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3. CAPÍTULO II PRODUTIVIDADE E QUALIDADE DE

3.2. Material e métodos

Todos os procedimentos com animais foram aprovados pela Comissão de ética para o uso de animais da Embrapa Gado de Leite (protocolo nº 16/2013).

3.2.1. Localização e condições edafoclimáticas

O experimento foi conduzido na Estação Experimental José Henrique Bruschi, da Embrapa Gado de Leite, Coronel Pacheco, Minas Gerais, Brasil (21º33'S, 43º16'W, altitude 410 m), de 01 de Dezembro de 2013 a 03 de Maio de 2014. O clima regional é Cwa (mesothermic) de acordo com Köppen, com o verão chuvoso entre outubro e março, e o inverno seco de junho a setembro. O estabelecimento da área total da pastagem ocorreu em períodos diferentes: uma parte foi estabelecida no ano de 2003 e a outra, no ano de 2008. Esse estabelecimento em anos diferentes foi realizado para complementar a área total da cultivar Marandu, necessária para realização dos experimentos. Desde 2009, os pastos vêm sendo manejados sob lotação rotacionada durante a estação chuvosa. Entretanto, no ano de 2013 a entrada dos animais na área e consequentemente o manejo do pasto só começou a ser realizado em dezembro de 2013. Este fato ocasionou um período (de outubro a dezembro de 2013) de crescimento pleno do pasto. Desta forma, no mês de dezembro foi realizado um pastejo com 20 cm de resíduo, a fim de uniformizar a área experimental. As coletas e amostragens começaram a ser realizadas a partir de 20 de janeiro de 2014.

Os dados climáticos observados durante o período experimental foram coletados em uma estação meteorológica automática, situada a 200 m da área experimental (Tabela 1). O solo da área experimental foi classificado como Fluvisol Distrófico (Organização de

Alimentos e Agricultura - FAO, 2006) ou um Neossol Flúvio Distrófico segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa, 2006), e apresentava as seguintes características químicas: pH em água = 5,0; matéria orgânica = 3,5%; P (método de Mehlich- 1) = 4,2 mg/dm3; K = 160 mg/dm3; Ca = 1,0 cmolc/dm3; Mg = 0,7 cmolc/dm3 Al = 0,15 cmolc/dm3, H + Al = 4,8 cmolc/dm3, capacidade de troca catiônica = 6,8 cmolc/dm3 e saturação de base = 30% . A pastagem foi adubada com 200 kg/ha de N e K2O e 50 kg/ha de P2O5 parcelado em três aplicações iguais no início dos períodos experimentais de acordo com a disponibilidade de umidade do solo (6 de janeiro, 18 de fevereiro e 4 de abril de 2014).

Tabela 1. Dados meteorológicos de Coronel Pacheco (Minas Gerais, Brasil) durante o período experimental e pré-experimental Período Temperatura (°C) UR1 Precipitação Média Média máxima Média

mínima Máxima Mínima (%) (mm)

Dias chuvosos Pré-experimental2 24,4 31,3 19,9 35,1 16,9 78,7 356,8 20 Primeiro3 24,5 32,4 18,7 34,4 16,5 72,7 61,6 9 Segundo4 23,7 30,7 18,8 34,7 16,4 79,2 112,4 19 Terceiro5 22,2 28,6 18,3 32,6 8,2 81,5 108,6 17

1UR, umidade relativa do ar; 2Período pré-experimental, 17 de Dezembro de 2013 a 19 de Janeiro de

2014; 3Primeiro período, 20 de Janeiro a 22 de Fevereiro de 2014; 4Segundo período, 23 de Fevereiro

a 28 de Março de 2014; 5Terceiro período, 29 de Março a 30 de Abril de 2014. Fonte: Estação

automática meteorológica de Coronel Pacheco (A557) do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET)

3.2.2. Delineamento experimental e tratamentos

A área experimental consistiu em quatro hectares de capim-marandu (Urochloa brizantha cv. Marandu) divididos em 4 módulos com 11 piquetes de 880 m2 cada. As amostragens foram organizadas em quatro repetições (piquetes), dentro de cada um dos dois blocos (sítios na área experimental), para cada um dos dois tratamentos e com medidas repetidas no tempo em cada um dos três perídos experimentais de 33 dias. As características morfológicas, qualitativas e produtivas da pastagem e da produção de leite foram avaliadas

pelo delineamento de blocos casualizados, os blocos foram definidos considerando diferenças edáficas de áreas experimentais.

