SONDAR, EXPLORAR E PRÉ-AVALIAR
3.4. Práticas de ensino
3.4.4. Do-it-youself materials
O Do-it-yourself materials (materiais autoproduzidos) corresponde às práticas coletivas ou individuais nas quais os materiais e os processos produtivos, além dos produtos, são também invenções dos designers (Rognoli et al., 2015).
O curso baseado nas práticas do DIY dos materiais é oferecido aos estudantes de Mestrado em Design de Produto do Politécnico de Milão desde 2015 sob orientação da professora Valentina Rogonoli. O conteúdo é facilitado pelo processo de ideação do método Material Driven Design.
A iniciativa didática consiste na produção de um produto/material original pelos estudantes. Os estudantes realizam experimentos com ingredientes básicos, como descartes, alimentos e plantas. Em seguida, testam técnicas e processos de baixa tecnologia provenientes de outras disciplinas como a culinária e a química, ativando um cruzamento transdisciplinar que resulta em projetos originais, poéticos e sustentáveis.
Os objetivos didáticos eram:
• Obter experiências práticas e experimentais com os materiais.
• Entender o papel das qualidades expressiva-sensoriais dos materiais.
• Entender as experiências táteis dos materiais.
• Aprender a criar recursos de registro do processo e usá-los na aprendizagem concreta da experiência.
Nesta iniciativa, a abordagem permite explorar os materiais na prática. Os participantes ganham competências para estruturar e refletir suas experiências a partir da experimentação e da teoria.
3.5. Síntese do capítulo
O processo de design, embora não ordenado por operações sequenciais padronizadas, ocorre a partir do desenvolvimento de quatro grandes conjuntos de ações gerais que buscam solucionar um problema de design e se caracterizam pela coleta de informações, síntese, avaliação e implementação da solução.
O design de produto para a valorização de territórios considera as relações de territorialidade e a complexidade da dinâmica de tornar os valores e qualidades dos produtos visíveis e reconhecíveis, com vantagens competitivas e sustentáveis. Portanto, o esforço no planeamento, compreensão e síntese do problema são extremamente relevantes e, neste contexto, a atenção as fases de coleta de informações e síntese é oportuna.
Da mesma forma, vê-se a etapa de avaliação de oportunidades como crucial na geração de ideias inovadoras. Livres das restrições produtivas, comerciais ou funcionais, é o momento em que o designer pode transformar uma reflexão numa ideia de projeto. Nesta fase criativa e conceitual há liberdade para gerar ideias novas, experimentar aplicações e realizar pré-avaliações.
Alguns modelos de processo de design são voltados para projetos nos quais os materiais são previamente definidos. Estes modelos conhecidos como Design Orientado pelos Materiais oferecem propostas de reflexão sobre o papel dos materiais no projeto em desenvolvimento numa análise contínua de sua interação com o utilizador final do produto. No âmbito do design para a promoção de territórios estes modelos interessam para projetos que têm em vista explorar de forma sustentável o material local como capital territorial. Neste sentido, algumas experiências de ensino de materiais têm sido implementadas na Europa.
Para cada uma das fases fundamentais do processo de design, existem métodos e ferramentas que formalizam o cumprimento das tarefas e definem a sistemática de trabalho. Os métodos são executados a partir de técnicas ou ferramentas, físicas ou conceituais, e se distiguem pela finalidade. Neste capítulo, foram apresentadas 16 ferramentas consideradas adequadas para sondar territórios, explorar ideias de produto e pré-avaliar soluções. As ferramentas foram selecionadas tendo em vista suas finalidades aplicadas e a adaptabilidade para o contexto do design orientado pelos
3.6. Referências bibliográficas do capítulo
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