Com a realização das entrevistas, verifica-se que a percepção das lideranças locais e dos técnicos da CML sobre o DL é compatível com o entendimento extraído dos textos anteriormente estudados, resultado, presume-se, de vários anos e diversos programas e políticas que articulam a colaboração entre esses atores. A ideia de que o DL não deve se restringir à dimensão física do território, mas, pelo contrário, deve apostar na capacitação e articulação das pessoas e entidades locais, está clara nas respostas conseguidas. A criação de redes colaborativas, o uso dos GABIPs, a continuidade de projetos que se reciclam ao longo de vários anos de financiamento – ou seja, o uso das ferramentas disponíveis, ainda que aquém de suas possibilidades – evidenciam a importância do papel político do BIP/ZIP como indutor de articulações multinível nos territórios atingidos.
No entanto, é sentida a dificuldade em perceber a eficácia das estratégias adotadas, exatamente pelo fato de as melhorias, muitas vezes, não atingirem a dimensão física e mais tangível dos territórios. Embora os entrevistados sejam unânimes em reconhecer que o BIP/ZIP promove o DL, também identificam que por si só ele não é suficiente, dependendo do trabalho contínuo das entidades e de um trabalho de monitorização que ainda não é feito e do qual já se sente falta para, pelo menos, atualizar os diagnósticos iniciais.
Embora o reconhecimento do território e o estabelecimento de parcerias sejam passos fundamentais em um processo de DL, percebe-se que a limitação dos recursos financeiros disponibilizados e a rápida duração dos projetos restringem a possibilidade de ganhos maiores e contínuos. E a inserção do BIP/ZIP em marcos regulatórios se, por um lado, representa uma certa limitação na capacidade de inovação, por outro, representa um esforço de transparência e cumplicidade entre as instituições signatárias, importante para conseguir a confiança das comunidades.
Por fim, conclui-se neste estudo que, embora bem fundamentado em um amplo rol de acordos e instrumentos reguladores, o sistema BIP/ZIP precisa atualizar objetivos e ferramentas com base em uma permanente observação das transformações por ele causadas nos territórios. A construção de mecanismos que permitam elaborar diagnósticos continuados (em tempo real) e que consigam ampliar as redes de colaboração, transferindo aprendizagens acumuladas para todos os atores envolvidos, poderia ser um importante ponto de virada para uma nova e atualizada versão do BIP/ZIP.
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