3. CAPÍTULO II PRODUTIVIDADE E QUALIDADE DE
3.4. Discussão
3.4.1. Características agronômicas da pastagem
Da Trindade et al. (2007) e Giacomini et al. (2009 a, b) observaram alturas de pré- pastejo entre 20 e 30 cm de capim-marandu, sob lotação rotacionada, no momento em que o dossel atingiu 95% de IL. As alturas de pré-pastejo, ligeiramente maiores, no presente estudo, para o tratamento 95-LI, podem ser explicadas pelas condições pré-experimentais de pastagem que apresentaram grande acúmulo de massa, caule e material morto. A altura pós- pastejo utilizada neste estudo também foi maior do que a adotada pelos autores acima citados (10 e 15 cm). Maiores alturas do dossel na condição de pré-pastejo, geralmente observadas para 30-IP, estão relacionadas a um IP mais longo e IL maior. De acordo com Carnevalli et al. (2006) e Difante et al. (2011), IL acima de 95% cria uma competição pela luz que promovem estímulos para o alongamento dos colmos. Dessa forma, observaram-se correlações positivas (P <0,01) entre IP e IL (r=0,44) e IL e altura de pré-pastejo (r=0,74).
Maior interceptação de luz para o tratamento 30-IP durante o pré-pastejo evidencia que, para as condições locais, 30 dias de período de repouso excede o tempo necessário para o dossel atingir 95% de IL. Pelo o mesmo motivo, o IP foi menor para 95-IL . Similarmente, Pedreira et al. (2007) demonstraram que 28 dias de período de repouso foram excessivos para atingir 95% de IL em Urochloa. brizantha cv. Xaraés. Para o 3º período, a altura no pré- pastejo mais elevada no tratamento 30-IP podem ser explicadas pelo acúmulo das adubações e seu efeito residual ao longo dos períodos. Isso possivelmente levou ao aumento da altura do dossel no pré-pastejo para esta estratégia de manejo, e menor IP quando o pasto foi manejado segundo 95-IL.
A densidade de perfilhos foi semelhantes aos dados de outros trabalhos com capim- marandu, Sbrissia e Da Silva (2008) observaram 1046 e 1298 perfilhos/m2 para pastagens manejadas com 30 e 40 cm de altura, respectivamente, e Fialho et al. (2012) observaram 1179 perfilhos/m2 para pastagens manejadas segundo 95% de IL. Entretanto, estes últimos autores relataram um aumento na densidade de perfilhos em pastagens manejadas com uma menor altura pré-pastejo. A tendência de perfilhos mais pesados no tratamento 30-IP pode estar associada ao alongamento do caule, uma vez que, o peso dos perfilhos foi correlacionado
positivamente (P=0,01) com a altura pré-pastejo (r=0,33) e negativamente (P =0,01) com a relação folha/colmo (r=0,31).
Apesar da maior massa de forragem para 30-IP, é possível observar que 84,3% da diferença são representadas pela massa de caule e material morto e apenas 15,7% pela massa de folhas. Tal fato sugere o tratamento de 95-IL como uma melhor estratégia para o IP, uma vez que se adapta a diferentes condições climáticas, mantém a oferta de folhas e minimiza o acúmulo de colmos e forragem morta. Isso ocorre porque mudanças no padrão de acúmulo de forragem devido ao alongamento do caule e a senescência das folhas ocorrerem quando o IP permite que a IL seja maior que 95% (Pedreira et al., 2009; Sousa et al., 2013; Da Silva et al., 2015). Resultados semelhantes foram encontrados por Pedreira et al. (2007 e 2009), os quais observaram que IP onde a pastagem ultrapassou os 95% de IL resultou em maior acúmulo e maior massa de forragem no pré-pastejo. Entretanto o aumento foi representado, principalmente, por colmos e material morto.
A oferta de forragem não se alterou, provavelmente, devido ao ajuste da taxa de lotação com a entrada dos animais reserva no piquete. No entanto, esse ajuste foi feito considerando- se a massa total de forragem, e como o aumento da massa de forragem para 30-IP foi principalmente de colmos e material morto, a qualidade da dieta dos animais pode ter sido comprometida. A taxa de lotação foi maior para o tratamento 95-IL devido à redução do IP, que foi mais eficiente no ajuste da taxa de lotação do que a entrada de animais reserva no piquete quando o IP fixo de 30 dias proporcionou maior massa de forragem.