Foram avaliadas duas estratégias de intervalos de pastejo (IP) em lotação rotacionada: (i) início do pastejo após 30 dias do último período de pastejo (período de repouso fixo - 30- IP) ou (ii) início do pastejo quando o dossel atingiu 95% de interceptação de luz (período de descanso variável - 95-IL).

3.2.3. Manejo do pasto e monitoramentos da interceptação luminosa

Em ambas as estratégias de IP, o período de ocupação nos piquetes foi de três dias. Foram utilizadas 18 vacas multíparas Holandês × Zebu com 548 ± 61,0 kg de peso corporal e 70,25 ± 18,1 dias em lactação (DEL). Foram distribuídas aleatoriamente nove vacas, balanceadas para produção de leite, PV e DEL, em cada tratamento de IP. O ajuste da capacidade de suporte foi feito visando um resíduo pós-pastejo de 20 cm de altura. Para isso, após a saída dos animais testes, foram adicionadas vacas secas Holandês × Zebu (com média de 550 kg de peso corporal) e removidas dos piquetes de acordo com a técnica de put-and- take (Mott, 1960). Dois piquetes adicionais foram disponibilizados e utilizados de acordo com os critérios de intercepção luminosa (IL), para garantir, se necessário, o ajuste do IP. A taxa de lotação (TL) foi calculada da seguinte forma: TL (UA/ha) = UA/S; Onde UA é o peso vivo (PV), em kg, de todas as vacas no piquete (incluindo as vacas secas extras) dividido por 450 (kg de peso vivo, unidade animal, Moreira et al., 2011); S, tamanho da área (ha). Para este cálculo, considerou-se apenas a área de pastejo útil por tratamento de IP, isto é, 22 piquetes para o tratamento IP-30 e um número variável de piquetes utilizados em cada período para o tratamento 95-IL. A oferta de forragem diária foi calculada por piquete, dividindo a massa de forragem de cada componente morfológico pela TL e dias de ocupação.

O monitoramento da IL pelo dossel foi realizado durante a rebrota, a cada sete dias, e quando IL estava próxima dos 95% almejados, a freqüência de avaliação foi aumentada para cada três dias. A avaliação foi realizada com um analisador de dossel (Accupar LP-80, Decagon Devices, Pullman, WA, EUA), com leituras em vinte pontos aleatórios de cada piquete.

3.2.4. Características agronômicas da pastagem

As alturas pré e pós-pastejo do dossel foram determinadas medindo-se 30 pontos aleatórios por piquete, com uma régua graduada em centímetros. Para estas medições, foram consideradas as leituras do nível do solo até o topo do dossel de folhas não estendidas. A massa de forragem foi estimada utilizando-se uma moldura de 0,25 m² (0,5 × 0,5), em que o material foi cortado rente ao solo, em três pontos representativos da altura média do dossel, e pesado após o corte. Parte das amostras foi utilizada para a determinação da matéria seca (MS) e outras análises químicas (MS – 934.01 e PB – 988.05 de acordo com AOAC, 1990, e FDN de acordo com Van Soest et al. 1991). Sub-amostras, representativas da massa de forragem colhida, foram separadas em folhas, caule e material morto. Após a retirada do material morto, os perfilhos foram contados e pesados. As frações foram pesadas e secas em estufa de circulação forçada de ar a 55°C por 72h para a determinação da MS.

3.2.5. Degradabilidade in situ

Para determinar a cinética de degradação no rúmen, pelo método in situ, às amostras foram obtidas por corte na altura residual média pós-pastejo (estrato pastejável), coletadas em 20 pontos de cada piquete. As amostras foram pré-secas em estufa com ventilação forçada (55ºC durante 72 horas) e processadas em moinho tipo Willy com peneira de crivo de 5 mm. Este material foi organizado em quatro amostras compostas referente a dois locais distintos na área experimental de cada manejo de IP.

Alíquotas de 5 g (base MS) de cada amostra foram pesadas e colocadas em sacos de nylon com abertura de malha de 50 μm, considerando uma relação de 17,5 mg de amostra por cm2 de área superficial do saco (Nocek, 1988). O material foi incubado no interior do rúmen de quatro vacas secas, da raça Holandês, fistuladas e alimentadas com dietas de silagem de milho ad libitum e 4 kg de concentrado (24% de proteína bruta - PB) por dia.

