pátios dos funcionários estarão estacionados os carros de apoio logístico, semelhantes a um carro de golfe. Estes serão encarregues de deslocar os funcionários até aos locais cujo serviço é necessário, assim como também, transportar todo o material, como por exemplo, utensílios de limpeza, roupa lavada e suja, refeições solicitadas pelo cliente, entre outros.

Estes carros poderão também ser utilizados para transportar a bagagem dos visitantes, pois a distância de alguns dos quartos até à receção justifica a existência deste serviço. Porém, caso os clientes prefiram transportar os seus próprios bens, poderão fazê-lo, Fig. 39 | Identificação das várias entradas do Hotel

Rural.

pois o pavimento é apropriado para as rodas pequenas de uma mala de bagagem, e a inclinação em pleno espaço do hotel é mínima.

Todos os edifícios irão sofrer as alterações necessárias de modo a poderem adapta- se às novas funções, exceto dois deles, cuja função permanecerá: a capela e o edifício do pombal e forno a lenha. O edifício da capela da Herdade do Pereiro poderá ser considerado excecional, pois apesar da estética da fachada que se assemelha a um edifício que funciona como um só no seu interior, acaba por ser dividido ao meio, sendo que a outra metade funcionava como lavandaria e oficina de carros. De modo a não danificar a estrutura abobadada do interior da capela e todos os revestimentos ornamentais das paredes laterais, o projeto do Hotel Rural do Monte do Pereiro contempla uma generosa varanda, com grandes vãos rematados pelos arcos da estrutura do edifício, complementando assim, de forma generosa, a envolvente do espaço de cerimónias com um belo jardim e espaço de estar, cuja função é albergar todos aqueles convidados que poderão não caber no interior da pequena capela.

É de salientar a reabilitação feita no topo do edifício do salão de refeições, no patamar da casa senhorial. Este espaço, devido à sua lógica de funcionamento anterior, possui uma chaminé central, cujo espaço acaba por se tornar bastante interessante. De modo a criar uma zona de convívio e / ou de estar pensada para as estações mais frias do ano perto da zona de eventos, a proposta de intervenção prevê a eliminação das paredes laterais, mantendo apenas os largos pilares estruturais que suportam a cobertura. Deste modo, e à semelhança da fogueira suspensa junto à receção, os convidados poderão desfrutar, por exemplo, de um belo coffee break junto de uma fogueira, que apesar de coberto, dialoga diretamente com o exterior, estabelecendo ao mesmo tempo conexão visual com todos os espaços de eventos, assim como também com o pátio dos espelhos de água.

Por último, os dois edifícios de alojamento paralelos, junto ao pátio dos espelhos de água, serão alvo de uma intervenção mais acentuada, tendo em conta a intenção de criar um segundo piso de quartos. Atualmente, possuem um único piso, mas devido ao pé direito elevado, facilmente se transforma e rentabiliza um pouco mais o hotel, aumentando para o dobro o número de quartos individuais ou duplos destes dois edifícios.

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