As composições morfológicas e químicas indicaram um melhores condições estruturais e nutricionais no pré-pastejo, para 95-IL. Esse fato está associado principalmente à redução do IP e sua influência na rebrota das plantas. Estratégias de manejo do pasto que proporcionam menor IP, geralmente resultam em menor alongamento do caule, aumento na relação folha/colmo e no valor nutricional da forragem. Nossos resultados para forragem no período pré-pastejo mostraram correlações negativas (P≤0,03) entre IP e relação folha/colmo (r=- 0,63) e IP e PB (r=-0,27), e correlação positiva (P<0,01) entre IP e o teor de FDN (r=0,41), os quais apóiam essa consideração. Além disso, Paiva et al. (2012) mostraram que as plantas tiveram folhas mais alongadas e caules mais curtos em perfilhos jovens, em comparação com perfilhos maduros e mais velhos em pastagem de capim-marandu. Essas observações também podem apoiar nossos resultados de maior proporção foliar, menor proporção de caule e maior relação folha/caule para o tratamento 95-IL, uma vez que, o IP para este tratamento foi consistentemente mais curto.
3.4.2. Degradabilidade in situ
Intervalos de valores para a fração “a+b” da MS similares aos do presente estudo foram apresentados por Zaninetti et al. (2010) para amostras de estrato pastejável de capim-marandu (80,5 a 84,9%). Já Lopes et al. (2010) observaram 79,4% para a mesma fração da MS, média ligeiramente inferior à menor do presente estudo, porém estes autores avaliaram amostras de capim-marandu coletadas aos 56 dias de rebrota comparadas aos 30 dias utilizados no presente estudo. Rodrigues et al. (2004) observaram que o avançado do estádio de maturidade do capim-marandu representou menor potencial de degradabilidade da MS no rúmen, condição semelhante aos resultados deste estudo, onde uma redução de cerca de seis dias no período de rebrota resultou em um aumento do potencial de degradação da MS para 95-LI. Além disso, semelhante aos resultados do presente estudo, Valente et al. (2010) demonstraram que a colheita de Panicum maximum cv. Tanzania antes dossel atingir 95% de IL pode aumentar a fração de MS potencialmente degradável da forragem.
A maior fração solúvel de PB na forragem do capim-marandu quando manejada segundo 95-LI proporcionou maior fração de PB disponível no rúmen. Considerando-se que as folhas apresentam maior proporção de conteúdo celular e menor proporção de parede celular em comparação com os colmos e a fração senescente, a maior disponibilidade ruminal da PB pode estar associada à maior relação folha/Colmo e menor material morto e FDN na forragem do tratamento 95-LI. Além disso, Moreira et al. (2004) trabalhando com Cynodon plectostachyus Pilger em condições semelhantes a este estudo observaram que a proporção de proteína indigestível foi diferente para folhas, caules e frações senescentes, especialmente para PB ligada ao FDA que pode chegar a 90% da PB em caules. Estes resultados sugerem que as práticas de manejo que mantêm maior proporção de folhas na forragem podem resultar em uma estratégia importante para alcançar maior disponibilidade de PB no rúmen.
Frações não degradáveis da FDN de amostras de estrato pastejável de capim-marandu variando de 15,2% a 21,4% foram apresentadas por Zaninetti et al. (2010), valores similares ao do presente estudo. Estes mesmos autores observaram que a FDN representou sempre mais de dois terços da MS das forrageiras avaliadas e observaram altas correlações (P<0,01) entre degradações de FDN e MS (r=0,99) e FDN e PB (r=0,94). Assim, o potencial significativamente maior de degradação da FDN no rúmen observado para o manejo de 95-LI indica maior uso da fibra da pastagem e melhor aproveitamento dos nutrientes desta forragem. Consequentemente pode-se reduzir a necessidade de suplementação de concentrado para
atender às necessidades nutricionais das vacas em lactação, sustentando a consideração de que o uso da estratégia 95-IL é útil para melhorar o valor nutricional das pastagens.
3.4.3. Produtividade de leite e seus componentes
O aumento da produtividade do leite para 95-IL pode ser parcialmente explicado pelo maior valor nutritivo de sua forragem. Isto é suportado principalmente pela maior relação folha/colmo, maior teor de PB, maior potencial e taxa de degradação da FDN para o manejo 95-IL, bem como pelas correlações positivas (P<0,01, r> 0,6) entre a relação folha/caule e todos os parâmetros de produtividade do leite apresentados na Tabela 7. No entanto, o fator que mais contribuiu para o aumento da produtividade do leite e seus parâmetros associados foi o menor intervalo de pastejo (em média 6 dias menos) apresentado pelo tratamento 95-LI, que reduziu a área utilizada e aumentou a taxa de lotação em 11,3%, isso permitiu um aumento de 21,8% na produção de leite por hectare. Voltolini et al. (2010) também demonstraram que o manejo rotacionado do pasto de capim-elefante quando o dossel atingiu 95% de IL foi capaz de aumentar em 30% a taxa de lotação em relação ao IP fixo de 26 dias e conseqüentemente a produção de leite por área em 34%.