3 AS ESTRATÉGIAS DE RESISTÊNCIA AO PROCESSO DE
3.2. AS ESTRATÉGIAS DE RESISTÊNCIA
3.2.1. Discutir sobre o processo de adoecimento dentro das escolas
Ressalta-se que, para as professoras que responderam a esta pesquisa, discutir sobre o processo de adoecimento é uma das ações explícitas mais frequentes: pode ser em rápidas conversas entre professores durante alguma troca de aula ou podem envolve
professores durante um intervalo maior, como o recreio. Essas discussões, na maioria das vezes, não são organizadas por ninguém em especial, não têm nenhum objetivo específico e não se realizam de forma combinada. São motivadas pela observação do grande número de professores ausentes, por algum comentário discriminatório de alguma chefia, por alguma notícia veiculada pela imprensa que muitos tenham visto ou, como na maioria das vezes, por alguma situação desgastante vivenciada por vários professores na escola – o número excessivo de alunos em determinada turma, por exemplo.
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ão
30,30%
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branco
7,27%
ão de ações explícitas de enfrentamento ao
As ações explícitas que mais se destacaram nas respostas foram: debates sobre o tema nos intervalos de trabalho (18,78%); cobrança de erem realizadas pela Secretaria Municipal de Educação (12,72%); cobrança de ações a serem realizadas pela direção da escola (10,90%); e inclusão de ponto em pauta das reuniões pedagógicas
3.2.1. Discutir sobre o processo de adoecimento dentro das escolas
se que, para as professoras que responderam a esta pesquisa, discutir sobre o processo de adoecimento é uma das ações explícitas mais frequentes: pode ser em rápidas conversas entre professores durante alguma troca de aula ou podem envolver vários professores durante um intervalo maior, como o recreio. Essas discussões, na maioria das vezes, não são organizadas por ninguém em especial, não têm nenhum objetivo específico e não se realizam de grande número de professores ausentes, por algum comentário discriminatório de alguma chefia, por alguma notícia veiculada pela imprensa que muitos tenham visto ou, como na maioria das vezes, por alguma situação desgastante o número excessivo de
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A discussão sobre o processo de adoecimento entre poucos professores pode muitas vezes servi-los como simples desabafo, o que já seria uma importante ação de defesa. Mas pode também ser o estopim para uma ação de resistência – o primeiro passo para que os professores se organizem coletivamente e cobrem ações por parte da direção da escola ou mesmo de órgãos governamentais.
Discutir sobre o que está afligindo os professores pode contribuir para que eles se percebam no mesmo problema, para que se despertem coletivamente para o que está gerando sofrimento. Discussões assim podem não ter desdobramentos posteriores, mas, sem elas, ações mais significativas, como entrar como ponto de pauta em uma reunião pedagógica, por exemplo, também não aconteceriam.
Assim, as ações explícitas percebidas pelas professoras informantes estão interligadas, pois, geralmente, a demanda que assegura a discussão em uma parada pedagógica parte de uma discussão inicial envolvendo poucos professores. Posteriormente, pode desencadear ações de cobrança da chefia imediata quando é deste o poder para solução, ou ações de cobrança do órgão central quando é dele a responsabilidade. Essas demandas também podem sair do espaço restrito da escola e ser apresentadas ao conselho deliberativo do sindicato ou diretamente em uma assembleia, e se tornar uma ação coletiva de luta. É o que se verá a seguir.
À questão que perguntava se o sindicato pode ajudar na prevenção ao processo de adoecimento, 63,03% das professoras responderam sim; 26,66% responderam não; 5,45% não sabem, nunca pensaram no assunto, nunca precisaram; e 4,84% não responderam.
Gráfico 15 – Se o sindicato pode ajudar na prevenção ao pr adoecimento
Fonte: Dados fornecidos pelos questionários
Para a questão que perguntava de que forma o sindicato pode contribuir na prevenção ao processo de adoecimento, as principais respostas foram: lutando por melhores condições de trabalho (8 garantir em todas as datas-bases reivindicações voltadas para a saúde dos trabalhadores (26); organizando atividades de formação que esclareçam o motivo do processo de adoecimento (18); e desenvolvendo programas de prevenção ao adoecimento (9).
Essas respostas são significativas principalmente em dois aspectos. Em primeiro lugar, fortalecem o que se discutiu no capítulo dois: que as professoras que responderam o questionário estabelecem relação entre o processo de adoecimento dos professores do ensino fundamental da rede municipal de Florianópolis e a organização e as condições de realização de seu trabalho. Isso demonstra que a lógica de convencimento dos trabalhadores de que seu problema de adoecimento é literalmente problema seu não está dada para a maioria das professoras informantes. Em segundo lugar está o fato de essas trabalhadoras verem o sindicato como espaço de organização a partir do qual podem reivindicar ações de prevenção ao processo de adoecimento e que pode ser colocado como responsável pela organização da “luta por melhores
63,03%
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Se o sindicato pode ajudar na prevenção ao processo de
Para a questão que perguntava de que forma o sindicato pode contribuir na prevenção ao processo de adoecimento, as principais respostas foram: lutando por melhores condições de trabalho (83); bases reivindicações voltadas para a saúde dos trabalhadores (26); organizando atividades de formação que esclareçam o motivo do processo de adoecimento (18); e desenvolvendo espostas são significativas principalmente em dois aspectos. Em primeiro lugar, fortalecem o que se discutiu no capítulo dois: que as professoras que responderam o questionário estabelecem relação entre o processo de adoecimento dos professores do ensino undamental da rede municipal de Florianópolis e a organização e as condições de realização de seu trabalho. Isso demonstra que a lógica de convencimento dos trabalhadores de que seu problema de adoecimento é aioria das professoras informantes. Em segundo lugar está o fato de essas trabalhadoras verem o sindicato como espaço de organização a partir do qual podem reivindicar ações de prevenção ao processo de adoecimento e que pode “luta por melhores
Sim Não Não sabem Em branco
condições de trabalho”. Essa foi a resposta que mais se destacou e que será discutida a seguir.