Todas as vacas fistuladas no rúmen receberam sacos filtro contendo as quatro amostras de forragem ao mesmo tempo (0 h), e os períodos de incubação foram de 3, 12, 24, 48, 72 e 120 h. Foram incubados, em cada vaca, três sacos por amostra de forragem para os tempos de incubação de 3 a 24 h, enquanto que para os períodos de 48 até 120 h foram incubados quatro

sacos. A composição química da forragem utilizada para a incubação ruminal in situ é apresentada na Tabela 2. Após o período de incubação os sacos foram lavados em água corrente até que a água saísse límpida e os resíduos foram analisados para MS – 934.01 e PB – 988.05 de acordo com AOAC, 1990, e FDN de acordo com Van Soest et al. 1991.

Tabela 2. Composição química da forragem utilizada para a incubação ruminal in situ

30-IP 95-IL

Bloco 1 Bloco 2 Bloco 1 Bloco 2

MS total (%) 22,9 23,0 22,6 22,5

PB (% MS) 12,1 11,5 14,6 14,5

FDN (% MS) 69,3 75,7 68,5 66,8

30-IP, período de rebrota fixo de 30 dias; 95-IL, pastejo realizado quando a radiação fotossintéticamente ativa interceptada pelo dossel atingiu 95%; MS, matéria seca; PB, proteína bruta; FDN, fibra em detergente neutro.

3.2.6. Produtividade do leite e seus componentes

As vacas foram ordenhadas, diariamente, às 6:00 e às 14:00 horas e a produção de leite foi anotada individualmente durante cada período. O suplemento concentrado foi fornecido durante a ordenha na mesma quantidade por vaca (média do experimento 6,5 kg/dia), determinado pelas médias das necessidades nutricionais das vacas, disponibilidade de pastagem, valor de referência dos parâmetros nutricionais para este tipo de pasto e ingestão esperada de pasto.

As amostras de leite foram colhidas em seis ordenhas consecutivas, uma vez por período, para determinar os teores de proteína, gordura e lactose e o extrato seco total, utilizando o aparelho de espectrofotometria de trans-reflectância ChemSpec 150 (Bentley Instruments Inc., Chaska, MN, EUA). A produção de leite corrigida para energia e foi calculada segundo NRC (2001) e a produção de leite corrigida para 4% de gordura segundo Gaines (1928) citado pelo NRC (2001).

A Produtividade (kg de leite/ha) foi calculada a partir da produção de leite (PL, kg/dia) observada nas vacas testes, e extrapolada para os valores de taxa de lotação total, incluindo as

vacas extras (UA/ha), para cada IP da seguinte forma: kg de Leite/ha = PL (kg/dia)/UA das vacas teste * UA total/ ha utilizados por dia.

3.2.7. Análise estatística

Os dados foram analisados como blocos casualizados com medidas repetidas ao longo do tempo utilizando o modelo PROC MIXED do SAS (2016). Os dados das características morfológicas, qualitativas e de produtividade do pasto e da produtividade do leite foram analisados considerando-se as áreas de campo como bloco (n = 2), IP (30-IP vs. 95-IL), períodos de pastejo (três períodos consecutivos) e a interação IP × períodos de pastejo. Os dados de degradabilidade in situ foram analisados considerando-se as vacas fistuladas no rúmen como bloco (n = 4), IP (30-IP vs. 95-IL), tempo de incubação (3, 12, 24, 48, 72 e 120 h) e interação IP × tempo de incubação. Quando apropriado, foi aplicado o teste de Fisher e o estudo de correlação (PROC CORR, SAS 2016) foi utilizado para calcular a correlação de Pearson entre pares de variáveis. A significância estatística foi considerada quando P≤0,05 e tendência para 0,05 <P≤0,10.

Os parâmetros da cinética de degradação ruminal foram estimados utilizando o procedimento PROC NLIN (SAS, 2016). A cinética de degradação da MS e PB foi estimada pelo modelo descrito por Ørskov e McDonald (1979), usando o algoritmo de Marquardt para ajustar a regressão não linear: p = a + b (1 - e-ct) onde p é a quantidade degradada durante o tempo t; a = fração solúvel em água; b = fração insolúvel potencialmente degradável; c = taxa de degradação de b. Para FDN a cinética foi descrita pelo modelo proposto por Mertens e Loften (1980) usando o algoritmo de Gauss-Newton para ajustar a regressão não linear: R = b × e-c(t-L) + U onde R é o resido remanecente no tempo t, b é a fração degradável, c é a taxa de degradação constante de b, L é o lag time, e U é a fração não digestível.

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