Nesse trabalho, algumas relações entre os dados podem ser visualizadas diretamente. Pode-se observar, na figura 1, que o tempo de treino maior, corresponde à quantidade de erros menor. Porém, não há uma relação direta entre a idade dos atletas com o seu tempo de treino e consequentemente com seu desempenho na tarefa I, como apresentado em Anexo A. Sugerindo então, que os atletas mais experientes podem não ter uma melhora da atenção propriamente, mas sim discriminar melhor os estímulos, quando expostos a uma situação fora do contexto esportivo. Pois, pode-se notar que, os atletas então mais novos também apresentaram quantidade de erros não coerentes com o seu tempo de treino; como por exemplo: os atletas RM, GUIL e BRS tem tempo de treino e idade menores que os atletas EDU, TSS e HJ. No entanto, erraram menos na tarefa I, logo, desempenhando muito bem a exigência da situação, que foi, responder corretamente o mais rápido aos estímulos discriminando-os. Não basta responder rapidamente a um estímulo, mas sim responder rápido e corretamente ao mesmo.
Quando a tarefa I é dividida em blocos de erros, como é ilustrado na figura 2, percebe- se de modo geral uma maior concentração de erros no último bloco (barras pretas=B4). Nota- se que já nesse ponto da tarefa o participante encontra-se com o seu nível atencional comprometido, ou seja, cometendo mais erros diante de uma mesma situação (repetição dos estímulos). Desta forma essa idéia compactua com o citado na literatura de Mackworth (1948) apud Sternberg (2000), que afirmava já nesta época de seus experimentos, que os decréscimos de vigilância não são devidos principalmente à redução da sensibilidade, mas mais exatamente ao aumento da sua dúvida sobre suas observações percebidas, aumentando por conseqüência as probabilidades de erros. E ainda, ressalta mais a questão da fadigabilidade atencional citada no início deste estudo.
A possibilidade de discriminar os estímulos mais rapidamente e responde-los de forma correta, enfocam-se na tarefa I, e em particular com os dados destacados na tabela 2. As médias de acertos direita e esquerda, erros direita e esquerda e a média de velocidade (tempo de reação); vai de encontro com a afirmação de Frisselli e Mantovani (1999) através dos estudos de Zatziorski (1989), “que o tempo de demora para a elaboração da resposta de acordo com a experiência motora prévia”, o chamado t3 apresentado no quadro 1; é o de maior desenvolvimento no que diz respeito aos fatores treináveis e não treináveis da atenção.
Na tarefa II ao observar a figura 3, as muitas e diferentes variações relacionadas entre tempo de treino e quantidade de erros, provocam basicamente nenhuma correlação entre os
33
dados encontrados. E mesmo que excluindo os participantes PR e ESM não podemos considerar os dados significativos para os objetivos deste estudo. No entanto, na mesma tarefa II, porém agora na figura 4, onde é feita a divisão dos blocos por quantidade de erros, nota-se uma concentração particular altíssima de erros no bloco inicial (B1), mas também e, principalmente no bloco (B4). Percebe-se no bloco final, a “fadigabilidade”, definida por nós no início deste estudo como sendo a perda gradual da capacidade de sustentação da atenção, o que foi justamente a intenção do teste devido a sua longa duração.
Mesmo os atletas com maior tempo de treino cometeram muitos erros na Tarefa II, característico em tarefas com repetição de estímulos e com mais de dez minutos de duração. Sternberg (2000), afirma que o treinamento pode ajudar a aumentar a vigilância, mas em tarefas que exigem vigilância ininterrupta a fadiga atrapalha o desempenho.
Na tarefa II os atletas tinham que somente confirmar presença do sinal ou ausência deste, mas ao final do teste apresentaram não só maior quantidade de erros, do que em comparação a tarefa I, mas também maior quantidade de erros no último bloco, quando comparados pelas figuras 2 e 4. Apesar da tarefa I ter um componente discriminatório (sinais indicando lados), em contrapartida a tarefa II foi mais longa. Isso pode ser um indicativo de que os sujeitos podem acertar mais não só quando diz respeito à duração da situação, mas principalmente quando há um aspecto perceptivo discriminatório.
Logo, o foco da atenção na Tarefa I é mais eficiente por parte dos atletas quando existe um componente para ser identificado diferente do outro e não simplesmente o fato de presenciá-lo ou não. Esta idéia tem relação com os estudos citados de Silva e Applebaum (1989), sobre as estratégias de atenção associativa e as estratégias de atenção dissociativas, onde comparam as estratégias de maratonistas bem sucedidos com os não tão bem sucedidos; como monitoram seu foco durante muito tempo associando ou dissociando a outros fatores.
Foi confirmado, portanto, melhor desempenho dos atletas mais treinados na tarefa I. O subgrupo mais treinado também mostrou melhor desempenho na segunda metade da tarefa (mostra melhora de concentração). Considerando apenas esses resultados podemos dizer que a sustentação de atenção é de fato melhor em atletas mais treinados.
Interessantemente a diferença parece mais importante no último bloco. Porém como a tarefa I inclui discriminação e alocamento temporal, ambos fatores poderiam haver contribuído para melhor desempenho. Conforme a ausência tanto de correlações significativas entre tempo de treino e desempenho, como de diferenças de desempenho entre subgrupos na Tarefa II, duas possibilidades devem ser consideradas:
34
A) O melhor desempenho dos atletas mais treinados é devido apenas à melhor sustentação da atenção e uma melhora da capacidade de discriminação, e não do alocamento temporal de atenção propriamente, ou;
B) um efeito de saturação de fadiga impossibilitou a verificação de diferenças de desempenho na tarefa II. Ou seja, neste caso, um melhor alocamento temporal em atletas mais treinados não pode se notado, pois todos haveriam iniciado a segunda tarefa igualmente fadigados.
Preferimos à hipótese A, pelo fato de todos os atletas haverem iniciado a segunda tarefa imediatamente após a primeira, e não termos verificado melhor desempenho dos atletas mais treinados ao menos no bloco 1 da tarefa II.
Portanto, concluímos que o melhor desempenho na tarefa I parece dever-se apenas à melhor sustentação da atenção e a uma maior capacidade de discriminação e não ao alocamento temporal propriamente dito.
35